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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012 | By: Daíza de Carvalho

Obras na rede de água serão finalizadas em 15 dias

Daíza Lacerda

Moradores do Jardim Vista Alegre e bairros vizinhos se surpreenderam com a obra que teve aberto todo o canteiro da Via Luiz Varga, próximo do Jardim Presidente Dutra.
Com início em meados de dezembro, na área entre a rotatória do Dutra até a Rua Irene Salviatti, no Jardim Novo Horizonte, o local recebe intervenção da rede de distribuição de água, feita pela concessionária Foz do Brasil. "A obra é para melhoria no sistema de abastecimento de água, e tem 1.750 metros de extensão. Deve proporcionar ganho de pressão na rede e melhor vazão", explica o coordenador de obras da Foz, Cássio Rossi.
A distribuição na área abrange 3,3 mil moradores, e tem em vista áreas de expansão, como os bairros mais altos, entre eles Alto dos Laranjais, Campo Novo e José Cortez.
Ele explica que não haverá intervenção no trânsito e a distribuição de água precisará ser interrompida quando for feita a ligação da nova estrutura à rede, o que está previsto para ocorrer em 15 dias.

ROLAND E NOVO MUNDO
Outras áreas têm obras em andamento ou para serem iniciadas, para melhorar a distribuição. Próximo do Residencial Roland e dos Ipês, além de bairros como Santo André, Centreville e Piratininga, está em construção um reservatório para 1,5 milhão de litros, em rede que abastece mais de 20 mil pessoas. A conclusão é prevista em um mês e meio.
no Parque Novo Mundo é construída um estação de bombeamento para a elevatória existente, em rede com grandes diâmetros, em 2,8 mil metros. O abastecimento é para 70 mil habitantes do Santina 1 e 2, Lagoa Nova, Cecap, Ernesto Kühl, Regina Bastelli e outros, além do Novo Mundo. "Estão assentados 70% dos tubos. A obra deve ser concluída em dois meses", estima Rossi.
Segundo ele, nesses casos também não serão necessárias interdições, que parte da rua fica liberada. Nas duas obras o abastecimento será interrompido com a ligação das novas estruturas à rede. "Porém, a população será avisada antecipadamente e fazemos esses serviços em horários alternativos", explica.

Obra segue na Via Luiz Varga, próximo da rotatória da Taba do Brasil
Obra segue na Via Luiz Varga, próximo da rotatória da Taba do Brasil

Com 1.750 metros de extensão, a conclusão deve acontecer em 15 dias
Com 1.750 metros de extensão, a conclusão deve acontecer em 15 dias


Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa. . 




domingo, 13 de novembro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Os presentes do santo de casa

Daíza Lacerda
Especial para o Jornal da Mulher


Distante 70 km de Limeira, São Pedro tem gastronomia, lazer e aventura como opções




Cristo no alto da Serra em São Pedro, de onde é possível ver cidades da região
Cristo no alto da Serra em São Pedro



Agenda do dia: acordar num hotel fazenda, com o canto dos pássaros no sossego e clima ameno do interior. Antes de definir as atividades, que tal apreciar um waffle em massa fresquinha, com cobertura a gosto (mel, chocolote... ou os dois!). Se a típica tentação norte-americana não for a preferência, assim como os ovos mexidos - sequinhos, com frios e vegetais - o clássico café com leite, suco, pães e bolos caseiros também ajudam a começar bem o dia.
Para os mais sossegados, a pesca. Para a criançada, piscina e brincadeiras. Para os aventureiros, tirolesa e saltos de parapente. Para todos, cachoeiras, e entre uma escolha e outra, o almoço com comida caseira ou apreciação de petisco com uma bela visão da região, do alto da Serra do Itaqueri.
O pacote com tudo isso fica a apenas uma hora de viagem de Limeira, na cidade de São Pedro. Para além da vizinha Águas de São Pedro, a cidade de 60 mil habitantes é de localização privilegiada numa serra com várias opções de cachoeiras. Além da diversão, a gastronomia também é especial para receber o visitante.
Confira o roteiro preparado pelo Jornal da Mulher e programe o seu final de semana, feriados ou até mesmo as festas de final de ano.

Hospedagem na natureza

Inicialmente uma fazenda de pecuária, o Hotel Fazenda São João tem opções para todos os gostos nos 130 mil m² de muito verde. Além das cinco piscinas, o contato com a natureza é garantido num lago para pesca e atividades como passeio à cavalo. Massagens, área própria para crianças e o cantinho da mamãe, uma cozinha à disposição para preparar a refeição ou vitamina dos pequenos, também fazem parte da infraestrutura. Se a viagem é de negócios, o hotel também oferece 17 salas para reuniões ou convenções, para receber de 16 a 450 pessoas.
Sérgio Passos, presidente do empreendimento, lembra que a maioria dos hóspedes é formada por moradores do litoral, capital e ABC. Mas este panorama tem apresentado mudanças. "Percebemos cada vez mais o aumento da presença de pessoas da região. Acreditamos que é uma tendência, já que a pessoas que procuram descanso não querem passar tanto tempo na estrada ou dependendo de voos", justifica.
São 113 apartamentos equipados com TV, ar condicionado, frigobar, som e aquecimento central. Crianças até 12 anos podem garantir gratuidade da diária, ao integrar a "Turminha do Bem". Basta fazer uma doação para entidades assistidas na região, em produtos que variam de acordo com a época (brinquedos, material escolar ou itens de higiene).
O grupo detém ainda a agência Vitur, de turismo receptivo, em iniciativa inovadora. Além de transportar grupos do hotel às atrações da cidade, também recepcionam os visitantes do município, para conhecerem um pouco mais sobre São Pedro.



Hotel Fazenda São João: conforto e diversão em meio a natureza
Hotel Fazenda São João: conforto e diversão em meio a natureza



Gastronomia agrada com mãos
experientes e ideias inovadoras

Aos 74 anos de idade, Zulmira Maria de Assis faz a alegria dos hóspedes que começam o dia a procura de delícias culinárias. Ela está há 34 anos no Hotel Fazenda São João e a sua agilidade no manejo de ingredientes e panelas não deixa dúvidas sobre a experiência na cozinha. "Comecei como copeira, até chegar à cozinha e confeitaria", diz ela, que é natural de Natal-RN e nunca fez cursos. "Aprendi trabalhando", reforça, entre um prato de ovos mexidos e outro, um dos sucessos da manhã.
A outra preparação campeã de Zulmira são os waffles. Nos dias mais agitados, quando a sua jornada começa por volta das 5h, chega a assar 120 massas. A preparação é feita na confeitaria, com ovo, farinha de trigo, polvilho, manteiga, leite e fermento que, com as medidas certas e toque especial, ofuscam as outras (muitas) opções para o desjejum. Mel, chocolate, doce de leite ou leite consensado: o hóspede escolhe qual o melhor acompanhamento para o waffle. Difícil é ficar só no primeiro.
Se a experiência e toque caseiro são os diferenciais de Zulmira, a inovação também tem lugar na gastronomia do Hotel Fazenda São João, em culinária que já rendeu prêmios.
Na união de cores e sabores, numa combinação saborosa e equilibrada de vitaminas, a receita do filé de tilápia ao molho de jaracatiá com purê de mandioquinha, desenvolvido pelo chef Marcos Roberto e pela nutricionista Giovana de Barros Sacco, ganhou o 4º lugar num concurso da Nestlé e Supermercados Makro, voltado para receitas originais. O desenvolvimento da receita, que demorou pelo menos um mês, uniu um fruto típico da região, o jaracatiá, que é rico em ferro, à tilápia, de baixa caloria e rica em ômega 3. O doce de jaracatiá contrasta com o purê de mandioquinha, numa mistura agridoce com o filé temperado e grelhado.
Desenvolvida no hotel e com constante aprimoramento, a receita acaba de sair do forno e fará parte das opções gastronômicas do espaço em breve. Enquanto isso, o cardápio conta com almoço típico da fazenda, com tempero caseiro, além dos jantares temáticos.



Dona Zulmira está há mais de 30 anos no Hotel Fazenda São João
Dona Zulmira está há mais de 30 anos no Hotel Fazenda São João

Waffle é uma das especialidades do café da manhã do hotel, ao gosto do freguês
Waffle é uma das especialidades do café da manhã do hotel, ao gosto do freguês

Filé de tilápia ao molho de jaracatiá é prato original premiado em concurso
Filé de tilápia ao molho de jaracatiá é prato original premiado em concurso




Com a região aos seus pés

A estância turística de São Pedro também é abraçada pelo Cristo que fica no alto da serra. No Parque do Cristo, o visitante tem visão privilegiada de pelo menos cinco cidades da região. Além de uma caminhada pela trilha, o cenário é ótimo para um almoço. No ponto alto, o restaurante Mirante do Cristo tem churrasco aos sábados e massa aos domingos, além de playground para a criançada e feira de artesanato para apreciar e levar de presente a arte desenvolvida na cidade.
Alguns quilômetros acima, no Rancho da Tirolesa, a visão está aliada a aventura, com vista panorâmica das montanhas. Próximo do local também é possível fazer saltos de parapente, ambos com instrutores e equipamentos de segurança.
Se a fome é resultado de tanta adrenalina, o rancho conta com cozinha artesanal cheia de delícias. Além da linguiça caseira, cuscuz mole e pão de queijo, o "Mané pelado", bolo à base de mandioca, tem a maciez e sabor da culinária do campo.
Para os baladeiros, os estabelecimentos do alto da serra não dispensam o agito, com festas e bandas aos finais de semana.





Do alto da serra, dos pés do Cristo, esta é a vista
Do alto da serra, dos pés do Cristo, esta é a vista




Rancho da Tirolesa tem opções variadas de petiscos
Rancho da Tirolesa tem opções variadas de petiscos



Tirolesa com vista privilegiada
Tirolesa com vista privilegiada

Delícias do Rancho da Tirolesa
Delícias do Rancho da Tirolesa





Hotel Fazenda São João - São Pedro
Av. Paschoal Antonelli, 800 - Reservas: (19) 3483-9000
www.hotelfazendasaojoao.com.br


Vitur Turismo Receptivo
Rua Veríssimo Prado, 722, Centro, São Pedro
(19) 3483-3600
www.vitur.com.br


Rancho da Tirolesa
Rodovia Ulyssses Guimarães, km 2,5
Bairro Santo Antônio
(19) 8209-0099


Parque do Cristo
Restaurante Mirante do Cristo
Rodovia Elísio de Paula Teixeira, km 2
www.parquedocristo.com.br
(19) 3483-4482














quinta-feira, 27 de outubro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Educadores enfatizam importância do Prêmio Gazeta de Literatura

Daíza Lacerda


Cobertura da premiação e redações serão publicados na edição de domingo

Foram premiados na noite de anteontem os alunos autores das redações que se destacaram no 21º Prêmio Gazeta de Limeira de Literatura, que trouxe neste ano para reflexão o tema "Revendo os valores morais na vida em sociedade". Educadores e familiares participaram da solenidade, que reconheceu os 45 alunos que tiveram os textos selecionados pela comissão julgadora da Gazeta.
"Os temas sempre são pertinentes para discussões, especialmente este em que vivemos um grande desgaste de valores e princiípios, principalmente no cenário nacional, em que todo o país sofre as consequências. Além do incentivo à leitura e à escrita, o prêmio ajuda com que os alunos fiquem atentos para problemas da sociedade", destacou Maria José Pianca, diretora da EE Gustavo Peccinini. Neste ano a escola teve dois alunos classificados, no 8º ano do ensino fundamental e 1º ano do ensino médio.
Para a professora Elenir Mendes, que orientou um dos alunos, o prêmio foi uma oportunidade única para discussão em sala, que rende até mesmo depois da premiação. "É por meio desses assuntos que eles começam a tomar ciência e puderam rever os conceitos pelos quais a sociedade passa. Todos que fizeram a redação tiveram um bom aproveitamento e a Gazeta está de parabéns pela escolha, pois são questões ainda discutidas entre eles nas aulas".
Já para Abigail Rovai Cardoso, diretora das Organizações Einstein de Ensino, o prêmio já é tradição na escola, que nesta edição garantiu dois troféus no 9º ano e mais um no 6º ano. "Para nós é um reconhecimento do trabalho desenvolvido na escola. Certa vez um pai chegou para matricular um filho devido às colocações da escola no Prêmio Gazeta", conta. Abigail acrescenta ainda que o tema contribuiu com o programa já desenvolvido na escola, na abordagem de valores.

É TETRA!
Há sete anos que a jovem Maria Rita Bonin Magrim, de 15 anos, tem a sua redação selecionada pelas escolas para participar do prêmio. Com a primeira tentativa na 3ª série do ensino fundamental, neste ano ela garantiu a 4ª premiação, enquanto cursa o 1º ano do ensino médio no Colégio Cidade de Iracemápolis. "Estou muito feliz, afinal, é uma média boa, quatro anos em sete. Mas tive muita ajuda da família e também dos professores", conta ela.
A mãe, Suzi, que também é professora, acompanha a alegria da filha, assim como a aflição na hora de esperar o resultado. "Sempre há muita conversa e discussão sobre o tema, além de pesquisas. Afinal, é preciso entender para poder elaborar", ilustra.
Como mãe e educadora, ela pontua os temas escolhidos anualmente como reflexivos tanto para resgatar a história da humanidade quanto para vivenciar a atualidaade. "São temas muito significativos, com coisas que nos afetam, que a criança vive. Isso proporciona maior facilidade de entender e colocar no papel", avalia.
Fotos da premiação já estão no Facebook da Gazeta. Além das imagens dos alunos homenageados, as redações vencedoras serão publicadas na edição do próximo domingo da Gazeta de Limeira.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Dia Mundial sem Carro: sobre pessoas e veículos

Daíza Lacerda


As cidades nasceram a partir da união das pessoas. Hoje, a organização do espaço para abrigar seres humanos parece ter perdido sentido, já que a preferência agora é dos veículos. Essa foi uma das considerações apresentadas no fórum “Cidades, bicicletas e o futuro da mobilidade”, evento que trouxe David Byrne ao Brasil para discutir o assunto, em julho. Quem se recorda de hits dos anos 80 como “Psycho Killer” e “Burnin’ Down the House”, lembrará que Byrne foi o líder do Talking Heads. O músico viajou o mundo de bicicleta, em experiências que deram origem a um livro. A partir de São Paulo, percorreu países da América Latina para mostrar desde sistemas falidos (como o espaço ‘morto’ que representa um estacionamento) a medidas possíveis a médio e longo prazos com o incentivo ao transporte público e uso das bicicletas para a mobilidade urbana.
Se na capital é grande a mobilização para levar a cidade de volta às pessoas, Limeira vai na contramão. A calma interiorana creditada a nós e cidades vizinhas é ficção há muito tempo. Basta tentar passar por uma das inúmeras rotatórias em horário de pico para testar a paciência do motorista. E vale observar também quantos carros tem mais de uma pessoa.
É absolutamente possível usar a bicicleta como transporte em Limeira. Mas se é um desafio a tentativa de passagem por uma rotatória motorizado, a pé ou de bicicleta é pior ainda. Ciclofaixas? Temos! Que levam de nada a lugar nenhum. Para cruzar regiões opostas, não existem faixas específicas ou alternativas ao perigo das rotatórias. Será por falta de “espaço”?
Como a preferência é para os carros, e não para as pessoas, é mais fácil reduzir calçadas e eliminar árvores para aumentar as ruas do que pensar em medidas para reduzir ou organizar a circulação. Planejamento zero, em uma situação que não é privilégio de Limeira. Mas não é preciso ir longe para se inspirar em alternativas, ainda que seja o início de uma discussão. Piracicaba movimenta nesta semana atividades e debates no Dia Mundial Sem Carro. E sua população não é tão maior quanto a de Limeira.
Se é difícil deixar o conforto do carro para pedalar, mais improvável será optar por um ônibus, que na situação atual vai na contramão do custo-benefício. Melhorar o transporte público é alternativa para reduzir engarrafamentos. Mas quem vai pagar caro pelo atraso, demora de itinerário e carros superlotados, a não ser pela extrema necessidade? Nem eu.
O fórum em São Paulo reuniu autoridades e ativistas, como o sociólogo Eduardo Vasconcellos, que fez observações interessantes que se aplicam a toda cidade que tem a frota de carros crescendo em detrimento da presença humana nas ruas. “Uma coisa que me impressiona demais em São Paulo e no Brasil todo é o pedestre que cruza a via em cima da faixa de pedestre e agradece o motorista que para. Esse é o sinal mais claro da ausência total de cidadania. É uma coisa trágica”.
Também comentou o que chama de “privatização do espaço público”. Uma família de baixa de renda ocupa menor espaço e consome menos energia do que as de classe média de quatro pessoas, que usam dois carros. Um pedestre ocupa 1 m², o mesmo que cada passageiro dentro de um ônibus. Motos, de 8 a 10 m², e bicicletas, 2,5 m². Automóveis ocupam 50 m² para rodar numa via pública. O sociólogo vai além. “É um enorme investimento social num sistema viário gigantesco, que na verdade é apropriado por uma parte pequena da sociedade que anda de automóvel. Isso constitui uma violência que sustentou muitos prefeitos da cidade, baseada num mito de que construir vias é democrático. Não é. Construir vias, numa sociedade como a nossa, é altamente antidemocrático”. Simplesmente porque jamais haverá espaço suficiente para comportar a demanda de veículos, no ritmo atual. “Se o automóvel necessita de 50 m² para conseguir circular numa velocidade de 25 km/h, é impossível acomodar todos os automóveis na cidade. Nenhuma sociedade no mundo conseguiu, nem a mais motorizada e mais rica do mundo, que são o Estados Unidos. Devemos lutar contra o mito de que o aumento das vias vai acabar com o congestionamento. Temos que tirar automóveis da rua em vez de fazer vias”, defendeu. A discussão completa pode ser assistida no link http://bit.ly/n9uW8R.
Limeira ainda não sinaliza o colapso. Mas exemplos não faltam, mostrando que não é difícil chegar a ele. Por isso o debate é necessário, não em detrimento dos veículos, mas a favor da vida, já que os maiores impactos são acidentes de trânsito, contaminação do ar e congestionamentos. Vale o conforto do motor, quando se perde tempo ilhado num mar de metal, enquanto a vida passa? É só refletir, no próximo congestionamento.



domingo, 14 de agosto de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Rita Braun traz a Limeira memórias do Holocausto

Daíza Lacerda

Na defesa da liberdade de credo e raça, sobrevivente alerta contra iniciativas racistas 

"É preciso atenção. Um toco de cigarro na floresta pode se tornar um incêndio incontrolável". Aos 81 anos, é com propriedade que Henrietta "Rita" Braun faz o alerta diante das demonstrações de intolerância contra crenças e raças, tanto no Brasil quanto mundo afora, como o recente ataque na Noruega.
Radicada no Brasil desde os 17 anos, em sua Polônia natal presenciou, ainda pequena, uma "higiene mental contra judeus", antes de sua família ir para os campos de concentração de Hitler. "De 40, sobraram quatro", disse ela ao relatar aos alunos do Colégio Anglo Portal as fugas com a família pela sobrevivência durante o Holocausto, em sua infância. O encontro foi na quinta-feira e contou com alunos do 9º ano, os três anos do ensino médio e curso pré-vestibular. Dos jovens, Rita tirou lágrimas, mas também risos.
Filha de pais separados, os primeiros sinais concretos da guerra e do cerco de Hitler contra os judeus vieram pelo céu, em 1939. "Eu tinha uns 10 anos e estava com outras crianças na fazenda do meu padrasto olhando os formatos das nuvens e com o que elas pareciam. Foi quando apareceram aviões voando tão baixo que eu podia ver a cabeça dos pilotos. Era incomum aeronaves naquela região da Polônia", descreveu.
Não demorou para vizinhos alertarem a família que russos estavam chegando para invadir e saquear a região. Foi quando ela, a mãe, o padrasto e a meia-irmã fugiram com sete carroças e 14 cavalos. "Refugiávamos no mato e, para mim, parecia uma aventura de Peter Pan, porque achava que a invasão dos russos não passaria de 15 dias e poderíamos voltar. Aquelas foram minhas últimas férias e mal sabia que não voltaria ali em cinco anos".

ESCOLHA DE SOFIA
O pai de Rita vivia com a esposa e o bebê, e era com ele que a jovem passava as férias. Até as tropas alemães chegarem com seus caminhões nos prédios ocupados por judeus. "Levavam só homens, tanto idosos como jovens. Por um tempo, os jovens voltavam. Já os mais velhos cavavam valas e, para economia de balas, fuzilava-se cinco de uma vez. O primeiro recebia a bala mortal e os que estavam atrás dependiam da sorte. Se a bala não acertasse o último, este fingia-se de morto e se jogava também na vala, para tentar se salvar entre os cadáveres, terra e cal".
A chegada dos alemães ocorreu primeiro no bairro de seu pai, quando ela passava as férias com ele e sua família. Ao serem detidos nos caminhões, um mensageiro deteve a família com um documento, para buscar Rita, assinado pela mãe. Embora o homem fizesse a busca mediante pagamento, apresentara-se como tio, alegando que a menina seria levada equivocadamente como judia. "Meu pai disse que não poderia escolher por mim, que não saberia quem sobreviveria, se ele ou minha mãe. Disse que a vida era uma só e que eu deveria decidir se ia com ele ou voltava para minha mãe. Independente da decisão, não se zangaria comigo. Não tive tempo para pensar, tudo era muito assustador, mas decidi voltar para minha mãe. Ele, que usava uma braçadeira com a estrela de Davi, me deu um saco de moedas, caso houvesse um bombardeio ou faltasse comida".
Com tão pouca idade ela teve o momento mais difícil de sua vida. "Me senti uma carrasca ao ter de escolher entre minha mãe e meu pai. Não podia me perdoar", relatou à Gazeta.
Em outra oportunidade conseguiu se despedir do pai, quando foi a última vez que o viu. Vítima de tifo, para não contaminar os outros e "economizar balas", o destino de seu pai no campo de contração foi ser jogado em cercas elétricas até a morte. A esposa também foi morta e o filho, ensacado vivo antes de ser jogado numa vala com terra e cal, "o cardápio dos nazistas", como pontua.
O bebê poderia ter sido salvo. "Uma família católica estava disposta a cuidá-lo, até ver que era circuncidado. Era uma passagem para a morte. Então o devolveu à família".

VIDA NO GUETO
Rita foi com a mãe, padrasto e irmã para o gueto, que era uma espécie de "baldeação" antes da chegada aos campos de concentração. "Era um bairro cercado no qual já havia inquilinos como ratos e baratas. Havia uma entrada e uma saída, vigiados. Lá passávamos frio, fome e contraímos tifo". O campo de concentração seria a próxima parada quando houvesse vagas.
Enquanto a família trabalhava (sem receber pagamento) e se alimentava nos empregos, Rita procurava no lixo ossos ou membrana de fígado, além de grama para ser cozinhada como opções de alimento. Motivo pelo qual o deperdício e intolerado por ela e sua família.
A rotina tinha quase diariamente cavalos brancos mas, em vez de príncipes, traziam algozes que atiravam em qualquer coisa que se mexesse, indiferente que fossem crianças. Era quando ela se escondia atrás de árvores ou arbustos.
Quando a família soube que o gueto "entraria em liquidação", que era o passaporte para os campos, a mãe comprou de um padre, com as joias que guardara, três certidões de nascimento alteradas para sair do local. Todos ganharam novo nome com registro católico.

CRUELDADE E SOBREVIVÊNCIA
Além das novas identidades, um alemão cuja casa a irmã trabalhava ajudou na sobrevivência da família, inclusive para acobertar seu padrasto, que, diferente dela, da mãe e irmã, tinha a aparência do "típico semita". Isso incluía usar chapéu tipo tirolês e a suástica no braço, para não ser descoberto. Passaram outros anos se escondendo e chegaram a ser submetidos a exame de sangue para determinar se eram semitas ou arianas. "Depois de três dias, por mais que minha mãe nos tranquilizasse que isso não era coisa que fosse determinada pelo sangue, fomos declaradas arianas e dignas de conviver com a pura raça", ironiza.
Vivo, o judeu não tinha valor. Morto, aproveitava-se desde o seu cabelo para fazer travesseiros como a gordura para fazer sabão. "Comandantes levavam crânios de judeus como adorno para suas casas. Não era coisa de 10, mas de 100".
O fim da guerra não era garantia de vida longa no local. Foi quando veio com a família para o Brasil, onde morava um dos tios, que viera como turista antes da guerra e aqui ficou.
Antes de aportar em Santos, a família aguardou, em Paris, por seis meses, o visto de Getúlio para entrar no País. Mas os contornos da ditadura não a assustou. "Aqui não tive medo. É um povo que aceita as diferenças. Meu país é o Brasil".


Realidade irretratável e perigo contemporâneo

"As pessoas assistem filmes sobre o Holocausto e perguntam se é tudo aquilo mesmo. Na verdade, é muito mais. Os judeus eram cobaias humanas", diz Rita, que acompanhou o neto, que quis visitar Auschwitz, onde jazem cinzas e flores entre os fornos crematórios e chuveiros de gás. Voltou também à Polônia, mesmo tendo adotado o Brasil como sua casa desde que aqui chegou, aos 17 anos.
Ela teme "os filhotes de Hitler", que exemplifica com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Outro alerta é para ação de skinheads, que pregam a supremacia de brancos, grupo que se mostra mais forte na região Sul, considera.
Ela reflete também os ataques a homossexuais, sobretudo quando este tipo de união passa a ser prevista pelas leis brasileiras. "Os ataques acontecem justamente por haver brechas, o que os preconceituosos não toleram. Qualquer minoria está sujeita a isso se não tomarmos providências", reforça, sobretudo com a ação iminente de neonazistas.
E foi justamente a situação contemporânea, discutida em sala nas aulas de História, que levou a professora Rita de Cássia Salmazo a aprofundar o assunto, até chegar a Rita e convidá-la para o encontro com os alunos. "Diante dos acontecimentos mundiais, como o ataque na Noruega, é muito importante que conheçam o passado e como a atualidade pode servir de alerta", diz a professora.
A aluna Victoria Forster de Almeira, 18, concorda. "Por mais que saibamos o rumo da história, é diferente ouvir de alguém que esteve lá. Foi muito tocante e ao mesmo tempo é preocupante saber que ainda há pessoas que tem os mesmos ideais", preocupa-se.
Rita Braun não esquece do pedido, quando deixou seu país, de que quem sobrevivesse contasse a história, para que não se repetisse. "Quando cheguei aqui me propus a pagar a dívida. Palavras o tempo apaga e o vento leva". Por isso registrou suas memórias em livro, distribuído em escolas, além de passar seus valores aos filhos e netos.
Ela, que declarou ficar honrada com o convite e conversa com os alunos, disse ter sentido plantar uma semente para que algo parecido com o que viveu jamais volte a acontecer. E deixa a sua mensagem. "Isso não deve ser esquecido. Devemos defender a liberdade de raça e religião. Não apenas no pensamento, mas na manifestação desse desejo". (DL)

Publicado na Gazeta de Limeira.






Lixo no Jd. do Lago: ainda falta consciência da população

Daíza Lacerda

Falta de cuidados e de denúncias da população são empecilhos para a preservação

A área de Lazer do Jardim do Lago voltou a ser alvo de reclamações de moradores, devido à sujeira encontrada no local. "Há dias em que a situação está pior. Passo aqui todos os dias e já vi crianças pescando, o que é proibido. Falta fiscalização para coibir este tipo de coisa", diz uma dona de casa que mora em um dos bairros vizinhos.
"As pessoas do próprio bairro precisam cuidar mais. Sempre tem lixo, o que aumenta nas temporadas em que o local é aberto para a pesca", defende o estudante Eduardo Lopes, 20, que também usa a área como trajeto entre bairros.
Na rua de uma das margens da região do parque, a José da Silva Teixeira, há mato na calçada e o descarte de entulho, outra reclamação recorrente, ainda é frequente, principalmente no extremo mais afastado do playground. Além de restos de materiais da construção civil, móveis e animais mortos continuam sendo abandonados no local.
Para o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Jardim Aeroporto, Júlio César Amaral, " a área não precisaria de fiscais se houvesse conscientização por parte da população", que é tão responsável pela preservação do local quanto o poder público. "A consciência deve existir desde criança, para que elas também 'puxem a orelha' dos pais. As ações são punitivas, como multas, e não educativas, o que pode causar mais revolta. É preciso que Prefeitura e comunidade atuem juntas, mas a falta de conscientização ainda é um grande problema", reconhece.


PROVIDÊNCIAS
Diante da situação, o secretário municipal de Meio Ambiente, Domingos Furgione Filho, disse que a capinação e limpeza foram feitos há cerca de 10 dias e a remoção de entulho está programada para esta semana. No entanto, ressalta que é imprescindível a cooperação da população - tanto para manter o local limpo quanto para denunciar quem faz descarte irregular.
"Nossos fiscais passam três vezes por dia no local, mas não há como fazer autuação sem flagrante. Por isso, o morador que vê alguém fazendo despejo deve denunciar", reforça o secretário, lembrando que, a cada limpeza, são tirados entre cinco e seis caminhões de entulho da área, o que não tem justificativa, já que são materiais que podem ser deixados em ecopontos, além das coletas de lixo e do Só Cacareco.
O secretário municipal de Segurança Pública, Siddhartha Carneiro Leão, lembra que há guardas municipais 24 horas no local, que devem intervir em irregularidades. "É uma área enorme, mas da casa e proximidades há um bom campo de visão, como o parque, tanques e entradas. Os guardas estão no local para colaborar e fazer o que estiver ao seu alcance para auxiliar na conservação", declarou.


PROJETOS
Uma das entradas da área de lazer já foi motivo de reclamação, devido ao desnível de terra e entulho deixado também no local. De acordo com Furgione, a manutenção deste item está incluída no projeto de melhorias para o local. Parte do alambrado começou a ser trocada, o que deve acontecer em toda a área, incluindo a colocação de portões.
"Estão previstas as contruções de dois banheiros e uma lanchonete, o que será licitado. Na entrada, devem ser colocados pedriscos e um piso impermeável", informou, lembrando, no entanto, que tudo depende dos prazos legais das licitações que serão feitas.

Publicado na Gazeta de Limeira.


domingo, 31 de julho de 2011 | By: Daíza de Carvalho
quarta-feira, 27 de julho de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Limeirenses de 1,7 mil casas estão em situação de miséria

Daíza Lacerda


Dado se refere a domicílios em que pessoas ganham até ¼ de salário mínimo

A faixa de 1/4 de salário mínimo per capita é considerada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) pobreza extrema ou miséria. Os moradores de Limeira nesta condição, que recebiam até R$ 127,50 no ano passado, ocupavam 1.749 residências. É o que apontam os resultados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo 2010, considerando o salário mínimo de R$ 510.
Porém, a maioria dos domicílios particulares permanentes de Limeira tem moradores com renda entre meio e um salário mínimo. O Censo, que considera 84.441 domicílios no município, revela que, dos ocupantes, 28,68% (24.356 residências) recebem entre meio e um salário mínimo per capita. Os que recebem entre 1/4 e meio salário (R$ 127,51 a R$ 255) somam 18,48% (8.659). Limeira tem ainda 2.312 domicílios (4,27%) cujos ocupantes não têm rendimento e a renda per capita é somente em benefícios . Esse universo de pessoas que recebiam, em 2010, até R$ 510, representa 60,59% das residências particulares permanentes de Limeira.
Nos domicílios em que o rendimento passa de um salário mínimo per capita, em 28.624 a renda é de até dois (R$ 1.020). Esta é a maior parcela em número total, mas, proporcionalmente, este público fica em segundo lugar (21,9%). A renda per capita de 2 a 3 salários (R$1.020,01 a R$ 1.530) está em 8.861 domicílios e, de 3 a 5 salários (até R$ 2.550), em 5.925 residências. Em 3.938 domicílios (5,13%) a renda per capita é maior do que 5 salários mínimos.

PROGRAMAS SOCIAIS
Por meio do Cadastro Único, gerido pelo Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom), pessoas de baixa ou nenhuma renda podem aderir a três modalidades de programas. "Dependendo da carência, a família pode acumular dois benefícios", explica Cíntia Araújo de Sá, coordenadora do Cadastro Único.
Além do Bolsa Família, do governo federal, que pode pagar de R$ 32 a R$ 242 por família que recebe de R$ 71 e R$ 140, existe o Renda Cidadã, em que o Estado paga R$ 80 para 165 famílias limeirenses que ganham até meio salário mínimo. O Renda Mínima, municipal, paga R$ 130 para 488 famílias inscritas cuja renda é de até 1/4 de salário.
Até junho, 9.042 famílias da cidade recebiam o Bolsa Família. "Este número oscila mês a mês, pois caso a família não cumpra itens, como frequência escolar e peso ideal dos filhos ou mantenha o cadastro atualizado, o benefício é suspenso", explica Cíntia.
Vinculadas aos benefícios estadual e municipal, as famílias se comprometem ainda a participar de reuniões socioeducativas.
Esses dois programas permitem renovação de até três anos.
Após esse tempo, a família tem de esperar pelo mesmo tempo que foi beneficiada para voltar a receber. Para o Bolsa Família não existe esta regra e, caso a pessoa não consiga colocação profissional ou aumento da renda, pode recebê-la por tempo indefinido, desde que atendidas as exigências.

Maioria dos beneficiados vive de "bicos"

Segundo Cíntia, a situação de carência existe em famílias residentes em toda a cidade, mas predomina em bairros como Odécio Degan, Ernesto Khül e Belinha Ometto. "A maioria é de autônomos, que vivem de 'bicos', como trabalho com joias, além de funções como pedreiro ou empregada doméstica, sem registro", diz.
É o caso da dona de casa Isabel Cristina Camargo, 38, que tem uma filha de 14 anos. "Esporadicamente faço algumas faxinas, porque a pensão da minha filha é de valor muito baixo. Recebo cesta básica do Ceprosom e tenho ajuda da minha mãe às vezes, mas minha renda não chega a R$ 100", declara ela, que tenta o cadastro em benefícios.
A maior parte das famílias tem até quatro filhos, mas há mães com até 10 crianças que vão requerer benefícios. Há ainda pedidos individuais, como idosos que vivem sozinhos. Sirça Pereira Querubim, 56, com os filhos já casados, não recebia pensão quando separou do ex-marido e faz "bicos". “Às vezes vendo coisas na rua ou faço faxina, mas a principal renda é o Bolsa Família", diz.
 "O que predomina é a mãe chefe de família, com os filhos", ilustra Cíntia. Esta é a situação de Soraia Antunes, 32, que tem três filhos entre 13 e 2 anos. Separada, recebe R$ 100 do Bolsa Família. (DL)



Soraia e um dos três filhos: família depende do Bolsa Família
Soraia e um dos três filhos: família depende do Bolsa Família



Educação e emprego são soluções
para miséria, avalia sociólogo

"Não me espanta a maioria ter baixa renda num País em que 90% da população é assalariada e não tem acesso aos meios de produção. Para mudar isso, é preciso criar frentes de empregos, estimular o desenvolvimento e a reforma agrária". Esta é a avaliação de Emílio Carlos Asbahr, que leciona no curso de Ciências Sociais do Isca Faculdades e é diretor da EE José Marciliano.
Para ele, o fomento de parques industriais e tecnológicos pode, com o aumento de vagas, melhorar a renda da população. Já para as classes cujo rendimento é considerado como situação de miséria, a raiz da mudança está na educação. "É preciso exigir mais enquanto aluno, numa cobrança mais expressiva para aprender. Há alunos que chegam à 8ª série analfabetos, o que é fruto da progressão continuada", declara.
Por meio da educação é que a pessoa poderá alcançar ascensão social, já que a escolaridade é requisito para a colocação profissional. "Os programas de benefícios sociais exigem atestado de frequência escolar das crianças, mas isso não está atrelado ao efetivo aprendizado. É preciso comprovar que a criança vai à escola, mas não necessariamente se ela sabe ler ou escrever. Por isso é preciso mudar a cobrança que se faz para o indivíduo". (DL)

Publicado na Gazeta de Limeira, também no novo siteManchete da edição. 




domingo, 24 de julho de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Ao reescrever histórias, Casa da Criança completa 70 anos

Daíza Lacerda


Entidade atende 55 crianças e adolescentes de 0 a 18 anos, encaminhadas pela Justiça

A Casa da Criança Santa Terezinha comemora hoje 70 anos de atendimento, data de inauguração do prédio “Plácido Hipólyto Ribeiro”, onde são atendidas, hoje, 55 crianças e adolescentes.
Em setembro de 1941, o local começou a receber as primeiras crianças transferidas do Orfanato Santa Terezinha de Jesus, sediado no terreno da antiga Casa de Saúde, localizada na Rua Alferes Franco (atual Unimed).
Major José Levy Sobrinho era presidente do orfanato e a mudança teve contribuição do empresário Hypólito Pinto Ribeiro, proprietário da indústria de papelão Ribeiro & Parada.
Atual presidente da casa, Isabel Cristina Covaes Santos explica que no local são atendidos meninos de 0 a 2 anos (que depois são transferidos ao Lar do Moço) e meninas de 0 a 18 anos. As crianças chegam ao local devido a várias situações. Falta de condições, negligência familiar, situação de risco ou abandono são algumas delas. “Já chegamos a atender em nossa capacidade máxima, que é de 70 crianças e jovens”, diz ela, reiterando que todo encaminhamento é feito pelo Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude. Ela estima, que em todos esses anos, devem ter passado pela casa cerca de 3,5 mil crianças.

VIDA NOVA
Apesar das dificuldades familiares que levam as jovens ao local, na casa elas recebem todo tipo de assistência, principalmente estudos. “Há suporte psicológico, assistência médica e social. Programamos também vários eventos das quais participam, além do encaminhamento ao trabalho, quando completam 16 anos”, lista Isabel.
De fato, tristeza não combina com a “cara” do prédio. A ocupação e o “jeitinho” feminino é visível nos quartos, divididos por faixas etárias. Bonecas, ursos e, claro, um pouco de bagunça. “Hoje elas saíram para um passeio e não deu tempo de arrumar muita coisa”, justificou a coordenadora Marta Puzzi Moreno. Ela explica que a saída das meninas é inconstante e relativa. “Há anos em que predominam as adoções. Em outros, é o retorno para a família, quando são atestadas as condições de retomar a guarda”.

DEMANDA E RECEITA
Nas primeiras décadas, o local contava com a própria escola, além dos cuidados de freira, até os anos 1980. Atualmente, dos atendidos, 16 tem até 4 anos, 18 têm de 4 a 10 anos e 21 meninas têm de 10 a 18 anos.
A receita é 40% de verbas municipal, estadual e federal, e o restante é por conta da própria entidade. “Desde 2008 contamos com associados, que contribuem mensalmente. A receita da Nota Fiscal Paulista também ajudou muito. Somos a 8ª intituição no Estado que mais arrecada com cupons fiscais. Também promovemos eventos para arrecadação”, explica a presidente.
Apesar das contas em dia, dificuldades sempre aparecem. “Agora, por exemplo, estamos precisando de móveis, como camas e guarda-roupas, porque nossa clientela cresceu”. Mas mesmo com alguns percalços, ressalta a presidente, a Casa da Criança se mantém forte no intuito de oferecer uma vida digna e feliz para suas crianças e jovens.
A comemoração do aniversário será em evento marcado para o dia 13 de agosto, às 9h, na sede. Haverá missa, seguida de uma cerimônia, em que serão homenageados ex-presidentes e outros voluntários que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento e a manutenção da instituição.

Jovem divide sonho de trabalhar em empresa com a vida artística

Uma das jovens contou à reportagem as suas percepções sobre o seu lar atual. Ela tem 14 anos e mora na casa desde os 11, com outros três irmãos mais novos.
“Quem está do lado de fora, imagina que é uma prisão, um bicho de sete cabeças. Eu também pensava e não queria vir no começo. Mas, agora, quero ficar aqui e só sair quando estiver preparada para a vida. Sinto-me em casa, como se a equipe fosse a minha mãe e as meninas, minhas irmãs”.
Ela fala ainda do companheirismo entre as meninas, tanto quando uma chega à casa quanto uma dessas irmãs de consideração deixam o local para começar uma nova história. “Quando chega alguém, mostramos que podem contar conosco. Quando alguém vai embora, choramos bastante. Mas ficamos felizes quando são acolhidas por novas famílias”, declara.
Ela, que prefere não ser adotada, imagina um dia trabalhar numa empresa. Sonho este dividido com a vida artística, da qual pegou gosto participando de oficinas culturais em uma das parcerias da instituição. Teatro, dança, arte circense, música, ética e cidadania e encaminhamento ao mercado de trabalho são algumas das atividades que preenchem os seus dias.
A assistente social Ana Lúcia Massari explica que familiares podem visitar as crianças no local e que a saída também depende de ordem judicial. “Há um trabalho na tentativa de reorganização da família, mas a maioria é de casos difíceis com dependência química e alcoólica. Aqui prestamos atendimento mais próximo possível de uma casa, um verdadeiro lar. (DL)


Tia To: 27 anos de dedicação no voluntariado

No fundo da sala pequena, cheia de livros e cadernos, entre carteiras e estudantes terminando exercícios, fica Maria Jacon Dibbern, conhecida como Tia To. Prestes a completar 80 anos de idade, a professora aposentada se dedica há 27 anos na Casa da Criança. “Dei aula em várias escolas de Limeira e, quando aposentei, com 49 anos, a assistente social, na época em que Dalva Ragazzo era a presidente, falou da necessidade de uma professora aqui. Aceitei, afinal, o que iria fazer em casa?”.
Tia To, que ensinou o be-a-bá a inúmeras crianças, não se imagina sem o expediente diário e, às vezes, ao final de semana, dedicado às meninas. “Gosto muito dessas crianças. Não teria coragem de sair daqui. Sempre fui bem recebida por todos, inclusive os funcionários. O que posso fazer, faço, como a parte da mãe no reforço dos estudos. Também arrumo suas coisas, deixo as bolsas e cadernos em ordem, lápis apontados”.
Ela não dá moleza para a tristeza e alega ser enérgica nas aulas, o que se tornou marca própria com os alunos. “Mostro a elas que é preciso ser forte para que amanhã estejam bem, tenham um bom futuro. Elas têm de sair daqui fortes”.
Apesar da reunião na sala, o reforço é dado individualmente, já que cada criança está numa série e, mesmo as que estão no mesmo ano, ficam em classes diferentes, com atividades variadas. Para Tia To, o trabalho se mostra como uma verdadeira missão. “É gratificante. Já encontrei muitas que saíram daqui e vi que o trabalho não foi em vão”. (DL)


Publicado na Gazeta de Limeira.


sábado, 30 de abril de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Sobretudo

Coluna da redação da Gazeta de Limeira


ROTATÓRIAS
Em Limeira, para todo problema viário foi adotada uma rotatória e as consequências, em diversos níveis, foram vistas nesta semana. Além de as obras nas mesmas impactarem o condutor que é obrigado a usá-las (caminho alternativo certamente passará por outra), os acidentes são outro reflexo. Motoristas impacientes não respeitam a vez, e pedestres, idem, sem contar o caos na hora do rush. E faz-se mais rotatórias, como a nova, do início da Via Guilherme Dibbern. A Rua Nelson Penedo de Barros, no Jardim Kelly, também ganhará uma, embora a rua dê acesso a outra, perto do Corpo de Bombeiros.

ACESSIBILIDADE
"Nem a Prefeitura dá exemplo, pois o Paço Municipal não é adaptado para receber deficientes". Esta é mais uma das inúmeras necessidades no município, apontada pelo leitor José Cláudio dos Santos, diante do esbanjamento de R$ 18 milhões na "Torre Eiffélix". Se nem na própria sede administrativa do município há esta preocupação e respeito com o deficiente, que dirá no resto da cidade?, argumenta ele. Com quantos milhões se faz um caminho melhor para quem precisa?

SEGURANÇA NA PRAÇA
Ótima a notícia da reabertura do Teatro Vitória, com melhorias. Embora outras obras ainda estejam previstas para o prédio, não adianta cuidar da casa e deixar a praça onde está, ao Deus-dará. A redação é constantemente procurada por munícipes indignados com a falta de segurança, com o local tomado por andarilhos e bebuns à noite, que passam a madrugada dormindo no local. Segurança ostensiva, e não periódica, na Praça Toledo Barros, só irá contribuir com o sucesso do Teatro. A população agradece.

DESCASO
Usuários do transporte público estão revoltados com a falta de atenção das empresas em resolver os problemas diários dos coletivos. A superlotação é uma das principais reclamações, principalmente no período da tarde. O recente aumento no preço da passagem, de acordo com populares, é injusto se comparado ao serviço oferecido atualmente. Sem contar nas mudanças das carteirinhas, que ainda causam transtornos.

EVENTO DA LIMPEZA 
Quando eventos de grande proporção acontecem em qualquer cidade, o que se espera é a limpeza da área em um curto espaço de tempo e também a colaboração da população. Em Limeira, muitos espaços destinados a festividades são bombardeados de copos vazios, garrafas quebradas e restos de comida espalhados. Além de enviar seu time de trabalhadores da limpeza, a Prefeitura também deveria intensificar campanhas de conscientização nesses locais.

UTI 
Faz tempo que a Polícia Civil de Limeira vem apresentando sinais de que está na UTI. Falta de funcionários é o principal problema pelo qual a corporação passa. Para se ter uma ideia, há na cidade, para atender ao plantão de polícia que funciona durante a noite, madrugada e aos finais de semanas, dois escrivães fixos. Os demais são todos funcionários de delegacias que trabalham de dia e têm de fazer plantão durante a noite. Além disso, os prédios que abrigam as unidades estão em péssimo estado de conservação. Enquanto isso, espera-se a anunciada reengenharia da Polícia Civil no Estado que prevê aglutinação de delegacias, inclusive em Limeira.

QUARTO PODER
A reunião de divulgação do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, para apurar supostas irregularidades no contrato firmado entre a Prefeitura e SP Alimentação, na quarta-feira, não despertou interesse da população em acompanhar os trabalhos. Pelo menos não diretamente, já que pouquíssimas pessoas (fora a imprensa e assessores) acompanharam o encontro, aumentando ainda mais a responsabilidade da mídia de elaborar matérias fiéis aos acontecimentos e deixar o leitor tirar uma conclusão.



segunda-feira, 18 de abril de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Estatuto do autodesarmamento

Daíza Lacerda


Uma suposta dificuldade de Wellington em conseguir armas o teria dissuadido do objetivo de acabar com vidas na escola a qual frequentou, movido seja lá por qual idealismo doentio fosse?
A falta de uma faca em mãos teria evitado que um filho assassinasse o próprio pai, caso que acompanhamos nessa semana em Limeira, movido sabe-se lá por quantas doses de drogas?
O debate sobre o Estatuto do Desarmamento, reaberto com a tragédia no Rio de Janeiro, nos levará efetivamente a uma solução contra crimes brutais? Afinal, como bem se sabe, no Brasil afora, não é a proibição que previne necessariamente irregularidades, que podem ser vistas tanto nos mais altos escalões do governo como nas mais reles sarjetas onde repousam outras vítimas inocentes - e anônimas.
Nem sempre é a arma física o maior perigo, apesar de sua letalidade. Revólveres são disparados e golpes de faca desferidos por almas armadas. As pessoas estão carregadas, por si só, com munição de ódio - ou indiferença - à vontade, para ser disparada na hora da revolta. E, em casos extremos - ou patológicos - o resultado é o que vimos no Rio de Janeiro e em Limeira. E que não vimos, nos confins onde a violência ainda é tão presente, que o silêncio é a melhor defesa.
A conivência e omissão matam tanto quanto gatilhos disparados. E não é só do governo. Quantas vezes, na hora da fúria, alguém já não bradou a “vontade de matar” fulano? Quantas pessoas você e seu vizinho conhecem que efetivamente levariam a força da expressão ao ato, se misturasse a raiva a alguma droga, doença ou ideologia?
Quando armados com nosso ódio ou soberba, todos somos criminosos em potencial. Ferimos o outro com palavras ou atos, mesmo que nenhuma gota de sangue seja derramada. Quando estamos alheios a isso, também.
O que nutriu, além das drogas, o jovem que matou o pai em Limeira, cujo estado preocupante já era conhecido por familiares e vizinhos? E qual desses dois tipos, o que se acha mais do que os outros, ou o indiferente, teriam abastecido Wellington para que ele descarregasse sua fúria sobre inocentes, fazendo um País inteiro de vítima?
Num País em que até um veículo de transporte pode ser usado como arma (conforme as intenções e condições mentais de quem dirige), se conseguirmos tirar um arsenal das ruas, liquidaremos também com a munição intrínseca que muitos de nós carregamos?

Artigo publicado na Gazeta de Limeira.