quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018 | By: Daíza de Carvalho

Uma provocação chamada Unabomber

É curioso que eu estivesse assistindo à série Manhunt: Unabomber na semana do resultado da aprovação para a graduação em Letras, justamente na parte que aprofunda na chamada "linguística forense". Embora não tivesse encontrado referências sobre isso no caso real (sem saber até que parte a coisa foi romantizada para a série), a "análise do discurso" parece, de fato, apaixonante. Assim como seduz o "Manifesto Unabomber", quando se tenta ignorar que foi escrito pelo responsável por atentados que mataram e feriram pessoas. Ainda não li o manifesto, mas o que foi explorado na série é provocador, principalmente na cena final. A ideia geral do manifesto surge quase que como uma profecia. O mais irônico é que justamente a dependência tecnológica condenada pelo Unabomber foi a responsável por tantas pessoas, gerações após a sua prisão, terem acesso à sua história. E ao seu "legado". Viciados em Netflix. Até dá um ímpeto de tentar se libertar do "sistema". Mas o controle do controle remoto é mais forte. A reflexão dura até a escolha da próxima série. Mais fácil fugir da realidade da qual nos tornamos reféns - ou cúmplices? Mas é certo que o lembrete do que nos tornamos virá. Tão certeiro quanto a mudança de fases do semáforo.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018 | By: Daíza de Carvalho

O desafio de pensar sem o Facebook

Quando a Folha desistiu, eu já tinha desistido havia algum tempo. "Mas como assim, você é profissional da comunicação e não usa Facebook?". Simples assim. Passados alguns meses, posso afirmar que não me fez falta, obrigada. Nem na vida profissional, muito menos na pessoal. Não deixei de escrever nenhuma matéria necessária ou de encontrar alguma fonte e, no âmbito pessoal, de repente "ganhei" mais tempo para passar os olhos naquilo que realmente me interessava: livros, séries, pessoas. Me dei o direito de escolher o que quero, e não deixar, ou ao menos minimizar o que os algoritmos me entregam de bandeja - ao gosto de quem os programou.

Não sou ingênua. É muito difícil ficar imune aos algoritmos pelo simples fato de que atualmente é quase impossível viver desconectado, infelizmente. Mas a coisa estava chegando num nível sem sentido, que não me acrescentava nada mais além do que a pura descrença na humanidade, considerando "humanidade" aquilo que eu estava programada para ver.

No começo, eu tentava argumentar. Os posts são o nosso olhar sobre o mundo, e esse alto falante chamado rede social matou o limite de qualquer bom senso. Gosto de dialogar, de argumentar. E é claro que todos simpatizam com ideias iguais e têm resistência às contrárias. Mas parece que a "comunidade" está cada dia mais radical, sem espaço para respeito ao ideal alheio. Tudo a ferro e fogo. Cada vez menos debate. Cada vez mais embate. É o que o algoritmo me mostrava. E isso eu dispenso.

Na minha ingenuidade, achava que tinha treinado bem o meu algoritmo. Minha timeline era só notícias de corridas, treinos, alguns colunistas que eu gosto. Não sabia nem o que estava acontecendo com os posts das minhas vizinhas de baia na redação, a não ser quando elas comentavam ali ao vivo, porque minhas preferências pareciam bem definidas a partir de quando eu logava.

Mas, adivinhe?? A vida acontece quando esquecemos da rede social! Dei um tempo quando entrei de férias, e já estou pensando nas próximas férias e sobrevivendo bem sem novos posts no Facebook. Ninguém sentiu minha falta. Nada que tenha pipocado ali me fez falta.

Nas esporádicas vezes que voltei, estranhei as notificações do que familiares estavam fazendo, postando, comentando. Procurei nas ferramentas como desabilitar aquilo como se tivesse começado a mexer em computadores no mês passado, e não há 20 anos, e não encontrei. Ei, péra! É o algoritmo, estúpida! Ele só me dá opções que eu tenho que aceitar goela abaixo. Não, obrigada.

Eu ainda tinha certo apego ao "neste dia", para relembrar coisas legais que passaram, como eu era uma tuiteira irritante, como alguns memes eram realmente criativos a ponto de merecer um compartilhamento... até cair na real que talvez 10% de tudo aquilo me define. E que eu não deveria estar apegada à tela, mas às fotos que deveriam estar impressas em algum álbum físico para eu mostrar para pessoas que me visitam pessoalmente, e não para exibir no perfil esperando curtidas. Os lances que para mim eram mais legais não foram sucesso de curtidas. Por que as coisas não bastam para nós quando agradam a nós? Por que não vale se não agradar aos outros também? Essa necessidade de aprovação constante é humilhante. E fulminante. Autoestima (aquela de ser feliz consigo mesmo sem precisar de exibição para ou aprovação do mundo) mandou um abraço. Mas a gente não viu, porque não passou no filtro do algoritmo.

The Walking Dead é uma das séries que não assisto há várias temporadas, assim como House of Cards, que não tive estômago para continuar a última temporada, mesmo antes de estourar o escândalo com o Spacey. Mas vivemos cada vez mais como zumbis, e como massa manipulada por quem manja dos paranauês. Não adianta esbravejar contra o algoritmo se você aceita se submeter a ele. Mas, quem quer, realmente se libertar dele??

Parei de entrar no Facebook, mas sou uma assinante assídua de newsletters de veículos críveis, até que se prove o contrário. Leio tudo? Não. Mas coisas realmente extraordinárias me chamam atenção entre elas, e tenho certeza que o Facebook jamais iria me sugerir, por mais que eu tentasse manipular suas artimanhas. Entre as listas que sigo está a do Flipboard. Porque me interessa muito mais saber do mosaico de 1.800 anos que acharam em Israel do que da última treta do BBB, que provavelmente deve estar circulando na "minha comunidade". Prefiro as escolhas de um editor de verdade. Profissional. Não mecânico.

A "benevolência" do Facebook em nos "aproximar da comunidade" em detrimento dos veículos de notícias com profissionais que passam o dia checando coisas para levar informação de qualidade não é um mal só para os negócios da comunicação. É mais ópio para o povo que está hipnotizado na frente da tela. O problema não é o Facebook. É a dependência do Facebook para o social. O que quer que "social" tenha se tornado hoje em dia.

Me identifico com alguns veículos, e quando quero me informar, vou direto neles. Mas a dependência da rede social limou qualquer "livre arbítrio" de se procurar o que gosta fora da caixinha azul. As pessoas não estão acostumadas a procurar. Estão condicionadas à passividade de pegar carona no que quer que venha na sua timeline. E é realmente preocupante num país que vai sediar eleições presidenciais nas condições que nós vamos ter um povo que não consegue ser independente, pensar sem uma muleta nos apontando para onde ir. Referências são importantes, sim. Desde que não virem dependência.

Fiz uma outra conta de Facebook para acompanhar alguns grupos, seguir algumas páginas e fazer gestão de algumas páginas que nem sei se vou manter. Não adicionei ninguém, por mais que o Facebook insista. O algoritmo, esperto, já identificou familiares pelo mínimo de informações que sou obrigada a colocar para me cadastrar. Cruzamento de contatos de e-mail, telefone sincronizado, localização. Nada passa despercebido. Como diria John Donne, ninguém é uma ilha, e se tem uma empresa que faz questão de nos lembrar, é o Facebook.

Não só ele, é claro. Como todo bom brasileiro que valoriza muito cada centavo suado, pesquiso muito antes de comprar qualquer coisa. Na internet, porque tenho pavor de andança em rua se não for para treino de corrida. E é a deixa para um bombardeio de anúncios em qualquer página que eu esteja. Até eu descobrir a maravilha da navegação anônima (no Chrome ou no Firefox). Que, claro não deve ser 100% anônima, mas pelo menos me poupa de ser ainda mais bombardeada por anúncios.

LIBERDADE AINDA QUE TARDIA

Não larguei o Facebook só por ter ficado de saco cheio com aquele "ambiente". Vi várias entrevistas de pessoas que fizeram um detox da vida conectada e tive a vontade imensa de ser cascuda o suficiente pra fazer o mesmo. Não poderia zerar mas, ao menos, reduzir. Afinal há tanta vida lá fora... por menos que a gente queira reconhecer, a ansiedade de quantos likes a foto deu está lá, a cada cinco minutos que a gente vai ver se teve notificação. Isso NÃO é vida.

Sou entusiasta das redes sociais. Amava o Twitter de paixão, e se tem uma coisa que não largo é o Instagram. Mas só coloco no Insta as fotos das quais realmente me orgulho ou de alguma mensagem útil que eu queira passar. E se quiser colocar 10 fotos seguidas da minha gata, vou colocar, porque gosto de fotografá-la. Gosto de fotografar comida, paisagens. Me refugio nas fotos quando quero limitar o verbo. E o que há de melhor do que imagens que nos deixa sem palavras?? Ok, não sou fodona assim com uma câmera, mas me esforço para coisas decentes. Sempre. Ainda que seja a mais nova pose de alongamento da minha gata. Afinal, isso pode me ensinar muito mais do que saber onde Jojo Toddynho está desfilando (whatahell??).

O ponto é: não sou movida por aquela coisa de TER QUE mostrar o que estou fazendo a todo tempo. Muito esforço para aparências, e pouco para ideias. Levo a vida e, se surge algo legal, coloco. As pessoas podem saber do meu gosto, de algumas ideias, ideais. Não precisam saber da minha vida. Não estou dizendo que esse é o jeito certo, mas que é o meu jeito de usar. Neste carnaval, além dos unidos da Netflix, também estou no bloco da vergonha alheia só pelo que minhas colegas comentaram que viram de barbaridades (de acordo com o nosso critério de decência) "performadas" por gente próxima ou nem tanto. Se essas pessoas preferem se expor, paciência. Uma coisa é certa: fora da tela, não há filtros. Por mais que se sustente uma vida linda num perfil. Esse show de horrores é o tipo de coisa que só me deixa mais satisfeita pela decisão de não estar sujeita a ver essas coisas, de não dar permissão para que enfiem goela abaixo o que não me interessa. Meu tempo e mente agradecem.

Não vou deletar meu perfil do Face. Espiar sem postar, quem nunca? Ou sempre? Ele ainda me serve para determinadas análises, como essa. Ver em qual velocidade o algoritmo aponta para o fim dos tempos no quesito senso crítico. E, quem sabe, ficar lá esperando para um amadurecimento de quem usa essas ferramentas. Cada vez que entro, a cada semana, ou quinzena, ou quando meu chefe me avisa que tem alguma informação na caixinha azul que tenho que checar, não perco mais que dez minutos (o que ainda é muito), como quem fica desconfortável na casa de um parente distante. Aliás, não me interessa o que os parentes estão postando, como o Mark insiste em me mostrar. Quem ele pensa que é para achar que sabe qual é a minha comunidade? Dos parentes, me interessa poder revê-los, não quero saber o que estão repercutindo. Seus gostos prefiro debater na mesa do bar ou do almoço, não no ambiente em que qualquer pitaco pode ganhar ares de lei na leitura dos radicais, seja de qual lado for.

Enfim, eu não me sinto na obrigação de me justificar por ser uma profissional da comunicação que quer se ver longe do Facebook. Mas acho válido explicar minhas razões pelo imenso medo que tenho que os meus sobrinhos, por exemplo, virem zumbis desses tempos. Quero que sejam cidadãos que decidam por si, que não terceirizem seu gosto a empresas manipuladoras. Pelo menos não na totalidade. Não quero que este texto valha curtidas. Quero que valha reflexões principalmente sobre as escolhas que NÃO fazemos. Sempre há quem - ou o quê - faça por nós.
sexta-feira, 15 de setembro de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Setembro

Eu gosto de setembro porque é o mês que o sol começa a ficar mais um pouquinho, de tarde. Eu gosto de setembro, porque ele começa com o fim do desgosto de agosto, dá sumiço no frio que gela a alma e traz as cores da primavera. Eu gosto de setembro porque é o mês que nasci, é o mês que tiro férias e é o mês da padroeira Nossa Senhora das Dores, o que nos leva à comemoração do aniversário de Limeira.
No meu último treino de corrida, divaguei no que poderia virar um textão sobre o tema da edição especial da Gazeta de Limeira, que fizemos para os 191 anos da cidade que escolhemos ou aceitamos como lar. Abordamos o ensino superior e a forma que ele identifica a nossa cidade - ou não. Foi um esforço conjunto que pode ser conferido nas páginas hoje, mas me pergunto o que, de fato, os moradores de Limeira têm aprendido ou absorvido ao abrigar instâncias que têm o saber e o aprender como motivação.
Minha conclusão imediata foi de que falta muito para sairmos fora da caixa. Não de pensar fora da caixa, mas primeiro sair dela, mesmo. Limeira ainda tem uma mentalidade muito provinciana, talvez ainda não tenha se dado conta do quanto conhecimento tem à disposição. Da mesma forma, as faculdades também ainda não exploram, ao todo, essa possibilidade de conexão com a comunidade. São desenvolvidos trabalhos geniais, que na maioria das vezes não chegam ao conhecimento da própria imprensa, tampouco da população, senão por repórteres insistentes que cavam pautas.
Limeira ainda não é uma cidade genuínamente universitária não só porque tem uma rodoviária vergonhosa ou porque grande parte reluta em se misturar ao conhecimento propagado pelos cantos. Limeira ainda tem muito a avançar porque ainda falta esforço para enxergar à frente, o que é tristemente constatado em comentários de rede social. Ainda que isso não seja pressuposto para formular um diágnóstico, mostra muito de nós, enquanto comunidade.
Limeirenses têm que sair fora da caixinha quando chiam pelo aumento da tarifa de água e esgoto sem entender a estrutura que esse dinheiro vai subsidiar. As pessoas pensam que é só dar descarga para o problema acabar, e é fácil reclamar quando não se viveu um dia da vida sem saneamento decente. Nós temos e não damos valor. Não nos tocamos da complexidade ambiental que isso envolve, desde que a dor não seja no nosso bolso.
Limeirenses têm que correr pra fora da caixinha quando criticam o fim do aluguel caríssimo do Centro de Eventos, um acordo burro que durou até demais e ainda era pago com o meu e o seu dinheiro para abrigar um serviço que já não era oferecido há mais de um ano. Se gasta, o povo reclama. Se deixa de gastar, o povo reclama. Que tal focar as energias em fiscalizar se essa economia será decentemente aplicada?
Limeirenses têm que sair dora da ciaxa quando reclama do trânsito local. Que, sim, é horrível. Mas quem faz o trânsito somos nós! É fácil reclamar sem policiar as próprias atitudes.
Todo ano paramos para refletir a cidade em torno de um tema, em meio ao turbilhão de refleti-la com todos os problemas e soluções, diariamente, dentro do que é possível abraçar com nossas mãos, mentes e blocos de anotações. Não somos donos da verdade - nem queremos. Mas, como sempre repito: a gente gosta é de dar notícia boa.

Hoje é um dia que quero ser otimista, mesmo na falta de grandes expectativas em relação à nossa cidade ou país. E não é porque as minhas férias estão só começando. É porque nesta manhã li a coluna do Denis Russo Burgierman no Nexo (www.nexojornal.com.br/colunistas/2017/Todo-o-potencial-do-mundo), no qual ele se esforça para sair de uma onda de pessimismo em seus textos para um olhar menos apocalíptico sobre o nosso Brasil, tão desmilinguido, como descreve. Ele fala das crianças e de todo o potencial que elas têm, de fazer coisas, de transformar o Brasil em qualquer coisa - desde que as malas de dinheiro, como as do Geddel, sejam dedicadas a nutrir esse potencial. Independentemente disso, elas têm o talento nato da criação de mundos, ao menos até quando esse poder é ceifado pelas limitações que nós, adultos, insistimos em reproduzir. E essa observação é minha, não dele, embora no texto ele reconheça a nossa dificuldade em aprender coisas novas, mudar hábitos, em paredões que simplesmente não existem para as crianças (é a tal da plasticidade que perdemos enquanto nos "desenvolvemos").
Aí juntou esse texto, com a lembrança do filme da Mulher Maravilha, com algo que me ocorreu ontem. No filme, Diana é a criança que deveríamos ser. É uma heroína com o olhar que deveríamos ter. De não achar barbáries comuns e de enxergar as belezas que nos rodeiam, além das mazelas. Fato que me deixou maravilhada (trocadilho irresistível!) com o filme e me inspirou a escrever (http://reportareviver.blogspot.com.br/2017/06/precisamos-da-inocencia-de-diana-uma.html).

Ontem, inicialmente, fiquei um pouco chateada por ter uma cobertura a fazer no fim da tarde, no fim do expediente, nos 45 do segundo tempo antes de sair de férias (que na verdade começam na segunda, e não no feriado municipal de hoje ou folga de amanhã). Mas, como dizem as mães, o que não tem remédio, remediado está. Fui para uma inauguração de praça, no meio de um trânsito caótico, no qual acho que a maioria dos que passaram se deram mais ao trabalho de praguejar do que notar os coqueiros que ornamentavam a praça, na verdade uma rotatória, inacessível a pedestres.
O "tchan" da coisa seria ao escurecer, com a exibição da nova iluminação do local. Mas o sol insistia em ficar. O staff do prefeito estava tenso, na expectativa que tudo funcionasse, que as lâmpadas se acendessem ao esfriar do sol, que a sincronização de discursos, fotos, luzes naturais e artificiais transcorresse conforme o roteiro. Pois a luz das lâmpadas deram as caras, e o sol continuava ali, sem pressa.
Não fosse por isso, talvez eu não tivesse apreciado o por do sol no meu último expediente antes das férias. Mas, mais emblemático do que o espetáculo natural, foi o monumento da praça, registrando a sua construção em 6 de setembro de 1985, um pouco mais de um ano após eu vir ao mundo nesta terrinha. É um monumento que parece um banquinho. Assim eu via, pelo menos, com o meu olhar de criança, quando tudo era possível. Eu cabia sentadinha ali, num igualzinho àquele nos meus anos iniciais, quando as escolas infantis tinham nomes de desenhos, e não de pessoas.
O texto do Denis Russo me provocou a refletir o que aconteceu entre eu caber sentada naquele banquinho entre o fim dos anos 80 e início dos 90 e estar diante dele e do por do sol, à beira dos 33 anos de idade, com um pé na responsabilidade de entregar uma matéria no fechamento e o outro no barril de chopp do início das férias. Concluí que não adianta muito refletir sobre o que eu fiz ou deixei de fazer para melhorar meu mundo e minha cidade. Me senti desafiada a ser criança de novo, e olhar o mundo desapegada das restrições burras que adquirimos por osmose ou por imposição no decorrer da vida. Me senti desafiada a sair fora da caixinha. Agora. Amanhã. Durante as férias. No meu aniversário. Quando terminarem as férias. A cidade e o país que faremos/teremos é fruto de um esforço diário, que muitos de nós insiste em procrastinar.
Quando alguém faz aniversário, a gente automaticamente deseja tudo de bom. Pensamos no todo, no ano, no resto da vida, e nunca no dia de hoje, com o de amanhã e depois. Então eu só desejo que, todo dia, quando o sol se demorar ou se apressar a dar lugar à noite, a gente possa ter certeza de que fez, nas últimas horas, o possível para contribuir positivamente de alguma forma nas mudanças que inevitavelmente virão. Até estar longe, mas bem longe da caixinha que limita as nossas possibilidades.


quinta-feira, 7 de setembro de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Após 195 anos, a herança de uma "independência capenga"


Marcomini: "é preciso refletir a participação
popular na transformação social"
Foto: Mario ROberto/Gazeta de Limeira
Falta de ação popular em 1822 ainda reverbera em nossos dias, analisa professor

Daíza Lacerda

Não se sabe se, de fato, houve um grito de independência em 7 de setembro de 1822 às margens do Ipiranga. Tampouco se dom Pedro I estava num cavalo. O provável é que estivesse numa mula, animal que aguentava percorrer grandes distâncias, em resistência propícia à época. O fato é que as atitudes do então príncipe regente, coroado como imperador aos 24 anos de idade, teriam consequências sociais e culturais que perdurariam até os dias atuais. O contexto é explicado por Roberson Marcomini, professor da Etec Trajano Camargo e colégio Jandyra, com mestrado na área de ciências sociais e humanas pela FCA/Unicamp.
A principal herança que perdura em nossos tempos, 195 anos após o evento, foi a falta de participação popular na busca da independência, o que se traduziu na passividade do povo diante de inúmeras situações políticas, como descreve o professor. As decisões se concentraram no poder, num momento em que o rei dom João VI deixa o país para voltar a Portugal, após a derrocada de Napoleão. Fica o príncipe regente, num reinado com cinco lideranças brasileiras. "Pedrinho" percebe a manifestação interna e, antes que se torne revolta, centraliza a política. Ou seja, nenhuma medida passaria sem o conhecimento ou aval dele.
No entanto, no início de 1822, a lideranças portuguesas queriam a volta do regente a Portugal, temendo o rumo da busca pela emancipação política. O regente não só eterniza o "Dia do Fico" em 9 de janeiro, como afaga o ego dos brasileiros como medidas como as represálias a membros do exército português que lhe desobedecessem.
O reinado contava com um líder brasilero, José Bonifácio Andrada e Silva, que tinha uma visão além, como destaca Marcominini. Ele já ditava que o Brasil deveria ter uma capital em seu centro, à época que o comando ficava no Rio de Janeiro. Pois foi Bonifácio que flagrou uma carta vinda de Portugal nada amistosa com o povo colonizado. Mais do que depressa, delatou ao "chefe", que reagiu com o decreto da independência.
Na prática, Portugal só desapegaria da colônia três anos depois, enquanto em outros países esse processo não passou de um ano, como explica o professor. E o povo continuou na mesma. A mudança só foi na nomenclatura: a população deixava de ter um regente para ter um imperador. "A independência não passou pelo povo, mas pela organização e interesse das elites, da mesma forma que ainda ocorre hoje na política. A população não foi para as ruas para reivindicar uma sociedade melhor", ilustra.
Os brasileiros ainda pagam por isso, ainda que em outro contexto. Em meio à desigualdade e às consequências de uma crise econômica com inúmeros desempregados, o "tesouro perdido" do ex-ministro Geddel Vieira Lima, descoberto na Bahia, ainda mostra como quase dois séculos não foram o bastante para desfazer certos vícios. Em 1825, o Brasil pagou pela independência, ao indenizar Portugal em dois milhões de libras esterlinas.
Conforme Marcomini, o próprio Geddel, investigado pela Polícia Federal e que está em prisão domiciliar, sem tornozeleira, retrata bem outra herança pós-independência: os coronéis. Como não houve transformação social, os ricos permaneceram ricos, e os pobres, pobres. As famílias ricas também reinaram, e reinam Brasil afora, a exemplo dos Collor e Sarney, como cita o professor.
CONHECIMENTO X INFORMAÇÃO
Mais do que na informação, é necessário investir no conhecimento, como defende o professor. Só desta forma é possível alcançar a transformação social que não foi plantada há quase 200 anos. "A elite chegou ao poder pelo conhecimento, mas sem olhar para a base. É preciso refletir a participação popular na transformação social, por meio da politização. Hoje, o que muda a sociedade é a diversidade de ideias, não o monopólio", reforça.
Se antes a independência foi "só para português ver", passou da hora de um olhar mais amplo sobre a desigualdade social perpetuada até os nossos tempos, como reitera o professor. "Um país em desigualdade não pode dar certo. O Brasil é um dos poucos que não cobra imposto sobre fortunas, e ainda está preocupado em passar os débitos para o povo, a exemplo da mais recente alta do preço da gasolina. Falta enxergar que melhorar a base é vantagem também para quem está em cima", finaliza.



quinta-feira, 8 de junho de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Precisamos da inocência de Diana (uma reflexão sobre o filme da Mulher Maravilha)

Diana: um poço de razão num desvirtuado mundo em guerra 
(Warner Bros. Entertainment/Divulgação)
Você não vai assistir a um blockbuster esperando sair de lá incomodado, pensando na vida. Pois eu diria que este é o principal super poder da Mulher Maravilha.
Se à nossa cultura parece ridículo ver em algo tão banal quanto um relógio aquilo que dita o que temos que fazer, cômico ter a hierarquia profissional relacionada à escravidão e algo corriqueiro em ver pessoas sofrendo e simplesmente ignorá-las, o problema talvez não seja o roteiro, mas vida real.
Infelizmente, perdemos a inocência que transborda na deusa vinda de um mundo sem terceiras intenções, sem cobiça ao poder, mas à justiça. O que você teria a dizer para referenciar o lugar de onde veio? De onde você vem as pessoas lutam ou se acovardam?
Os questionamentos de Diana parecem cômicos, mas a seriedade com que ela os faz, deveria ser levada a sério. Por mais utópico que seja, não deveria ser normal ver o terror se alastrar na sua frente e simplesmente continuar o seu caminho. O problema do mundo é que as exceções viraram regra. E o olhar de Diana não aceita isso. Nós não deveríamos. Mas, enfim, não nascemos em Temiscira. Nascemos condicionados à passividade (entre tantas outras coisas, boas e ruins), e a maioria de nós assim permanece, à espera do despertar por uma heroína, quem sabe.
Mas, a humanidade... dark side/light side. Todos temos. A explicação mitológica até parece fazer sentido, assim como a justificativa do vilão: os homens fizeram a bagunça, e não Deus. Como dar chance ao lado bom? Ser misericordioso ou não com o lado ruim?
Fiquei pensando que os poderes de Diana seriam muito bem-vindos principalmente às mulheres com TPM. Mas teríamos o senso de justiça da heroína para usá-los? Em que ponto deixamos de ser justos para ser vingativos? Essa linha ainda existe, conseguimos enxergá-la? Qual o sentido de atacar? Recuar é perder?
Ao sair da sala, a frustração não foi de não ter cenas pós-créditos. Foi ter escancarado, por uma ficção, o quanto regredimos ao querer evoluir. Que ao perder a inocência, nossos julgamentos ficaram difusos demais. Aderimos a justificativas que quase nunca fazem sentido. E paramos de questionar. A pancadaria mais dolorosa de Diana são as suas perguntas. Para quem se permitir usar o filtro da sua inocência.

quinta-feira, 1 de junho de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Idosos devem atualizar CadÚnico para manter BPC

Benefício é voltado a idosos e deficientes em situação de vulnerabilidade social

Daíza Lacerda

Idosos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) devem comparecer no Ceprosom para atualizar o Cadastro Único. A atualização é obrigatória para todos os beneficiários até o final deste ano, sob o risco de ter o pagamento suspenso.
O benefício de um salário mínimo é pago pelo governo federal a idosos acima de 65 anos e deficientes cuja renda familiar seja de até 1/4 de salário mínimo per capita, ou seja, para pessoas em situação de vulnerabilidade, como explica Maria Aucélia Damaceno, presidente do Ceprosom. Ela ressalta que o recadastramento dos deficientes será no próximo ano.
Apesar do alerta de recadastramento no extrato, mais da metade dos beneficiários em Limeira precisam comparecer para atualização. No município são 2.270 idosos cadastrados, sendo que 1.311 estão com o recadastro pendente. Entre os deficientes são 1.952 beneficiários que deverão atualizar no próximo ano.
Maria Aucélia alerta que muitas pessoas confundem o benefício com aposentadoria. No entanto, o BPC não é válido para aposentados.
Além do recadastramento, outras mudanças são implantadas neste ano em relação ao BPC. O Ceprosom fará o acompanhamento dos beneficiários, numa busca para incluí-los nos serviços de assistência social, tendo os idosos como público prioritário.
O acompanhamento dos beneficiários deficientes será feito independentemente da idade. No entanto, há o BPC Escola, voltado àqueles de 0 a 18 anos. São 544 nesta faixa etária, que já tiveram a distribuição de questionários para identificar barreiras e as necessidades para atender de foram específica. "Isso deve ser alinhado com outras políticas públicas, com a acessibilidade na escola e no transporte, para garantir o acesso", explica.
O questionário mostrará ao Ministério do Desenvolvimento Social como o município está em outros âmbitos além da assistência nas políticas de inclusão. Até agosto será desenvolvido um plano de trabalho com essas pessoas".
Maria Aucélia salienta que o levantamento da demanda de idosos para acompanhamento já é feito nos Cras, ainda que não em grupos específicos.
A atualização só não é válida para idosos em situação de abrigamento e para os maiores de 80 anos, para os quais o governo federal prevê atendimento em domicílio. Para recadastrar, basta levar documento original. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 15h30, na Avenida Campinas, 115, Cidade Jardim (sede do Ceprosom). Mais informações pelos telefones 3404-6264 e 3404-6265.

Publicado na Gazeta de Limeira.

Câmara de Cordeirópolis decide manter Dudu

Votação ocorreu na sessão desta terça-feira, em retomada de projeto de decreto legislativo

Daíza Lacerda

Menos de uma semana após o vereador Rinaldo de Lima (PMDB), o Dudu, retornar à Câmara de Cordeirópolis, os demais vereadores votaram por mantê-lo no cargo. Dudu voltou por decisão do Tribunal de Justiça, que suspendeu, em maio, liminar que havia extinto o mandato, em março.
Com a decisão mais recente, foi retomado na Câmara o processo que julgaria o vereador, mecanismo usado com base na Lei Orgânica do Município. O projeto partiu de reação da Câmara diante de inquérito instaurado pelo Ministério Público, que cobra a extinção do mandato de Dudu devido à condenação transitada em julgado, e não apenas a suspensão, como adotou o Legislativo, com base no regimento interno. Diante da reivindicação, vereadores decidiram seguir a Lei Orgânica do Município, que prevê a extinção no caso de condenação, desde que passe pelo aval de todos os vereadores, com direito de defesa do vereador.
Preso em 5 de janeiro por contravenção penal envolvendo máquinas caça-níquel, Dudu cumpriu a pena de três meses, parte em regime aberto, em sua residência. Ele tinha uma condenação anterior, que foi extinta por prescrição. No processo de 2012, ele era um dos responsabilizados por falso testemunho, em caso também relacionado com máquinas caça-níquel em seu estabelecimento.
Na votação do projeto de decreto legislativo, Dudu foi absolvido pelos vereadores do mesmo partido, o PMDB, com votos contrários à perda de seu mandato (do presidente Laerte Lourenço e Cleverton Nunes) e dos partidos aliados (Cassia Moraes-PDT, Antonio Marcos da Silva-PT e Sandra Cristina dos Santos-PT), além de José Geraldo Botion (PSDB). Votaram a favor da perda do mandato Anderson Antonio Hespanhol (PPS) e Mariana Fleury Tamiazo (SD). Por ser parte interessada, Dudu não votou.
AÇÃO CONTINUA
Promotor do Ministério Público, Luiz Alberto Segalla Bevilacqua lembra que a decisão da Câmara não muda o andamento da ação civil pública que tramita na Justiça. A suspensão que reconduziu  Dudu à Câmara foi da liminar, e não do processo. O desfecho dependerá da decisão de juiz em 1º grau. Para o MP, Dudu não tinha condições legais para concorrer às eleições, mesmo que suas condenações transitadas em julgado (uma delas extinta) tivessem sido descobertas depois de eleito. O fato das condenações não terem aparecido em suas certidões deve ser investigado. Dudu foi o terceiro vereador vais votado, com 379 votos.

Publicado na Gazeta de Limeira.

quarta-feira, 17 de maio de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Ação tem abordagens e demolição no Ibirapuera

Insegurança no entorno é foco de reclamações frequentes de vizinhos e comerciantes

Daíza Lacerda

A área verde próxima do Centro Pop, entre os bairros Ibirapuera e Parque das Nações, teve ação conjunta de diversos órgãos, iniciadas na manhã de ontem. O ponto conhecido como refúgio de dependentes químicos teve abordagem do Ceprosom e Guarda civil Municipal, além da Secretaria de Obras e Serviços Públicos, que iniciou a limpeza no local, com retirada dos barracos montados na área. O prefeito Mario Botion também acompanhou a ação.
Vanderléia Serrano, diretora de Proteção Social do Ceprosom, explicou que haviam oito pessoas no local, todas moradoras dos bairros próximos. Apesar da referência do local para consumo de drogas, as pessoas abordadas, quatro homens e quatro mulheres, não se mostraram sob efeito de entorpecentes, e foram orientados sobre os serviços de assistência da autarquia, além do tratamento contra dependência oferecido pelo Caps. 
Ela explica que, com abordagens constantes, é notada a redução da aglomeração no local, pelo menos durante o dia. Mas a saída definitiva depende da aceitação dos abordados para iniciar tratamento e voltar para a família.
Secretário de Segurança Pública, Francisco Alves ressaltou que as viaturas permanecerão com rondas na região, num policiamento mais ostensivo. Não foi flagrado nada de ilícito pela corporação, mas a ação de pessoas em situação de rua é preocupação dos moradores e comerciantes, como a Gazeta divulgou no domingo. Os relatos são de intimidação, provocando uma espécie de comércio paralelo para garantir cigarros e bebidas e evitar furtos. O secretário salientou que características dos suspeitos e ameaças podem ser denunciadas anonimamente pelo 153, além do registro de boletim de ocorrência.
LIMPEZA
O trabalho de limpeza continua hoje, mas, só ontem, 150 toneladas de entulho foram tiradas da área, em 14 viagens de caminhão. Foram podadas 60 árvores e a capinação atingiu 72 mil m², com uma equipe de 63 pessoas e três tratores, como informou o titular de Obras, Dagoberto Guidi. Ele informa que outros serviços foram providenciados, como tapa-buraco, recuperação da pista de caminhada, limpeza de bocas de lobo, recomposição de muros-ala e retificação do ribeirão. A proteção da ponte entre o nações e Cecap também será providenciada, e deve ser colocada até a próxima semana. A ação de limpeza demandará pelo menos mais três dias.

Justiça suspende extinção do mandato de Dudu

Decisão é favorável ao pedido da defesa do vereador, que defende legitimidade da eleição

Daíza Lacerda

A 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado suspendeu a extinção do mandato de Rinaldo Lima (PMDB), o Dudu. O despacho é assinado pelo relator Ferreira Rodrigues. O pedido foi feito pela defesa de Dudu, no final de março. A extinção foi determinada em meados daquele mês, quando o presidente da Câmara, Laerte Lourenço (PMDB), acatou a decisão da Justiça.
A defesa recorre à legitimidade da eleição de Dudu, terceiro vereador mais votado, tendo apresentado certidões criminais. O vereador tinha duas condenações transitadas em julgado, que não foram acusadas na documentação entregue à Justiça Eleitoral. Ressalta que a extinção do mandato foi feita sem que o vereador tivesse o direito à defesa, "já que o mesmo concorreu às eleições estando apto a disputa do cargo, conforme o Tribunal Eleitoral assim o determinou".
A defesa de Dudu critica o Ministério Público por "aludir os tribunais com incoerência e situação alheias ao próprio Tribunal de Justiça, uma vez que a discussão sobre perda de seu mandato deveria ser feita no Tribunal competente, todavia, assim não o fez, pois sabido é que perdeu os prazos dos recursos cabíveis, e tenta a todo custo entrar com procedimento equivocado". O advogado considera que os pedidos são incompatíveis, "pois tenta condenar um vereador que está com seus direitos suspensos, e só poderia voltar após o julgamento de seus pares, além de pedir a condenação sem crime nenhum que fora feito".
O pedido também recorre ao processo que havia sido iniciado na Câmara para julgar a situação do vereador, que já estava afastado desde a sua prisão, em 5 de janeiro, considerando que "a decisão liminar por si só já perde sua função, já que emerge de situação que não está expondo a risco de perigo ou dano nenhum". Também sustenta que a jurisprudência referenciada para o caso é de situação diferente, "pois em todos os casos, os crimes ocorrem durante o mandato, e não como o caso em tela, que a pena foi anterior a mais de 10 meses do mandato". A defesa sustenta que a candidatura passou pelo crivo máximo da Justiça Eleitoral, que deferiu seu registro, além da confiança dos eleitores, com a qual relaciona a índole do vereador: "são 379 pessoas, que por sua vontade expressaram confiança no Agravante, que é pessoa idônea e com vontade de trabalhar para o bem da população", ressaltando que "Cordeirópolis é de porte pequeno, do interior, onde todos se conhecem, se o Agravante não fosse pessoa honesta e querida, não teria sido eleito".
Para a defesa, o acato à tese do MP configura voltar "aos tempos da barbárie, onde o Agravante será punido novamente (por um crime de pequena monta)", e que os fatos "demonstram uma nítida 'perseguição' do sr. Promotor".
O relator considerou que "o fundamento invocado nas razões recursais é relevante", tendo em vista que "já tramitava na respectiva casa legislativa processo de cassação, em observância à legislação local". Ainda conforme o despacho, "a suspensão da liminar concedida não acarretará nenhum dano ou risco ao resultado útil do processo, sobretudo porque o agravante já
se encontrava afastado por ato da mesa diretora da Câmara Municipal que, inclusive, já havia editado projeto de decreto legislativo para a cassação do seu mandato, aguardando-se, apenas, a deliberação desse decreto em plenário".
Até o fechamento da edição, a Gazeta não conseguiu contato com a presidência ou jurídico da Câmara para posicionamento sobre como deve proceder diante da decisão. O processo que analisaria e votaria a situação de Dudu foi cancelado com a determinação anterior, da extinção do mandato, e não foi esclarecido se será retomado.
terça-feira, 16 de maio de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Órgãos retomam atendimento após ataques

Tribunal de Justiça e Ministério Publico confirmaram invasões, mas não detalharam em números

Daíza Lacerda

Após o desligamento dos sistemas na sexta-feira em decorrência dos ataques cibernéticos em dezenas de países, inclusive o Brasil, órgãos públicos do Estado de São Paulo retomaram os serviços eletrônicos ontem. Os cyberataques foram relatados em mais de 70 países, com a ação do ransomware, um código malicioso que infecta dispositivos com o objetivo de sequestrar, capturar ou limitar o acesso aos dados ou informações de um sistema, para fins de extorsão. Para obtenção da chave de decriptação, geralmente é exigido o pagamento em bitcoins (moedas virtuais).
Por meio de nota, o Tribunal Justiça de São Paulo informou que "restabeleceu o funcionamento de seus serviços on-line, como peticionamento eletrônico, acesso ao sistema de acompanhamento de processos (SAJ), emissão de certidões etc. O expediente transcorre normalmente nesta segunda-feira (15), assim como já ocorreu nos plantões do final de semana".
O órgão admitiu ataques, mas não informou em quais cidades as invasões foram identificadas. "Na última sexta-feira (12), a Secretaria de Tecnologia da Informação do TJSP recomendou o desligamento dos computadores da instituição no Estado. Na ocasião, foram detectadas algumas máquinas infectadas pelo ataque de hackers, que teve início na Europa e se alastrou por diversos países do mundo. Não houve perda de dados dos processos em andamento no Judiciário Paulista. A instituição conta hoje com um parque tecnológico de 55 mil computadores e menos de 0,5% dos equipamentos foram infectados".
O TJSP informou que "a área técnica continua trabalhando para garantir o funcionamento dos serviços e realiza diagnósticos em todos os edifícios do Tribunal no Estado para eventual identificação e solução de ocorrências pontuais". 
A assessoria do Ministério Público do Estado de São Paulo confirmou ataques em São José do Rio Preto, sem especificar números. Conforme o órgão, o funcionamento foi retomado normalmente nas demais cidades.
INSS
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República confirmou que o ataque cibernético provocou “incidentes pontuais” em computadores de servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na sexta-feira, mas negou comprometimento de dados da administração pública brasileira. Conforme explicou o GSI, o ataque foi feito com um programa de computador que sequestra dados para que os hackers exijam resgate.
“O ataque também ocorreu no Brasil em grande quantidade por meio de e-mails com arquivos infectados; até o momento, não há registros e evidências de que a estrutura de arquivos dos órgãos da administração pública federal (APF) tenha sido afetada”, disse o GSI, em nota. O órgão é responsável por monitorar assuntos militares, de segurança nacional e potencial risco à estabilidade institucional.
POUPATEMPO
O Poupatempo informou que não foi afetado pelo ataque cibernético que atingiu computadores de diversos países. "Os sistemas de atendimento ao público estão funcionando normalmente e a situação vem sendo monitorada por técnicos da Prodesp - Tecnologia da Informação, empresa do Governo de São Paulo responsável pela gestão do Programa Pouptempo". Os canais eletrônicos permanecem disponíveis para agendamento de  atendimento. (Com Agência Brasil)