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sábado, 12 de novembro de 2016 | By: Daíza de Carvalho

Invasores desafiam escola do Jd. Paineiras

Vandalismo, invasões e furtos aterrorizam rotina de alunos
e funcionários (Foto: JB Anthero/Gazeta de Limeira)
Muro baixo e buraco dão acesso livre a adolescentes alheios às aulas

Daíza Lacerda

Além da complexidade das questões internas da escola estadual do Jardim Paineiras, a comunidade lida agora com ameaças vindas de fora. A instituição tem sido invadida pelos muros e por um buraco num deles, em horários de aula ou intervalo, por adolescentes que atrapalham as aulas e cometem furtos, conforme os relatos.
Conforme a Gazeta apurou, os delitos ocorrem na presença de alunos e professores. Num dos flagrantes, um jovem subtraiu um pacote de pirulitos que a professora havia levado para as crianças na ocasião do Halloween. A sala, da faixa etária de 12 anos, ficou sem doce, só com a indignação.
Ainda na prática de tirar doces de crianças, uma delas também teve um salgadinho furtado. "Era algo que mãe raramente comprava, e daquela vez havia dado um de melhor qualidade para o filho levar de lanche. Como explicar isso para uma criança que fica só com a vontade?", questiona um membro da comunidade.
Mas o terror não fica só nos lanches. Também há suspeita do uso de entorpecentes, ainda que não fosse identificado se por alunos ou intrusos. Na última semana, um dos invasores ameaçou de morte uma funcionária, em caso que foi parar na polícia e aterrorizou ainda mais os servidores, já fragilizados com os problemas desde o início do funcionamento da escola, em agosto.
São 900 alunos, entre crianças e adolescentes dos ensinos fundamental e médio. As invasões se concentram no período diurno, mas o noturno também começa a apresentar problemas, como bombas. Vizinhos afirmam já terem apelado a todos os órgãos, inclusive o Estado, responsável pelo equipamento. Uma equipe teria vistoriado o local para solucionar a questão da estrutura que permite as invasões, mas nada ainda foi feiro.
A preocupação aumenta com a violação de direitos dos alunos, com intrusos que mexem e furtam materiais. Os identificados não são da escola, embora haja a tentativa de identificar se são de outras unidades, além de achar os pais. Mas a investigação é complicada devido às outras demandas escolares, como avalia uma das pessoas ouvidas.
A escola expõe o problema em oportunidades como o Conseg. A situação foi exposta tanto no conselho Centro-Sul quanto no Central. Mas ainda não houve uma iniciativa de chamamento dos órgãos para discutir ações. "Sabemos que é difícil conseguir reunir todos, mas temos o pensamento de tentar".
ALÉM DA (IN)SEGURANÇA
O capitão Costa Pereira, comandante da 5ª Cia da Polícia Militar (PM), informou que ainda ontem o tempo de ronda foi ampliado no horário de troca de períodos. A corporação também atende os chamados pelo 190, como o do invasor que fez ameaças. "No entanto, foi necessário um trabalho psicológico para que a pessoa ameaçada registrasse o boletim de ocorrência. Com isso, foi emitida uma medida cautelar para que o invasor não se aproxime numa distância mínima da ameaçada", relata.
Se por um lado os denunciantes temem represálias, por outro, é necessário envolvimento, como salienta o comandante. "Embora a consequência seja a insegurança, a causa é um problema de estrutura física, sobre o qual não temos como agir, assim como na disciplina escolar. Não há contenção física para impedir a entrada. Mas a comunidade também precisa colaborar. As pessoas sabem quem são os responsáveis pelas pixações nos muros, mas não denunciam. A insegurança não é omissão da PM".
PROVIDÊNCIAS
Procurada a se posicionar sobre as providências para a estrutura da escola, a Secretaria de Educação do Estado informou que "a Diretoria Regional de Ensino de Limeira lamenta que a escola, inaugurada para atender a comunidade do Jardim Paineiras, sofra com vandalismo. A unidade que recebeu investimentos de R$ 5,2 milhões foi criada para atender a demanda do bairro e funcionar também como um espaço para a comunidade. Mas, mesmo após inúmeras reuniões da Diretoria Regional de Ensino com pais, alunos e representantes do bairro, com o Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) e da efetiva parceria com a Polícia Militar para monitoramento de seu entorno, o espaço continua a ser desrespeitado, por isso, serão necessárias obras para elevar os muros da escola. O projeto já está em andamento, com orçamento previsto de mais R$ 147 mil e a expectativa é que as obras aconteçam no mês de janeiro, seguindo todos os trâmites legais".



No Conselho Tutelar, desafio
é a negligência dos pais


A conselheira tutelar Maria Hilda Costa Galva esteve na escola do Jardim Paineiras em ao menos duas ocasiões. Numa delas foi devido à invasão por pessoas que não são da escola. Em outra, a providência foi para alunos que não foram à aula, mas permaneceram na escola perturbando, com correria nos corredores e chutando portas de salas em aula. Os pais são notificados, mas a negligência é o fator mais comum encarado pelos conselheiros. "Vemos que até há famílias estruturadas, mas muitos lavam as mãos. Num dos casos, o garoto disse que os pais estavam trabalhando e chegavam tarde. Mas a mãe trabalhava em casa, com joias, e não sabia que o filho não estava na aula", ilustra.
O primeiro desafio é deter o aluno para que ele não fuja até a chegada do Conselho, e os pais sejam notificados da situação. Assim como a entrada, a fuga também é fácil pelos muros ou cercas. Mas os pais, mesmo cientes, não garantem mudança de comportamento dos filhos, e a reincidência é considerável. "É muita negligência dos pais, que deixam os adolescentes soltos, sem limites. Permitem até que os filhos abandonem a escola", cita, sobre acompanhamentos que deparam com inanição dos pais diante da interrupção da vida escolar. "Alguns dizem que vão encaminhar os filhos para a escola no próximo ano, mas muitos desistem diante da dependência química ou inúmeras passagens pela delegacia".
Apesar de toda a resistência, ainda há casos que permitem nutrir a esperança. "Há famílias que dão tudo, mas esquecem o essencial, que é o exemplo, o respeito. Mas há adolescentes que conseguimos encaminhar para rumos melhores. É o que nos mantém lutando". (Daíza Lacerda)

Publicado na Gazeta de Limeira.

sábado, 2 de março de 2013 | By: Daíza de Carvalho

Alvarás especiais são discutidos no Conseg

Critérios para renovação de autorização são explicados por secretário

Daíza Lacerda

Na segunda reunião do ano do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), autoridades abordaram temas e possíveis soluções de problemas levados por moradores e instituições.
A renovação de alvarás especiais de estabelecimentos que funcionam à noite esteve em pauta, com dois pedidos de proprietários.
Secretário municipal de Segurança Pública, Maurício Queiroz explicou os critérios para aprovação ou não das autorizações. "A Comissão Permante da Análise de Risco tem foco na segurança, portanto, não analisa a situação do prédio ou sistema acústico. Verificamos se o local influencia ou não a elevação da criminalidade, se tem ocorrências registradas e se causa perturbação de sossego, com poluição sonora ou movimento de carros. É quando o que acontece na rua tem origem no estabelecimento". Neste caso, o proprietário não pode ser responsabilizado criminalmente, mas administrativamente pela influência.
O secretário pretende marcar uma reunião com os órgãos de segurança para definir como as informações levam ao indeferimento ou não dos alvarás especiais, já que mesmo denúncias não são suficientes para caracterizar uma situação de risco, já que não comprovam os delitos.
Na oportunidade, Queiroz também declarou que a pasta está tentando identificar os problemas históricos e mais graves, mas salienta que não serão fáceis de resolver. "Existem procedimentos legais e barreiras dificultosas, que serão superadas, mas leva tempo".
A exemplo da operação realizada no Jardim Odécio Degan, ele ressaltou que a intersetorialidade deve pautar as ações. "As reclamações da Boa Vista, como a presença de andarilhos, não são algo que necessariamente a Segurança tenha que intervir, mas o Ceprosom, com ação social. O mesmo para lâmpadas de postes queimadas. Não adianta colocar uma viatura onde está escuro, mas acionar a Secretaria de Obras para o conserto.
FARRA NA BOA VISTA
Moradores reclamaram da farra noturna próxima da Avenida São Sebastião, nas imediações da linha férrea, com brigas, prostituição e consumo de drogas, em situação que não deixa os vizinhos dormirem. Queiroz explicou que prostituição não é crime e que só pode ser autuada a pessoa que explora essa prática. "Mas pode-se tentar resolver por outro aspecto. Se há um bar e venda de bebida, é provável que o responsável não tenha alvará da Vigilância Sanitária ou dos Bombeiros", explicou, prontificando-se a passar a situação para as áreas competentes da Prefeitura.
AMBIENTE
Alquermes Valvassori, secretário municipal de Meio Ambiente falou da necessidade de ajuda da população para que não se continue "enxugando gelo". "A população cresceu, mas a estrutura do município continua a de dez anos atrás. Seguimos engessados pelos meios que temos. Queremos o melhor, mas a sensação é de que estamos enxugando gelo, porque temos sempre que retormar o que fazemos, como nos ecopontos. A maioria vai bem, mas cinco viraram lixões", disse, sobre situação evidenciada recentemente pela Gazeta.
Tirando o lixo enquanto a população continua descartando inadequadamente, Valvassori defendeu a pasta como de "gestão ambiental", na necessidade de convencimento para que os problemas sejam resolvidos.



Queiroz, ao centro: reunião para definir critérios de concessão de alvará especial
Queiroz, ao centro: reunião para definir critérios de concessão de alvará especial

Publicado na Gazeta de Limeira. Original em pdf aqui.



sábado, 28 de janeiro de 2012 | By: Daíza de Carvalho

Moradores de Engenheiro Coelho se unem e clamam por segurança

Daíza Lacerda


Passeata ontem reivindicou a criação da Guarda Municipal no município

Assaltos à mão armada, furtos no interior de casa e sequestro. Parte dos moradores de Engenheiro Coelho tem sua história de trauma para contar em ocorrências frequentes no município. A mais recente delas, que indignou a população, foi o assalto à casa do agricultor Adilson Hermann, de 63 anos, quando sua família foi feita refém, na última semana.
Hermann foi o porta-voz na cobrança à prefeita Rosemeire Guidotti Scholl para a criação da corporação que zele pela segurança na cidade. "Fui salvo por um homem pilotando uma motocicleta, que eu e meus vizinhos o pagamos para fazer a ronda na rua. Ele é quem chamou a polícia. Por que a Prefeitura não pode colocar motos e pessoas para fazer o mesmo, além de usar as viaturas ociosas da prefeitura em rondas noturnas?", sugeriu.
O comerciante Evandro Rocha, de 46 anos, também já foi vítima de assaltos e é um dos que mobilizaram a passeata realizada na tarde de ontem, que saiu da igreja matriz até a Prefeitura. "Não somos e nem defendemos partido algum. Cobramos algo de que a cidade precisa. Há 25 anos havia guarda aqui, a partir de contribuição dos moradores. Depois que deixou de ser distrito de Artur Nogueira, caiu no esquecimento. E quando cobramos, são várias as desculpas", justifica.
Rocha opina que a única delegacia de polícia do município é precária e reconhece que uma agravante é o número de habitantes (15 mil), parâmetro para o efetivo de policiais, que são 15. "Somos a única cidade da Região Metropolitana de Campinas que não tem guarda municipal, e todos os municípios vizinhos têm. Assim, nos tornamos alvo fácil dos bandidos", considera.
"Não estamos pedindo, mas exigindo a criação da guarda e instalação de câmeras de monitoramento na cidade. O tempo de pedir já passou", frisou Hermann.

MEDO E ADESÃO
Centenas de moradores participaram do movimento, que foi pacífico. "É uma iniciativa importantíssima. Nunca sofri nenhum roubo ou furto, mas não podemos esperar acontecer. A cidade é muito pequena para viver um momento de medo como esse", disse a professora Ângela Maria Correia, de 45 anos. A advogada Fernanda Paola Correia, de 30 anos, concorda. "Dessa maneira, a população mostra que se sente insegura e que não quer ficar sem resposta".
A resposta da prefeita foi a de estar trabalhando na questão da segurança. "A criação da guarda é também um anseio da prefeitura", disse à Gazeta. "Aumentamos recentemente o efetivo de policiais de 11 para 15, com apoio da Secretaria da Segurança do Estado, além da construção da nova delegacia. Não estamos de braços cruzados", justificou.
Segundo ela, serão viabilizados por meio da Agência Metropolitana de Campinas recursos para o monitoramento, com verba de cerca de R$ 600 mil. Ela garantiu a criação da guarda municipal, com processo a ser iniciado ainda neste ano. Não estimou prazos, mas disse que a medida teria início o mais breve possível.
Questionada sobre o processo ter início agora, a partir da mobilização da população, que alega cobrar a criação da guarda há tempos, Rosemeire disse que optou por prioridades, como a educação. Sobre como será a guarda, ela não estimou detalhes. "Se não tiver prédio, vamos alugar. E será preciso fazer concurso e treinamento", disse ela, sem revelar um provável número do futuro contingente.

NO PALANQUE
Carros de som e faixas erguidas por populares sugeriam que a prefeita transformasse carros oficiais em viaturas e lembrou que a manutenção da guarda é cara, porém, a vida humana não tem preço. Ela foi convidada a se unir aos moradores que organizavam a passeata no palanque improvisado num caminhão. Na oportunidade, Hermann deixou claro que não daria palavra a parlamentares, mas apenas a uma única autoridade, a prefeita. Ilustrou a parcela da população vítima da falta de segurança. "Se no carnaval criarmos o bloco dos assaltados, vamos lotar um quarteirão". Colocou seu voto "à venda". Mas não vão me comprar com caixas de cerveja ou tapinha nas costas. Meu preço são 48 meses de trabalho com afinco no município", disse o porta-voz.
Em resposta, a prefeita defendeu o direito à democracia do movimento e prometeu que neste ano dará início ao processo de criação da guarda.



Hermann dirige-se à prefeita na reivindicação da guarda municipal na cidade
Hermann dirige-se à prefeita na reivindicação da guarda municipal na cidade


Moradores se uniram ontem e, em passeata, resolveram cobrar da prefeitura a criação de uma guarda municipal no município
Moradores se uniram ontem e, em passeata, resolveram cobrar da prefeitura a criação de uma guarda municipal no município



Furtos aumentam 50%
em um ano no município

A reportagem ouviu o PM Augusto, e este nos informou que a maioria das ocorrências é de furto em área rural e de miudezas no comércio, além de desentendimentos. Ele informou que o município possui uma viatura para patrulhamento normal, mas quando necessário, recebe reforço de outras cidades.
De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado, a quantidade de furtos em geral (excetuando-se o de veículos), aumentou cerca de 50% de 2010 para 2011. Os 159 registros subiram para 240. Furto e roubo de veículos somaram 14 e 18, de um ano a outro.
Diferentemente de 2011, a partir de 2011 a Secretaria de Estado fornece as ocorrências de forma mais detalhada e mostra que Engenheiro Coelho fechou 2011 com 134 casos de lesões dolosas, segundo item mais numeroso depois dos roubos. Em seguida está a lesão culposa por acidente de trânsito, com 34 ocorrências.
Entre os homicídios, foram dois dolosos e seis culposos por acidente de trânsito. Foram registrados ainda cinco casos de estupro e um de tráfico. (DL)

Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa.



quarta-feira, 14 de setembro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Rapaz ataca ônibus, ameaça motorista e quase fere jovem

Daíza Lacerda


Seria mais um itinerário normal no fim da tarde de ontem para o motorista V.J.S., 42, da linha 02-Belinha Ometto, antes de o ônibus que dirigia ser atacado por um rapaz, no Centro. "Estava saindo do ponto atrás da Catedral, e ele chegou chutando e batendo na porta", explicou. Diante da atitude, ele preferiu não abrir a porta e seguiu viagem. "É preciso ter respeito. Mas, como não parei, ele disse que me encontraria no ponto final para me matar", relatou o motorista.
Não contente, o rapaz, identificado apenas como de pele morena e aparentando ter 25 anos, correu atrás do coletivo e atirou uma pedra no vidro traseiro na parada do ponto seguinte, em frente à escola Brasil. Com isso, o motorista parou o carro no quarteirão seguinte. Os estilhaços caíram sobre uma jovem de 14 anos, que estava em assento abaixo do vidro no local atingido. Ainda assustada e chorando, a menina disse que não estava acompanhada e iria para a sua casa. Diante da ocorrência, aguardou um familiar ir buscá-la. Ela não chegou a ficar ferida.
O acusado foi reconhecido também como frequentador dos arredores da escola Sesi, no Morro Azul, e seria morador do Parque Residencial Belinha Ometto.

INSEGURANÇA
O motorista estima que pelo menos 50 passageiros estavam no coletivo. Ele chegou a chamar a polícia, mas deixou o local após cerca de meia hora de espera, para levar o carro à garagem da empresa e fazer o boletim de ocorrência. Ele declarou não se sentir ameaçado pelo atacante, mas teme pela segurança no seu dia a dia profissional. "Está difícil trabalhar sério. Precisamos de segurança para trabalhar, e também para oferecer a quem usa o transporte", pondera.
A cobradora também se preocupa com o vandalismo. "Poderia ser eu ferida, se tivesse jogado na janela. Temos medo e agora fica a insegurança", diz.



GM terá curso de aprimoramento para ações em áreas de risco

Daíza Lacerda


Aulas preveem ações preventivas em época de chuvas fortes, como o verão

A Guarda Municipal (GM) e Defesa Civil iniciam neste mês curso de aprimoramento para o período crítico de chuvas no verão. A iniciativa foi sugerida pelo governo estadual, e acatada pelo secretário municipal de Segurança Pública, Siddharta Carneiro Leão.
A orientação prevê organização e preparação principalmente em relação a ocupação em locais de risco, com incentivo ao voluntariado. "De caráter preventivo, é uma forma de incrementar as ações em épocas de chuva e melhorar a assitência junto a Defesa Civil. Tanto que quem ministrará o curso será o diretor do órgão, que possui larga experiência no assunto", disse Siddhartha, se referindo a Miquéas Balmant.
A capacitação começa dia 20, com aulas nas terças e quintas-feira de manhã e seguirá até que todos os GMs tenham participado. O efetivo conta atualmente com 319 oficiais.
A preparação é justamente devido às situações imprevisíveis que podem ser causadas pelos temporais. "Bom seria se pudéssemos nos antecipar, mas como não é possível dimensionar, a intenção é que a partir do curso as consequências possam ser mitigadas", declarou Balmant.
Ele ressalta que a capacitação é um aproveitamento de potencial para ações da Defesa Civil. Entre os tópicos que serão abordados estão o gerenciamento de riscos geológicos, estrutura do Sistema Municipal de Defesa Civil, produtos perigosos, legislação e gerenciamento de emergências.

VERÃO 2012
Paralelo ao curso, o planejamento para lidar com as chuvas do próximo verão também começa neste mês, com a reunião de uma comissão para tratar assunto. "Haverá uma atualização da comissão, com representantes das secretarias municipais, polícias Militar e Civil e Bombeiros. Haverá envolvimento de todos na preparação para um momento de instabilidade", diz Balmant.
Ele enumera as ações previstas em quatro eferas de necessidade. A primeira é a preventiva, seguida do socorro, assistência e recuperação de área. "Nas três primeiras a GM é imprescindível, enquanto a última envolve várias frentes", acrescenta o diretor.
As consequências podem envolver tanto proteção de patrimônio como desalojados ou desabrigados. "Por isso é preciso planejar o que fazer e como, para manutenção da ordem", finaliza Balmant.



sexta-feira, 8 de abril de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Mortes no Rio retomam discussão da segurança em escolas

Daíza Lacerda

O caso na escola do Rio de Janeiro trouxe à tona a questão da segurança das escolas. Gestores e profissionais procurados pela Gazeta, além de lamenetar a tragédia, reconheceram a dificuldade e até impossibilidade de um ambiente 100% seguro, além das instituições educacionais.

A apreensão dos pais foi o primeiro reflexo diante do acontecimento inédito no Brasil, comparado ao episódio em Columbine, em 1999. "É claro que nos preocupamos, hoje em dia não dá para confiar em nada. Só mesmo um psicopata para fazer algo do tipo. O pior é quando os próprios alunos se agridem e os pais não ficam sabendo. Do portão pra dentro, a responsabilidade é da escola", declarou a autônoma Maria José Soares, 33, que buscava o filho de 11 anos em uma escola na tarde de ontem.
A vendedora Rosângela Aparecida Moreira, 28, também teme. "As escolas deviam ser mais seguras, exigir identificação no acesso, não deixar qualquer um entrar sem revista ou segurança. Tememos que possam ocorrer outros casos", declara.
Funcionários de escolas também sentem-se ameaçados, como a inspetora d euma escola estadual que preferiu não se identificar. "Às vezes temos represálias fazendo o nosso próprio trabalho", disse, citando que aluno uniformizado nem sempre é sinônimo de segurança.

CUIDADOS
Em algumas escolas estaduais e municipais percorridas pela reportagem o visitante é recebido com grades e travas, após ser recepcionado na secretaria. Os alarmes são a "defesa" mais comumente usada, já que as intituições dependem de liberação de verbas para incrementar a segurança com câmeras, por exemplo.
"Se o pai precisa falar com o filho, fica esperando e o aluno vem até ele. Nos horários de entrada e saída, um inspetor e alguém da direção fica em cada portão", explicou Enéas Raimundo, vice-diretor da EE Brasil. "Reduzimos problemas de 10 anos para cá com disciplina, rigidez e muito diálogo, também com os pais. Foi com muita colaboração. Se a segurança já era algo que necessitava de atenção, agora, mais ainda", acrescenta.
Em outra escola estadual, uma educadora que também preferiu não se identificar, reconheceu que muitas vezes não se conhece o pai do aluno, mas deixa entrar. "Tentamos controlar, mas se alguém chega mal-intencionado, como vamos impedir? A escola é pública". Outro problema apontado e a falta de funcionários suficientes para garantir maior segurança. "Já esperamos questionamentos dos pais nas próximas reuniões", observou.
Na Emeief Maria Aparecida Degaspare, a diretora Judite Helena Caram explica o esquema de entrada na escola. Interfone, câmera, e atendimento em balcão com outro portão trancado até o páteo são as medidas de segurança, além de aviso prévio e apresentação de crachá e autorização no caso da visita de pais ou profissionais de manutenção. "Mas o que podemos fazer se a pessoa apresenta uma credencial falsa? A responsabilidade do portão para dentro é nossa, mas fazemos o que podemos", diz a vice-diretora Cassiana Goriel de Moraes Martins.
O próprio secretário municipal da Educação, Antonio Montesano Neto, reconhece que é difícil se prevenir contra uma ação como a ocorrida ontem. "Como brasileiro, nunca passaria pela minha cabeça algo do tipo. Não sabemos como os jovens e adolescentes vão receber isso. Será um problema sério com o impacto da tragédia", disse ele, que prevê reunir os educadores para tratar do assunto. "Pais e alunos vão se perguntar em como ir para a escola amanhã [hoje], mas não há quem responsabilizar, a não ser a própria pessoa que provocou a tragédia", opinou. Segundo o secretário, as unidades contam com portões eletrônicos e a Prefeitura estuda a implantação de câmera de segurança.

ABRIR OU TRANCAR?
As brechas na segurança colocam em cheque a defesa de gestores da abertura dos portões das escolas para a comunidade. Em Limeira, 16 escolas (10 estaduais e seis municipais) estão nesta situação aos finais de semana, participantes do programa Escola da Família.
A informação é da dirigente regional de ensino, Sílvia Regina Spineli Koshikumo, que defende que é preciso analisar o contexto da escola na sociedade. "A escola está inserida na sociedade, que é violenta. Nisso, a escola ainda é um dos ambientes mais protegidos. Apesar disso, orientamos ações como o uso de uniformes, contato com os pais e a não dispensa de alunos antes do horário", especifica.
Segundo ela, os funcionários são orientados a ficar atentos com a identificação de estranhos e autorizações . "Não temos como evitar tudo, embora quiséssemos", lamenta.
Nas possibilidades de prevenção, ela cita que a legislação não permite cercas elétricas nas escolas, que pode proprocionar riscos aos próprios alunos. No âmbito social, de atenção ao aluno, ela disse que já foi falado no governo da implantação de profissionais de psicologia e assitência social em atendimento móvel, pelomenos em cada diretoria regional. "Fazemos o possível para formar o jovem, com palestras, por exemplo. A sociedade é sofrida de um modo geral e por trás de atitudes como a que vimos há famílias desestruturadas e uma história de vida de privação e dificuldades", reflete.

"Professores precisam ter preparo para conversar com alunos"

Para a psicoterapeuta Solange Dantas o momento ainda é de suposições, mas as consequências do caso no Rio de Janeiro pode dar pistas do que teria levado o acusado a se dispor a matar tanta gente. "A maioria das vítimas é menina, o que pode ser algo significativo, como algum trauma ou decepção. O que se diz é que estava focado em religião e terrorismo, ideais que podem ter resultado no ataque com a ingestão de alguma droga", diz.
Reação a bullying também é cogitada, o que aumenta a preocupação de o ato se torne frequente. "Acaba servindo como um modelo negativo. Por isso é necessária a atenção de autoridades de todo o País com a saúde mental. Muitos doentes não têm tratamento adequado. Dão remédios em casos de internação, em casos que não se consegue coibir tamanha violência", analisa.
Ela pontua a violência como uma doença em si, que pode ser remediada com educação. "Se nada for feito, é só o começo de um cenário deprimente e perigoso", diz ela, citando os casos de violência na escola, como agressão de alunos a professores, que deixam de ter o tratamento e resolução que merecem.
"Permanece o cenário de que quem comete essas agressões não têm limite, podem tudo e nada acontece. É a impunidade", ressalta, apontando o Estado como omisso na questão, diante da falata de vagas em leitos psiquiátricos. "São pessoas que ficam ao Deus-dará e em surtos cometem crimes como o assassinato dos próprios pais, como já foi registrado na cidade".
Agora, ela defende que os professores precisam ter preparo para conversar com os alunos para não ampliar o cenário de terror. "Deve-se evitar prolongar o assunto, mas os professores devem estar mais atentos à violência e ao bullying. É educação, não há mágica para deixar de ser vítima futuramente. É preciso entender que o ser humano é corpo e mente, e que as consequências podem recair sobre toda a sociedade".

PM tem quatro viaturas na ronda e GM atende chamados de escolas
                    
O chefe interino de Comunicação Social da Polícia Militar de Limeira, tenente Edson da Costa Pereira informou, em nota, que "em Limeira, na área da 5ª Cia e na área da 1ª Cia contamos com quatro viaturas de Ronda Escolar das 7h às 23h para ocorrências dessa natureza e também para visitações em escolas, em sua maioria Estaduais. Temos com essas quatro viaturas uma quantidade irrisória de ocorrências, se comparado ao Policiamento convencional".
Conforme a nota, em 2010 não foi registrada nenhuma ocorrência envolvendo arma de fogo em Limeira, apenas um caso de lesão corporal provocada por estilete em briga de menores, mas nada de origem parecida ao ocorrido no Rio. "Em 2009 uma equipe de Ronda Escolar prendeu numa Escola Municipal um jovem portando um revólver, mas sem provocar seu uso. Outras ocorrências são registradas na atualidade envolvendo escolas, sempre ligadas a brigas por motivos banais".
Secretário municipal de Segurança Pública, Siddhartha Carneiro Leão explicou que o objetivo original do Pelotão Escolar era o da permanência de guardas municipais no portão e interior de escolas, e não com viaturas. Mas, com a mudança das necessidades, hoje o Pelotão conta com três motos, uma viatura e uma van. "É diferente da atuação da Ronda Escolar da PM, que é de patrulhamento. São muitas escolas e não há como atingir todas. Atendemos diretores com problemas e que fazem a solicitação. Aí o Pelotão faz o planejamento para resolver a questão. Agimos conforme a necessidade. Não temos estrutura para tudo, mas não ficamos sem fazer nada", justifica.
A inspetora da Guarda Municipal e reponsável pelo Pelotão Escola, Rita de Cássia Florêncio diz que a equipe atende casos raros, como porte de arma branca. Mas o episódio serve de alerta para que os responsáveis das escolas cuidem da segurança, como nunca deixar portões abertos. Muitas vezes, o chamado vem de pais ou alunos, não necessariamente da direção. "Quando o problema é fora da escola, ficamos sabendo. Mas se acontece dentro e não somos comunicados, fica difícil ajudar a tentar a resolver", diz. (DL) 


Em nota, Apeoesp cita vulnerabilidade
das escolas e falta de funcionários


O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), em nome da presidente Maria Izabel Azevedo Noronha, emitiu nota à imprensa ontem, lamentando a tragédia em nome de todo o magistério público paulista. "Embora nessa proporção o ocorrido seja singular, o fato mostra que existe uma situação de vulnerabilidade nas escolas públicas, nas quais são corriqueiros casos de violência, dentro das unidades e no seu entorno. No Estado de São Paulo, a vulnerabilidade decorre também da ausência de funcionários em número suficiente e da extinção de funções importantes, como a de porteiro e inspetores.
O sindicato defendeu que "cabe ao Estado desenvolver políticas que minimizem a violência nas escolas e garantam a segurança dos que nelas estudam e trabalham, sobretudo através do envolvimento da comunidade escolar na gestão democrática da educação, mas também assegurando a presença de policiamento comunitário no entorno das unidades escolares para combater crimes e delitos que terminam por afetar o seu cotidiano". (DL)