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quinta-feira, 4 de outubro de 2012 | By: Daíza de Carvalho

Limeira tem projetos pré-selecionados no PAC


Documentações ainda são necessárias; obras totalizam R$ 324 milhões

Daíza Lacerda

Limeira está entre as 29 cidades brasileiras com projetos selecionados pelo governo federal para o PAC 2 da Mobilidade Urbana - Médias Cidades. O anúncio foi feito ontem pelo prefeito Orlando José Zovico e pelo deputado federal Arlindo Chinaglia (PT).
Pleiteavam o convênio 75 cidades, e Limeira ficou entre as contempladas ao atender as exigências, como explicou o deputado. Dois projetos do município foram aprovados. Um deles prevê subterminais de transporte coletivo, sendo quatro urbanos (Nossa Senhora das Dores, região Oeste; Jardim Aeroporto, Sul; Parque Hipólito, Leste; e Egisto Ragazzo, Norte). Outros quatro terminais serão na zona rural (Bairro dos Lopes, Tatu, Pires e Parronchi). O outro projeto é de uma rodovia de conexão (rodoanel) da Anhangüera e Bandeirantes entre outras ligações com as cidades vizinhas, prevista para tirar o tráfego do anel viário.
Ainda faltam documentações para que os projetos sejam efetivamente aprovados. "Pela velocidade do trabalho de Limeira em atender às regras e exigências é possível que o convênio seja assinado ainda neste ano, para iniciar o projeto em 2013", estimou o deputado. A verba destinada aos dois planos é de R$ 324 milhões, incluindo a contrapartida da Prefeitura.
TRÂMITES
Chinaglia explicou que os critérios de seleção das cidades é técnico. O atendimento às regras, com a documentação exigida entregue no prazo foram alguns dos trâmites feitos pelo município desde julho, quando foi feita a pré-seleção das cidades. Em cada etapa, a documentação é conferida e o município deve fazer as correções e complementos no prazo, para a efetivação do convênio.
"É uma colaboração para o progresso da cidade, já que não haveria condições de o município arcar sozinho com obras desses portes", disse Zovico, que elegeu o projeto dos subterminais como um dos principais para a mobilidade.
O prefeito lembrou da posição geográfica privilegiada do município, próximo de importantes rodovias, para possibilitar um corredor para novas indústrias ao longo do rodoanel projetado, o que ficará a cargo do próximo gestor do município. "O rodoanel será um impacto no desenvolvimento do município, já que no trajeto poderão ser feitas faixas para novas indústrias.

Chinaglia e Zovico: convênio pode ser assinado ainda neste ano
Chinaglia e Zovico: convênio pode ser assinado ainda neste ano



Com confirmação de convênio, 
obras podem começar em 2014

No projeto que contempla o transporte público serão implantadas linhas coletoras até os subterminais, e desses para o terminal central. O objetivo é também melhorar o fluxo na área urbana. É prevista ainda a expansão de 28 quilômetros do anel viário, com corredores de ônibus. Conforme o secretário dos Transportes, Rodrigo Oliveira, a acessibilidade é um dos critérios dos projetos, e são previstas cerca de mil rampas.
Já as conexões do rodoanel, de 35 quilômetros, devem interligar a Anhangüera à Bandeirantes a partir do trevo de Cosmópolis, com acesso próximo à Washington Luís. A conexão deve passar pelas rodovias Deputado Laércio Corte (SP-147 - Limeira-Piracicaba), Dr. João Mendes da Silva Júnior (SP-151 - Limeira-Iracemápolis) e Dr. Cássio de Freitas Levy (SP-017 - Limeira-Cordeirópolis), fechando o ciclo na Anhangüera, próximo da altura do Atacadão.
Ambos os projetos serão executados simultâneamente. Os subterminais têm o custo previsto de R$ 189 milhões, dos quais R$ 9 milhões serão de contrapartida da Prefeitura. Já o rodoanel deve custar R$ 135 milhões, com R$ 6 milhões bancados pelo município. A verba deve ser liberada pelo Ministério das Cidades à medida que cada passo do projeto for cumprido.
Com a aprovação da documentação final, a verba estará assegurada ao município, e as licitações devem ter início em 2013. Nos primeiros 12 meses deve ser licitado o projeto executivo, que determinará cada etapa e uma visão total das obras.
Aprovado o projeto, daí haverá a demanda de execução, quando deve ser o início das obras, possivelmente em 2014, se os trâmites ocorrerem como o esperado. Segundo Oliveira, a data limite para a confirmação da aprovação é dia 14 de dezembro, o que pode ser anunciado antes, caso o município seja, de fato, contemplado. (Daíza Lacerda)

















sábado, 22 de setembro de 2012 | By: Daíza de Carvalho

O insustentável peso da imobilidade

Daíza Lacerda

É incomum vermos governos fecharem o cerco contra os carros. Porém, irracionalmente, pouquíssimos levam a sério meios alternativos de transporte, como o coletivo e a bicicleta.
Limeira tem um novo viaduto prestes a ser entregue, outros em planejamento. Porém, ainda que se derrube metade dos imóveis próximos às áreas de maior fluxo, nunca serão suficientes as vias (e as verbas) para comportar o mar de metal que já é insustentável hoje em Limeira. Afinal, quem nunca teve vontade de largar o carro enquanto estava ilhado tentando chegar ao acesso de um rotatória? Eu já, na condição de passageira, durante as coberturas diárias na Gazeta, em que já levamos tempo insano para atravessar poucos quarteirões do centro, para sair ou chegar à redação.
A frota não vai parar de crescer, e o espaço físico não vai aumentar. O que poucos governantes perceberam é que o cidadão só cogita largar o carro quanto tem outra opção viável, mas não só economicamente. O transporte coletivo que, primeiramente, respeite o usuário e não lhe preste um desserviço, como o que temos em Limeira, seria um bom começo. Trajetos que levam 10 minutos de carro ou moto chegam a custar duas horas no transporte coletivo. Isso acontece também pela falta de linhas que contemple mais trajetos, que obriga o usuário a pegar mais de um ônibus, sempre cheios. E ainda paga-se (muito) por isso. Bom frisar que isso é necessidade e não opção. Logo, está longe de ser mobilidade.
É difícil abandonar o conforto dos veículos, mesmo que custe tempo e dinheiro. Mas me forcei a voltar a usar a bicicleta como transporte, esporadicamente. O trajeto de 6,5 km de casa à Redação, no Centro, dura em média 25 minutos (boa parte de espera para atravessar rotatórias na condição de pedestre). Mais rápido e barato do que de ônibus. Porém, ao abrir mão do motor, o que descobri foi uma cidade que anda (anda?) ao avesso da mobilidade. Além de o pedestre ser relegado ao décimo plano de preferência, as ciclofaixas levam nada a lugar nenhum.
O incentivo para ciclistas é necessário. Mas não meramente pintando ciclofaixas onde há espaço, como nas duplicações do anel viário. A bicicleta é muito usada em Limeira, por mais que ignorem, mas as pessoas precisam atravessar regiões com ela, e muitas rotatórias, onde não existem as necessárias ciclofaixas.
A nossa geografia de morros não é desculpa. Sorocaba não é uma cidade plana, e faz exemplo com as rotas de bicicleta que efetivamente ajudam o cidadão a se locomover na cidade. E o prefeito que fez isso não pensou apenas na mobilidade, mas na saúde. Todos culpam o ar péssimo pelas queimadas e baixa umidade, esquecendo da colaboração do próprio motor que os move. Por mais que a emissão de poluentes tenha sido reduzida e otimizada com a tecnologia, não adianta poluir dez vezes menos com uma frota vinte vezes maior.
É preciso que os administradores tenham consciência de que  mobilidade urbana não é só pensar em construir viadutos e avenidas, ceifando o espaço das pessoas em prioridade aos veículos. Mobilidade é dar a chance de o cidadão poder optar (ter opções, dar opções) por um modal que o auxilie em seu tempo e qualidade de vida. Para que ele justamente se mova, não fique atado a ineficientes opções saturadas. É uma questão de planejamento a longo prazo, de compromisso com cidade, não com mandatos, algo que parece não existir nas gestões brasileiras.
Ouso dizer que, guardadas as proporções das dimensões das cidades, Limeira já tem um panorama semelhante ao de São Paulo, no quesito transtorno. Há dias que até para passar de moto fica difícil. Lá e cá, por experiência própria.
Nas últimas semanas, a revista Época publicou como destaque reportagem abordando hábitos, e como mudá-los para melhorarmos as nossas vidas. Um das personagens falou da dependência do carro, até para locais próximos e como ganhou mais tempo com a família ao abdicar do veículo para fazer caminhadas com o marido e a filha.
Infelizmente, num país em que o prefeito da maior metrópole usa helicóptero para se locomover enquanto gestores do primeiro mundo vão de bicicleta ao trabalho, é difícil ser otimista. O que não é motivo para desesperança. Quando não houver mais monumentos a derrubar, ruas para alargar, canteiros para estreitar, qual será a ação para continuar priorizando veículos? Esse cenário é mais possível do que parece.
Todos têm responsabilidades. O cidadão no que consome, no que cobra das autoridades e no que colabora, e o poder público em não mais adiar um planejamento sério que já deveria estar em curso há tempos, com resultados práticos.
Por fim, um exemplo do quanto disposição política conta para a mudança de paradigmas - para o bem. O ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, deu um jeito no caos viário da cidade colombiana. Uma de suas mais célebres falas é uma reflexão para todos os cidadãos e gestores, principalmente aos que insistem em "tapar o sol com a peneira" assegurando que nosso transporte coletivo é bom, quando não dependem deles para se locomover.
O homem que tirou a cidade dos carros e a devolveu às pessoas sustenta o seguinte: "Uma boa cidade não é aquela em que até os pobres andam de carro, mas aquela em que até os ricos usam transporte público".