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segunda-feira, 18 de abril de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Ciclistas partem para Aparecida na primeira romaria sobre rodas

Daíza Lacerda

No Domingo de Ramos, novos romeiros saíram de Limeira rumo a Aparecida. Mas, desta vez, o trajeto é feito de bicicleta. Alguns dos participantes já fizeram cicloviagens, mas é a primeira vez que o grupo Limeira Bike Clube organiza a romaria na cidade.

A saída, na manhã de ontem, foi da sede da Casa dos Romeiros de Nossa Senhora Aparecida, após bênçãos do padre Ismael Vanderlei Avi, da Paróquia Santa Luzia, que comoveu os nove ciclistas e familiares, antes do rumo ao desafio.
“Fiz várias viagens de bicicleta até Aparecida, mas sempre pelo asfalto. Por terra, será a primeira vez”, disse o desenhista Luiz Augusto Groppo, 55, lembrando a ênfase nos treinos, que têm de ser frequentes. “Afinal, a idade vai chegando”, acrescenta, aos risos.
Já o analista de sistemas Evandro Luís de Souza faz o primeiro trajeto longo, aos 38 anos. “Fiz uma cicloviagem, mas não tão longa. Soube das romarias por um amigo e mostrei meu interesse se o trajeto fosse não a pé, mas de bicicleta”, diz ele, cujo treino foi de 40 quilômetros de pedalada diária, durante um mês. E a família, como fica? “Meu filho chorou quando saí, mas acho que está tranquilo”, declara.

TRAJETO E BAGAGEM

Idealizador da viagem, Luís Orlando Bruno, 48, explica que o plano é pedalar cerca de 60 quilômetros por dia, pelo pé da Serra da Mantiqueira, com passagem por Minas Gerais. Auxiliados por dois aparelhos GPS, o itinerário previa a chegada até Amparo (SP) ontem e até Pedra Bela (SP), hoje. Camanducaia é a cidade de destino amanhã, já em Minas Gerais, além de Sapucaí-Mirim, na quarta-feira. Na volta a São Paulo, a previsão é de chegar em Campos do Jordão na quinta-feira e, na sexta-feira santa, concluir a pedalada até a Basílica de Nossa Senhora Aparecida.
Todo esse trajeto será feito com o mínimo de bagagem possível em alforges e bolsas auxiliares que incluem, além de poucas mudas de roupas, kit de primeiros socorros para as bicicletas, como câmaras de ar, pneus e ferramentas. E, para os ciclistas, remédios e alimentos, principalmente barra de cereais e energéticos em gel, para reposição de carboidrato, além de muita água.
Enquanto os pilotos vão equipados com capacetes e luvas, as bicicletas têm ciclocomputadores e luzes traseira e dianteira, embora não haja planos de pedalar à noite. Capa de chuva foi outro item indispensável, ainda que os romeiros tenham feito a saída numa manhã ensolarada.

BUSCA ESPIRITUAL

São estimados pouco mais de dez quilos de bagagem, tanto quanto algumas das próprias bicicletas, já que não é qualquer “magrela” que aguenta uma viagem dessas. E nem qualquer ciclista.
Entre os romeiros, há duas mulheres, que reconhecem os itens a mais nas malas. “Foi difícil separar a bagagem, mas um batonzinho, creme e protetor não podem faltar!”, diz a analista OSM Kátia Tofoli, 28, que veio de Campinas para participar da romaria.
Ela e a professora universitária Annie Gisele Fernandes, 39, lembram que mais do que superação física, buscam a espiritual. “A minha expectativa é a da renovação da fé”, diz Kátia. “Sabemos que será cansativo, mas buscamos, acima de tudo, fortalecimento espiritual”, completa Annie, que previa desde o ano passado uma viagem mais longa além dos 80 quilômetros que fez durante um dia, de São Paulo a Santos. Ontem, ela estava acompanhada dos pais. “Aparentemente eles estão tranquilos, mas no fundo acho que não estão tanto assim!”, desconfiou.
Já para Kátia, a pedalada é comum em família, o que não livra os pais da inquietação. “Fico preocupado porque já fiz viagens assim quando moço e sei que não é fácil. É preciso muita fé e força de vontade”, diz o aposentado Ildo Tofoli, 72, pai dela.
Esposas, pais, filhos e amigos despediram-se emocionados dos ciclistas. “Por mais que essas viagens sejam frequentes, nunca é a mesma coisa”, comentou um dos familiares. Outros ciclistas acompanharam os romeiros por alguns quilômetros, alguns deles prometendo a participação para o próximo ano.

Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa.



domingo, 5 de dezembro de 2010 | By: Daíza de Carvalho

Ciclista viaja o Brasil para estender bandeiras no Maracanã em 2014

Daíza Lacerda

Uma bicicleta simples, com um baú de moto adaptado, bomba de pneu, câmara de ar, remendos e um radinho de pilha sobre o guidão, além de poucas mudas de roupas: esses itens resumem o veículo e mala de viagem de Carlos Henrique Ribeiro, de 46 anos, cuja vida nos últimos oito foi viajar pelo Brasil sobre a "magrela".

Após a última passagem em Limeira, há dois anos, Ribeiro continua sua jornada pelo Brasil em busca das bandeiras de cada cidade por onde pedala. "Meu objetivo é estender todas elas no estádio do Maracanã, em 2014", diz ele, que é natural de Rincão (SP), para onde volta a cada dois meses do lugar onde estiver, de ônibus ou avião. Na volta, continua a pedalada de onde parou.
O ciclista chegou a Limeira vindo de Piracicaba, com as cidades de Americana e Sumaré como as próximas do itinerário.
A jornada atual começou há mais de um ano. "Ainda devo percorrer mais 40 cidades do Estado antes de ir para o Paraná, por onde já passei também. Já conheço todos os Estados brasileiros", conta.
Ele envia as bandeiras para sua casa, a cada 10 recebidas. E a trajetória tem, há seis anos, patrocínio da rede de escolas de idiomas Wizard. "A instituição prevê apoio para projetos especiais, e houve uma simpatia com a proposta do Carlos, já que o esporte é uma das defesas da rede", disse o diretor da unidade de Limeira, Kléber Baptista.



VIDA NA ESTRADA

A pedalada começou quando Ribeiro tinha 38 anos e morava na cidade de Jardim, no Mato Grosso do Sul. Então pedreiro e analfabeto, com poucas oportunidades numa cidade pequena, percorreu três Estados brasileiros em busca de mudanças. Por quase dois anos fez as viagens contando com a sorte, e pedindo.
Antes de iniciar a maratona, só pedalava na cidade. Os efeitos colaterais dos primeiros exercícios foram dores nas pernas.
"Não tenho treinamento específico. Durante o trajeto, só tomo água, e nada de carboidrato. Tenho alimentação simples, com arroz, feijão e salada", diz o ciclista que, de 2007 para cá, contabiliza mais de 70 mil quilômetros pedalados, já na sexta bicicleta.
"Dá tranquilamente para andar mais de 100 quilômetros por dia, em médias de 15 km/h até 40 km/h, em algumas serras. Pedalar na cidade cansa mais do que na estrada. Os grandes centros são os locais mais difíceis, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde fui parar na Linha Vermelha e nem sabia onde estava". Numa mesma região, em viagens curtas de uma cidade a outra, a rotina é mais de palestras e entrevistas do que de pedaladas, lembra.
As bandeiras do Brasil na bicicleta facilitam o seu reconhecimento nas vias, o que não impede que seja desrespeitado. "Já aconteceu de jogarem uma garrafa em mim na rodovia, mas peguei a placa e denunciei para a Polícia Rodoviária", relata ele, que só pedala de dia e não teme ladrões, já que não anda com nada de valor.
Mesmo com a agravante da situação das metrópoles, ele pontua como a rodovia mais complicada a BR-101, na Bahia, em que os caminhões andam a 40 km/h, além das do Maranhão. "Em comparação a estas, as de São Paulo dão de dez a zero".

SOLUÇÃO PARA O TRÂNSITO
Em suas viagens, ele também dá palestras em escolas, incentivando o uso da bicicleta e da corrida atrás dos sonhos, como o dele, de forrar o Maracanã com as bandeiras. "Quem busca, consegue", garante.
Ele defende os benefícios da bicicleta como meio de transporte. "Se cada um deixasse de usar o carro e fosse trabalhar de bicicleta, seria um veículo a menos no trânsito, além da redução da poluição e o principal, que é garantir mais saúde", lista. Mas acrescenta que os ciclistas também têm o que aprender, para contribuir. "É importante que o ciclista respeite. Alguns confundem a calçada com a rua, o que não pode acontecer".
Nas épocas em que volta para casa, também não fica longe do pedal. "Se passar dois os três dias, já começo a ficar inquieto para pedalar de novo". Tombos? Vários. Mas, sérios mesmo, "só" dois. A pedalada blinda a sua saúde. "Não deixo de pedalar nem na chuva, e não uso capa. E em todo esse tempo também nunca fiquei doente".

Publicado na Gazeta de Limeira.