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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 | By: Daíza de Carvalho

Vivaldo Kühl, o "Xá", será sepultado hoje

Daíza Lacerda


Lembrado pelo ativismo esportivo, tendo jogado nos dois times de Limeira, Vivaldo Kühl, mais conhecido como "Xá", morreu ontem de insuficiência renal e respiratória. Ele será sepultado hoje, às 10h, no cemitério Saudades II, saindo do velório municipal.
Xá inaugurou na Gazeta de Limeira a seção "Nossa História Esportiva", no início dos anos 80. "Resgatava fotos de jogadores e de torneios, como o 1º de Maio. Era disciplinado e ótimo jogador, embora nunca tivesse seguido a carreira profissional. Era um craque em campo, no futebol de salão, e como ser humano. Estava sempre sorrindo e de bem com todos", declara Walfrido Salvi, que o acompanhou nos anos de Gazeta numa amizade que se estreitou além do trabalho.
Paralelo à vida dedicada ao esporte, Xá trabalhou por mais de 30 anos na Machinas Zaccaria. "Minha lembrança é de uma pessoa muito alegre e entusiasmada. Para ele não havia tempo ruim", relata o sobrinho Décio Alexandre Kühl.
"Era um grande amigo, de quem sentiremos muito a perda", diz Antonino Alcântara Teixeira Martins, da Liga Desportiva Limeirense.
"Quem o via jogando, dizia que ele caberia em qualquer time profissional. Estava sempre de bem com todos, algo muito raro hoje. Fazia uma coluna fantástica, que circulava todos os domingos, e assinou por cerca de 20 anos", lembra Salvi, sobre o espaço agora escrito por João Valdir de Moraes na Gazeta.
Xá era solteiro e, nos últimos três anos, teve intensificados os problemas com o diabetes. No último mês foi internado e se recuperou, porém, voltou pouco depois para a UTI, onde morreu. O sepultamento ocorre hoje, às 10h, sob os cuidados da Funerária Gullo.



Xá tinha 78 anos e se destacou no futebol e crônica esportiva, inaugurando coluna na Gazeta
Xá tinha 78 anos e se destacou no futebol e crônica esportiva, inaugurando coluna na Gazeta

Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa.




quarta-feira, 19 de outubro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Adepto do radioamadorismo, Trajaninho morre aos 89 anos

Daíza Lacerda


Experiências começaram na Machina S. Paulo, onde chegou a a fabricar rádios

"Ele era elétrico!". A definição de Renato de Almeida, 84, alegraria o amigo Trajano de Barros Camargo Filho. Amante do radioamadorismo e eletroeletrônica, o sexto filho de Trajano de Barros Camargo "apagou os filamentos na tarde de hoje [ontem], fazendo QSY para frequências muito mais altas", na definição de seus contemporâneos de rádio, em mensagens de homenagem.
"Trajaninho", como era conhecido um dos nove filhos do patriarca da família que marcou a história da indústria limeirense e desenvolvimento do município, morreu na casa de sua filha Silvana, 52, em Campinas. Aos 89 anos, de causas naturais, como explica a família. "Vivia comigo desde março, quando passou por alguns tratamentos contra pneumonia. Vivia todos os momentos da melhor maneira possível, mas dizia estar cansado", explica a filha.
No entanto, a paixão pelo rádio o acompanhou até os últimos dias. "Embora não mexesse mais com radioamadorismo, ouvia todos os dias. Tinha um com várias frequências e mudava a toda hora, da AM para FM e vice-versa", recorda Silvana, que salienta o interesse inverso pela TV.
Mas a transmissão de imagem também foi um capítulo importante na história de Trajaninho, como entrega o filho Júlio César, 56. "Entre seus trabalhos com eletroeletrônica, fabricou com Vicente Juliani retransmissores de sinal de TV, quando isso ainda estava chegando no interior".
ORGULHO
O peso do nome, valores e conquistas eram motivo de orgulho para Trajaninho, que tentava manter viva a história dos feitos da família por Limeira. Com a mudança dos tempos, sentiu-se um pouco injustiçado, como explicam os filhos. Mas um fato em especial o aborreceu. "Seu maior desgosto foi quando o prédio Coronel Flamínio Ferreira teve o nome mudado para abranger o museu", contam. Propriedade da família, o espaço foi doado pelo coronel, que era avô de Trajaninho.
Outros imóveis fazem parte das lembranças dos filhos com o pai, como o da EE Ely, que foi um barracão usado para dar cursos aos funcionários da Machina S. Paulo, em outro empreendimento pioneiro. A casa do zoológico, que era o quintal da família, também tem suas histórias. Além de gostar de pescar no lago, Trajano Filho ouvia músicas clássicas e MPB. Alto e em bom som. "Quando construíram um dos edifícios na Rua Boa Morte, os moradores ficavam na janela para ouvir com ele as músicas que deixava em volume alto", conta Júlio.
Outro hábito cultivado nos últimos anos era praticado, no início, na casa da família. Quem conta é Renato de Almeida, que trabalhou 13 anos na Machina S. Paulo e acompanhou as experiências de radioamadorismo de Trajaninho. "Ele costumava nadar no Nosso Clube todos os dias. A casa dele era a que tinha a mior piscina de Limeira, numa época que provavelmente só ele nadava!", declara.
Paralelo ao esporte, Trajaninho tinha na Machina S. Paulo sua própria sala para experiências com rádio. "Chegaram a fabricar rádio, que era montado pelo Lauro Guriel, que trabalhava na Educadora. Imagine a diferença, de máquinas de café para rádio", recorda Almeida.
HISTÓRIA PRESENTE
Além de familiares e amigos, alunos e professores da Etec Trajano Camargo também se despediram de Trajaninho, que visitava a escola em comemorações e eventos cívicos. "Passeava com os alunos e contava histórias da infância", lembra a professora Franciane Boriollo. "Sempre que podia ele aparecia, e sentia-se muito à vontade pelo elo que tem com a escola e o orgulho da família e de ser de Limeira", completa a professora Marlene Benedetti.
Trajaninho era pai também de Edson, além de viúvo. Entre seus irmãos, outros três (Maria Thereza, Flamínio e Renato) vivem em outras cidades. "Ele soube viver a vida", resume Silvana. E não deixa de acentuar o desejo pelo qual o pai lutava: "Aproveitem o legado". O enterro foi ontem, no cemitério Saudades, aos cuidados da Funerária Bom Pastor.



quinta-feira, 31 de março de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Morre Tininha de Salvo, ícone do colunismo social

Daíza Lacerda


O brilho da noite e o glamour das festas despediram-se ontem de sua primeira-dama, Tininha de Salvo, que, aos 88 anos, fez história no colunismo social limeirense com sua elegância. "São Pedro que se prepare porque ela vai acabar com o sossego dele!", já avisa um de seus filhos. 

Afinal, vestida de roupa de festa azul decorada com pequenas pedras brilhosas e aparência impecável de quem nunca deixou de se cuidar, mesmo enferma, sua marca era a presença alegre e autêntica na vida social de Limeira.
Maria Christina Paolillo de Salvo, a Tininha, assinou a coluna social da Gazeta de Limeira durante 17 anos, repleta de informações sobre a sociedade limeirense, após convite do então redator do jornal, Roberto Paulino de Araújo, em 1969. Na época, era preparadora de Física e Química do "ginásio" Castello Branco. Foi casada durante 56 anos com Arlindo de Salvo, falecido em 2003, com quem teve os filhos Ana Cristina de Salvo Musa, 62, Arlindo de Salvo Filho, 58, e Sérgio de Salvo, 55. "Era um casamento entre almas gêmeas, disso não há dúvidas. E o segredo era o seguinte: durante 15 dias do mês, o pai fazia o que ela mandava, e nos outros 15, obedecia", contam os filhos, que frisam a personalidade da mãe, que não deixava de falar nada do que pensava, para quem quer que fosse.
"Saber viver. Esta era a marca dela. Ela amava a vida. Sempre gostou de festas e descrevia casamentos como ninguém. Até mesmo meu pai reconhecia que este era um talento dela que ele, como jornalista, não tinha", declara Ana Cristina.
"Ela tinha um padrão que era o de não sair das festas antes do bolo. Ficava até o fim. Com espírito sempre jovem, dizia que a idade está na cabeça das pessoas. Dizia ainda que quando tivesse que morrer, iria contrariada, porque não tinha pressa de ir embora", diz Arlindo Filho.
Sem pressa de sair da vida, como das festas. "Certa vez a acompanhei em um evento, mas avisei que não poderia ficar até tarde, devido a um compromisso na manhã seguinte. Ela se desculpou com o anfitrião de ter saído tão cedo. Mas eram 3h da manhã!", relembra.
Já Sérgio fala do legado deixado à família, que conta ainda com oito netos e quatro bisnetos. "Nos criou com bons princípios, com educação e honestidade, como cidadãos de outro tempo. Deu exemplos e uma ótima criação, soube nos manter num bom caminho", pontua.
Embora o seu jeito autêntico rendesse também inimizades, era muito lembrada com presentes, e guardava todos. O marido a acompanhava nos eventos, presença vaga com sua morte. Em fevereiro de 2007, Tininha sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). "Ela lutou, voltou a falar e a passear, ir ao salão. Nunca deixou de se arrumar, era maquiada diariamente. A lembrança dela é sempre em festa, cantando e feliz", diz Ana Cristina.
Condicionada à vida social de que tanto gostava, Tininha continuou a escrever até 2003, em mais de três décadas dedicadas aos ilustres acontecimentos de sua terra.
Leitora do cronista social Tavares de Miranda, do Rio, ganhou vários prêmios e homenagens, além de ser membro da Academia Limeirense de Letras. Não gostava de passar batido e ficava muito alegre quando a reconheciam. Nelson Petto, que participou de vários eventos com Tininha, lamenta. "Não só a família, mas a cidade perdeu. Foi uma mãe que não tive. Sua marca era o respeito que tinha pela cidade e pelas pessoas. Personalidade forte, sempre objetiva e sincera, não guardava nada para si. Uma mulher exemplar, ímpar", define. Detentor de amplo arquivo sobre Limeira, algumas fotos de Tininha estão em exposição em sua homenagem em celebração ao Dia Internacional da Mulher, no Sempre Vale Prada.
Tininha estava internada desde sábado na Unimed, e faleceu ontem às 7h30 de pneumonia, após uma forte infecção. Foi velada no velório municipal, no qual foram enviadas dezenas de coroas em sua homenagem. Foi enterrada no cemitério Saudade I, às 17h de ontem, sob os cuidados da funerária Bom Pastor.
"Era uma mulher da noite. A lembrança é da alegria e disposição para qualquer festa. Viveu intensamente a vida", finaliza a filha.

Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa
terça-feira, 22 de março de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Morre Rubens Alibertti, que formou o Corpo de Bombeiros em Limeira

Daíza Lacerda


De taxista a assessor de Trânsito, Rubens Alibertti, que morreu ontem aos 86 anos, teve longa carreira na administração pública nas décadas de 60 e 70.
Após 25 anos como “motorista de praça”, como a função era chamada na época em que Limeira tinha cinco pontos de táxi (dois na Praça Toledo Barros, na Matriz, Estação e Boa Morte), foi convidado pelo então prefeito Paulo D’Andréa a atuar como assessor. Trabalho sem salário. “No meu tempo, era por amizade e por amor à cidade”, declarou, em 2006, à Janela do João, da Gazeta de Limeira.
O trabalho começou em 1964 mas, em 1969, quando Sebastião Fumagalli assumiu a Prefeitura, continuou, mas como diretor da Guarda Municipal, em conjunto com o Corpo de Bombeiros, formado por ele, naquela época, em que “a ronda era feita com radinho e andando a pé”, como descreveu na entrevista de 2006.
Trabalhou ainda na gestão de Memau, e era bombeiro honorário.
Era casado com Jandira de Lima Alibertti e deixou os filhos Rubens, Hermínia, Wilson, Léa e Eloísa. Alibertti sofria de neoplasia maligna cerebral, e morreu ontem, às 12h30. Seu sepultamento será hoje, às 10h, saindo o féretro do Velório Saudades II, com encomendação religiosa, seguindo para o Cemitério Municipal de Limeira.

Publicado na Gazeta de Limeira.
segunda-feira, 21 de março de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Limeira se despede de Pinheiro Alves

Daíza Lacerda

"Sete horas, em Limeira. Bom dia! Lembre-se: se você agir com dignidade, você pode não consertar o mundo. Mas tenha a certeza de uma coisa: na Terra, haverá um canalha a menos".

Era com essas palavras que Rubens Pinheiro Alves, falecido no sábado, acordava e saudava seus ouvintes, durante as três décadas em que atuou em rádio. Além das boas vindas, dramatizava fatos em verdadeiras histórias que, “seguravam” os ouvintes.
Estas foram algumas das lembranças de suas filhas durante o velório do radialista, jornalista, colunista da Gazeta e ex-vereador, no fim da tarde de ontem, na Câmara Municipal. "O Homem da Verdade", como era conhecido pelo seu programa, transformava a frieza de informações de boletins de ocorrência em verdadeiras tramas, relembraram as filhas Glória, 42, Fabiana, 38, e Natália, 34. Viúvo, 76 anos, Pinheiro morreu às 16h de sábado. Deixou ainda os filhos Vera, Rita, Thiago, Benedito, Antônio, Roberto e Márcia, além de 15 netos e quatro bisnetos.

DE CICLISTA
A VEREADOR

O vereador eleito com a maior votação de Limeira (4.333, em 1982), começou a carreira como ciclista, como contam suas filhas. Nascido em Catanduva (SP), sua vida tomou outros rumos aos 30 anos, quando foi assistir um jogo de futebol em Araras. "Na época, o locutor do jogo faltou e ele assumiu o microfone para narrar. Gostaram tanto da voz dele, que o chamaram para fazer um teste na rádio daquela cidade", conta Glória. Pinheiro trabalhou com Gil Gomes, e garantia que o apresentador havia se apropriado de seu estilo de locução e o levou para a cidade grande, "fazendo sucesso às custas do Pinheirinho". Trabalhou ainda na Rádio Globo.
Nas ondas do rádio, atuava como repórter policial com tamanha popularidade que elegeu-se vereador uma segunda vez, depois do recorde municipal de votos.

COMBATIVO
NA CÂMARA

Na política, os companheiros de época são unânimes em lembrar seu perfil atuante e combativo, mas sem conquistar inimigos. "Ele era um vereador que se mexia, não era acomodado. Sempre atuante e combativo, trabalhador. Separava bem a política das amizades, pois não tinha inimigos", lembra Moacyr Camargo Silveira Filho, que atuou com Pinheiro na Câmara.
Outro vereador contemporâneo, Jurandir Bernardes frisa ainda o poder de oratória de Pinheiro, que se expressava muito bem. "Se ele podia, ajudava. Mas nunca atrapalhava. Era um lutador e muito dedicado. Foi uma figura folclórica em Limeira, que deixará uma lacuna no jornalismo. Agora fica a saudade, e as nossas considerações com a família", lamenta.

CÂMARA AÇÃO

Mantinha na Gazeta, há mais de 10 anos, a coluna "Câmara Ação", para a qual ficava ligado nas sessões da Casa. "Ouvia pelo rádio, antes de acompanhar também pela TV. Se havia uma discussão ou outra, já ia anotando para a coluna", contam as filhas. As observações do "pai dos pobres", como marcou sua legislatura, chegavam semanalmente à redação, datilografadas. "Ele odiava computador, mas com muito custo passou a usar, nos últimos meses", acrescentam.
Falta que fará não só aos leitores, mas aos demais amigos da redação. Roberto Lucato, diretor da Gazeta de Limeira, lamenta a perda. "Chamava atenção e pedia apoio das pessoas de bem numa época em que a Câmara era bastante ativa. Foi uma pessoa que lutou muito pelas causas de Limeira, mesmo não tendo sido filho desta terra", declara.

SEM INIMIGOS

Seu espaço na Gazeta era muito lido e esperado por seus colegas da Casa Legislativa, como a vereadora Elza Tank que, em 1982, foi a segunda colocada em número de votos, com o recorde de Pinheiro. Hoje presidente da Câmara, Elza lembra da marca alegre do amigo. "Estava sempre contente, mesmo diante de dificuldades. Trabalhava pelos mais humildes e, mesmo fora da Câmara, procurava atendimento às pessoas necessitadas. Fará muita falta a Limeira", diz ela, que aguardava suas colunas dominicais com comentários sobre a Casa e os vereadores. "Nunca foi agressivo, sempre foi respeitoso. Era um amigo de sempre".
Autoridades compareceram à Câmara para prestar condolências à família, entre vereadores, o ex-prefeito Pedro Teodoro Kühl e o prefeito Silvio Félix, que também lamentou a perda. "Era uma pessoa popular, e não se tem notícia de que tivesse inimizades. Ajudava no que podia e marcou sua vida por isso, na cidade que adotou", disse.

POPULAR

Muito lembrado pelas festas do Dia das Mães, promovido por ele e a já falecida esposa, Ditinha, em que arrecadavam alimentos e promovia alegria aos menos favorecidos, as filhas acentuam que ele jamais usou a política para ascensão material. "Entrou pobre e saiu paupérrimo. Era o que ele dizia", lembram. Seu sonho era voltar para a Câmara, tanto que tentou, sem apoio político ou financeiro, se eleger na última eleição. "Mesmo sozinho, entregando os próprios santinhos e fazendo a sua campanha, conseguiu mil votos".
A vida fértil deixa legado exemplar a parentes e amigos. Pinheiro foi internado na Medical no dia 10, em crise que se agravou na última semana. Vítima de enfisema pulmonar e fibrose, foi sepultado no final da tarde de ontem no Cemitério Parque, sob os cuidados da Funerária Limeirense.

Trajetória de vida

Em 1962, Pinheiro já era casado e pai de três filhos, morando em Pirassununga onde exercia a função de mestre de fundição e passou a integrar a equipe de ciclismo da Usina São João e se consagrou campeão do estado de São Paulo e representou o Brasil em competições internacionais. Na biografia da história da Usina São João, Pinheiro Alves é lembrado como o símbolo do esporte amador em toda a história do grupo Ometto.
Começou no rádio fazendo programa de saudades, das 22h às 24 horas, na rádio Centenário de Araras. Cinco meses depois da estreia como apresentador de programa de saudades, aconteceu um crime na cidade e a direção da rádio mandou Pinheiro fazer a reportagem. E ele contou: “Anotei todos os detalhes, peguei o histórico da mulher assassinada pelo marido. Cheguei ao microfone e comecei a contar a história... Sei que fui o primeiro narrador de histórias policiais, e sabem por quê? Achava que falando, por exemplo: ‘na Vila São Pedro, marido mata mulher a tiros...’, eu tirava o mistério da história e os ouvintes já ficariam sabendo quem morreu e quem matou”.
Em 1968 Pinheiro foi convidado a trabalhar na Rádio Jornal do Povo e ali encontrou nomes que hoje fazem ou fizeram parte da história do rádio da cidade, como João Valdir de Moraes, Reinaldo Grassi, Dario Romeu, Batista Petrelli, Amaro Cardoso, Edmundo Silva, Bigotto e Milton Pereira de Almeida. Até 1982, Pinheiro Alves comandava “Os Dramas da Cidade”, mas, ainda em 1979, diretores da Rádio Globo de São Paulo o ouviam e se interessaram. Ele venceu o teste para a vaga deixada por Gil Gomes, que acabara de se transferir para a Rádio Record.
A trajetória de Pinheiro Alves na Globo estendeu-se até dezembro de 1982 quando, a convite de Jurandyr Paixão, Elza Tank e Marco Cover, o radialista filiou-se ao MDB, hoje PMDB, e elegeu-se vereador com quase cinco mil votos, num colégio eleitoral de pouco mais de 50 mil eleitores. Pinheiro continuou no rádio e na década de 80, a convite de Francisco Altimari transferiu-se para a Rádio Educadora e ali ficou até se aposentar em 2003. Em outubro de 2008, recebeu da Câmara Municipal o Título de Cidadão Limeirense, em reconhecimento à sua atuação na área jornalística, social e comunitária. Na época, relembrou algumas histórias de sua carreira política. “Quando você está aqui [referindo-se ao cargo de vereador], você acha que é insubstituível. Mas isso não é a realidade”, disse, na ocasião.
Era colunista da Gazeta de Limeira havia mais de 10 anos. Em julho de 2009, foi um dos colaboradores homenageados pela Câmara Municipal, em prêmio dedicado à imprensa. (DL)