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quinta-feira, 27 de outubro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Educadores enfatizam importância do Prêmio Gazeta de Literatura

Daíza Lacerda


Cobertura da premiação e redações serão publicados na edição de domingo

Foram premiados na noite de anteontem os alunos autores das redações que se destacaram no 21º Prêmio Gazeta de Limeira de Literatura, que trouxe neste ano para reflexão o tema "Revendo os valores morais na vida em sociedade". Educadores e familiares participaram da solenidade, que reconheceu os 45 alunos que tiveram os textos selecionados pela comissão julgadora da Gazeta.
"Os temas sempre são pertinentes para discussões, especialmente este em que vivemos um grande desgaste de valores e princiípios, principalmente no cenário nacional, em que todo o país sofre as consequências. Além do incentivo à leitura e à escrita, o prêmio ajuda com que os alunos fiquem atentos para problemas da sociedade", destacou Maria José Pianca, diretora da EE Gustavo Peccinini. Neste ano a escola teve dois alunos classificados, no 8º ano do ensino fundamental e 1º ano do ensino médio.
Para a professora Elenir Mendes, que orientou um dos alunos, o prêmio foi uma oportunidade única para discussão em sala, que rende até mesmo depois da premiação. "É por meio desses assuntos que eles começam a tomar ciência e puderam rever os conceitos pelos quais a sociedade passa. Todos que fizeram a redação tiveram um bom aproveitamento e a Gazeta está de parabéns pela escolha, pois são questões ainda discutidas entre eles nas aulas".
Já para Abigail Rovai Cardoso, diretora das Organizações Einstein de Ensino, o prêmio já é tradição na escola, que nesta edição garantiu dois troféus no 9º ano e mais um no 6º ano. "Para nós é um reconhecimento do trabalho desenvolvido na escola. Certa vez um pai chegou para matricular um filho devido às colocações da escola no Prêmio Gazeta", conta. Abigail acrescenta ainda que o tema contribuiu com o programa já desenvolvido na escola, na abordagem de valores.

É TETRA!
Há sete anos que a jovem Maria Rita Bonin Magrim, de 15 anos, tem a sua redação selecionada pelas escolas para participar do prêmio. Com a primeira tentativa na 3ª série do ensino fundamental, neste ano ela garantiu a 4ª premiação, enquanto cursa o 1º ano do ensino médio no Colégio Cidade de Iracemápolis. "Estou muito feliz, afinal, é uma média boa, quatro anos em sete. Mas tive muita ajuda da família e também dos professores", conta ela.
A mãe, Suzi, que também é professora, acompanha a alegria da filha, assim como a aflição na hora de esperar o resultado. "Sempre há muita conversa e discussão sobre o tema, além de pesquisas. Afinal, é preciso entender para poder elaborar", ilustra.
Como mãe e educadora, ela pontua os temas escolhidos anualmente como reflexivos tanto para resgatar a história da humanidade quanto para vivenciar a atualidaade. "São temas muito significativos, com coisas que nos afetam, que a criança vive. Isso proporciona maior facilidade de entender e colocar no papel", avalia.
Fotos da premiação já estão no Facebook da Gazeta. Além das imagens dos alunos homenageados, as redações vencedoras serão publicadas na edição do próximo domingo da Gazeta de Limeira.



sexta-feira, 1 de abril de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Escolha é tema de livro lançado hoje em Limeira pelo ex-padre Dalcides Biscalquin

Daíza Lacerda


Em certos momentos da vida muita gente se pergunta, em tom de brincadeira, se deve se casar ou comprar uma bicicleta. Mas, intimamente, os questionamentos podem ser mais profundos como manter um casamento, trocar de emprego ou mudar de cidade. Situações que exigem escolhas, nem sempre - ou nunca - fáceis. 

A questão, tão complexa e que pode se mostrar em tantas nuances, como a profissional ou afetiva, é tema do livro "A vida é feita de escolhas", de Dalcides Biscalquin, editado pela Edições Loyola. Aos 37 anos de idade o autor se deparou no limite de uma escolha que precisava resolver: optar entre manter o sacerdócio, ao qual se dedicou por 23 anos, ou seguir a motivação afetiva de constituir uma família. No livro, que será lançado hoje em Limeira, às 19h30, na Livraria Catedral, ele divide o aprendizado proporcionado pela escolha ao deixar a vida eclesiástica para viver um grande amor.
"Toda mudança gera desestabilização e insegurança, por não termos todas as certezas em mãos, o que é da condição humana", disse Dalcides à Gazeta. Ele, que hoje é casado com a jornaliasta Mariana Godoy, da Rede Globo, alerta que não adianta negar que algumas situações merecem atitudes diferentes. "Por mais que protelemos, a vida cobra opções". Segundo ele, a grande mensagem do livro é que a vida não precisa seguir um rumo que não traz mais alegria, daí a importância das escolhas.

MEDO
"Ter um pouco de medo é bom, porque preserva, mas há o medo que imobiliza. É preciso repensar caminhos, sem certeza absoluta ou medo de decepções, porque a vida não é certa. O que existe é uma intuição, sinais. Mas é preciso querer e não se acomodar com medos, que não satisfazem sede de vida", diz ele.
Na obra, ele observa que muitas vezes o sofrimento não se deve ao mal em si, mas à ausência de perspectivas. "Quero ajudar as pessoas a perceberem que quando se vence o medo, a paz e bem estar são mais compensadores do que manter uma situação já esgotada, como um casamento falido. A infelicidade consome tanto que correr o risco da mudança é melhor. No emprego, às vezes se adoece no ambiente. Primeiro, o corpo vai dizer que tem alguma coisa errada, depois os amigos vão apontar que é preciso repensar, até que você mesmo, em sua solidão, constatará que algo deve ser mudado", declara.
A busca da "própria verdade" exige uma pausa na agitação do dia a dia para um mergulho interior. Ou, como define, um silêncio para se ouvir. "O que sou? O que preciso? Quais as coisas boas que tenho, mas que não servem mais?", exemplifica sobre os questionamentos da verdade interior.

DESAPEGO
Sobre a dificuldade de desapego do próprio mal, ele cita que muitas pessoas, na tentativa de proteger, ameaça e impede o crescimento do outro, o que exemplifica como a borboleta em seu casulo, com o tempo prório para se desenvolver e voar. "Às vezes é você e você mesmo, um processo solitário, quando precisa assumir a sua história e não viver em um modelo que as pessoas pensaram para você. Se está insatisfeito com o que vive, é preciso mudar", pontua.
Sobre o desapego material, ele reflete que, embora a valorização material seja importante, o problema é quando se vive em função delas. "As coisas não podem assumir papel mais importante e determinante, senão vive-se em função de ter. E o pior disso é em relação à pessoas, de instrumentalizá-las e usá-las, o que desumaniza as relações".

TEMPO E DECISÃO
Quanto tempo se leva mudar ou se adaptar às escolhas que se resolve encarar? "O tempo da mudança é quando se sente a paz interior. Mesmo com o mundo contra, sente-se em paz", diz Dalcides.
Em sua experiência, levou um ano entre o processo de discernimento e a mudança. Primeiro, a negação, seguida da consideração da hipótese de deixar o sacerdócio, antes de uma preparação solitária para se fortalecer para a mudança em si. Além de um novo plano profissional, foi preciso trabalhar a situação de amigos e familiares
"São sonhos sobre decisões que rompem com sonhos que pessoas depositaram. Minha mãe, por exemplo, era conhecida como 'a mãe do padre'. São escolhas que interferem também na vida dos outros. É preciso planejamento, pois são mudanças sérias", diz, reiterando que o tempo é que mostra claramente as situações e com ele se amadurece as decisões.
Exemplifica, por exemplo, que muitas pessoas não terminam um relacionamento por pensar em poupar a família do sofrimento. "É preferível a dor e sofrimento da verdade, do que viver uma mentira".

DOR
"A dor proporciona amadurecimento ou revolta. As pessoas mais lindas interiormente, que entendem mais de humanidade e são mais sensíveis são as que passaram por momentos dolorosos. Assim como há outras que tiveram a mesma experiência, mas são de mal com a vida, agressivas e olham pelo sofrimento alheio. São nessas situações que o importante não é o fato sim, mas como lida-se com ele", afirma, exemplificando com a morte onde uns seguem e outros se rendem.
No livro, escreve que a dor é uma grande escola, ilustrando com a situação em que sofre um sequestro. "A dor é uma oportunidade de crescimento. Quando estive perto da morte, dei mais valor à vida, vi o quanto podia viver melhor. São necessárias perdas para enxergar o quanto certas coisas são importantes". (DL)


Dalcides Biscalquin e sua obra

Lançado há três meses, "A vida é feita de escolhas" , que tem prefácio de Gabriel Chalita, entra na 5ª edição, com mais de 25 mil exemplares vendidos. O autor apresenta a obra em Limeira hoje, a partir das 19h30, na Livraria Catedral (Rua Senador Vergueiro, 993, Centro - 3451-9107), numa noite de bate-papo, reflexões e autógrafos.
Hoje casado com a jornalista Mariana Godoy, da Rede Globo, Dalcides Biscalquin deixou a vida eclesiástica após 13 anos de preparação e 10 de sacerdócio, quando não atuava em paróquias, mas em rádio e TV católicos, na Editora Salesiana e em palestras.
Nascido em Piracicaba (SP), o recomeço foi também na vida profissional. Mestre em Comunicação pela Università Pontificia Salesiana de Roma (Itália) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia, hoje leciona na  Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Universidade São Judas Tadeu (USJT), além de ser cantor e produtor musical.
Em sua primeira obra trata de assuntos que fazem parte da natureza humana, das escolhas da vida e aborda temas como filhos, amor, bondade, tempo, mentiras e verdades, mediocridade, querer e poder, saúde, perdão e paz, perdas e ganhos, dor, envelhecimento, morte e eternidade, e sobre a descoberta da fragilidade do ser humano.

Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa
segunda-feira, 14 de março de 2011 | By: Daíza de Carvalho

“Poesia é a arte que o texto contém”, explica poeta

Daíza Lacerda


Hoje é comemorado o Dia Nacional da Poesia, em homenagem a Castro Alves. O poeta e escritor Carlos Alberto Fiore, que assina coluna semanal sobre o assunto na Gazeta, fala da importância da poesia na formação dos leitores.

"A linguagem metafórica presente nas poesias auxilia, por ser diferente daquela do dia a dia. Estimula outro olhar, e trabalha com o entendimento", diz.
Ele explica que são várias vertentes de composição e que, em seu caso, costuma trabalhar a forma. Ressalta ainda a diferença entre poema e poesia. "Poema é o texto em si. Poesia é a arte que o texto contém, e pode estar ainda em um quadro ou filme. Enfim, nos olhos e sensibilidade de quem vê ou escreve", define.
Assim como nos esportes, Fiore diz que na leitura o desenvolvimento deve ser gradativo, começando com obras mais simples, que terão uma progressão com o vocabulário. "O ideal é ler pelo menos três páginas por dia, de poesia ou prosa", recomenda ele, que lembra que o Centro do Professorado Paulista (CPP) possui uma biblioteca exclusiva de poesias.
Além das bibliotecas comunitárias, Limeira vem recebendo eventos que contemplam a leitura por grupos e associações, incluindo duas literárias da cidade, a Sociedade Literária Limeirense e Academia Limeirense de Letras.
"É importante que os pais acompanhem e incentivem o filho a ler, pois é uma forma de crescer, além de ficar longe das ruas. Terão contato com um mundo mais amplo".
E para escrever até se tornar um poeta, é preciso ler e praticar muito. "É um exercicío diário, com muito trabalho, refeito sempre. Como se diz, é, de fato, 10% de inspiração e 90% de transpiração", compara. Ele fala ainda da importância da valorização da produção local, mas entre os mestres de leitura obrigatória cita Olavo Bilac, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinícius e Morais, Luiz Vaz de Camões, Florbela Espanca e Chico Buarque de Holanda, que faz poesia em música, agregando ainda história e literatura.

VARAL LITERÁRIO

Durante a semana , a poesia terá lugar em várias escolas com a exposição "Varal Literário", que já esteve na galeria do Teatro Vitória. Hoje será na EE Castello Branco, onde também serão programadas oficinas. Amanhã, na EE Ely de Almeida Campos; quarta-feira, dia 16, na Etec Trajano Camargo e na quinta-feira, 17, na escola Einstein. No dia 22, terça-feira, e EE Brasil recebe a exposição.



Poetar
Poetar, é saber externarO que o coração sente.É perpetuar com palavrasO que vai em nossa mente.
Fazer versos, é conversar consigo mesmo,Levando a todos o que sente,O que pensa e ao se expressar, Demonstrar o que gostaria de mudar!
Poetar é citar passagens tristes e alegres,É descrever a beleza da natureza, Da nossa infância querida, da nossa família,Da vida que DEUS nos deu!
Poetar, é com o coração pensar,Falar, contar, desabafar,É externar sentimentos de carinho, amor, gratidãoDe felicidade e até desilusão.
Poetar, é não guardar para siAs belezas que vê, e o acha interessante.Poetar é se transportar ao lúdico, conseguindoConquistar o que na realidade a vida não nos pode dar!
Professora Eudóxia S. Castro Quitério é membro da
Academia Limeirense de Letras



Publicado na Gazeta de Limeira.
quinta-feira, 18 de março de 2010 | By: Daíza de Carvalho

Os sinos e as linhas

Daíza Lacerda

Resenha do livro “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway, com tradução de Monteiro Lobato. 12° Edição, Companhia Editora Nacional, 1972, São Paulo-SP



A tênue linha que separa o amor e o ódio, a lealdade e a traição, o heroísmo e a covardia, a fé e a descrença… a vida e a morte. Escrito por Ernest Hemingway e publicado em 1940 em homenagem aos seus amigos republicanos vencidos pelos nacionalistas na Guerra Civil da Espanha (1936-1939), “Por Quem os Sinos Dobram” expõe os limites humanos nus e crus.
Robert Jordan, um idealista americano, engaja-se na Brigada Internacional apoiando os republicanos na Guerra Civil Espanhola. Em missão para o Serviço de Inteligência Militar (S.I.M.), Jordan é designado para explodir uma ponte em uma ofensiva.
Anselmo, seu guia, leva-o até o grupo de guerrilheiros – ou partizans – que o deverá ajudar na empreitada, onde conhece Pablo (líder até então) e Pilar, sua “bárbara”, enérgica e sábia mulher. Encontra ainda Fernando, homem burocrático de tão sério, os irmãos Eládio e Andrés, o cigano Rafael (não tão responsável como os outros) e Maria, a rapariga por quem viria a se apaixonar e conhecer o amor, sentimento que o leva a fazer questionamentos àquele ataque e a ver a guerra e aventura humana com outros olhos.
Pilar, no relato de suas recordações, mostra a intensidade do amor dos tempos da tourada, ao lado do toureiro Finito. Com suas palavras também nos leva, fatalmente, ao âmago da revolta que gerou ódio e violência no início da guerra: terror e crueldade na execução de civis e o hediondo episódio da “malhação” de manguais sofridos pelos fascistas. Esta matança coletiva presidida por Pablo e executada por camponeses ébrios de vinho não poupou nem mesmo um padre, o que acabou perturbando Pablo fazendo-o, mais tarde, abrandar suas atitudes na guerra (ou se acovardar, no julgamento de Pilar).
A crueldade ilimitada trouxe consigo a descrença, como mostra o questionamento de Jordan: “– Então, você não tem mais Deus?”, onde o leal Anselmo responde: “– Não, homem. Certo que não. Se houvesse Deus, Ele nunca permitiria o que tenho visto com meus olhos.” (p. 37).
Em seus monólogos, Jordan travava uma guerra consigo mesmo, pois mesmo com os objetivos claros, inquietou-se devido às circunstâncias: “Que caso! Você caminha a vida inteira com uma idéia, certo de que significa alguma coisa e acaba convencendo-se de que não significa absolutamente nada. Esta porcaria de agora!” (p. 151-2). Ocorrências estas como o amor de Maria, a petulância e traição de Pablo e a ameaça do ataque da cavalaria fascista que dizima o bando do aliado El Sordo.
Erradicados os anseios e dúvidas, a ponte finalmente é explodida. Arremessados os estilhaços e baixada a poeira, conta-se os mortos: para a dor de Jordan, Anselmo, seguido de Eládio e um Fernando agonizante. Mas, durante a fuga, uma montanha espera Robert Jordan com o fim da linha dos extremos. E os sinos dobram por ele, assim como dobram por ti.