sábado, 6 de fevereiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Preparada nova licitação para coleta de lixo

Daíza Lacerda

Após cinco anos, a prefeitura prepara uma nova licitação para o serviço de coleta e manejo de lixo doméstico. Desde 2011, a Tecipar executa o serviço, tendo o contrato de um ano renovado.
O secretário de Obras e Serviços Públicos, Marcelo Coghi, explicou que a renovação é permitida em contratos de serviços essenciais, a exemplo da coleta de lixo e capinação. No entanto, esgotaram-se as possibilidades de renovação. "A renovação ocorre sempre que for vantagem para o poder público", acrescentou, já que uma licitação anual poderia acarretar contratempos no serviço com a troca de empresas.
No último ano, o serviço custou cerca de R$ 28 milhões, sem considerar a correção da inflação. Ainda não há estimativa de quanto poderá custar no próximo contrato, mas o certo é que não se trata de serviço para empresas pequenas, como salienta Coghi. "É um custo de administração e manutenção muito grande, é preciso ter muitas máquinas. Além da coleta, é feita a destinação dos resíduos. São 90 mil litros de chorume por dia, que são transportados em três caminhões-tanque para Paulínia", informa. Já a coleta chega a 200 toneladas de lixo por dia.


Publicado na Gazeta de Limeira.

Execução de calçadas pode ser retomada em dois meses

Daíza Lacerda

Foi concluída a concorrência pública para eventual contratação de serviços de manutenção de calçadas e passeios de áreas e prédios públicos. A empresa Romaréllo venceu o certame com o menor valor, de R$ 1.799.649,50. O serviço consiste na execução de calçadas e rampas de prédios públicos, que tem demanda remanescente após o fim do último contrato.
Secretário de Obras e Serviços Públicos, Marcelo Coghi explica que, a exemplo do contrato anterior, o valor da licitação não necessariamente será usado na íntegra. O último contrato terminou em setembro passado, com R$ 1,8 milhão gasto dos R$ 2,5 milhões empenhados.
Apesar da publicação da classificação das concorrentes e dos preços, ainda há prazo de cinco dias úteis para eventual recurso. Se isso não ocorrer, a assinatura do contrato pode ocorrer em cerca de 30 dias. Já os serviços devem demorar mais para ser retomados.
Coghi explica que ainda será analisado no orçamento o quanto da  verba será disponibilizada para o serviço. Portanto, ainda não há projeção do quanto vai ser empenhado, o que dependerá também das contas de outras demandas. Esse trâmite deve demorar ao menos 60 dias.
Quando o serviço for retomado, a prioridade será locais como escolas e pontos de ônibus, já que o contrato prevê também a acessibilidade, com rampas.

Publicado na Gazeta de Limeira.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Conselho lista imóveis públicos que serão tombados

Objetivo é proteger patrimônio contra intervenções que os descaracterizem

Daíza Lacerda

Imóveis públicos como o Palacete Levy, prédio Coronel Flamínio (do museu) e complexos ferroviário e do Prada são alguns patrimônios públicos históricos prestes a serem tombados. O consenso é do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Limeira (Condephali), que aprovou uma lista de imóveis públicos que devem receber a proteção formal.
Resta a conclusão da parte burocrática para que a publicação formalize o tombamento, como explicou o presidente do Condephali e secretário de Urbanismo, Alex Marques Rosa. Com isso, os imóveis só poderão receber intervenções se o projeto for aprovado pelo conselho, de forma a manter a caracterização das épocas de sua construção.
O secretário esclarece que o intuito é de controle social sobre qualquer intervenção, além de abrir a possibilidade de buscar recursos para a conservação. Não limita, por exemplo, manutenções que podem ser feitas, ou até mesmo pinturas são permitidas. Já trocas de janela ou portas, por exemplo, que possam descaracterizar o imóvel, demandam estudo e apreciação do conselho.
IMÓVEIS
O Palacete Levy já foi inscrito no livro tombo por conta de uma decisão judicial, mas a situação será formalizada. Já o prédio Coronel Flamínio Ferreira de Camargo, primeiro grupo escolar de Limeira, já é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), pelo vínculo com o Estado em sua origem. Mas receberá também a proteção no âmbito municipal.
Inaugurado na década de 50, o Mercado Modelo configura um dos mais "novos" da lista, que contempla ainda o antigo prédio da Cesp, na rua Dr. Trajano. Atualmente, o local abriga a Vara da Fazenda Pública. A capela Santa Cruz do Cubatão, na avenida Campinas, também será tombada
O tombamento se estenderá em blocos de imóveis, a exemplo do complexo Prada, com a escola, creche e Paço Municipal. Outro complexo é o ferroviário, que terá contemplados o galpão, pátio e estação. As antigas casas dos ferroviários não estão inclusas pelo município ainda não ter a posse das mesmas. O conjunto pertencia à Rede Ferroviária Federal, que foi extinta. Agora, os bens têm de ser passados à Secretaria de Patrimônio da União para, posteriormente, ser pleiteada a transferência para o município.
Também foram aprovados os tombamentos da gruta da Praça Toledo Barros, do Teatro Vitória e dos prédios de três escolas: Etec Trajano Camargo, EE Castelo Branco e EE Brasil. No entanto, devem ser checados possíveis entraves nas escolas, por pertencerem ao Estado.
MUROS DO PRADA
Também foi "enterrada" a ideia de mexer nas muretas do Edifício Prada, intervenção projetada à época que os muros da creche do mesmo complexo foram derrubados sem aval do Condephali. O cancelamento do processo foi formalizado recentemente com publicação no Jornal Oficial.
Alex considera que o projeto contrariava ideias mais progressistas de urbanismo, ao propor tirar espaço dos pedestres em benefício dos carros. Agora, a intenção é oposta, com estudos de aumentar o espaço para circulação de pedestres. Mas a aplicação ficaria para outro momento, devido às questões financeiras.
Já a situação do muro da creche é motivo de cobrança judicial. O conselho optou por uma medida chamada princípio de distinguibilidade, em que a diferença do antigo para o novo deve ser marcada com a colocação de gradis. É a opção para não construir muros falsos à moda antiga e formalizar a intervenção feita à revelia do conselho em 2012.


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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Estragos ainda são herança das chuvas de janeiro nos bairros

Áreas danificadas estão à espera de solução; obra de recuperação pode chegar a R$ 180 mil

Daíza Lacerda

As chuvas da primeira quinzena de janeiro, principalmente a do dia 12, quando a precipitação foi acima de 100 milímetros (mm), deixaram estragos que ainda não foram totalmente solucionados. Parte deve receber manutenção a partir desta semana, mas há danos que demandarão licitação, com custo superior a R$ 100 mil.
No Parque das Nações, a passarela que liga o bairro ao Cecap, na rua Josino Alvarenga Guimarães, passa por obras para a recomposição de um dos acessos. A previsão é que o serviço seja concluído no final desta semana, caso não haja imprevistos. É o que afirma o secretário de Obras e Serviços Públicos, Marcelo Coghi.
Ainda no Nações, duas situações permanecem a mesma de meados do mês passado na rua Joaquim Pompeu. A primeira é o deslizamento de terra numa área verde, que cedeu com o volume da enxurrada, comprometendo o pavimento. Parte da calçada cedeu, mas o tráfego no local permanece normal, senão por alguns cavaletes sinalizando a área.
Metros à frente está o acesso à passarela de madeira que liga duas áreas do mesmo bairro. A sustentação de terra um dos lados cedeu, deixando a passagem suspensa sobre madeiramento da própria estrutura. O risco não inibe pedestres, que preferem se arriscar a dar a volta na extensão de toda a área. "A passarela é bastante usada, muita gente atravessa para trabalhar nas fábricas de joia", relatou o morador Lupércio Correa, de 46 anos.
Na rua Manoel Queiroz, no Jardim Boa Vista, a erosão que, no dia da chuva, levou apenas terra, já engoliu metade de uma das faixas, que permanece sinalizada.
Coghi explicou que as providências para a passarela da área verde do Nações devem ter início após a conclusão da outra que liga o bairro ao Cecap. Já no deslizamento, a providência possível seria a construção de uma mureta para impedir ou minimizar a ação da água.
No Jardim Boa Vista, está programada a colocação de grandes sacos com uma mistura de terra e cimento para preencher o que a chuva levou. O material deve recompor a parede até a altura do pavimento, para construção da calçada. Conforme o secretário, a estrutura é segura, pois a ação da água faz com que o material endureça, formando blocos. Recurso semelhante foi usado na ponte sobre o ribeirão no anel viário, próximo da avenida Araras.
DRENAGEM
A rede de drenagem também sofreu danos, e parte ainda tem o conserto em fase de orçamento, como informou Osmar da Silva Júnior, presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). De acordo com ele, os locais citados não têm relação direta com a rede de drenagem, mas outras situações, como afundamentos, já passaram por correção. No entanto, outros locais demandarão mais recursos para uma solução definitiva. É o caso da rua Hélio Guzela, no Jardim Roseira, onde ocorreu o rompimento do muro ala, que levou também a tubulação e parte da rua. O custo do estrago é estimado na ordem de R$ 180 mil, devido ao grande volume de terra a ser movimentado, além do aterramento. Será aberta licitação para o serviço.


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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Fevereiro começa mais quente após janeiro mais chuvoso

Daíza Lacerda

Fevereiro começou com a temperatura máxima de 34,4ºC, registrada às 17h de ontem pela estação meteorológica da Faculdade de Tecnologia (FT/Unicamp). O mês acompanha a alta registrada durante a última semana de janeiro, que teve como pico os 34ºC, na tarde do último domingo.
Janeiro também teve quase o triplo de volume de chuva registrado no mesmo mês em 2015, fechando com 299,5 milímetros (mm). A precipitação, calculada pela estação da Unicamp, localizada no Jardim Nova Itália, é superior à média histórica de 255 mm, calculados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No ano passado, o mês teve 115,3 mm de chuva.
As temperaturas mínimas também têm aumentado, com manhãs mais quentes. Estavam entre 17ºC e 19ºC na penúltima semana de janeiro, subindo para média de 22ºC na semana passada. As temperaturas acima dos 30ºC têm predominado entre 11h e 19h, conforme os registros da estação dos últimos dias.
Na previsão do Cepagri/Unicamp, a projeção é de predomínio de sol com baixas chances de chuva. Amanhã podem aumentar as chances de pancadas de chuvas à tarde e chuvas mais generalizadas podem ocorrer no fim de semana. As temperaturas permanecem elevadas, com máxima de 33ºC à tarde e mínima de 20ºC na próxima madrugada. O Índice Ultravioleta está no nível máximo, sendo recomendado evitar a exposição ao sol entre 11h da manhã e 16h da tarde.

Publicado na Gazeta de Limeira.

A Barbie mudou. E as pessoas?

COLUNA RELEITURA - 02/02/2016

A Barbie mudou. E as pessoas?

Daíza Lacerda

A Barbie mudou. Sua extensa linha agora tem um exemplar com mais massa abdominal, por assim dizer, e outra de estatura mais baixa, unidas a outras representações como a negra. A intenção da fabricante Mattel é "refletir melhor o mundo de suas consumidoras". E, é claro, remediar a expressiva queda nas vendas dos últimos anos. Interessante que a mudança de padrões impostos possa obrigar a indústria também a se mexer. Não a deixa menos hipócrita, mas é um começo.
A verdade é que a Barbie mais gordinha ou mais baixinha não vai melhorar a autoestima de ninguém. Mesmo com características mais próximas de uma mulher real, a idealização está no cerne da boneca. E das bitoladas de plantão. Eu também fui uma criança que sempre quis ter uma coleção e me perder, numa tarde, naquele mundo de sonhos de cuidar da casinha ou viajar nas férias com alguém sarado como o Ken. Afinal, o que mulheres deveriam sonhar em fazer?
O sexismo começa no berço e se alastra na infância, com bebês de brinquedo (seja uma boa mãe!), cozinhas (seja uma boa dona de casa!) e Barbies (tenha um corpo perfeito!). Mas felizmente, ainda que tarde, isso começa a mudar. É o que prova o show que uma menina deu no programa da Fátima Bernardes (bit.ly/20jphGU), questionando o motivo dela ter que gostar de rosa ou do sinal de pedestre do semáforo ser um menino. Por mais carrinhos para meninas e casinhas para meninos.
Mas a necessidade de uma discussão sobre isso em pleno 2016 mostra o tamanho do desafio cultural e social que teremos para as próximas eras, num mundo que ainda trata a mulher com estereótipos, e nem sequer tolera negros, homossexuais e deficientes. É um mundo que não precisa de homem ou mulher como referência, mas de pessoas. De carne, osso e ações. É o que brilhantemente vem fazendo uma editora argentina, a Chirimbote, que já lançou dois volumes da coleção "Antiprincesas", colocando mulheres latino-americanas como protagonistas. As primeiras são Frida Kahlo (pintora mexicana) e Violeta Parra (artista chilena). Mulheres que se impuseram pelos seus ideais e pela arte. Infâncias precisam, cada vez mais, de heroínas e heróis reais. Afinal, de mocinhas que se submetem à magia e aos príncipes, o catálogo da Disney está cheio.
Agora, não é a Barbie sem cintura fina que vai fazer uma futura mulher se descabelar menos com aquela calça que não entra mais. Nem a incipiência das plus size representam mais autoestima no fim da passarela. O mercado sempre vai pregar padrões inatingíveis (senão pela farsa), a quem se sujeitar a ele.
As influências são muito fortes em todos os campos, principalmente para crianças. A lei da idolatria e do consumo dominam tanto que cerceiam qualquer senso crítico entre a utilidade e a futilidade. Discernimento anda em falta nas cartilhas. Adultas e infantis. Afinal, por quê eu preciso de um corpo assim ou assado? Qual a razão de seguir o que é preconcebido em detrimento do que me faz bem? Por quê o que é adotado por uma celebridade tem de servir para mim?
Recentemente li a lista proibida do cardápio do casal Gisele Bündchen e Tom Brady. Entre os alimentos banidos estão azeite, batata e café. Café! Muita gente faria loucuras para ser como a top. Mas, para quê? Que vida ingrata deve ser sustentar tanta fama sem café.

Publicado na Gazeta de Limeira.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

A normalidade da barbárie

COLUNA RELEITURA 26/01/2016

A normalidade da barbárie

Daíza Lacerda

Eles estavam bebendo e conversando. Mas a história termina com a mulher morta e o homem preso, confessando o homicídio. Acompanhamos na semana passada o triste e cruel caso da servidora pública assassinada a facada pelo marido, que se entregou e se disse arrependido. Assusta. Mas vida que segue, certo?
Casos como esse chocam na hora, mas depois passam. Daí vem outro, depois outro, numa sucessão de tragédias que minam a nossa sensibilidade para aquilo que definitivamente não é normal. A culpa é da bebida, ou do governo, ou do sistema.
Aprendemos a conviver com pequenos e gigantes absurdos, tão intrínsecos no nosso dia a dia que nem passaria pela cabeça pesá-los com todos aqueles desvios que condenamos no Planalto Central. As proporções são muito diferentes, mas a falta de respeito no trânsito, por exemplo, não é um desvio menos grave do que o descompromisso de quem é eleito para trabalhar em prol da população. As duas coisas são sementes de violações maiores e crimes em potencial.
Mas, afinal, que peso têm os crimes em nosso cotidiano? Qual o limite da indignação? Será que enfiar uma faca no pescoço ou uma bala no peito já são considerados atos normais? A molecada fugir ou confessar a posse de droga não uma, mas dezenas de vezes numa semana já é parte irremediável do script? De tão corriqueiras, as barbáries tornam-se banais?
Na semana passada, vi um vídeo do diretor José Padilha, de Tropa de Elite 1 e 2, explicando o motivo de ter dado o fora do Brasil. Ele virou alvo após estampar nas telas verdades inconvenientes para poderosos de diversas escalas. Com convites de trabalho no exterior, foi com a família para Hollywood. Ele justificou o seguinte: o Brasil perdeu a sensibilidade do absurdo. Não conseguimos mais enxergar o absurdo.
O país dos Jogos Olímpicos 2016 é aquele no qual moleques matam para roubar uma bicicleta. É o que motoristas bêbados, sonolentos ou desatentos matam no trânsito e seguem impunes. É o que adolescentes que mal saíram das fraldas roubam veículos só para dar um rolezinho, sem remorso algum do trouxa que trabalhou para pagar o veículo e os impostos. É o que empresas desrespeitam clientes de todas as maneiras. Sim, aqueles que pagam por serviços que não têm ou não conseguem usar. E seguimos passivos, submissos. O inadmissível no primeiro mundo ainda é a regra no Brasil.
Muita gente já abordou isso em conversas de bar, mas muito poucos levam a questão a sério para refletir, sobre os nossos próprios delitos (usar vaga alheia só um minutinho, furar fila, comprar ingresso mais barato com carteirinha falsa, sonegar imposto...). E sobre como perdemos a referência moral. Ah, fulano é bom porque é honesto. Mas a honestidade não é uma obrigação de todo cidadão?
Então, quando formos bombardeados com 1.001 "eu fiz" nos próximos meses, não vamos nos esquecer que no principal ninguém chegou ainda: no cerne, na cultura. No extraordinário de inspirar pessoas a serem melhores e fazer de seu lugar o melhor. Para que não exista um consenso de normalidade num mundo em que pessoas simplesmente saem atirando, atropelando, esfaqueando. Afinal, como escreveu Jiddu Krishnamurti, "não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente".
terça-feira, 19 de janeiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

A culpa não é da chuva. É nossa!

COLUNA RELEITURA - 19/01/2016

A culpa não é da chuva. É nossa!

Daíza Lacerda

Vamos imaginar o seguinte: e se o dinheiro que municípios, Estados e União gastam com a manutenção dos desastres após as chuvas de verão fossem investidos (de verdade!) em estrutura preventiva durante a estiagem? Quanta de vidas seriam poupadas e tragédias evitadas?
Sim, parece óbvio demais. E é. Mesmo que, exceto por 2014, seja a mesma coisa todo ano, gestores relutam em tratar a questão das chuvas de verão com a urgência que demanda. Felizmente, não é o caso de Limeira, mas, na região, famílias desalojadas amargam o gosto da negligência, principalmente quem vive na beira de rios.
Mas vamos admitir que sobra culpa para todo mundo. Para nós, que somos responsáveis pela estrutura do nosso próprio imóvel e conservação urbana (não adianta reclamar de São Pedro ou da prefeitura se não checou os telhados ou as calhas ou se a boca de lobo entupiu!). E para o poder público, que não pode esperar verba cair do céu para um planejamento urbano à prova de tempestades. Ou resistente a elas.
É preciso lembrar uma coisa básica: nós somos os intrusos, a Mãe Natureza reage a partir da nossa interferência. Não adianta reclamar da seca ou da cheia, passou da hora de saber lidar com elas. Não adianta jogar nas costas do passado o fato das cidades terem sido concebidas sem a estrutura de drenagem ideal. É preciso viabilizar essa estrutura para ontem, antes que o ônus com manutenção chegue a patamares insustentáveis. E isso não é exagero.
Na última semana, vimos buracos nos mais lisos asfaltos. Erosões que nunca imaginaríamos que iriam comer a via pública. Por mais que tenhamos locais "sob controle", a chance de sermos surpreendidos a todo momento é imensa.
É urgente a criação de um fundo para a drenagem. Projetos, temos vários, mas se esperarmos verba do governo federal estaremos reclamando da mesma coisa daqui a 20 anos. Quem trafegou por Limeira nas chuvas da semana passada viu ruas se transformando em cachoeiras. A Lauro Correa convidava a descer surfando. É claro que nada é feito do dia para a noite, mas há locais que não podem esperar a burocracia de um convênio.
A educação também é uma ferramenta urgente. Muita gente aceita morar em locais que são verdadeiras armadilhas, alegando que não consegue pagar aluguel em imóvel melhor. Até a estrutura ruir e ser interditada, como já vimos em outros anos. Que adianta economizar para ter o que comer e não ter onde morar? As pessoas têm de saber como identificar os riscos. Comida não vai faltar, o Banco de Alimentos existe para isso. Mas a ignorância pode comprometer o teto de famílias inteiras. Essa questão poderia ser amenizada num convênio com as faculdades. Há inúmeros futuros engenheiros e arquitetos nas salas de aula que poderiam ajudar a Defesa Civil em diagnósticos dos locais com mais problemas e orientação para as famílias. A informação também pode prevenir tragédias.
Não é uma questão fácil de resolver, mas exige muita vontade e ação de todos. Tanto do cidadão quanto do poder público, que tem de assumir esse rojão e colocar em prática estratégias para começar uma mudança de cultura e de estrutura a longo prazo. Muita coisa custa mais disposição do que dinheiro. Afinal, reclamando ou não, as chuvas sempre virão.



Publicado na Gazeta de Limeira.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Queremos saber

COLUNA RELEITURA 12/01/2016

Queremos saber

Daíza Lacerda

O câncer levou Bowie. Levou Lemmy. Pode ter levado um ente querido seu. Quer levar um ente querido meu. Paira sobre anônimos e famosos, ora sorrateiro, ora brutal.
E quem diria que não são mais as drogas ou bebidas que acabam com os nossos rockstars. O início da vida louca se esparrama de dentro para fora, e não o oposto. Ninguém podia com a rebeldia. Quem pode com o câncer?
As manhãs chuvosas de segunda-feira estão se tornando símbolo de mau prenúncio para quem tem algum ídolo do rock que sobrevive a esses tempos. Foi assim em 28 de dezembro, com a morte de Lemmy Kilmister, vocalista e baixista do Motörhead, que havia descoberto em dois dias o câncer terminal no cérebro e no pescoço. Foi assim ontem, quando acordamos sem Bowie, que escondia do mundo há um ano e meio a sua doença. Foi assim em maio de 2010, quando um câncer no estômago levou Ronnie James Dio, a quem é creditado o icônico chifrinho feito com as mãos, marca dos roqueiros.
De todas as fontes virtuais que propagaram a morte de Bowie, encontrei pouquíssimas especificando, afinal, que tipo de câncer levou o camaleão. Elas davam conta de tumor no fígado, que seria um dos mais perigosos e silenciosos. Na inconformidade de fãs, até a fosfoetanolamina foi invocada como uma possível salvadora do rei do pop - e de tantos outros que acabam por deixar famílias em luto. Era um tom de "a solução está na nossa frente e ninguém faz nada".
Me pergunto, de fato, o que se faz, no Brasil e no mundo, para acabar com o câncer. Quando órgãos que mal conhecemos são invadidos e o corpo condenado a definhar até se render. A verdade é que queremos nos agarrar a todo e qualquer vestígio de esperança. Vamos além. Queremos vida eterna a quem nos faz feliz. E ainda não entendemos bem sobre os custos de uma vida longa. Muito menos de vidas curtas.
Sem as licenças e testes necessários em seres humanos, a fosfoetanolamina é apenas mais uma salvação imaginária para nos apegarmos. Se o seu criador e a comunidade médica vão levar adiante as burocracias e desafios para a sua comercialização, é uma incógnita da qual seremos reféns, assim como as vítimas.
Sabemos que nosso modo de vida atual é, em mais situações do que imaginamos ou gostaríamos de reconhecer, a porta de entrada do câncer. Mas, se a humanidade chegou tão perto das estrelas, o que ainda a impede de conseguir desvendar as próprias entranhas? Fomos tão longe. Estamos no século, nas décadas, que mais evoluíram cientificamente, e ainda somos marionetes. A ameaça invisível ri de nós.
Onde está a cura do câncer enquanto o homem cria bombas cada vez mais destruidoras? Onde está o financiamento de pesquisas quando armas continuam a se multiplicar, tão rapidamente quanto os tumores?
Este é o nosso mundo. Perguntas sem respostas. Na minha cabeça, elas ecoam na composição de Gil, imortalizada na voz de Cássia Eller. Que também morreu cedo, vítima das peripécias do corpo humano. "Queremos saber/ queremos viver / confiantes no futuro / por isso se faz necessário prever / qual o itinerário da ilusão / a ilusão do poder / pois se foi permitido ao homem / tantas coisas conhecer / é melhor que todos saibam / o que pode acontecer / queremos saber, queremos saber / queremos saber, todos queremos saber".

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terça-feira, 5 de janeiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

O sonho olímpico cabe dentro de um segundo

Nós, pobres mortais, que banalizamos tanto o tempo, não temos a mais remota ideia do significado de um minuto para aqueles que vão representar a nossa Nação nas Olimpíadas. Não temos noção que segundos colocam ou tiram alguém do pódio. As marcas dos primeiros na 91ª corrida de São Silvestre são um exemplo: 27 segundos separaram o primeiro do quinto colocado masculino. No feminino, a limeirense Tatiele de Carvalho chegou dentro dos mesmos 54 minutos da primeira colocada, mas 42 segundos depois, em décima. Uma eternidade, quando se trata de esportes.
Em entrevista à Gazeta, o nadador limeirense Guilherme Guido explicou qual será a sua luta neste semestre, até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro: ralar para baixar de 53 para 52 segundos o seu tempo nos 100 metros costas, para, aí sim, entrar no páreo dos seus adversários mais velozes.
O Brasil é um país que valoriza muito pouco o esforço dos seus atletas, talvez pela exposição massiva e glamour do futebol, que monopoliza as atenções dentro de um mundo imensamente rico de modalidades que, infelizmente, ficam à margem na seleção do torcedor. Assim, mal sabemos quem está nos representando mundo afora em outros esportes, e muito menos o que significa este representar. Como deve ser treinar meses para ganhar um segundo, aquele que pode dar ou tirar a medalha? Dedicar-se dias seguidos fazendo a mesma coisa, exaustivamente, abrir mão da vida social e da proximidade com a família para ser melhor naquilo? É uma busca que custa infâncias, adolescências, uma parte inestimável da vida produtiva. Isso, é claro, por opção do próprio atleta. Mas tem de ser valorizado.
Só que o Brasil que sedia a olimpíada não é o país que tem a cultura do esporte. Recentemente, a triatleta Ariane Monticeli, que também representa o Brasil e o mesmo clube de Guilherme Guido, o Pinheiros, relatou ter sido xingada nas ruas de São Paulo entre treinos de ciclismo na metrópole que tenta aumentar as ciclovias. Somos despreparados para lidar com a presença digna e crescente de ciclistas e corredores nas ruas. Claro que não é o lugar ideal. Mas para onde ir quando as opções são escassas para o tamanho da demanda e as calçadas convidam a tombos e lesões?
Das ruas podem surgir muitas promessas de sucesso, que têm de ser buscadas. Mas há um abismo entre o atleta amador e o de alto rendimento. Mesmo treinos longos e frequentes não transformam, necessariamente, um entusiasta em profissional. A linha que separa o lazer de obrigação tem peso de sangue e muito suor. Quem exemplificou um pouco disso foi Marílson dos Santos, campeão da São Silvestre diversas vezes e que vai representar o Brasil na maratona olímpica (42.195m). Em passagem recente pelo Sesc Piracicaba, ele contou que já tentou fazer o mesmo treino dos quenianos, em três turnos. Não aguentou: mais perdeu do que ganhou em desempenho.
A pesquisadora Katia Rubio, da USP, define o atleta olímpico brasileiro como uma figura heroica. Ela encabeçou uma pesquisa sem precedentes que compila o histórico dos brasileiros que chegaram lá. Para ela, a teimosia fora do limite foi ingrediente para a conquista das 108 medalhas olímpicas por brasileiros. E só quem as buscou sabe mensurar quanta vida dedicada tem no segundo que os fizeram campeões. Outra cultura seria a do brasileiro, se soubesse reconhecer isso.

Publicado na Gazeta de Limeira.