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quinta-feira, 8 de junho de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Precisamos da inocência de Diana (uma reflexão sobre o filme da Mulher Maravilha)

Diana: um poço de razão num desvirtuado mundo em guerra 
(Warner Bros. Entertainment/Divulgação)
Você não vai assistir a um blockbuster esperando sair de lá incomodado, pensando na vida. Pois eu diria que este é o principal super poder da Mulher Maravilha.
Se à nossa cultura parece ridículo ver em algo tão banal quanto um relógio aquilo que dita o que temos que fazer, cômico ter a hierarquia profissional relacionada à escravidão e algo corriqueiro em ver pessoas sofrendo e simplesmente ignorá-las, o problema talvez não seja o roteiro, mas vida real.
Infelizmente, perdemos a inocência que transborda na deusa vinda de um mundo sem terceiras intenções, sem cobiça ao poder, mas à justiça. O que você teria a dizer para referenciar o lugar de onde veio? De onde você vem as pessoas lutam ou se acovardam?
Os questionamentos de Diana parecem cômicos, mas a seriedade com que ela os faz, deveria ser levada a sério. Por mais utópico que seja, não deveria ser normal ver o terror se alastrar na sua frente e simplesmente continuar o seu caminho. O problema do mundo é que as exceções viraram regra. E o olhar de Diana não aceita isso. Nós não deveríamos. Mas, enfim, não nascemos em Temiscira. Nascemos condicionados à passividade (entre tantas outras coisas, boas e ruins), e a maioria de nós assim permanece, à espera do despertar por uma heroína, quem sabe.
Mas, a humanidade... dark side/light side. Todos temos. A explicação mitológica até parece fazer sentido, assim como a justificativa do vilão: os homens fizeram a bagunça, e não Deus. Como dar chance ao lado bom? Ser misericordioso ou não com o lado ruim?
Fiquei pensando que os poderes de Diana seriam muito bem-vindos principalmente às mulheres com TPM. Mas teríamos o senso de justiça da heroína para usá-los? Em que ponto deixamos de ser justos para ser vingativos? Essa linha ainda existe, conseguimos enxergá-la? Qual o sentido de atacar? Recuar é perder?
Ao sair da sala, a frustração não foi de não ter cenas pós-créditos. Foi ter escancarado, por uma ficção, o quanto regredimos ao querer evoluir. Que ao perder a inocência, nossos julgamentos ficaram difusos demais. Aderimos a justificativas que quase nunca fazem sentido. E paramos de questionar. A pancadaria mais dolorosa de Diana são as suas perguntas. Para quem se permitir usar o filtro da sua inocência.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Cine Iracema abrirá as portas novamente em 2012

Daíza Lacerda


Usina Iracema reforma local para receber atividades culturais em investimento de R$ 2 mi

"A história se repete, 50 anos depois". Assim resume Ângelo Denadai, presidente da Associação de Movimento Arte e Cultura de Iracemápolis (Amaci) sobre a reabertura do Cine Iracema, que passa por reforma promovida pela Usina Iracema, do Grupo São Martinho, junto à instituição.
Há cerca de um mês teve início a reforma que deve devolver o espaço à cidade em meados do próximo ano, para receber, além de projeções de filmes, demais manifestações culturais como peças de dança, música e teatro. Desativado desde 1984, o local tem novo projeto no qual serão investidos mais de R$ 2 milhões, parte financiada pelo Grupo São Martinho com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além da Lei Rouanet, cujo valor do incentivo fiscal será repassado à Amaci.
"A comunidade está ansiosa para receber esse espaço novamente. Temos grupos na cidade que levam sua arte para outros Estados e não têm estrutura a contento para suas apresentações aqui o que acontece, muitas vezes, em locais improvisados. Será um marco na vida cultural da cidade", declara, Denadai, que estará à frente da administração do local.
Ontem à noite foi realizado evento na Câmara Municipal de Iracemápolis para apresentação do projeto de recuperação, que reuniu autoridades locais, executivos do Grupo São Martinho, da Usina Iracema e representantes da área cultural de Iracemápolis.

O INÍCIO
Com instalações mais modernas, com capacidade para receber 316 pessoas e novo palco de 12 metros de comprimento, nos 716 m², o espaço guarda ainda as antigas máquinas de projeção da época da fundação do Cine Iracema, que teve as portas abertas dia 15 de novembro de 1959, com a exibição do filme italiano "Donatella". História que começou com um pedido singelo para a reforma do cinema que antecedeu o Iracema na cidade, o Cine São José. Quem conta a história é José dos Santos, o "Seu Zé do cinema", que trabalhava com os cinco irmãos no campo. Já na juventude, com atuação no comércio, chamou-lhes atenção "um sujeito que passava fitas com uma maquininha".
"Vimos aquilo e não ficamos contentes. Então decidimos fazer um cinema de verdade, com uma máquina grande. E abrimos o cinema em barracão vizinho à padaria da família", relembra ele, que já conta 90 anos de idade. O ano era 1945.
Os irmãos foram desistindo, mas mesmo diante das dificuldades, ele manteve o funcionamento até 1955 quando fechou o Cine São José, que estava com problemas estruturais. Foi quando pediu ajuda à família Ometto para reabrir o espaço. Quatro anos depois, recebeu a resposta: um prédio novo em folha construído pela Usina Iracema, que o cedeu para que seu Zé administrasse.

AUGE E DECLÍNIO
O Cine Iracema tinha capacidade para receber 572 pessoas e os filmes de Mazzaropi garantiram os recordes de público. Além deles, a lotação aconteceu devido a uma estratégia inusitada. "Quando iam lançar o King Kong, com o filme, o cinema recebia uma réplica do gorila, que media do chão ao teto. Ficou um mês exposto antes da estreia, acorrentado na entrada. Quando o filme finalmente chegou, teve sessões lotadas", lembra seu Zé. "Era mais caro o macaco do que o filme", acrescenta, aos risos.
O cinema teve outro companheiro negro, conhecido da cidade. Chico, um corvo de estimação da cidade, que também "visitava" o cinema, embora isso não acontecesse durante as sessões.
O local recebeu muitos casais que formaram as futuras famílias da cidade. "Eu conhecia todos que entravam. Um por um. Certa vez uma mãe achou que eu estava escondendo a filha dela, quando garanti que a menina não estava no cinema. E, de fato, não estava e a mãe a encontrou em outro local", conta.
Nos anos 80 as coisas começaram a ficar difíceis, como a aquisição de filmes pela nova distribuidora, que impunha exigências que inviabilizavam o negócio. Assim, a exibição de filmes parou em 1984 e deu lugar a um cineclube que funcionou por pouco tempo. O local foi utilizado para cursos, treinamentos e atividades na área de Recursos Humanos. Entre 2000 e 2006 teve manutenções pela usina, como a reforma do telhado.

NOVO PROJETO
A fachada e os painéis de gesso trabalhados nas paredes do prédio com cenas de atividade agroindustrial da cana-de-açúcar, serão mantidos no novo projeto.
Uma bonbonnière, quatro banheiros e um mezanino com capacidade para 56 pessoas são algumas das novidades. Todo o projeto foi constituído a partir de padrões de acessibilidade que garantem totais condições de deslocamento para pessoas com deficiência, inclusive os camarins e o palco. As instalações elétricas e hidráulicas terão reforma completa. Além de pintura, haverá espaçamento maior entre poltronas para proporcionar mais conforto ao público.

Célia e João: o casamento
que começou no cinema

"Nosso namoro começou no Cine Iracema, em setembro de 1966. Conhecemo-nos no jardim. Aceitei o seu convite e nos casamos três anos depois". A lembrança é de Célia Regina Blumer Martinatti, 58, e já foi contada à exaustão para os filhos e netos no resgate da história do casal e também da antiga Iracemápolis.
"Na época, ficávamos no jardim, que hoje é a praça. As moças andavam de um lado e os rapazes, do outro", explica João Edmundo Martinatti, 67, sobre o ambiente em que fez o convite para a futura esposa. Ele tinha 23 anos. Ela, 13.
Eles contam ainda o "esquema" do namoro no cinema. Sempre iam acompanhados de um amigo, que guardava o lugar do par. "Antes de começar o filme os meninos ficavam conversando na frente e as meninas ficavam no meio. Quando se apagavam as luzes, cada um ia sentar-se com o seu par", lembra Célia. Afinal, no cinema podiam se beijar, já que no jardim o máximo permitido na época era dar as mãos.
A expectativa do casal é que a reabertura do espaço proporcione às próximas gerações a mesma alegria das lembranças que cultivam. "Esperamos que possam resgatar a memória, a fim de que nossos netos aproveitem para ser incluída na história da vida deles. Torcemos para que dê certo e que a reabertura seja realidade", declara Célia. (DL)




domingo, 10 de abril de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Animação: mão de obra brasileira migra por falta de investimento

Daíza Lacerda

Com a sedução das cores e dos efeitos, sobretudo em 3D, desenho animado deixou de ser especialidade só para crianças. A graça, também para espectadores grandinhos, é uma brincadeira séria para quem as produz, do primeiro traço ao acabamento digital.

A nova aposta de sucesso de animação nos cinemas foi lançada anteontem, em número recorde de salas no País. O longa “Rio”, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, retrata paisagens e marcas da Cidade Maravilhosa, que é cenário para a aventura de um casal de araras azuis, além de outras belezas da fauna brasileira.
Produzida lá fora com “gente nossa”, este é só um dos exemplos do que acontece no mercado de animação para cinema ou TV, de acordo com o animador Pedro Felipe Pizzolato, 22, que esteve sexta-feira no Arcoíris Cinemas de Limeira para falar sobre o assunto. Com formação em Design, ele, que atua em uma produtora e conta com três curta-metragens no currículo, diz que existe uma barreira nas emissoras nacionais para os produtos daqui. “Elas preferem investir em séries consolidadas no mundo todo, a arriscar no que é feito aqui. E os produtores nacionais precisam conquistar o estrangeiro para conseguir espaço aqui”, diz ele, exemplificando com a febre “Peixonauta”, animação brasileira vista em 65 países pelo Discovery Kids. A equipe do desenho é de pelo menos 200 animadores.
“É uma falta de visão, pois as séries têm vida longa e proporcionam uma renda maior, perdurando na programação, diferentemente das novelas, por exemplo. Os Simpsons são exibidos há 20 anos. A animação é uma vertente do audiovisual viável comercialmente”, defende.

TEMPERO BRASILEIRO
Há criação de brasileiros em outros sucessos como “A princesa e o sapo”, da Disney, que teve 12 minutos produzidos em uma produtora de São Paulo, numa concorrência com interessados de diversos países. O trabalho envolveu cerca de 40 pessoas e demorou um ano e meio, conforme Pizzolato.
Na oportunidade ele exibiu outros materiais, como um comercial de cereais feito por brasileiros, exibido no exterior. O mercado publicitário se transforma numa saída, com a falta de investimento voltado a séries e curtas. “Entre os anos 30 e 90, a maior parte de animações era de publicidade”, disse, exemplificando com mais vídeos.

ENGATINHANDO
Com a predominância do interesse em material importado, o mercado de animação no Brasil ainda está longe das altas cifras auferidas no exterior. Pizzonato cita um edital de R$ 4 milhões do Ministério da Cultura, que viabilizou o projeto Anima TV, com 46 episódios de exibição internacional. “As iniciativas devem continuar, para a atividade deixar de ser um mercado e se tornar uma indústria”. Esse tipo de apoio é recente, iniciado nos últimos 10 anos, aponta.
Por não poder “monopolizar” os editais para essa vertente, devido às demais necessidades culturais, como o teatro, o investimento privado ainda é de extrema importância para o segmento. Mas, pela falta de interesse, o Brasil perde não só em produção, como em profissionais, que seguem voo para as grandes produtoras internacionais.
Apesar disso, o Brasil sedia o terceiro maior festival, o Anima Mundi, que só perde para o Canadá e França. Além disso, há outros eventos menores e com temáticas definidas, como terror e infantil.

CUSTOS E PRODUÇÃO
As animações são bonitas de ver, mas são trabalhos caros e demorados. No Brasil, onde o orçamento é reduzido, cada minuto de um curta animado é estimado em R$ 10 mil. A média fica entre R$ 60 mil e R$ 110 mil, mas “Anjos no meio da praça”, do brasileiro Alê Camargo, custou R$ 150 mil, por ser produzido em 3D. “O curioso deste diretor é que ele voltou do exterior para agora só trabalhar no Brasil”, comenta.
“Shrek 3”, uma das maiores bilheterias entre as animações, rendeu mais de R$ 1 bilhão. Mas na indústria, mesmo o lucro pode significar fracasso. “A partir de 800% de lucro, o filme é considerado um sucesso. Até 500% está na média e, abaixo disso, pode ser considerado um fracasso”, explica.
A produção de dois minutos de cena pode levar um ano. E, embora a finalização seja digital (maior parte do processo, no caso do 3D), o trabalho começa no traço, com o desenho das poses principais dos quadros, delineamento e pintura. Nas grandes produtoras os personagens ganham, vida modelados e escaneados digitalmente, após esculpidos. Se no 2D sombra e luz são feitas no lápis, esses ajustes são todos computadorizados no 3D.



Publicado na Gazeta de Limeira.



sexta-feira, 1 de abril de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Novo filme sobre Chico Xavier traz dilema de mães às telas

Daíza Lacerda


Limeira acompanha hoje a estreia nacional do longa "As mães de Chico Xavier", dirigido por Glauber Filho e Halder Gomes, com produção de Luis Eduardo Girão. O filme completa a trilogia de produções no centenário do médium, iniciada em 2010 com "Chico Xavier", do diretor Daniel Filho, com público recorde na estreia, e "Nosso Lar, que repetiu o sucesso.
Enquanto o primeiro levou 3,5 milhões de pessoas às salas, o segundo teve 4 milhões de espectadores. Lançado dia 2 de abril de 2010, data exata do centenário de Chico Xavier, o primeiro filme teve 5.572 espectadores em Limeira. “Nosso Lar”, que chegou às telas dia 28 de agosto do ano passado, levou 6.121 pessoas ao cinema limeirense.
O novo trabalho traz grandes nomes no elenco, como Nelson Xavier, que novamente interpreta Chico, Caio Blat, Vanessa Gerbelli, Herson Capri, Via Negromonte e Tainá Müller, entre outros.
O filme é baseado em acontecimentos reais e conta a história de três mães, vivendo momentos distintos de suas vidas, que veem sua realidade se transformar. Ruth (Via Negromonte), cujo filho é um jovem que enfrenta problemas com drogas; Elisa (Vanessa Gerbelli), que tenta superar a perda do filho junto com o marido, o pequeno Theo (Gabriel Pontes); e Lara (Tainá Müller), uma professora que enfrenta o dilema de uma gravidez não planejada, se cruzam quando recebem conforto e reencontram a esperança de vida por meio do médium.
Com 1h55 de duração e classificação indicativa de 12 anos, o filme será exibido diariamente na sala 1 do Arcoíris Cinemas do Shopping Pátio Limeira, em quatro sessões: 14h20, 16h40, 19h e 21h20.

Publicado na Gazeta de Limeira.
domingo, 13 de março de 2011 | By: Daíza de Carvalho

"As mães de Chico Xavier" completa trilogia no centenário do médium

Daíza Lacerda


Os cinemas receberão no dia 1º de abril mais uma produção com histórias ligadas ao médium Chico Xavier. "As mães de Chico Xavier", dos diretores cearenses Glauber Filho e Halder Gomes, completa a trilogia de filmes sobre ele, finalizando ainda as comemorações do ano centenário do médium, completo em 2 de abril de 2010.

Co-produtor do longa, Ricardo Rihan, da Lighthouse, esteve na Gazeta para falar do lançamento, que estará presente em todos os shoppings do País, com cerca de 400 cópias, tanto quanto os sucessos de público "Chico Xavier", dirigido por Daniel Filho (3,5 milhões de pessoas) e "Nosso Lar" (mais de 4 milhões).
O primeiro filme, que estreou na data exata do centenário, foi baseado no livro "As Vidas de Chico Xavier", do jornalista e escritor Marcel Souto Maior, também com co-produção da Lighthouse. A nova estreia é inspirada em outra obra do autor, "Por Trás do Véu de Isis".
O filme conta três histórias reais de mães que perderam seus filhos, e recebem cartas consoladoras de Chico Xavier. "É uma homenagem às mães como núcleo da família, além de abordar os valores familiares", lembra Rihan.
Rihan vê as produções como uma distribuição equilibrada no centenário, contemplando em aspectos distintos da vida do médium. A primeira, com a biografia, que contempla as fases de sua vida; a segunda, que retrata a "colônia espiritual", psicografadada pelo médium, que é best seller literário, e a terceira, que, conforme Rihan, era o que mais gratificava Chico Xavier: o consolo às mães. "As conexões eram uma forma de aliviar a dor, e ele dizia que a saudade é sentida nos dois mundos, não só por quem está aqui".
A identificação de mães com situações das personagens é praticamente certa. "O filme emociona e, apesar de ser um drama, ele termina para cima, de forma que as pessoas sairão do cinema renovadas, e não deprimidas", garante.
Ele ressalta ainda que o filme respeita todas as crenças religiosas, inclusive evangélicas, sem viés dogmático.

PRODUÇÃO E ELENCO
A produção foi filmada no verão passado, na serra cearense, além da cidade natal de Chico Xavier, Pedro Leopoldo (MG). O filme foi feito em película 35 mm e não em gravação digital, o que possibilita maior qualidade de imagem.
O filme é baseado em acontecimentos reais e conta a história de três mães, vivendo momentos distintos de suas vidas, que veem sua realidade se transformar. Ruth (Via Negromonte), cujo filho é um jovem que enfrenta problemas com drogas; Elisa (Vanessa Gerbelli), que tenta superar a perda do filho junto com o marido, o pequeno Theo (Gabriel Pontes); e Lara (Tainá Müller), uma professora que enfrenta o dilema de uma gravidez não planejada, se cruzam quando recebem conforto e reencontram a esperança de vida por meio do médium.
A produção apresenta ainda o ator Nelson Xavier, que revive o papel de Chico, Herson Capri, que interpreta Mário, marido de Ruth, Caio Blat, vivendo um jornalista que quer investigar o médium, e Neuza Borges, a cuidadosa governanta de Elisa e Guilherme (Joelson Medeiros).
A produção é da Estação Luz Filmes, com co-produçãoda ATC Entretenimento, Lighthouse e Associação Estação da Luz. O longa terá ainda apoio promocional da Globo Filmes e TeleCine.
O trailer pode ser visto no site oficial do filme: http://www.asmaesdechicoxavier.com.br/.


FESTIVAIS E ESTREIA
Antes de sua estreia comercial, "As Mães de Chico Xavier" percorrerá um pequeno circuito de festivais temáticos. Estão programadas 20 pré-estreias em capitais, além da abertura do 1º Festival de Cinema Transcendental, em Brasília (DF), que começa dia 24. Em seguida o Filme encerra a Mostra de Cinema Transcendental, primeira do gênero realizada no Brasil. A exibição acontece em Fortaleza (CE), no dia 31.
Paralelo ao filme, será lançado outro livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da produção, com fotos, histórias e curiosidades, além do impacto do trabalho sobre os atores e produtores.


Comum em Hollywood, Brasil "inaugura" 
cinema transcendental como novo gênero

As produções espiritualistas que chegam com o gênero transcendental sucedem o precursor "Bezerra de Menezes - O diário de um espírito", documentário que foi transformado em ficção em 2008, assistido por 500 mil pessoas.
O filme fez parte de um projeto sem fins lucrativos, cujas exibições eram com entrada mediante doação de alimentos, em prol de entidades do Ceará.
"São projetos para impactar, com mensagens de amor e fraternidade. Queremos usar o poder do cinema para tentar construir um mundo melhor, mostrar que as coisas boas também acontecem", ressalta Rihan, que vê o espiritismo como um projeto de educação, não científico, mas que aborda a moral e princípios éticos.
Quanto à expectativa do "novo gênero", Rihan discorda que seja um modismo. "É uma literatura muito rica, com conteúdo para muitas produções. É um jeito de mostrar que o materialismo está morrendo e as pessoas procuram mensagens elevadas, para construção de um mundo melhor, que elas têm necessidade de acreditar num futuro de paz e amor", diz ele, lembrando que, embora nunca tenham sido enquadradas em nenhum gênero como é feito no Brasil agora, produções hollywoodianas abordam o espiritualismo há muito tempo, como no recente "Além da Vida", e ainda "Sexto Sentido" e "Ghost".
"É uma vertente com vida longa, sobretudo porque o cinema brasileiro está na melhor fase de todos os tempos, não só pelos sucessos de Chico Xavier e Tropa de Elite, mas porque o número de salas está se expandindo", analisa.
Com 1h40 de duração, foram investidos R$ 4 milhões na produção de "As mães de Chico Xavier", além de outros R$ 3 milhões em cópias e marketing. Somado o público de Bezerra de Menezes, que "inaugura" o gênero, e os dois primeiros filmes sobre Chico Xavier", a expectativa dos produtores é de ultrapassar, com os filmes, o recorde de Tropa de Elite 2, que teve mais de 10 milhões de espectadores.



quarta-feira, 2 de março de 2011 | By: Daíza de Carvalho

“Bruna Surfistinha” desperta atenção de jovens; profissional diz que vida real não tem glamour


Daíza Lacerda

A promessa de novo sucesso entre as produções brasileiras, o longa “Bruna Surfistinha”, dirigido por Marcos Baldini e estrelado pela atriz Deborah Secco, já levou cerca de 400 mil pessoas ao cinema no primeiro final de semana de estreia, com arrecadação de R$ 4,2 milhões.

Em Limeira, a procura também tem sido grande, sobretudo pelo público jovem, segundo a gerente do Arcoíris Cinemas, Andréia Ponga. Na tarde de terça-feira, dia de ingresso promocional, a fila era formada praticamente por adolescentes, muitos deles sem a idade mínima para assistir ao filme, indicado para maiores de 16 anos. “Eles tentam driblar na compra do ingresso, que é pego por alguém mais velho, mas na entrada é preciso mostrar o documento e são barrados”, diz Andréia, lembrando que menores só podem entrar junto com responsável.
O longa, baseado no livro “O doce veneno do escorpião”, de Raquel Pacheco, que usava o pseudônimo que dá nome ao filme, conta a história da jovem de classe média alta, que foge de casa e dos pais adotivos, quando passa a fazer programas em casas privê. Além de sexo, o consumo de drogas compõe o longa, que demorou quatro anos para ser produzido. Alguns funcionários do cinema opinam que a classificação deveria ser de 18 anos, devido ao nível de explicitação de algumas cenas.
Segundo Andréia, o filme ajuda a elevar o público aos filmes nacionais, depois dos recordes de Tropa de Elite 2. “É interessante que o público assista, pois, por ser baseado em fatos reais, mostra aonde as drogas podem levar”, salienta.

“DIFÍCIL VIDA FÁCIL”
O glamour das casas privê de luxo e de muito dinheiro “fácil” são coisas só das telas, na opinião da profissional do sexo Natasha*, ouvida pela Gazeta. “Não tem nada de vida fácil. É algo que não desejo nem para as filhas dos meus piores inimigos”.
No entanto ela estima que, conforme mostrado no filme, 90% das mulheres que entram para essa vida acabam aderindo às drogas. “Acabam se drogando, porque é preciso encarar tanta coisa, que só ‘ficando louca’ para continuar”, descreve ela, que já foi espancada e só começou pela necessidade de sustentar os filhos. “Bruna Surfistinha não passou por muita coisa que nós já passamos”, avalia ela.
Embora muitas iniciem o ofício por necessidade, ela também conhece quem começa “por gosto”. “Há muitas meninas com carro, família bem estruturada, mas que começam para ter o próprio dinheiro ou por curiosidade, para saber como é”. Mesmo com vida - e rosto - “de princesa”, mulheres nessa condição também se entregam às drogas, depois de partir para boates de capitais ou litoral.
Ela diz ainda que o fato de essas profissionais ganharem muito dinheiro em casas de luxo também não passa de história. “Falam que ganham muito mais do que recebem efetivamente, mesmo com a beleza. Sem contar que todo cliente pechincha”.
Embora a protagonista do filme tenha um desfecho de sonhos, com mudança de vida e fama, quem ainda depende de programas e tenta fazer o mesmo precisa encarar o preconceito. “Estou na luta, tentando arranjar emprego para sair dessa vida, mas quando ficam sabendo, sou mandada embora. Viver desse jeito é um tempo que não passa. A gente não vive, mas vegeta, com muita humilhação”.

*O nome é fictício, para preservar a identidade da entrevistada


Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa.
sábado, 5 de fevereiro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Cinema: ocorrências no shopping não mudam previsão de sala 3D

Daíza Lacerda

A queda do teto da nova área de alimentação do Shopping Pátio Limeira paralisou as obras de ampliação, que incluíam a construção de uma nova sala de cinema com tecnologia 3D.

Diante do fato imprevisto, no entanto, é possível que a tecnologia esteja disponível ainda este mês na cidade. De acordo com a gerente do Arcoíris Cinemas de Limeira, Andréia Ponga, os aparelhos já estão comprados. “A ideia é adaptar os equipamentos novos na sala 2, o que possibilitaria o funcionamento da nova tecnologia ainda em fevereiro”, explica ela.
No entanto, de acordo com a assessoria do Arcoíris Cinemas, a tecnologia deve ser inaugurada com a quinta sala. A previsão é para abril, mesmo com os incidentes no shopping, que não devem alterar a previsão, conforme a assessoria.
Também para abril está previsto o início da venda de ingressos com poltronas numeradas. A medida começa a ter adaptações nos sistemas, após lei municipal do vereador Carlinhos Silva (PDT), aprovada pela Câmara, em dezembro. Segundo Andréia, o sistema deve agilizar o atendimento e evitar problemas na hora das sessões.

INGRESSO A R$ 3

Andréia ressalta que, após o ocorrido, não há motivo para preocupação em relação à estrutura das salas. Como incentivo às visitas, durante este mês, todas as sessões das segundas e terças-feiras podem ser vistas com o ingresso ao preço único de R$ 3. Segundo ela, as compras antecipadas já começaram, também para esses dias. O preço para o restante da semana continua o mesmo.


Alguns filmes têm poucas cópias disponíveis, por isso não chegam às telas de Limeira, argumenta assessoria do cinema
Alguns filmes têm poucas cópias disponíveis, por isso não chegam às telas de Limeira, argumenta assessoria do cinema

Oscar: de cinco lançamentos, três haviam sido exibidos em Limeira

No ano passado, vários filmes indicados ao Oscar ficaram de fora das telas do cinema de Limeira. Neste ano, entre os indicados a melhor filme, a cidade teve exibição de “A origem”, “A rede social” e “Toy Story 3”. “Minhas mães e meu pai”, lançado em novembro, entra nesta semana em cartaz, enquanto “Inverno da Alma”, que teve estreia nacional na sexta-feira, 28, ainda não chegou ao cinema daqui.
Os outros cinco indicados têm estreia nacional prevista até o dia 18 deste mês. São eles: “Cisne negro”, “O vencedor”, “O discurso do rei”, “127 horas”, e “Bravura Indômita”.
A assessoria da matriz do Arcoíris Cinemas foi contatada pela Gazeta para informar se os indicados entrarão na programação da cidade, além de outros títulos esperados, como o documentário de Ayrton Senna, que já recebeu prêmios internacionais.
“Em sua maioria, os filmes que concorrem ao Oscar têm um número restrito de cópias, não chegando a 100, o que dificulta a exibição, a exemplo também dos filmes brasileiros, que têm essa mesma restrição. Esperamos exibir os filmes do Oscar deste ano, apesar de sabermos que a maioria dos filmes terá poucas cópias”, explica a empresa.
Tanto o documentário de Senna como o filme “Minhas mães e meu pai” tiveram desempenho fraco no lançamento, sendo este último distribuído em 60 cópias, argumentou a assessoria. “Quando um filme não entra na data de seu lançamento, cria-se uma dificuldade de marcação, pois essa data é ocupada por um outro filme de lançamento, atrasando sua estreia”. (Daíza Lacerda)

Publicado na Gazeta de Limeira.


segunda-feira, 5 de abril de 2010 | By: Daíza de Carvalho

Laís Bodanzky: "o cinema é nossa memória"

Daíza Lacerda

Usar o audiovisual como forma de expressão da vida, como uma voz às histórias que se deseja contar. Esta é a oportunidade que 20 jovens de Limeira terão com a Oficina Tela Brasil, que está com inscrições abertas e terá início neste mês. A definição é da cineasta Laís Bodanzky, que coordena o programa com o roteirista Luiz Bolognesi, ambos responsáveis pelos filmes "O Bicho de Sete Cabeças" e "Chega de Saudade".

Laís: cinema brasileiro é plural, atende ao todo e aos pequenos grupos

A oficina "nasceu" do cinema itinerante Cine Tela, que passa por cidades de todo o Brasil levando produções nacionais. "Percebemos que depois que o cinema sai, fica um vazio. Daí veio o desejo de fazer a oficina, como uma oportunidade para que o próprio público conte suas histórias através do audiovisual", explicou Laís, em entrevista à Gazeta.
Nas oficinas, patrocinadas pela CCR AutoBAn em parceria com a Fundação Telefônica, mais de 900 jovens de 41 cidades passaram pela experiência de contar suas histórias em roteiro e atuação, o que resultou em 123 curtas-metragens, dezenas deles selecionados em diversos e importantes festivais. "Com instrução e pequena noção, são produzidas histórias surpreendentes", avalia.
Laís frisa que o objetivo é, além de oferecer uma introdução, formar o cidadão, que tem o direito de se expressar, mais do que formar um técnico. No entanto, embora não seja o foco, ela diz que já aconteceu de jovens terem feito outros trabalhos, além de contratações. "É algo muito bacana e estimulante. Mas tudo depende do interesse do próprio aluno", declara.

BRASIL NAS TELAS
Laís avalia que fazer cinema em qualquer lugar é difícil, mesmo fora do Brasil. "É caro e precisa de técnica. É difícil principalmente para estreantes". Para ela, hoje o cinema brasileiro está em situação "mais aconchegante", devido à variedade de cursos, faculdades e concursos, além das políticas cinematográficas, além da criação da Agência Nacional do Cinema (Ancine), como órgão de regulamentação e fiscalização. Por todos esses fatores, ela aponta maior organização desde o tempo em que começou, "o que não quer dizer que seja fácil", completa.
Quanto à concorrência da produção nacional com as estrangeiras, ela lembra que entre os blockbusters sempre há um carro-chefe brasileiro. "O que vem entre os produtos norte-americanos já é um filtro, pois eles têm uma produção enorme, além da verba para marketing para o que é de primeiro interesse. No Brasil é outra proporção, mas estamos em casa, com acesso a toda produção. O cinema brasileiro é bastante plural porque não tem só blockbusters, que são importantes para a cadeia econômica, mas não se pode produzir só disso. Temos ainda o cinema médio, com focos específicos, como os para adolescentes, os romances, os infantis, ou os filmes de gueto, além dos experimentais". Diversidade que enriquece a cinematografia, atendendo não só o todo, mas também os pequenos grupos, afinal, "o cinema é nossa memória", enfatiza.

PRODUÇÕES E ESTREIA
Ela cita que sua estreia em longas, O Bicho de Sete Cabeças (2001), teve como ponto mais difícil o financiamento. "Mas a confecção e retorno do público foram extremamente gratificantes". Hoje, além de lei de audiovisual ter sido reformulada com melhorias, há maior incentivo com concursos e editais para filmes que tornam possíveis as produções, incluindo as de baixo orçamento.
O novo longa, "As Melhores Coisas da Vida", estreia dia 16 em 150 salas de cinema. A história, original, é inspirada série de livros "Mano" de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, do qual a cineasta falou da expectativa do lançamento. "No momento é de ansiedade. A Gullane e Warner investiram e acreditaram e estou otimista. Não é um lançamento como de um blockbuster, mas é o maior lançamento da minha carreira", declara.
O filme conta a história de Mano, que aos15 anos sofre com uma série de problemas característicos da idade, entre eles a virgindade e a relação com os pais. "O filme é uma provocação, quando se para para pensar no sentido da vida, o que nos move, nos incomoda, nos faz feliz, contemplando os desejos desde os mais simples até os impossíveis", explica.
Quanto à oficina, ela reforça o convite aos jovens. "É sempre emocionante ver o quanto os participantes se transformam e aproveitam a oportunidade". No final do curso, haverá exibição de curtas aberta ao público, além de um convidado da área para o encerramento.
As incrições seguem até dia 9, na Escola Municipal de Cultura e Arte (Emcea), na Rua Capitão Bernardes Silva, 144, Centro, onde também serão as aulas, ou no endereço http://www.telabr.com.br/oficinas_itinerantes/inscricao.

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