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sexta-feira, 25 de novembro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Viagem no tempo

Estamos fazendo - e escrevendo - história. Na minha pequena
cápsula do tempo, uma década de expectativas para avanço da educação

Há exatos 10 anos eu era estudante do 4º semestre de Jornalismo quando escrevi provavelmente o primeiro editorial da minha vida, selecionado pela professora Socorro Veloso para a edição do jornal laboratório Em Foco. Nesta semana, não tive como não relembrar o que me provocou a escrever naquela ocasião, numa espécie de cápsula do tempo particular, resguardadas as proporções com aquela que foi lançada nesta quarta-feira na Unicamp.
Graças ao meu apego ao papel (e história, e memória..) tenho aquela e muitas outras edições do Em Foco guardadas, mas bem acessíveis. A edição nº 43, de novembro de 2006, é aberta com as minhas considerações que partiam do I Salão do Livro Infantil, que havia acompanhado. Estava inconformada com o fato de Limeira ter um evento daquele e uma biblioteca com estrutura ainda tão precária, e cobrava um desfecho do novo campus da Unicamp, que parecia um assunto eterno e que só desencantaria anos depois. Quanto à biblioteca, tive a alegria de cobrir a sua mudança para a estrutura que merece (o que só foi efetivado há pouco mais de 1 ano!). Além do registro da morosa saga nos anos que antecederam esse "parto" (posso chamar assim, não é, Ligia Araujo?!)
Uma década depois eu cairia de paraquedas no assunto (porque não é a minha área de cobertura, que faço provisoriamente na ausência da escriba titular!) para registrar mais planos pra Limeira no ano 50 da Unicamp (e não posso esconder o prazer não só profissional quanto pessoal em noticiar o início das providências burocráticas para o futuro centro esportivo em Limeira... quem viver, verá.. correrá, nadará, jogará! Certo, Luciano Mercadante?!). Daí, ontem, um retrato simbólico de Limeira hoje, uma Gazeta com o meu texto e de meus contemporâneos, foi para a cápsula do tempo, que será aberta daqui a 25 anos. Nos minutos antes do início da solenidade (atrasada! a solenidade, não eu!), peguei a folha em branco com o símbolo da universidade e tracei algumas (várias!) linhas com expectativas para 2041. Não posso pedir muito mais do que continuar registrando a história, e torcer para que seja positiva (não canso de falar que gostamos é de notícia boa, embora todos julguem o contrário em relação à imprensa!).
Na minha viagem do tempo, pensei na vocação. A minha talvez seja mesmo o papel e a palavra. Mas e a de Limeira? Limeira ainda não me parece uma cidade universitária, e não sei dizer por que ainda não se rendeu a isso. É claro que é um processo, mas está devagar demais pra quem lida todo dia com o deadline, no "milagre" de fazer jornal nascer e morrer, todo dia (meus colegas de redação concordarão que o termo milagre não é exagero! haha...).
Um dos sinais mais evidentes de que Limeira não abraça a vocação universitária é a nossa vergonhosa rodoviária, a porta de entrada de mentes de tudo quanto é canto, que vêm efervescer o seu potencial aqui. Nós nem temos ideia do conhecimento que é produzido. Algumas pesquisas que conseguimos pinçar e repercutir em matérias é ínfima perto do que é desenvolvido. E, convenhamos: o clima universitário se restringe ao entorno dos campi. Ainda não contamina o resto da cidade com tudo aquilo que a presença maciça de estudante exige: custo de vida mais acessível, opção de lazer além de bares, opção de cultura, estabelecimento aberto até mais tarde que não seja loja de conveniência de posto, livraria de verdade (ou megastore, please!), sebos, mais sebos pelamordedeus!!
Reconheço que não é fácil "se encontrar", e a universidade também ainda tem muito a caminhar para ser mais aberta e mais acolhedora comunitariamente. Talvez o peso acadêmico ainda assuste, mas isso tem de ser desmistificado.
Enfim, entre uma cápsula e outra, nos cabe tentar agregar da melhor forma. Tenho muita expectativa sobre as histórias que teremos contado e vivido entre o agora e 2041, quando certamente terei as edições da Gazeta dos dias 23 e 24 de novembro de 2016 guardadinhas na minha cápsula particular. [Em tempo, experimentem isso: recentemente, numa sessão desapego, revirei baús e achei cartas que havia escrito para mim mesma anos antes, para ler aos 15, 18 e 21 anos... viajar no próprio tempo é saber se conhecer e reconhecer as mudanças que as fases e a vida nos provoca! Já escrevi outra para os próximos anos!].
A gente sempre reclama que não vê o tempo passar. Talvez seja porque a gente simplesmente não pare para olhar. Enxergar que estamos fazendo, o que estamos ganhando ou perdendo, construindo ou mudando.
terça-feira, 28 de junho de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Após 7 anos, museu é entregue com nova praça

História e desenvolvimento de Limeira são contextualizados em três salas

Daíza Lacerda

A criançada que subiu afoita as escadarias do prédio Coronel Flamínio Ferreira de Camargo rumo às salas do museu veria pela primeira vez detalhes históricos do município em peças e representações. Com acervo longe do prédio há sete anos, sendo que a visitação já estava suspensa naquele ano de 2009, o Museu Histórico-Pedagógico Major José Levy Sobrinho foi reaberto ontem para as novas - e antigas - gerações.
É só uma parte do tesouro histórico que ficará exposta, com renovação periódica. O prédio é usado para outros departamentos como Emcea, Comicin e, futuramente, Centro de Memória, em espaço insuficiente para o acervo de mais de 5 mil peças, das quais cerca de 200 estão em exposição.
"A ideia é mudar o paradigma do museu chato para o museu em movimento, que se atenta à memória. As exposições vão mudando, além do espaço para mostras itinerantes, para as quais já há interessados", declara a secretária de Cultura, Glaucia Bilatto.
Gerente do museu, Ana Terezinha Carneiro Naleto destaca também a pinacoteca na qual foi transformado o corredor do pavimento superior do prédio, de acesso às salas, com diversas pinturas. A concepção do espaço vem desde fevereiro, com a pesquisa e seleção de materiais, até a mudança das peças, que começaram a ser transportadas há pouco mais de um mês. Além dos quadros e peças, há também reproduções, como de mapas, cujos originais pertencem ao acervo.
A primeira sala contempla a história do município, e a migração do rural para o urbano, com os ofícios que isso demandou, em peças. A segunda contempla as transformações urbanas e a importância do major José Levy Sobrinho e outras figuras para o município. A terceira sala tem o histórico do próprio museu, e desenvolvimento da cultura, lazer, educação e saúde. Além de fotos de prédios importantes antes e atualmente, a Unicamp assina espaço com o histórico da universidade, que completa 50 anos e está no município há 49.
ORIGENS
A peça mais antiga é um São José, em madeira policromada. A datação é do século 18, mas não há detalhes sobre a origem, uma das dificuldades na escolha das peças para a mostra, como explica o historiador João Paulo Berto. "Uma das dificuldades foi a catalogação das peças, na reunião de informações de quem doou e quando, qual o período. É o que será desenvolvido agora", informa.
A preocupação foi apresentar os temas da cidade, em panoramas contextualizados. Segundo Ana Terezinha, é impraticável a exposição de todo o acervo, pois nem todas as peças tem essa conexão como as atualmente expostas. A projeção é que a mostra permaneça por cerca de três anos, mas com exposições itinerantes do restante do acervo e também de outros artistas.
Por enquanto, a visitação ocorre de segunda a sexta, das 9h às 16h. Informações pelo 3441-4805.



Reforma do entorno é concluída

Quem esperava ônibus na tarde de ontem na praça Coronel Flamínio pode se distrair com as apresentações musicais e de dança que marcaram a entrega da reforma do local e a reabertura do museu.
Iniciadas em março, as obras custaram R$ 488.344,51, considerando as metragens de materiais de diferentes contratos, conforme o secretário de Obras e Serviços Públicos, Marcelo Coghi. Ele explica que foram usados contratos como o de calçadas e passeios públicos, com uso de 3.668 m². A colocação de grama é do contrato com a Forty, com 2.332 m², enquanto os bancos foram produzidos pela Famul. Os contêineres para os comércios estão em fase de licitação, com custo estimado de R$ 54 mil cada. A praça terá dois para a banca e quiosque do suco, enquanto o terceiro será destinado à área de lazer ao lado do Limeirão. Os abrigos de ônibus foram providenciados pela Viação Limeirense, enquanto a readequação da sinalização e semáforos também foram feitas em contrato para este serviço. 
O prefeito Paulo Hadich ressaltou que a renovação do espaço foi feita pensando no pedestre, com maior área de utilização das pessoas, além de valorização das árvores.
Moradores da região demonstraram preocupação com a segurança do local, principalmente à noite. Segundo o secretário de Segurança, Mauricio Miranda, a ronda da Guarda continua no Centro, inclusive à noite. Ressaltou que o uso dos espaços por grupos como de skatistas ou de rap, por exemplo, não representa risco. Já qualquer tipo de depredação do espaço é crime e deve ser denunciado, caso não seja flagrado pela GCM. A secretária de Cultura, Glaucia Bilatto, informou que o prédio do museu possui sistema de segurança integrado à Guarda. (Daíza Lacerda)


Publicada na Gazeta de Limeira.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Conselho lista imóveis públicos que serão tombados

Objetivo é proteger patrimônio contra intervenções que os descaracterizem

Daíza Lacerda

Imóveis públicos como o Palacete Levy, prédio Coronel Flamínio (do museu) e complexos ferroviário e do Prada são alguns patrimônios públicos históricos prestes a serem tombados. O consenso é do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Limeira (Condephali), que aprovou uma lista de imóveis públicos que devem receber a proteção formal.
Resta a conclusão da parte burocrática para que a publicação formalize o tombamento, como explicou o presidente do Condephali e secretário de Urbanismo, Alex Marques Rosa. Com isso, os imóveis só poderão receber intervenções se o projeto for aprovado pelo conselho, de forma a manter a caracterização das épocas de sua construção.
O secretário esclarece que o intuito é de controle social sobre qualquer intervenção, além de abrir a possibilidade de buscar recursos para a conservação. Não limita, por exemplo, manutenções que podem ser feitas, ou até mesmo pinturas são permitidas. Já trocas de janela ou portas, por exemplo, que possam descaracterizar o imóvel, demandam estudo e apreciação do conselho.
IMÓVEIS
O Palacete Levy já foi inscrito no livro tombo por conta de uma decisão judicial, mas a situação será formalizada. Já o prédio Coronel Flamínio Ferreira de Camargo, primeiro grupo escolar de Limeira, já é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), pelo vínculo com o Estado em sua origem. Mas receberá também a proteção no âmbito municipal.
Inaugurado na década de 50, o Mercado Modelo configura um dos mais "novos" da lista, que contempla ainda o antigo prédio da Cesp, na rua Dr. Trajano. Atualmente, o local abriga a Vara da Fazenda Pública. A capela Santa Cruz do Cubatão, na avenida Campinas, também será tombada
O tombamento se estenderá em blocos de imóveis, a exemplo do complexo Prada, com a escola, creche e Paço Municipal. Outro complexo é o ferroviário, que terá contemplados o galpão, pátio e estação. As antigas casas dos ferroviários não estão inclusas pelo município ainda não ter a posse das mesmas. O conjunto pertencia à Rede Ferroviária Federal, que foi extinta. Agora, os bens têm de ser passados à Secretaria de Patrimônio da União para, posteriormente, ser pleiteada a transferência para o município.
Também foram aprovados os tombamentos da gruta da Praça Toledo Barros, do Teatro Vitória e dos prédios de três escolas: Etec Trajano Camargo, EE Castelo Branco e EE Brasil. No entanto, devem ser checados possíveis entraves nas escolas, por pertencerem ao Estado.
MUROS DO PRADA
Também foi "enterrada" a ideia de mexer nas muretas do Edifício Prada, intervenção projetada à época que os muros da creche do mesmo complexo foram derrubados sem aval do Condephali. O cancelamento do processo foi formalizado recentemente com publicação no Jornal Oficial.
Alex considera que o projeto contrariava ideias mais progressistas de urbanismo, ao propor tirar espaço dos pedestres em benefício dos carros. Agora, a intenção é oposta, com estudos de aumentar o espaço para circulação de pedestres. Mas a aplicação ficaria para outro momento, devido às questões financeiras.
Já a situação do muro da creche é motivo de cobrança judicial. O conselho optou por uma medida chamada princípio de distinguibilidade, em que a diferença do antigo para o novo deve ser marcada com a colocação de gradis. É a opção para não construir muros falsos à moda antiga e formalizar a intervenção feita à revelia do conselho em 2012.


Publicado na Gazeta de Limeira.
domingo, 6 de setembro de 2015 | By: Daíza de Carvalho

Retratos de Limeira em meio ao progresso paulista

Parceria com Unicamp traz a exposição "Avante São Paulo!" ao Espaço Engep

Daíza Lacerda

Na década de 1910, tudo o que existia na atual Praça Toledo Barros era uma imensa lagoa e uma charmosa construção, o Theatro da Paz. Pouco mais de uma década depois, seria erguida ali a Gruta, também da Paz, no processo de formação do cartão postal de Limeira. Esses retratos fazem parte da nova mostra do Espaço Cultural Engep, que traz a Limeira parte do acervo do Centro de Memória da Unicamp, em material documentado pela então Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado, em 1920.
A seleção reproduz a intenção da secretaria de "vender" São Paulo como a terra do progresso e desenvolvimento, tendo apostado nas fotografias como importante ferramenta, principalmente com o recenseamento federal de 1920. É o que explicam os historiadores e curadores da exposição, Ana Cláudia Cermaria e João Paulo Berto.
Nos três espaços do casarão, o visitante conhecerá um pouco da secretaria, que detinha, à época, a responsabilidade sobre os principais serviços e infraestrutura, como viação, comércio, estradas, vias fluviais, iluminação e estradas de ferro, além dos trâmites da imigração. Na segunda, uma amostra dos núcleos coloniais, em retratos usados para atrair colonos, com a promessa de terra próspera, com comida e moradia. No salão principal, os painéis maiores resgatam a Limeira do início do século passado, desde a antiga matriz, hoje demolida, à reunião de figuras da época na Fazenda Morro Azul, como dr. Trajano e o marechal Rondon.
DESENVOLVIMENTO
O acervo do Estado reuniu materiais de inúmeras cidades paulistas, e algumas da região são retratadas na exposição, a exemplo de Rio Claro, Araras, Americana e Pirassununga. Nos retratos do progresso, espaços públicos e privados, praças e escolas mostravam São Paulo na vanguarda do desenvolvimento. E o recenseamento foi uma oportunidade de dar visibilidade a essa transformação, conforme os historiadores.
Preparado cinco anos antes, o recenseamento federal de 1920 previa levantar não somente informações demográficas, mas também a situação econômica do país, por meio das explorações agrícolas e pastoris, além das indústrias. Iniciado em 1º de setembro de 1920, o censo, que era organizado a cada dez anos, seria expressivo para as comemorações do centenário da Independência do Brasil, completos em 1922.
O primeiro dos diversos volumes do censo também está em exposição. Porém, a localização das informações de São Paulo é um mistério, pois o volume não foi encontrado.
A ORIGEM
Após a proclamação da República e a organização dos ministérios, os Estados adotaram a mesma estrutura, por meio das secretarias. Assim, a de Agricultura foi criada em 1897, mantendo a mesma estrutura até 1927, quando foi dividida em duas: Agricultura, Indústria e Comércio e Viação e Obras Públicas.
A sede foi concebida por Ramos de Azevedo, um dos mais importantes arquitetos paulistas. Seu projeto, no Centro de São Paulo, próximo do Páteo do Colégio, seria o centro das decisões do Estado, como a de investir na policultura, diversificando os plantios além do café e da cana. Iniciativas como essa foram impulsionadas na gestão do piracicabano Carlos Botelho, a partir de 1907. Na época, os gestores não eram identificados como governadores, mas como presidentes do Estado.
A exposição segue até 27 de novembro, e terá, ainda, o lançamento de um catálogo. A parceria é resultado da proposta de difusão, ponto em comum do Centro de Memória e do Espaço Engep. "São acervos vistos, muitas vezes, de forma pontual, e o Centro de Memória tem a intenção de difundir para o interior. Por outro lado, o Espaço Engep acolhe a mostra, trazendo esse conhecimento a Limeira e região".
O Espaço Engep fica no Largo da Boa Morte, 118, no Centro. A visitação é de segunda a sexta, das 9h às 18h e, aos sábados, das 9h às 13h.


Épocas eternizadas por anônimos (ou quase)

Dos trabalhos nos jardins à frente do Museu do Ipiranga, na capital, passando pela área da atual Faculdade de Agronomia Luiz de Queiroz, em Piracicaba, até o retrato da reserva da Cantareira, um belo jardim à época, as fotos selecionadas resgatam tanto obras que ficaram a cargo da secretaria quanto aquelas que apenas supervisionava.
Os fotógrafos que captaram os quadros da história são, na maioria, desconhecidos, mas há teorias para a origem, principalmente para os de Limeira. "Algumas fotos têm a informação no verso, como o nome ou legenda, mas era comum o Estado recrutar fotógrafos locais. Acreditamos que boa parte das fotos de Limeira foram produzidas pelo Estúdio Ceneviva, de Tomazzo Ceneviva", relatam os curadores. Reforça a hipótese o fato de algumas das fotografias já serem conhecidas, possivelmente pelo autor limeirense ter mantido uma cópia ou os negativos. (Daíza Lacerda)
sábado, 5 de setembro de 2015 | By: Daíza de Carvalho

Biblioteca, enfim, de portas e páginas abertas

Biblioteca, enfim, de portas e páginas abertas

Novo complexo é aberto ao público com conceito de espaço cultural além da leitura

Daíza Lacerda

Parecia até que o mundo ia começar em livros. Assim que as portas se abriram, rapidamente os corredores ganharam vida, num formigueiro curioso que não sabia o que buscar primeiro. Quadrinhos, clássicos, desconhecidos: os volumes saíam da inanição da estante direto para as mãozinhas inquietas das crianças. A biblioteca era, finalmente, apoderada pelo público.
Um dos pequenos arregalou os olhos quando soube que aqueles pequenos universos poderiam ser dele durante alguns dias. "Como assim, pode levar?". Simples assim, outros já haviam feito a escolha, como Lucas Gabriel Ferreira, de 12 anos, que agarrou o volume único de As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis. O livro não era extenso o bastante para ele: seria o 13º volume grosso que iria encarar. Para ele, "é ótimo praticar a leitura, para ficar mais esperto na escola e não tirar nota baixa".
A nova biblioteca de Limeira também traduz o anseio dos patronos João de Sousa Ferraz e Cecília Quadros, cujo apreço pela educação e cultura foi testemunhado pela neta Luciana Ferraz e sobrinha Maria Salete Ometto Quadros, respectivamente. O acervo pessoal do escritor, jornalista e psicólogo parecia um mundo mágico, nas palavras de Luciana. Já Cecília, que tinha "coletâneas de pulsar de coração", representava Limeira aonde ia, como atesta Maria Salete.
ESPERANÇAR
Ao agradecer a todos que colaboraram para a transformação da biblioteca num espaço diferente e inovador, a secretária de Cultura, Gláucia Bilatto, citou o educador Paulo Freire. Ele dizia que não se deve confundir a esperança do verbo esperançar com a do verbo esperar. "Não se deve esperar, mas buscar e reagir ao que não tem saída. Não esperar, esperançar", declarou, na entrega do projeto que pretende servir como um espaço cultural muito além da leitura.
O vereador José Farid Zaine relembrou o início do projeto da nova biblioteca, em período que foi secretário de Cultura. À época, o modelo das grandes redes de livrarias foi uma das inspirações para criar, em Limeira, um espaço para ampla circulação.
O prefeito Paulo Hadich destacou a atuação da biblioteca mesmo com o funcionamento em local provisório, em imóvel alugado na rua Senador Vergueiro, com espaço muito menor do que dispunha anteriormente, no prédio do Museu. Abordou a continuidade do projeto, iniciado antes de sua gestão. "Tínhamos a obrigação e dever de terminar e corrigir os erros. Compreendemos que o local poderia ter uma utilização maior, e abrigará também o Centro de Ciências, que está sendo finalizado e deve aumentar mais ainda o fluxo de pessoas". Outro ponto destacado pelo prefeito é a contribuição com suporte pedagógico para todas as escolas do município, públicas e particulares.
TIJOLINHO
Diversas pessoas ligadas à educação e literatura em Limeira prestigiaram a reabertura, como a escritora Zenaide Elias e Eudóxia Quitério, que faz questão de ser referenciada como professora primária. "Alfabetizei durante 30 anos, e sei avaliar o valor disso", disse ela, que condena veementemente a prática de passar de ano alunos analfabetos. "A boa alfabetização é o tijolinho da cultura de uma pessoa", salienta a educadora, que se mostrou contente com a nova biblioteca. "Dará um impulso e permitirá dedicação maior na finalidade da instrução", considera.
Após tantas mudanças de prédio, o acervo chega para ficar ao lado do Parque Cidade. Mas, mais do que nunca, a biblioteca está sujeita à mutação, que será provocada pelo público, como expõe a coordenadora Ligia Consuelo Araújo. "Agora, vamos receber a população, acolher as demandas e continuar o projeto da biblioteca viva, agregando outras parcerias para uma biblioteca atuante. É um equipamento cultural, um espaço de acolhimento. Queremos que as pessoas venham usufruir, se apropriar, serem parceiras para aquilo que elas necessitam e querem". 
sexta-feira, 4 de setembro de 2015 | By: Daíza de Carvalho

A nova casa das palavras em Limeira


Bibliotecas são reinauguradas hoje em mudança prevista há mais de cinco anos

Daíza Lacerda

As bibliotecas de Limeira reabrem hoje enterrando o conceito de instituição que "guarda" o conhecimento, procurada principalmente pela obrigação dos trabalhos escolares. Renascem com a ideia de biblioteca viva, que só existe a partir da interação do outro, seja leitor, ouvinte ou admirador, estimulados pelo que ela tem a oferecer.
A partir das 10h30 de hoje, esse público tem local definitivo para buscar ou se perder nas obras de sua escolha, no novo prédio das bibliotecas no Parque Cidade. Eles serão saudados pelos dizeres dos patronos João de Sousa Ferraz e Cecília Quadros, cujas palavras preenchem o alto de um dos lados do complexo.
"É um olhar diferente da biblioteca, e acreditamos que as pessoas vão gostar, o que é a nossa satisfação. Fizemos tudo pensando nelas, em como vão ver, se sentir", declara Ligia Consuelo Araújo, coordenadora da biblioteca. A expectativa é de quem está há 19 anos na biblioteca, acompanhando as mudanças e novas demandas, que devem ser atendidas no novo projeto.
No espaço mais amplo que já teve, a biblioteca receberá os públicos adulto, juvenil e infantil com novo mobiliário e acervo de 39 mil volumes. Se contabilizados os periódicos, são 43 mil itens. Também há espaço para a tecnologia, com computadores do programa Agenda Cidadã, e outros que devem chegar por meio do projeto do Comitê para a Democratização da Informática (CDI)específico para bibliotecas, da fundação Bill & Melinda Gates.
A partir de hoje, o visitante é livre para acessar as obras nas estantes. Mas em breve poderá folhear as obras com mais conforto, já que o mobiliário novo ainda não chegou, como poltronas e puffs. Ainda não está pronto o anfiteatro, que também depende da chegada dos móveis.
NOVA CASA
Na tarde de ontem, retoques na pintura e na comunicação visual eram feitos. Mas o acervo foi estabelecido no local no início deste ano, quando deixou prédio alugado na Rua Senador Vergueiro. A mudança começou em fevereiro e, no mês seguinte, os livros já estavam em casa nova, ainda que não totalmente organizados.
As estantes obedecem à ordem de catalogação, mas os romances, mais procurados, ficarão à frente. O Espaço Zumbi dos Palmares, com obras acerca dos negros, também está disponível, assim como os volumes em braile e audiolivros. Para os mais saudosistas, até mesmo os livros mais antigos ficarão à disposição.
No período em que a abertura foi parcial, para leitura de periódicos e pedidos de livros no balcão, circulavam cerca de 80 pessoas por dia. Já a demanda depois de aberto o acesso às prateleiras ainda é incerta. É a procura que determinará o horário de atendimento que, por enquanto, será de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Horários alternativos devem ser estudados, conforme a demanda.
Com as portas abertas, o local já tem evento programado para a próxima semana. No dia 10, a biblioteca recebe, às 15h, o autor Edson Garcia, que escreveu dezenas de livros infanto-juvenis. Às 19h, será a vez da revelação Marcos Perez, ambos pelo programa Viagem Literária, com participação gratuita.
Entre o alívio e a ansiedade de devolver o público ao acervo, Ligia faz o convite. "A biblioteca convida a todos para que venham conhecer o novo espaço. Desde aqueles que já eram frequentadores até quem estiver de passagem no parque. Entrem, conheçam e utilizem os serviços. A biblioteca é pública, da comunidade. De todos".






quarta-feira, 25 de abril de 2012 | By: Daíza de Carvalho

Circuito Sesc traz atividades a Limeira e Cordeirópolis

Apresentações artísticas acontecem nesta sexta-feira no Parque Cidade

Daíza Lacerda

Nesta sexta-feira, o Parque Cidade de Limeira será palco para diversas atrações culturais no Circuito Sesc de Artes. Em Cordeirópolis, no domingo, as apresentações acontecem na Praça da Matriz.
O Circuito, que engloba 88 cidades, traz aos municípios artistas de diversos estados com artes visuais, circo, dança, literatura, música, teatro e vídeo.
As atividades começam com "Substantivo Feminino", exposição e intervenção compostas de retratos em vídeo, em foto, vídeocorrespondências e intervenção sonora.
Na literatura, em "Histórias ao do Ouvido", as narradoras percorrem os parques, as praças e as ruas das cidades contando histórias variadas ao do ouvido, mesclando poesias, músicas e narração de histórias.
"Seja noite ou seja dia, viva o palhaço Alegria" será a apresentação de teatro, enquanto no espetáculo circense o argentino Marcelo Luján é "Marcelino em Pente Fino", com números de manipulação, música, movimento, equilíbrio em cabo tenso e clown.
Na dança, o espetáculo "Sapatos Brancos" traz ao palco pesquisa cênica-coreográfica que investiga as tradições do carnaval paulistano, as suas escolas de samba e especialmente o ritual presente na dança do Mestre-Sala e Porta Bandeira.
Para encerrar as atividades, o destaque será Marcelo Jeneci, de São Paulo, com show baseado no disco "Feito pra acabar", primeiro trabalho autoral do pianista, acordeonista, cantor e compositor, lançado em 2010.
“É muito importante Limeira receber um evento desse porte, que proporciona uma opção de entretenimento cultural diferenciado”, avaliou o secretário da Cultura, Evandro Leite da Silva.
Todas as atividades são gratuitas. Além do Serviço Social do Comércio (Sesc), o evento é realizado em parceria com as prefeituras e Sindicato do Comércio Varejista (Sicomércio).



Espetáculo de dança Sapatos Brancos será apresentado pelo Núcleo Artístico Luís Ferron
Espetáculo de dança Sapatos Brancos será
apresentado pelo Núcleo Artístico Luís Ferron


Programação - Circuito Sesc de Artes 2012

Parque Cidade 27/04
Rua José Botelho Veloso, s/n

Cordeirópolis 29/04
Praça Jamil Abrahão Saad (Praça da Matriz)

11h - Retrato: Substantivo Feminino - Tatiana Devos Gentile e Laura Tamiana (PE / RJ)
17h - Histórias ao do Ouvido - A Fabulosa Companhia - Teatro de Histórias (SP)
17h - Seja Noite ou Seja Dia Viva o Palhaço Alegria - Carroça de Mamulengos (CE)
18h - Marcelino em Pente Fino - Marcelo Luján (Argentina)
19h - Sapatos Brancos - Núcleo Artístico Luís Ferron (SP)
20h - Curtas de Animação
20h30 - Marcelo Jeneci (SP)

Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa. Original em pdf aqui.



sábado, 21 de abril de 2012 | By: Daíza de Carvalho

Dificuldades com empresa e projeto atrasam obras da Cultura

Daíza Lacerda

Ainda está indefinida a continuidade das obras no prédio da praça Coronel Flamínio Ferreira, que abrigava o museu e biblioteca municipal. De acordo com o secretário de Obras e Serviços Urbanos, Celso José Gonçalves, novo contato foi feito com a empresa responsável, que foi notificada por não ter retornado aos trabalhos.
"Aguardamos uma planilha de propostas de solução da empresa. Ainda uma liberação a ser feita pela Caixa Econômica Federal, e o caminho mais viável é a continuidade da obra, para que seja liquidada e possam receber. Como continuamos sem resposta, tomaremos as providências cabíveis", disse Gonçalves. O contrato poderá ser rescindido, e aplicadas penalidades como multa contratual e decreto de inidoneidade, que a impedirá de participar de qualquer licitação pública. Neste caso, será necessário contratar outra empresa para concluir. A obra está orçada em R$ 1.661.547,74, com 80% do valor proveniente dos cofres da União. Este ainda não é o montante pago.
Sobre as outras obras da Cultura, o secretário estima que até maio o Palacete poderá ser entregue. " estão sendo feitos os retoques na pintura e acabamento da tubulação", disse, sobre a mais custosa das três em andamento, R$ 2.993.153,25 arcados pelo Município.
a construção da biblioteca no Parque Cidade, onde funcionava antigamente o Ceprosom, passou por alterações de projeto, concluídas em fevereiro. "Melhora de temperatura e acústica, com obstrução de ruído, e ampliação de auditório, são algumas das mudanças".
Até o final do ano passado, a estimativa era de que as três obras fossem entregues ainda neste semestre. O prazo para entrega da biblioteca termina no final de setembro, sem considerar possíveis aditivos que podem ser pedidos pela empresa, devido às mudanças no projeto. A construção da biblioteca deve custar R$ 2.204.057,52.

Publicado na Gazeta de Limeira. Original em pdf aqui


domingo, 29 de janeiro de 2012 | By: Daíza de Carvalho

Teatro Vitória compõe agenda para 2012

Daíza Lacerda


Peças teatrais serão marcadas; espetáculos de música têm datas certas

O Teatro Vitória já tem atrações confirmadas até o final do ano. Embora a agenda das peças teatrais comece a ser definida a partir do fim deste mês, os eventos preparados pela Secretaria da Cultura já têm data definida. "O Departamento de Projetos da Secretaria já fechou as datas de espetáculos como os concertos da Orquestra Sinfônica no teatro, além de outras atrações gratuitas", explicou o secretário municipal de Cultura, José Farid Zaine. O concerto de abertura da temporada 2012 está previsto para o dia 29 de março.

"O Departamento de Projetos da Secretaria já fechou as datas de espetáculos como os concertos da Orquestra Sinfônica no teatro, além de outras atrações gratuitas", explicou o secretáriomunicipal de Cultura, José Farid Zaine. O concerto de abertura 2012 está previsto para o dia 29 de março.
A agenda tem início em fevereiro, após o carnaval, com a apresentação de Adriana Cozza no dia 25. Em março, "Um show de mulher" acontece no dia 8. Ainda não há espetáculos teatrais confirmados. "Nesta época é que começam as solicitações para as peças de teatro, para saber quais espetáculos voltam para a temporada", salienta Farid. Foram solicitadas atrações como Terça Insana e Alvin e os Esquilos.
Embora sem data de estreia fechada, o teatro trará uma novidade neste ano: um piano de cauda. Ainda passa por definição quem irá estrear o equipamento, que terá lugar próprio no teatro. O evento está previsto para março, quando acontecerá ainda a segunda edição do Festival Mix de Cinema da Diversidade, ampliado para três dias de exibição de longas e curtametragens sobre o tema. Ainda no quesito Cinema, o Cine Cultura, com exibição gratuita, continua fixo na agenda, mensalmente.
Em março ainda haverá a Mostra de Teatro de Comunidades, que levará pela primeira vez ao palco do Vitória o trabalho desenvolvido em diversos bairros. O espetáculo "A vida é sonho", protagonizado pelos alunos de Teatro da Emcea, também acontece nesse mês.
Para abril é preparada a Via Sacra, que novamente acontece no Parque Cidade. Em maio, além do festival Viola de Todos os Cantos, acontece a Mostra Municipal de Teatro, com início dia 26.
Para junho e julho estão marcados a Mostra de Dança (de 16 a 24) e Festival Canta Limeira, respectivamente.
 "O Festival Nacional de Teatro continua realizado em agosto. Neste ano será entre os dias 15 e 16. Já setembro será bastante movimentado devido ao aniversário de Limeira, dia 15", garante Farid. Segundo ele, há possibilidade de nova edição do "Vira Virou", a Virada Cultural Limeirense, inspirada no evento da Secretaria de Cultura do Estado e realizada em 2010.

ESTRUTURA
O prédio do teatro passou por várias mudanças no ano passado. Agora, deve funcionar em breve a nova bilheteria, na galeria. "Com essa mudança, o ingresso será impresso na hora e não será mais necessária a impressão em gráfica", lembra Fábio Pentagrama, diretor do teatro. A venda pela internet também é prevista, mas não neste primeiro momento. "A mudança da bilheteria para dentro do teatro aumentará a comodidade e segurança", reitera.
O funcionamento do espaço para café também depende de processos licitatórios, e a concorrência para quem assumirá os trabalhos no local. Isso é previsto para este ano. "A ideia é que seja um espaço cultural. Quem assumir pode torná-lo um ambiente temático, com displays ou livros", diz Pentagrama.
A venda de ingressos com cadeira numerada já está em vigor nos espetáculos, e a rigidez nas regras de entrada também têm dado resultado. "Melhorou bastante. Mas seguimos o que é feito em todos os locais", diz ele, sobre o controle da entrada após os espetáculos, que acaba atrapalhando os eventos.
Pentagrama e Farid estão otimistas com os espetáculos deste ano. "Fizemos em 2010 um trabalho para formação de público, que correspondeu às expectativas. Só no Festival Nacional de teatro recebemos mais de 10 mil pessoas", salienta Farid. A presença inclui pessoas que não costumavam frequentar o teatro, fato comemorado por eles.



Fábio e Farid explicam que mostras e festivais continuam na programação
Fábio e Farid explicam que mostras e festivais continuam na programação

Publicado na Gazeta de Limeira. Original em pdf aqui.








domingo, 15 de janeiro de 2012 | By: Daíza de Carvalho

Até junho, limeirense terá nova biblioteca, museu e Palacete

Daíza Lacerda

Pacote de obras da Cultura, iniciadas mais de dois anos, soma quase R$ 7 mi

No primeiro semestre de 2012 Limeira terá de volta o Museu Histórico-Pedagógico Major José Levy Sobrinho, um novo prédio para as bibliotecas municipais e o Palacete Levy restaurado. A previsão é dos secretários municipais de Cultura, José Farid Zaine, e de Obras e Serviços Urbanos, Celso José Gonçalves.
A primeira obra prevista para ser entregue é a do museu, que começou em outubro de 2009 e custa R$ 1.660 milhão. Feita com recursos federais, do Ministério do Turismo, Gonçalves explica que a demora deve-se a vários motivos. Um deles é o processo de liberação dos recursos, gerenciado pela Caixa Econônomica Federal, que faz o pagamento por fases. Outro é o vandalismo durante as obras e as alterações não previstas no projeto inicial, como a climatização específica para as obras do museu, e também adaptações para acessibilidade.
Há ainda o impasse da Praça Coronel Flamínio Ferreira, onde fica o museu, cuja reforma está incluída no pacote. Mais do que o prédio, os serviços iniciados e não concluídos na praça são os mais criticados pela população, devido à grande concentração de pessoas no local. "As obras só podem começar efetivamente na praça após o dia 15 de janeiro, quando todas as linhas de ônibus forem remanejadas do local", diz Gonçalves. Além do piso, a arborização será refeita.

BIBLIOTECA
Inspirada na Biblioteca de São Paulo, recentemente inaugurada pelo governo estadual na capital, a nova biblioteca de Limeira será no antigo Ceprosom, no Parque Cidade. O barracão passa por readaptação em projeto moderno que prevê forro termoacústico e um auditório, além de espaço para ampliação do acervo. Com novo conceito de espaço cultural, deverá ter funcionamento em horários diferenciados, com atividades.
O custo é de R$ 2.205 milhões, com conclusão prevista para junho de 2012. 



Novo prédio das bibliotecas municipais, no Parque, permitirá ampliação do acervo
Novo prédio das bibliotecas municipais, no Parque, permitirá ampliação do acervo

Prédio do museu já sofre vandalismo; obra na praça ficará para a segunda quinzena de janeiro
Prédio do museu já sofre vandalismo; obra na praça ficará para a segunda quinzena de janeiro

Cultura volta para o Palacete até abril

Quase vencido pelos cupins e infiltrações, além de intervenções que danificaram a estrutura, o Palacete Levy será entregue ao município após a intervenção de um Salvador. Tendo no nome o próprio ofício, o especialista em preservação Salvador de Cápua está à frente, com outros profissionais, da restauração do centenário imóvel. O trabalho, que inclui a peregrinação atrás de peças originais da época, custará R$ 2.990 milhões aos cofres do município.
Pelo menos quatro camadas de tinta foram retiradas das paredes, o que levou à descoberta de pinturas originais. Onde foram detectadas, serão mantidos os desenhos originais. Toda a pintura será com acrílico pigmentado fosco, como explica Cápua.
O processo começa a ser finalizado. Praticamente pronto para receber nova pintura na parte interna, algumas relíquias estão sendo trabalhadas, como as peças de nove lustres, que estão no local há mais de um século. Do latão ao bronze, além de cristais, serão polidas e reconstituídas por um artista plástico. As portas de madeira que não puderam ser recuperadas, foram feitas no mesmo modelo e material. O local teve que receber adaptações, como de acessibilidade (com um elevador), além da construção de banheiros. A calçada também será demolida e feita uma nova.
Liberado por etapas, o prédio poderá ser novamente ocupado a partir de fevereiro, apesar da previsão de reabertura até abril. "É para onde voltará a sede da Secretaria da Cultura, além da Oficina Carlos Gomes e Orquestra Sinfônica", lembra Farid.
No porão havia um estábulo, onde houve escavação. Sob o chão havia pedras, que não podem ser usadas como piso, mas ficarão expostas numa moldura de vidro.
A recuperação do Palacete é uma luta antiga, como relembra Farid. "Em 2005, tentamos angariar fundos para a restauração por meio da Lei Rouanet. Fizemos um concerto, convidamos as empresas, mas não arrecadamos sequer R$ 1".
Com a maior parte da verba das três obras bancada pelo município, apesar dos recursos e longo prazo para a conclusão, Farid e Gonçalves avaliam os benefícios. "Será um ganho cultural para a cidade", concordam.




Gonçalves, Cápua e Farid: lustres do Palacete também fazem parte da restauração
Gonçalves, Cápua e Farid: lustres do Palacete também fazem parte da restauração

Na reta final da restauração, o Palacete Levy poderá ser reaberto ao público até abril de 2012
Na reta final da restauração, o Palacete Levy poderá ser reaberto ao público até abril de 2012

Publicado na Gazeta de Limeira.


Grupo limeirense integrará festival de teatro em Portugal

Daíza Lacerda

O teatro amador de Limeira levará a sua arte para Portugal. O grupo Procênio desembarca no país europeu em março, para participar do Festival Vila Nova de Gaia.
Ator e diretor do grupo, Felipe Henrique explica que o convite surgiu a partir do contato com outra companhia de São Luís do Maranhão, que foi a primeira brasileira a participal do festival português. Neste ano, os limeirenses serão o único grupo brasileiro no evento.
Um segundo convite surgiu ao Procênio, para apresentação na Casa do Brasil, em Lisboa, em evento de teatro associativo. Os eventos reúnem grupos cuja origem são países que tem o português como primeiro idioma.
Eles levam para além-mar o monólogo "Cordel - Uma viagem pela cultura popular", que ficou em 3º lugar na Mostra Municipal, após excursionar por diversos estados. "O cordel chegou ao Brasil pelos portugueses. Agora levaremos de volta, com o nosso toque", ilustra Henrique.
O espetáculo demorou três anos para ser montado, e é encenado um ano. Pesquisas em cidades nordestinas contribuíram para a montagem. "A ideia era falar, de modo geral, da literatura de cordel, mas acabamos por abordar vários aspectos da cultura popular, com causos e histórias", contam o diretor e o assistente de direção Gabriel Félix.
Além dos ensaios, a correria é para garantir meios de viabilizar a viagem. Contam com o patrocínio de empresas para dar conta do custo de R$ 10 mil estimados para a viagem. "Com a apresentação, pretendemos crescer e trazer novas experiências para o teatro amador do município. É um ganho para a cidade", declara. Interessados em ajudar o grupo podem contatá-lo pelo e-mail felipe-teatro@hotmail.com ou pelo telefone 9419-3446.


Henrique e Félix: grupo levará cordel com toque brasileiro para Portugal
Henrique e Félix: grupo levará cordel com toque brasileiro para Portugal

Publicado na Gazeta de Limeira.