sexta-feira, 3 de março de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Limeira tem desapropriações emperradas desde os anos 80

Processos estão na Secretaria de Urbanismo ou Jurídico e volume ainda é desconhecido

Daíza Lacerda

Para o crescimento viário do município, são inúmeras as vias que passaram por cima de propriedades para dar alternativas aos motoristas ou abrir passagem às novas regiões. Mas, mesmo com vias mais do que estabelecidas, há contas de desapropriações que ainda não foram encerradas, seja pelo pagamento ou pela documentação pendente.
A desapropriação publicada ontem no Jornal Oficial, da rua Isaura Santos di Sessa, no Jardim Roseira é apenas uma situação de um volume desconhecido da atual gestão. O processo, do início dos anos 2000, só teve o decreto publicado agora, com o pagamento da desapropriação ainda em aberto.
A situação é explicada pelo secretário de Urbanismo, Matias Razzo. Devido a outras prioridades, como loteamentos em aprovação e outras regularizações, a situação das desapropriações incompletas ainda não foi levantada, mas já foi possível identificar que há processos da década de 80, como da marginal Tatu, como exemplifica o secretário.
"Temos atendido à demanda que surge, como um caso levado no atendimento na praça. A área estava paga, mas a documentação não estava resolvida, e demos encaminhamento", cita, num dos casos que também era da década de 80.
Há outras situações mais recentes, como da via Guilherme Dibbern, em que proprietários contestaram o valor oferecido. A questão vai para o Jurídico e demanda mais tempo.
Razzo salienta que há tanto processos pagos com documentação incompleta quanto os que ainda não foram saldados. Sobre o acúmulo, avalia que, além desses processos não terem recebido a devida atenção, há demandas da parte técnica, em corpo restrito, além da burocracia da passagem por outros órgãos. Ele explica que há a intenção de fazer um pente-fino, já que as pendências podem complicar negociações com imóveis. Além das desapropriações, há permutas. Além do decreto publicado nesta semana, por enquanto não há nenhum outro na fila para desenrolar da desapropriação.

0029 - JB Anthero/Arquivo Gazeta
Razzo: devido a outras prioridades, situação de desapropriações ainda ainda não foi detalhada

MP quer extinção do mandato de Dudu em 48h

Órgão considera lei federal e jurisprudência para perda independentemente de votação

Daíza Lacerda

O Ministério Público (MP) formalizou, na quarta-feira, recomendação para que o presidente da Câmara de Cordeirópolis, Laerte Lourenço (PMDB), faça a extinção do mandato do vereador Rinaldo de Lima (PMDB), o Dudu. Ele foi preso no início de janeiro, após condenação transitada em julgado por contravenção envolvendo máquinas caça-níquel. No mês passado, Dudu teve autorizado o regime aberto, e termina de cumprir a pena de três meses em sua casa. Ele foi o terceiro vereador mais votado, e fazia parte da Mesa Diretora, como vice-presidente da Casa.
Em documento assinado na última quarta-feira, o promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua deu prazo improrrogável de 48 horas para que Lourenço formalize a extinção do mandato de Dudu. O Legislativo suspendeu o mandato pelo prazo do cumprimento da pena, atendendo ao regimento interno. Em meados de janeiro, o MP abriu inquérito buscando a extinção, com base em situação prevista na lei federal e também em jurisprudência já aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em resposta, a Câmara optou por obedecer a lei orgânica municipal, que prevê a extinção, desde que a situação seja votada em plenário e o vereador tenha chance de ampla defesa. Para isso, foi elaborado um projeto de decreto legislativo. A peça que foi lida na primeira sessão ordinária da nova formação da Câmara, em 7 de fevereiro, quando os vereadores se manifestaram contra a responsabilidade de decidir o futuro de Dudu.
No entanto, a linha adotada pela Câmara não foi aceita pelo MP. Na recomendação, o promotor considera que o regimento e a lei orgânica "são flagrantemente contrários à interpretação sistemática" de dois artigos da Constituição Federal, além de orientação do STF.
Ainda citando jurisprudência do STF, o MP reforça que "cabe à Câmara apenas formalizar a extinção do mandato e declarar sua vacância nas hipóteses em que há suspensão dos direitos políticos de vereadores e prefeitos municipais", o que deve ser feito "independentemente de deliberação do plenário". A ação deve ser comunicado à promotoria, sob pena de medidas judiciais cabíveis.
No documento, o promotor requisitou que a Câmara informasse em até 48 horas se acataria ou não a recomendação, apresentando os fundamentos no caso de negativa. Lourenço informou que recomendação foi recebida na manhã de ontem. A situação será avaliada e o posicionamento será dado na segunda-feira.


Publicado na Gazeta de Limeira.
quinta-feira, 2 de março de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Começa hoje prazo para declaração do IR

Contribuinte tem até 28 de abril para declarar; na região, quase 293 mil devem acertar as contas

Daíza Lacerda

A partir das 8h de hoje, contribuintes já podem começar a acertar as contas com o leão, no início do prazo para declaração anual do Imposto de Renda da Pessoa Física. A entrega deve ser feita até às 23h59 do dia 28 de abril.
Na circunscrição da Delegacia da Receita Federal de Limeira, que abrange a sede e mais 33 cidades, a previsão é receber 292.875 declarações. Para Limeira, estão previstas 56.337; para Cordeirópolis, 4.352; em Iracemápolis, a expectativa é de 4.503 e, em Engenheiro Coelho, 1.865. No prazo, em todo o Brasil, são esperadas 28,3 milhões de declarações. No Estado de São Paulo, 9.072.104.
Entre os contribuintes que estão obrigados a fazer a declaração do IR estão aqueles que, no ano de 2016, receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 e aqueles com rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, acima de R$ 40 mil.
Já as restituições serão pagas em sete lotes, de junho a dezembro. O primeiro lote sairá no dia 16 de junho. A prioridade é a ordem de entrega das declarações, com preferência para pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, portadores de necessidades especiais e contribuintes com doenças graves.
O programa para emissão da declaração foi liberado na semana passada pela Receita, e passou por modificações neste ano. Entre as novidades está a atualização automática, sem a necessidade de realizar o download no sítio da Receita Federal na internet. A entrega também poderá ser feita sem instalação do Receitanet que, neste ano, foi incorporado ao programa, não sendo mais necessária a instalação em separado.
PARCERIA
Teve início o projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal da Receita Federal (NAF), uma parceria entre as Faculdades Integradas Einstein Limeira, a Receita Federal do Brasil e a delegacia da Receita Federal de Limeira. Os alunos de Ciências Contábeis da Faculdade Einstein, por meio do NAF, terão a oportunidade de vivenciar a prática profissional e receber orientações da Receita Federal sobre obrigações tributárias e, também, prestar atendimentos contábeis e fiscais gratuitos à comunidade.
No próximo encontro será realizado o primeiro treinamento sobre o Imposto de Renda 2017, unindo o grupo de alunos, professores e a coordenação do curso de Ciências Contábeis e Administração da faculdade. Os atendimentos à comunidade pelo NAF-FIEL começarão no primeiro sábado de março e serão pré-agendados. A programação é que esses atendimentos sejam feitos no período da manhã e, primeiramente, com foco nas orientações de geração e envio à Receita Federal da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física simples.


Publicado na Gazeta de Limeira.


Cordeirópolis reúne cerca de 50 mil pessoas no carnaval

Daíza Lacerda

Cordeirópolis encerrou o Carna Família 2017 na última terça-feira, com público comemorado pela organização. A Secretaria de Cultura calculou cerca de 50 mil pessoas nos quatro dias de festa, com início no último sábado. Só na segunda-feira foram 18 mil pessoas, conforme o Executivo.
O prefeito Adinan Ortolan (PMDB) comentou que o público foi até acima do esperado, mesmo considerando a crise econômica, que afeta a questão do comércio, sem que as pessoas gastem tanto quanto costumavam gastar. Outro ponto considerado por ele é lei seca, concluindo que são motivos que inibiram a participação de mais pessoas da região. "Nunca tivemos tantas pessoas num carnaval de Cordeirópolis como tivemos neste ano. Lembrando que as pessoas estão reconhecendo novamente o carnaval de Cordeirópolis como referência na região". Para o próximo ano, o prefeito já prevê a preparação para receber ainda mais pessoas. "Temos que melhorar cada vez mais a estrutura", considera ele, parabenizando a equipe organizadora e os participantes da festa. "É um povo que veio para se divertir, com pouquíssimas ocorrências. Realmente foi o carnaval da família".
Para o titular da pasta de Cultura, Nivaldo Menezes, o evento superou as expectativas, apesar de uma certa apreensão no início, mesmo com a experiência de outros carnavais no mesmo local. "Isso nos dava um certo conforto, mas não tranquilidade", pontuou. "Mas tinha muita gente, incluindo o público flutuante. A análise é positiva", destacando o funcionamento da boate simultâneo aos desfiles, como opção às outras "tribos", como os que gostam de som eletrônico, além do tradicional das marchinhas.
O secretário também destacou a situação financeira atual, considerando que "fazer o carnaval popular foi certeiro", já que as famílias tiveram uma opção gratuita, cada uma levando suas bebidas e petiscos para ver os desfiles. "A maioria dessas pessoas provavelmente não teria condições de curtir de outra forma", opina. Menezes também destaca os elogios recebidos pela conservação pública. "A cidade estava limpa às 7h, sem atrapalhar os que não gostam de carnaval, mas têm o mesmo direito de ir e vir".


domingo, 12 de fevereiro de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Prefeitura começa a "conhecer" ocupação Constante Peruchi

Diagnóstico detalhará situação socioeconômica de famílias, além de aspecto físico do local

Daíza Lacerda

Quem são, como e com quanto vivem e em quais condições são algumas das questões buscadas pela Prefeitura de Cordeirópolis junto aos moradores da ocupação às margens da rodovia Constante Peruchi, próximo da divisa com Santa Gertrudes. A Secretaria da Mulher e Desenvolvimento Social iniciou o recadastramento das famílias, em parceria com a Secretaria de Obras e Planejamento. Além da atualização das informações e levantamento da atual situação socioeconômica, são verificados os volumes construídos, para que sejam propostos estudos para regularização do bairro.
A situação presenciada foi de vulnerabilidade, apesar do espírito de comunidade, como explicou Elaine Siqueira, titular da Secretaria da Mulher e de Desenvolvimento Social. "Durante o recadastramento, foi possível identificar os laços de solidariedade enquanto potencial da comunidade. Nos deparamos com uma situação de extrema pobreza e condições desumanas de habitação, que atinge os moradores há mais de dez anos, e que foi negligenciada".
Entre os desafios está o alcance aos serviços. "O precário acesso às políticas públicas de proteção social, a inexistência de serviço de esgoto, dificuldades no acesso a água, a falta de intervenção dos agentes comunitários de saúde, falta de referência do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) enquanto equipamento da assistência social, alto índice de desemprego, trabalhos precários e a baixa escolaridade dos moradores" são vulnerabilidades listadas por ela. "A administração atual tem avaliado alternativas para minimizar os impactos e garantir maior dignidade às famílias e indivíduos, com garantia de uma atenção especial à questão das mulheres", disse.
OBJETO DE ESTUDO
A ocupação já foi estudada por Renan Sanches, atual secretário de Obras e Planejamento, que acompanha o novo diagnóstico. Apesar da pasta focar as condições físicas do local, não se desconsidera o fator humano, como defende, já que são famílias que vivem em condições insalubres. "Ao menos 90% dos casebres são feitos de partes de madeira, com telhas de fibrocimento, pequenas e quentes. Alguns tiveram condições de colocar contrapisos", descreve. Ele estima que o imóvel mais amplo tem cerca de 20 m², a metade de uma casa popular. "Em muitas situações é só um cubículo".
É neste meio que vivem cerca de 80 famílias, com predominância jovem, algumas com ao menos três filhos. No entorno, rodovia, linha férrea e área de preservação inspiram ambiente hostil, mas a ocupação teve início há quase duas décadas, numa área particular de uma empresa falida. A posse já foi alvo de briga judicial, mas, em 2011, a área foi declarada como de zona de interesse social.
"São pessoas em condições precárias, desempregadas, com parte em situação de extrema pobreza. O diagnóstico serve para saber como o Executivo buscará soluções para resolver, e como criar condições dignas para que cada um possa adquirir o seu espaço", explica.
O município ainda tem outros parcelamentos irregulares para lidar, como outros assentamentos, a exemplo do Santa Rita, numa ocupação mais organizada, conforme o secretário. Outra situação é o Engelho Velho, vendido como área de lazer, mas que passou a ser usado como moradia. O local também foi alvo de cobrança da Justiça, e passa por trâmites para a regularização.
"BOOM" INDUSTRIAL
A ocupação era uma situação nova para Cordeirópolis no início dos anos 2000, quando a cidade tinha população estimada em cerca de 10 mil habitantes. As oportunidades de trabalho com o avanço da indústria, principalmente cerâmica, começou a atrair pessoas de outros estados, como Minas Gerais e Pernambuco, que começaram a suprir a mão de obra que faltava para a expansão. "Não só o trabalho na indústria cerâmica, mas também a instalação da Nestlé e os serviços voltados a transporte encontraram mão de obra barata numa cidade em que poucos trabalhavam nessas áreas. A busca era também por qualidade de vida, pois uma cidade que arrecada mais deve ter mais equipamentos públicos", contextualiza, com a ressalva que nem todos os moradores da ocupação são de fora.
Apesar das circunstâncias de formação, ele salienta que a ocupação não teve a expansão que se poderia esperar. Outro fator é que a população tem acesso a equipamentos públicos do Jardim Eldorado, pela proximidade geográfica.


Levantamento teve encaminhamentos às políticas
públicas e busca alternativa habitacional às famílias
Foto: Divulgação/Prefeitura Cordeirópolis



Jardim Cordeiro II: melhoria
de construções é buscada


Para o secretário Renan Sanches, de Obras e Planejamento, o programa Minha Casa, Minha Vida desenvolvido no Jardim Cordeiro II é um exemplo da política habitacional mal direcionada, o que a atual gestão pretende evitar ao fazer diagnósticos que apontem onde estão as reais necessidades.
As 60 casas foram entregues com atraso às famílias mais carentes do município, depois do abandono de uma empreiteira e outra reassumindo. Problemas estruturais das casas foram diversas vezes apontados pelos moradores, que não tiveram festa ou formalidade na entrega das chaves, com imóveis sob risco de invasão diante da morosidade da entrega. O telhado de uma das casas chegou a desabar, e outros conviviam com chuva dentro dos cômodos.
Conforme Sanches, esta é uma das situações que demandam orientação técnica para construção de forma adequada. Mas, num projeto que já foi entregue com problemas, a atual gestão está acionando os responsáveis para melhorias nas construções. "Estamos levantando os processos em busca dos responsáveis para otimização e melhoramentos nas casas". (Daíza Lacerda)



GeoLimeira: acesso só após renovação da licença

Base de dados sobre o município em mapa está inacessível até novo processo de compra

Daíza Lacerda

A ferramenta GeoLimeira, um mapa do município no qual podem ser destacados itens como equipamentos públicos, como postos de saúde e escolas, não tem data para voltar a ser disponibilizada. O fim do acesso, que era feito por meio de link disponível no site da Prefeitura de Limeira, chegou a ser questionado na Câmara.
Secretário de Urbanismo, Matias Razzo explicou que a licença não havia sido renovada, o que está sendo providenciado. O processo está sendo retomado, mas ainda não há estimativa de datas ou valores.
Ele explica que a intenção é alimentar ainda mais o sistema, para ser usado como uma ferramenta de governo, com cruzamento de dados.
Eram disponibilizadas diversas bases de dados, como da Educação, Saúde, Ambiente e Mobilidade, permitindo a consulta de abrangência de territórios, por exemplo. São delimitadas áreas institucionais, dominiais, divisas, bacias e microbacias, em informações que podem ser usadas para fiscalizações. Também eram oferecidas as fichas imobiliárias sobre cada lote do município, com as informações de âmbito público, de publicidade permitida, como dimensões e dados do proprietário. A ferramenta teve amparo jurídico para ser disponibilizada, e é usada também por outros municípios, como São Paulo. 
Quem tentar acessar por outros meios, vai se deparar com campos de login e senha para acesso. Justamente para evitar esse tipo de confusão é que o link foi tirado do ar, como explica Razzo.
FOTO AÉREA
Ainda no âmbito digital, a secretaria prevê atualizar a base de fotos aéreas, usadas para fiscalizações para regularização onerosa e fundiária. A usada atualmente é de 2014, de satélite, sem resolução satisfatória que permita identificar mais detalhes. Razzo defende que a nova base é necessária devido a expansão de diversas áreas. 
O objetivo é fazer a compra das fotos que não sejam de satélite. No entanto, ainda não foi levantada a situação dos recursos, e a atualização pode ocorrer tanto neste ano quanto no próximo.


Com baixa adesão, aprovação
on-line deve passar por ajustes


Lançada oficialmente no final do ano passado após período de testes, o sistema de aprovação on-line ainda tem adesão tímida. Até a última semana eram 10 processos, 5 com pendências apontadas pela equipe técnica, 4 aguardando pagamento e 1 aprovado.
Conforme o secretário de Urbanismo, Matias Razzo, o sistema deve passar por ajustes. Tudo é feito on-line, mas possivelmente a apresentação final do documento não dispensará o papel e atestado em vias. Por enquanto, a opção é válida para aprovação de construções novas, residenciais e de até 500 m².
Razzo reforça que há planos de deixar o sistema mais completo, abrangendo outros tipos de aprovações. No entanto, além da construção desse sistema, são necessários equipamentos mais modernos para a operação e manutenção dos trâmites on-line. (Daíza Lacerda)

Condenação anterior de Dudu é extinta pela Justiça

Daíza Lacerda

Antes da condenação que o levou à prisão no início de janeiro, o vereador Rinaldo de Lima (PMDB), o Dudu, acumulava condenação anterior, em processo de 2012, no qual era responsabilizado por falso testemunho, com Josefa Severina de Oliveira. O caso também estava relacionado com máquinas caça-níquel no estabelecimento de ambos.
Decisão do juiz Leonardo Delfino, do último dia 7, extingue a pena aplicada a ambos em 2012 pelo juiz Marshall Rodrigues Gonçalves, que era de um ano e dois meses de reclusão em regime aberto, mas que foi substituída por prestação de serviços à comunidade.
A defesa de ambos sustentou que já se passaram mais de quatro anos da sentença transitada em julgado, considerando-se 24 de abril de 2012, o que justifica a extinção da punição, fundamentada no Código Penal. O Ministério Público deu parecer contrário, sob o argumento de que o prazo deveria ser contado a partir da condenação para ambas as partes, que seria 28 de maio de 2015. No entanto, o juiz considerou que "o marco inicial para contagem da prescrição da pretensão executória é o dia em que se operou o trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação, nos termos em que dispõe o art. 112, inciso I, do Código Penal".
Desta forma, a decisão expõe que o crime prescreveu em 24 de abril de 2016, o que leva à extinção da punição aos réus.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Acordo terá prazo de 1 ano para ações na Limeira-Cordeirópolis

Prefeitos de Cordeirópolis e Limeira se reuniram para debater providências

Daíza Lacerda

Pela primeira vez, as responsabilidades acerca da rodovia Dr. Cássio de Freitas Levy, a Limeira-Cordeirópolis, serão colocadas no papel em acordo entre as duas prefeituras. Esta é uma das definições do encontro entre os prefeitos Adinan Ortolan (PMDB), de Cordeirópolis, e Mario Botion (PSD), de Limeira, na tarde de terça-feira.
Adinan já havia anunciado que aguardaria prazo de seis meses a partir do início do mandato de ambos para efetivas medidas acerca da via, que acumula reclamações sobre a segurança e manutenção, não condizentes com a arrecadação do pedágio, que vai para os cofres do Executivo de Limeira. Conforme o prefeito cordeiropolense, na conversa foi definido o prazo de um ano para levantar custos de ações de itens como a duplicação. A contagem será a partir do convênio a ser firmado entre os municípios, que deve ser submetido ao Legislativo das duas cidades.
O acordo deve prever responsabilidades de Limeira enquanto detentora dos recursos do pedágio, o que nunca foi formalizado. Botion informou que as demandas colocadas devem ser avaliadas. Entre elas estão melhorias na chegada de Cordeirópolis, em intervenção que ainda será detalhada posteriormente, incluindo os custos. "Há problemas como a drenagem na rotatória da entrada. Já um projeto maior pode ser visto a longo prazo, conforme o que o diagnóstico determinar", disse, referindo-se ao levantamento que será feito pelo Executivo limeirense.
A minuta de cooperação já traz acordos em linhas gerais, mas pontos específicos da manutenção e obras emergenciais devem ser negociados entre os municípios. A expectativa é ter o convênio assinado em março.
DIAGNÓSTICO
Não há levantamento algum sobre a rodovia, o que será feito pela Prefeitura de Limeira como ponto de partida. Deve ser contratado um projeto para dimensionar tanto o tráfego quanto o custo da duplicação, além da real receita e despesa do pedágio. "Será um estudo abrangente para apontar o melhor modelo a ser adotado, se a concessão, duplicação ou parceria público-privada. É um assunto importante e deve ser tratado tecnicamente, não ficar no 'achismo'", ressaltou Botion, sobre análise que deve também se estender no âmbito jurídico.
Sobre as tentativas frustradas da gestão anterior em iniciar um projeto, Botion explicou que o processo não chegou a ser finalizado, e será retomado. Serão verificados os fatores que impediram o avanço, para os ajustes. "Não houve tempo hábil para levantamento dessa situação, mas, com essa conversa para uma solução conjunta, será buscado", informou.
ETE
O prefeito de Cordeirópolis também foi cobrado sobre a execução da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), cuja obra sofreu atrasos. Enquanto isso, o esgoto do município ainda é lançado em Limeira, no Ribeirão Tatu. Apesar da previsão de término da construção em maio, ele considera atrasos, com a conclusão mais provável até o fim do ano. "Desta forma, duas grandes pendências entre os municípios devem ser resolvidas em um ano", acredita Adinan.
O chefe do Executivo de Cordeirópolis acrescentou que também entrou em contato com o promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua, que acompanha a situação da rodovia no âmbito do Ministério Público, para atualização do acordo entre os municípios. "Embora a ação civil pública seja contra Limeira, Cordeirópolis vai acompanhar oficialmente", disse. Também reiterou a cooperação limeirense. "Botion foi muito positivo e receptivo. É um assunto enrolado desde 1998, e agora temos um cronograma. Estamos próximos de um final feliz desta novela".


Adinan e Botion chegaram a acordo
sobre rodovia Limeira-Cordeirópolis
(Foto: Adilson Silveira/Prefeitura de Limeira)


Vereadores se queixam sobre decisão da situação de Dudu

Parte do Legislativo se manifestou na primeira sessão, realizada na noite de terça-feira

Daíza Lacerda

A responsabilidade de decidir o futuro de um de seus pares levou vereadores de Cordeirópolis a se manifestarem na primeira sessão, realizada na última terça-feira. O encontro teve a leitura do Projeto de Decreto Legislativo sobre a perda do mandato do vereador Rinaldo de Lima (PMDB), o Dudu. Preso em 5 de janeiro por contravenção penal envolvendo máquinas caça-níquel, Dudu agora cumpre a pena de três meses em regime aberto, em sua residência.
O projeto parte de reação da Câmara diante de inquérito instaurado pelo Ministério Público, que cobra a extinção do mandato de Dudu devido à condenação transitada em julgado, e não apenas a suspensão, como adotou o Legislativo, com base no regimento interno.
Diante da reivindicação, vereadores decidiram seguir a Lei Orgânica do Município, que prevê a extinção no caso de condenação. No entanto, o ato não pode ser da Mesa Diretora, mas tem de passar pelo aval de todos os vereadores, com direito de defesa do vereador.
No final da tarde de ontem, o projeto lido na sessão de terça ainda não estava disponível no sistema on-line da Câmara. No portal, a assessoria disponibilizou as manifestações na Tribuna Livre de cinco vereadores diante da incumbência, como do presidente Laerte Lourenço (PMDB): "Não podemos ter a responsabilidade em decidir essa questão do vereador, pois de acordo com o ofício recebido, o MP quer atribuir à Câmara uma função que era deles durante o período eleitoral e agora quer forçar essa Casa a consertar o equívoco que eles, ou o Poder Judiciário propriamente dito, cometeram".
Cássia de Moraes (PDT) também fez uso da palavra, lembrando do processo de habilitação junto à Justiça Eleitoral, para que pudesse lançar a candidatura, assim como fez o vereador Dudu. "Fui eleita de forma democrática e com o intuito de legislar em prol da nossa cidade, e fiscalizar o Poder Executivo, não para julgar ou validar a candidatura de um outro vereador. Reitero a todos que farei da forma mais clara e objetiva possível, me embasando nos documentos oficiais, nos pareceres jurídicos e principalmente pensando no bem da cidade", declarou.
Para Cleverton Nunes (PMDB), o Carioca, "foi jogado às nossas mãos um julgamento que o Ministério Público tinha obrigação em realizar. Todos os documentos foram entregues, certidões negativas, enfim, foi eleito, diplomado e empossado. Faremos da melhor maneira possível e seguiremos o que determina a lei".
Sandra Santos (PT) considerou que "ele teve 379 votos e hoje está sendo representado pelos seus eleitores, e antes mesmo em se espalhar boatos e calúnias por redes sociais, deveriam conhecer melhor todo o processo que se chegou e não simplesmente julgar, e não cabe a nós fazermos isso".
O vereador Geraldo Botion (PSDB) lembrou que, "para poder registrar a candidatura, a Justiça pede inúmeros papéis e documentos, os quais ele apresentou e foram passados pelo crivo deles. Fui eleito para legislar, e solicitar ao Executivo o que está faltando aos munícipes, e não determinar e julgar o vereador, esse ofício cabe à Justiça que está melhor preparada e amparada, e não a nós".
PROPOSTAS
A sessão iniciou com a aprovação de quatro requerimentos, sendo um do vereador José Geraldo Botion (PSDB), que apela à Elektro para que determine o remanejamento dos postes em rotatórias da Rodovia Constante Peruchi. Os demais são do vereador Anderson Hespanhol (PPS), para a criação de mais uma sala do 6º ano na escola Odécio Lucke, e votos de congratulações à empresa Google e Nuvem Mestra.
Há dois projetos de resolução que serão discutidos para aprovação. Um prevê a criação da Câmara Participativa, proposto pelo presidente Laerte Lourenço (PMDB). Já a criação do Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) foi proposta pela Mesa Diretora. Houve 23 indicações, 8 do vereador Antonio Marcos da Silva (PT), o Lemão, 9 do vereador Cleverton Nunes (PMDB), o Carioca, e 6 de Anderson Hespanhol (PPS), o Pique.


Em sessão, parte dos vereadores se posicionaram sobre
condição prevista em lei para extinção de mandato (Foto: Divulgação)

Publicado na Gazeta de Limeira.
domingo, 8 de janeiro de 2017 | By: Daíza de Carvalho

Robinho: falta uma perna, mas sobra disposição


Robinho adotou o lema "o limite é só o começo",
que resume a sua jornada
(Foto: JB Anthero/Gazeta de Limeira)

Limeirense que passou por dois cânceres e uma amputação busca o triathlon paralímpico

Daíza Lacerda

Muita gente começa o ano com o propósito de se movimentar como uma das resoluções. Para Douglas Aparecido Antonio, o Douglas Robinho, de 28 anos, ficar parado não é uma opção. Com uma das pernas amputada há mais de um ano, o rapaz mergulha no esporte como filosofia de vida, sem ter deixado se abater por dois cânceres que o acometeram antes da amputação.
A sua história é conhecida dos gupos de ciclismo de Limeira, já que o limeirense se dedica a pedalar cerca de 60 quilômetros quase todos os dias. Sem prótese. O equipamento, que é alívio de alguns, já significou um peso para quem se redescobriu voando sobre rodas. Isso porque uma prótese interna é que limitava o rapaz, que ganhou as ruas e trilhas quando se viu, finalmente, com uma perna só.
O apelido Robinho remete ao início da adolescência, quando jogava futebol. Com 14 anos, passou pelo Independente, Inter e Guarani. Sem incentivo, a carreira não deslanchou e o jovem deixou o futebol para trabalhar, aos 15 anos.
Foi há 11 anos que ele teve diagnosticado o primeiro câncer, maligno, que atingiu o fêmur e o joelho esquerdos. Seguindo a orientação médica, não amputou, mas recebeu uma prótese interna. Foi quando adotou a natação para recuperação, em esporte que não deixou nunca mais.
A perna era só "para inglês ver", já que a falta de movimentos mais o limitava do que ajudava. "Não conseguia dobrar. Além da musculatura fragilizada, que não respondia aos movimentos, tinha um encurtamento de 9 centímetros. Já era dependente da muleta", conta. Nessa condição ele já participava do projeto de Cicloinclusão, mas só conseguia usar triciclo, bem longe das trilhas. 
MENOS É MAIS
Quatro anos depois do primeiro câncer, foi identificado o segundo. Desta vez, na virilha, também do lado esquerdo. Robinho encarou as quimioterapias, fez tratamento por oito meses no Instituto do Câncer em São Paulo e seguiu a vida. Passada mais de uma década da implantação da prótese, o "corpo estranho" é que começou a dar problema. "Depois de tanto tempo, houve rejeição da prótese, e havia risco da infecção se espalhar. Só aí houve decisão médica pela amputação, que eu já queria desde a primeira intervenção", explica.
Por ter contato com várias pessoas amputadas, ele já colhia informações sobre o que esperar, como possibilidades de infecção e processo de cicatrização e recuperação, o que tornou o processo ainda mais tranquilo. "Foram experiências que me ajudaram também psicologicamente", acrescenta.
Quando pedalava com triciclo, a perna com prótese era como um bebê que tinha que ser protegido de todas as formas. Qualquer batida poderia representar danos muito maiores ou longos tratamentos com medicações, tudo o que ele não queria. Por isso a amputação foi uma porta para a liberdade.
"Ficou muito mais fácil praticar esportes. Comecei a pedalar amarrando o pé no pedal, me equilibrando. Depois fui pegando mais confiança com o firma pé, e fiz trilhas assim por um mês. Tive ganho muito rápido e parti para a sapatilha. Afinal, com um ou dois pés, se tiver que cair, vou cair", diz ele, sobre o calçado que se encaixa no pedal, capaz de provocar tombos bobos até que o ciclista ganhe habilidade em usá-lo.
ALÉM
O início de treino em corrida é com o objetivo de disputar provas de paratriathlon ainda este ano. Só que, em vez de cadeira, ele vai de muletas. Ainda está se acostumando com as dores, mas nem a cadeira e nem a prótese são opções. Como ele sofreu uma desarticulação de quadril, não tem coto, e a prótese específica custa R$ 95 mil. Ele até usa uma no dia a dia, mas a apropriada para o esporte é inviável.
Afastado de seu emprego no comércio há 11 anos, Robinho deve voltar a trabalhar neste ano. Enquanto isso, recebe ajuda de parceiros que viabilizam equipamentos, orientam em treinos e apoiam para os provas, que têm custo de hospedagem, inscrição e transporte. "Minha vida de esportista só é possível com essas parcerias. Quero fazer provas mais longas, mas como amador, para poder relatar as experiências em meu livro", anuncia, sobre material preparado para este ano. Apesar da preparação para o triathlon, mais comum no asfalto, suas primeiras provas devem ser em trilhas.
SEM LIMITES
Ao fazer um balanço de suas experiências e sua condição, Robinho argumenta que "problemas todo mundo têm, a diferença é como cada um encara". Ele prefere viver de forma intensa, se questionar. Adotou como slogan que "o limite é só o começo", que resume a sua jornada. "Toda vez que parecia que algo ia me limitar, eu pude viver de outra forma. Então pergunto: de que forma se quer viver?".
O rapaz de uma perna só é sustentado por um tripé: Deus, família e amigos. "Sem essa base eu não conseguiria atingir nenhum dos meus objetivos". A posição otimista é tão natural que ele às vezes estranha tanta dificuldade que os outros veem e ele não. "É o que tenho, e tento fazer as coisas com prazer".
Robinho pode ser contatado pelo e-mail douglasrobinho7@hotmail.com e pela página do Facebook Douglas Robinho.