quinta-feira, 23 de abril de 2015 | By: Daíza de Carvalho

Nanette Konig testemunha a sobrevivência do Holocausto

Daíza Lacerda

"Eu era um mero esqueleto, quase sem carne. E ela, pior. Foi um milagre que pudéssemos nos reconhecer". Foi desta maneira que Nanette Blitz Konig descreveu o seu reencontro com a amiga Anne Frank num campo de concentração, durante o nazismo. Aos 86 anos de idade, a sobrevivente do Holocauso que vive no Brasil contou suas histórias e experiências no auditório do Senac Limeira, na tarde de ontem.
A vinda de Nanette faz parte do projeto de Cultura de Paz da instituição, e sua experiência de vida despertou a atenção de jovens estudantes e outros espectadores já não tão jovens. A sobrevivente, que vive no Brasil desde 1953, quando se casou, contou que ainda tem pesadelos do que ainda não é uma ameaça totalmente descartada. "É um perigo até hoje", afirmou.
Não só os horrores do passado, mas as complexidades do presente foram abordados por ela. As manifestações recentes pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, são ineficazes na visão da sobrevivente. "Não adianta se livrar da presidente. É preciso acabar com todos os corruptos. A mentalidade da corrupção faz parte da existência do povo, existe desde dom Pedro".
Eloquente em suas defesas, Nanette colocou em questão a verba dos fundos partidários, que podem ter aumento aprovado. "O governo está poupando para pagar multas. Mas adivinhem quem vai pagar? Ou será que sou maldosa?", disse, com sarcasmo que teve a reação da plateia.
A sobrevivente resgatou, com palavras, o passado histórico inimaginável para a geração daqueles que a ouviram. "Não há lembrança pior ou melhor. Tudo foi terrível. Quem viu, ficou traumatizadíssimo".
Bem disposta, Nanette lidou com a tietagem de seus espectadores ao fim da palestra. A maioria queria registrar, em fotos, a presença daquela que viveu para contar. E para alertar.

Foto - JB Anthero/Gazeta de Limeira
Experiência de vida de Nanette Konig despertou curiosidade dos ouvintes
Publicado na Gazeta de Limeira.
sábado, 18 de abril de 2015 | By: Daíza de Carvalho

Receita fecha o cerco para fraudes em declaração de pessoa física

Extração será feita em todos os municípios da jurisdição, em cinco anos-calendário

Daíza Lacerda

A Receita Federal deflagrou ontem operação nacional para coibir fraudes em declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física. O foco são as declarações de despesas fictícias com pensão alimentícia, além daquelas de instrução (de estudo) e médicas, que podem aumentar a restituição ou reduzir o imposto a pagar. Na região, em Mogi Mirim e Mogi Guaçu, a delegacia da Receita em Limeira já identificou 1,5 mil declarações com fortes indícios dessas irregularidades, como anunciaram o delegado Francisco Carlos Serrano e o assistente de comunicação, Valter Koppe.
As informações partiram da mineração de dados, que apontaram para determinado tipo de comportamento em vários procedimentos idênticos. As 1,5 mil declarações partiram de dois computadores, sendo 900 de Mogi Mirim e 600 de Mogi Guaçu, fontes que podem ser escritórios clandestinos. Os casos identificados são apenas de 2013, e a mesma varredura será feita nos 34 municípios da jurisdição, nas declarações dos últimos cinco anos.
Das declarações investigadas, 60% do indício de irregularidade está na pensão alimentícia, em casos que chegaram ao valor declarado de R$ 20 mil anuais. Os demais são de instrução e saúde, com grande volume de declarações apontando estudantes na FGV.
CRIMES E CIFRAS
Das duas fontes das declarações, o responsável por uma delas já foi notificado, assim como alguns contribuintes. Foram identificados profissionais como advogados, dentistas, médicos, além de grandes grupo de funcionários de empresas em comum.
São R$ 14 milhões em declarações usados para abater imposto, dos quais cerca de R$ 9 milhões devem ser apurados e ressarcidos, considerando 27,5% de imposto e 150% de multa.
Eles explicam que os indícios são fortes, com a estimativa de 90% dessas declarações terem sido, de fato, fraudadas. Num dos casos, o contribuinte declarou pagamento de pensão alímentícia, mas, ao ser procurado pela agência, quem atendeu o telefone foi a própria esposa. A multa mínima é de 75%, considerando que a pessoa apresentou falsa despesa a ser deduzida. A multa é agravada para 150% quando há prova de que houve fraude, além dos 27,5% do imposto e a representação criminal, que deve ser investigada pela Justiça Federal. O contribuinte pode responder pelo crime de falsidade ideológica e crime contra a ordem tributária.
AUTORREGULARIZAÇÃO
Até que sejam notificados, esses contribuintes podem proceder com a autorregularização, retificando as declarações. Porém, quem já foi notificado, não consegue mais alterar as informações. Serrano relata que contribuintes já começaram a se mobilizar para pedir a retificação, o que foi notado nas agências de Mogi Mirim e Mogi Guaçu. Num dos casos, a pessoa questionou se é válido registrar boletim de ocorrência, quando a declaração foi feita por terceiro. "É válido, e a pessoa pode se isentar do crime, mas não do imposto e da multa".
O tipo de verificação que leva à identificação de fraudes deve ser frequente. "Estamos investindo em cruzamentos, com ferramentas que dão subsídios para que cheguemos a informações mais próxima da realidade. Não afirmamos todas, mas 90% dessas declarações são fraude.
Esse tipo de investigação começou há cerca de seis meses em Brasília, batizada como operação "Filhos do Vento", por se tratar de pensões inexistentes. Agora, mais de 25 mil contribuintes em todo o Brasil serão intimados a comprovar os pagamentos relacionados em suas declarações. As intimações devem ocorrer nos próximos 30 dias.

Foto - JB Anthero/Gazeta de Limeira
Koppe e Serrano: declarações de R$ 20 mil em
pensão entre situações que chamaram atenção


domingo, 1 de março de 2015 | By: Daíza de Carvalho

Flavio Prada: um militante limeirense na Itália

Sem partido, Flavio Prada tentará se eleger prefeito de Riva del Garda, em Trento

Daíza Lacerda

Se estivesse no Brasil, o limeirense Flavio Prada, de 54 anos, provavelmente teria participado das manifestações de junho de 2013. E, quem sabe, poderia marcar presença nos protestos programados contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Mas o mensalão, Operação Lava-Jato e alta de impostos não fazem da política brasileira, necessariamente, um exemplo de corrupção. Apesar das falhas indignarem a população, há locais com problemas mais complexos. E, quem diria, na Europa. É o que argumenta Prada, que se prepara para o pleito municipal de Riva del Garda, cidade da província de Trento, na Itália, país onde vive há 14 anos com a família.
À beira do lago Garda, a cidade de 17 mil habitantes tem o turismo como ponto forte. Pelas fotos, o local parece convidar ao descanso, mas o que levou Prada à disputa da prefeitura foi a movimentação. Sem partido, o seu grupo é o 5 Stelle, ou Cinco Estrelas, nascido na internet como mobilização pelo descontentamento com os rumos que a cidade e o país, imersos na crise europeia, vêm tomando.
Lá, as condições políticas são totalmente diferentes do Brasil, como explicou o candidato de dupla cidadania à Gazeta. "A Itália é uma república parlamentarista. Nesse sistema, o prefeito é obrigado a governar com maioria. Se ele a perde nas votações, é destituído do governo. Ou seja, seu mandato dura conforme a sua atuação e não há data específica para as eleições".
Não é este o caso que levará o nome de Prada às urnas. A eleição, regular, está marcada para 10 de maio e sua campanha só começa oficialmente em 1º de abril. Seu nome só ficou conhecido como concorrente devido às comprovações obrigatórias de idoneidade, e ele ainda não sabe quantos ou quem serão os seus rivais nas urnas. Por enquanto, acredita que pelo menos o atual prefeito, no poder há duas gestões (uma como vice), deve se canditatar novamente. Lá também vale tanto o voto no candidato quanto no partido. O mandato é de cinco anos e a pessoa pode não só se reeleger como acumular cargos, como de prefeito e senador, graças às brechas na lei.
ESBANJANDO
Essas brechas são o diferencial negativo na política italiana, como pontua Prada na comparação com o Brasil. "A Itália está numa situação econômica e política complicadas. A atividade política é pior que no Brasil, com um custo absurdo. Uma das nossas batalhas é cortar metade dos custos. A lei não diz que não pode acumular cargos e salários, com senadores ganhando 20 mil euros por mês, o que é absurdo para um país em crise".
Se José Sarney é uma figura clássica no Brasil sobre a longevidade política, ele cita ainda a casta de políticos que se perpetua no poder há mais de 40 anos e as altas cifras de financiamento de partidos. "Teríamos direito a 42 mil euros, mas o nosso movimento, que nasceu dentro da rede, recusou. Queremos mostrar que é possível fazer política sem dinheiro público. Esse dinheiro, de impostos, acaba usado para compra de votos".
Caro e inchado. Assim é o parlamento italiano. Ele conta que são mais de mil pessoas entre Senado e Câmara, numa "divisão territorial absurda". "Propomos uma fusão territorial de municipíos, pois há locais com 400 habitantes, que é a população de um condomínio". O plano serve para outras quatro cidades vizinhas a Riva del Garda, que totalizariam 45 mil habitantes.
O MOVIMENTO
Sem diretório ou tesoureiro, o movimento 5 Stelle teve origem na rede, num blog italiano, e remete a cinco princípios fundamentais defendidos pelo grupo, inclusive voltados ao meio ambiente, como a defesa à energia renovável. Por não ser um partido, a definição do candidato foi feita em processo interno, com Prada escolhido pelo grupo. Apesar dos vícios do governo listados por ele, quem tem problemas na justiça não pode se candidatar. E foi no processo de comprovação da ficha limpa que seu nome vazou antes do período de campanha.
Entre as questões que deve encarar caso seja eleito, está a economia do município, baseada no turismo. Em determinadas épocas, como nas feiras de exposições, turistas alemães, ingleses e holandeses enchem os cerca de 60 mil leitos de hotéis. A cidade ainda conserva a agricultura, mas Prada vê o município se descaracterizando. "Começamos a ter problemas ambientais com o turismo predatório, perdendo a tranquilidade. Associada à crise, a situação acarreta distorções enormes". Ele não vê sentido na destruição de áreas de preservação para construção de hotéis, se são justamente as paisagens que atraem os turistas. Além disso, com a crise, o setor hoteleiro tende a importar mão de obra barata, mantendo os trabalhadores locais sem emprego. Ele acusa a prefeitura atual de favorecer construtoras. "Nunca se destruiu e construiu tanto em áreas verdes ou de agricultura, acabando com as belezas naturais que os turistas buscam. Além disso, a cidade morreu culturalmente".
O blog onde nasceu o movimento foi um dos mais visitados do país ao focar os vícios da atuação política italiana. "Não somos antipolíticos, mas queremos recuperar a política de verdade, trazê-la para o cidadão comum. São 150 deputados com 17 mil euros de custo de campanha. Um partido tradicional consome 50 milhões, que vai para o bolso de muita gente. Mas a cada dia que passa, alguém acorda desse sono. Nosso modelo é a Suíça, com democracia direta e participação popular em plebiscitos, onde a população decide se irá fazer um projeto ou não. Se funciona lá, pode funcionar em qualquer lugar".

Flavio Prada: há 14 anos na Itália, foi
escolhido por movimento para concorrer eleições

Riva del Garda, na província de Trento:
candidato quer impedir turismo predatório

Quem é Flavio Prada

Arquiteto, nasceu em Limeira, na região central, onde sua mãe ainda mora atualmente. Aos 18 anos mudou-se para São Paulo e, posteriormente, para Florianópolis-SC, antes de ir morar na Itália em 2001 com a esposa e três filhos ainda pequenos. O primeiro local em que viveu foi Vigolo Vattaro, a cidade de madre Paulina. Depois, mudou-se para Riva del Garda, onde se estabeleceu para a retomada da carreira profissional.
Seu pai, um dos fundadores da Companhia Prada em Limeira, nasceu na capital da província de Trento. A dupla cidadania não é problema frente aos eleitores. Ele conta que por vezes é referenciado como o que veio do Brasil, "o que é, em grande parte, valor agregado, pois os mais jovens veem o Brasil como um local de ideias novas".
Sua área de atuação também está em crise há três anos, e entre as outras atividades que desenvolve está o grupo musical com a família. Eles realizam concertos, inclusive com música brasileira, também apreciada no além-mar.
A última vez que veio ao Brasil foi em 2012. Ele não descarta um dia voltar, mas acha difícil viver novamente em terras tupiniquins devido o vínculo que a família tem na Itália. (Daíza Lacerda)

Flavio Prada e a família, que atua junto em apresentações musicais

"Brasil tem muito a ensinar"

"O brasileiro tem um estigma de achar que os outros sempre são melhores, mas temos grandes personagens. O Brasil tem muito a ensinar", afirma.
Apesar de países com origens, histórias e condições completamente diferentes, ainda que que tenham os mesmos problemas, ele defende que a Itália ganha na experiência em coisas complicadas. "O Brasil tem melhores definições no ponto de vista civil. A Itália, na prática, é uma ditadura. O primeiro ministro é nomeado pelo presidente da República. Temos hoje um governo nomeado sem eleição, pela terceira vez".
Ele conta que os cidadãos querem "acabar com os ladrões de cofres públicos e garantir a democracia real" e acabar com a "eleição de gente absolutamente corrupta".
A movimentação já causa temor nos altos escalões, que têm poder para mudar as regras do jogo, como explica Prada. "Já estão agindo para mudar a Constituição, indo na contramão. Roubam há décadas, e quando a sociedade se rebela, começa a incomodar". Na Itália, há menos regras estabelecidas. "O presidente faz o que quer. Pode dissolver a Câmara, se quiser".
A VIRADA
Mas se as coisas andam tão complicadas na Itália, por que permanecer lá? "Partimos de uma situação muito boa se comparada à média mundial. Considerando de onde saímos até onde podemos chegar, há um processo de empobrecimento. Saímos de um panorama planejado para a pobreza total".
Na queda livre econômica, cita que cerca de 300 empresas fecham por dia, deixando partes da população abaixo da linha da pobreza. "Pessoas que herdaram empresas de 150 anos perdem tudo e ainda devem. Vêm de uma situação histórica de produção que está sendo destruída".
Mas se tem uma coisa que ainda funciona é a aplicação de recursos. Prada conta que a carga tributária também é enorme e chega a 53%. "É metade do que produzimos. Porém, Trento é autônoma e os recursos são administrados na própria província. Ainda temos bons serviços, mas vemos piora da oferta nos últimos anos. Mas, no geral, temos boa escola e saúde públicas. Nunca fizemos uma consulta particular. Há uma decadência e poderia ser melhor pelo que o governo arrecada, mas neste ponto não se compara ao Brasil, pois funciona".
Não há inflação de preços, mas lobby de alguns setores cujos produtos ou serviços são os mais caros do mundo. "É o caso dos farmacêuticos. É impossível abrir uma farmácia, pois os estabelecimentos passam de pais para filhos. O mesmo com cartórios, em rede fechada. Monopolizam o setor e ditam os preços, independentemente de políticas fiscais".
Em recessão, a Itália iniciou o processo de deflação. "Alguns preços são estáveis há mais de 10 anos. Alguns chegam a baixar, o que no varejo funciona, mas no conjunto nacional é um drama".
O LADO BOM DA CRISE
Um passo para trás para avançar. Desta forma Prada resume as lições da crise, que pode estar contribuindo para que o cidadão europeu retome suas origens e, por consequência, uma vida mais equilibrada. "Somos a favor que a economia descresça, nesta loucura de consumo e produção. Estamos destruindo para fazer girar. A crise está levando as pessoas a produzirem no âmbito local, a viver de modo mais simples e menos impactante, o que é positivo. Com tecnologia, mas em outro ritmo, mais tranquilamente". (Daíza Lacerda)

Publicado na Gazeta de Limeira, também na capa.









Retomadas interdições no entorno do piscinão

Pavimentação e abertura de valas devem ser feitas simultaneamente na próxima semana

Daíza Lacerda

As ruas do entorno da construção do piscinão que receberam obras estão interditadas para pavimentação, e novos bloqueios serão feitos a partir de segunda-feira para a continuidade das escavações.
A obra será retomada com a abertura de vala na Rua Antônio Cândido de Camargo, que terá escavações entre as ruas Major Antonio Machado de Campos e Pedro Antonio de Barros. O acesso de quem sai da Avenida Piracicaba para a Antonio Machado de Campos será apenas local, já que em parte daquele quarteirão também haverá implantação da estrutura de drenagem. O outro trecho da via, mais próximo do Tiro de Guerra, ainda não terá escavação, mas também estará bloqueado, a não ser para acesso local. Portanto, a rua não estará acessível pela Avenida Piracicaba.
Segundo Osmar da Silva Júnior, presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), as sinalizações estarão nos locais, em atuação conjunta com a Secretaria de Mobilidade Urbana. A obra nas ruas é retomada após dois meses de paralisação, enquanto a empresa se recusou a prosseguir nesta frente devido aos atrasos do governo federal na liberação dos repasses. O orçamento é de R$ 25 milhões, por meio do PAC, em construção prevista para demandar dois anos.
ASFALTO
Em meio às incertezas da verba do governo, ficou pendente a pavimentação das ruas onde a obra foi executada no ano passado, o que causou inúmeras reclamações de moradores e usuários. A empresa pretendia segurar o serviço até que saísse novo repasse, ainda que estivesse previsto naquela etapa dos trabalhos. Quando concordou em efetuá-lo independentemente das verbas, as chuvas atrasaram o início do serviço, que agora está programado para ser executado entre a próxima terça e sexta-feira. Os locais já estão interditados, e a previsão é que os dois serviços, de pavimentação e escavação, sejam feitos simultaneamente.
Uma rua que ainda não terá retomada a escavação é a Major Antonio Augusto Botelho, onde a obra parou. Osmar explica que não haverá intervenções no local enquanto durar o período de chuvas de verão. "Nos outros locais as obras seguirão aceleradas, se o tempo assim permitir", acrescenta. A estimativa é demandar de 10 a 15 dias de obras a cada 100 metros, incluindo a abertura de vala, colocação da tubulação e pavimentação.

Publicado na Gazeta de Limeira.


Famílias do Geada querem devolução de verba por pagamento de terreno

Moradores sentem-se injustiçados por outros vizinhos não terem arcado com custo

Daíza Lacerda

Ao menos 290 famílias do Bairro Geada reivindicam da Prefeitura de Limeira os valores pagos pela aquisição de terrenos no local, em plano anterior ao bairro ter sido incluído no programa federal Minha Casa, Minha Vida.
Algumas moradoras explicaram que a maioria das famílias tinham dois contratos. Um pelo pagamento do terreno, feito à prefeitura, e outro com a Caixa, para aquisição da casa. Elas sentem-se injustiçadas por terem pago valor sobressalente, o que não foi arcado por outras famílias.
O pagamento dos terrenos teria iniciado em 2007, no governo Silvio Félix, e alguns teriam gasto cerca de R$ 7 mil em quase 30 mensalidades, em parcelas cujo valor variava de acordo com o salário mínimo. Os moradores ouvidos pela Gazeta afirmaram que, apesar dos contatos com a prefeitura, não houve resposta ou definição formais sobre a situação. "São dois contratos para o mesmo lote, e a prefeitura tem todos os registros do que pagamos", ressaltaram, em posse dos carnês. Eles querem receber os recursos de volta em dinheiro ou materiais, como os necessários para construção dos muros.
Se alguém garantiu a devolução do dinheiro, trata-se de promessa infundada, como alerta Eduardo Mecatti, assessor executivo da Secretaria da Habitação. Ele explica que eram 775 lotes, cujos interessados são de cadastro do ano de 2005. À época, foram assinados contratos com a prefeitura apenas para os lotes urbanizados.
Posteriormente, 395 lotes foram repassados para a Caixa Econômica Federal. Havia inadimplentes, que teriam sido chamados para negociação ou excusão, sendo que parte renegociou e voltou já pagando o governo federal, e não o município. "Com o dinheiro recolhido dos contratos foi feito um fundo, usando para a infraestrutura do bairro. Eram cobrados até 25% do salário mínimo. Quem passou para a Caixa, parou de pagar, já que o banco fez tudo com a construtora", explicou.
Ele salienta que, a não ser que quem pagou o terreno não tenha pegado a casa, não há irregularidade, pois o bairro é um só. "Quem pagou o lote se beneficiou com a casa, que é 90% subsidiada. Ou seja, paga-se apenas 10% do imóvel, usufruindo da infraestrutura. Ninguém está prejudicado".
Segundo Mecatti, será marcada uma reunião com as famílias para explicar que o dinheiro foi utilizado. No entanto, quem ainda assim se sentir prejudicado poderá procurar outras formas jurídicas de resolver a situação. "Não temos o que fazer. A pessoa tinha um contrato e optou pela casa".
Em 2009 é que foi feita a doação da área ao governo federal, com alteração em 2010 para o programa Minha Casa, Minha Vida. O contrato de construção foi assinado em 2012.
O assessor reitera que qualquer promessa de devolução do dinheiro não procede, e que outros desfechos dependerão de entendimento judicial.
LOTES COMERCIAIS
Está prevista para ocorrer até maio a venda de lotes comerciais no bairro. São 35 no Geada e outros 8 no Residencial Antônio Simonetti, que serão vendidos juntos. Mecatti explicou que será encaminhada para a Câmara o projeto de lei para autorizar a venda das áreas. Com aval do Legislativo, será feito o edital para concorrência pública, onde valerá o lance de maior preço pelo terreno. Segundo ele, estão sendo feitos os laudos de avaliação e abertura das matrículas dos lotes.


Entrega do IPTU começa e contribuintes já são notificados

No prazo, aposentados e pensionistas poderão requerer isenção do imposto

Daíza Lacerda

Os carnês do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) começam a ser entregues pelos Correios na próxima segunda-feira, 2 de março. A conclusão é até dia 25 do próximo mês, prazo em que o acesso à segunda via pode ser feito pela internet.
A Prefeitura de Limeira publicou ontem decreto que considera todos os contribuintes notificados da entrega sem aviso de recebimento. A medida é tomada nos últimos anos devido à inviabilidade da exigência de assinaturas na entrega do carnê. O decreto reitera que o não recebimento não exime o contribuinte dos acréscimos legais caso não pague até o vencimento, já que haverá prazo para retirada desses carnês.
Este ano são 114.729 carnês, com estimativa de arrecadação de R$ 96,6 milhões. Segundo Vicente Poleti, diretor de Receita e Fiscalização da Secretaria de Fazenda, a arrecadação em 2014 foi 28% inferior à expectativa. Dos R$ 83,4 milhões previstos, foram recebidos R$ 60,6 milhões. Neste ano, o IPTU foi corrigido em 6,41%, conforme variação IPCA de janeiro a dezembro de 2014.
O pagamento à vista terá desconto de 7%. A primeira parcela e o pagamento à vista começam a vencer em 10 de abril. Para valores até R$ 100, o pagamento será dividido em cinco parcelas. Acima desse valor, em nove vezes, com vencimentos de abril a dezembro.
Ao receber o carnê, pessoas com direito a isenção já poderão procurar a prefeitura. É o caso de aposentados ou portadores de doenças crônicas, que podem ter o benefício se atenderem outras regras previstas, como metragem do imóvel.  
Os carnês devolvidos pelos Correios devem ser retirados no Setor de Rendas Imobiliárias (SRI) a partir de 1º de abril. Já a segunda via do carnê poderá ser impressa pelo site da prefeitura (www.limeira.sp.gov.br), a partir do início da entrega dos carnês, no link '2º Via do IPTU'. Para mais informações, o contribuinte pode ligar para 3404-9660.
ATUALIZAÇÃO DE CADASTRO
Entre as situações que podem impactar no fato do Executivo não alcançar a receita esperada, está a desatualização dos cadastros. Um exemplo são os imóveis em espólio, cujos herdeiros precisam atualizar as informações na prefeitura, como explica Poleti. "Quando o proprietário morre, é feito o inventário. Quando termina, é feito o formal de partilha que deve ser levado à prefeitura para alteração", explica. O problema é que há os herdeiros que não levam o formal para a atualização, e a execução acaba em nome de um falecido. A execução pode ocorrer em até cinco anos, e pode resultar na penhora do imóvel.
Poleti explica que há a tentativa de atuação via call center, já que o Executivo ainda não pode aplicar a Lei do Protesto, que só pode ser feita mediante documento comprobatório de posse do imóvel.

Publicado na Gazeta de Limeira.
domingo, 25 de maio de 2014 | By: Daíza de Carvalho

Ironman: desafio a peso de ferro para limeirenses

Atletas do município nadam, pedalam e correm hoje em competição internacional

Daíza Lacerda

Nadar a distância da Praça Toledo Barros até o meio da Avenida Pedro Elias, na Vista Alegre. Pedalar o equivalente à viagem de Limeira a Ribeirão Preto. Correr a distância de Limeira a Hortolândia. Um em seguida do outro. Cada uma dessas etapas quilométricas começam a ser encaradas por ao menos 6 limeirenses hoje, a partir das 7h, mas no mar e estradas de Florianópolis. Parte deles compete pela primeira vez o Ironman, prova de triathlon mundial que desafia os participantes a nadarem 3,8 km em águas abertas, pedalar 180 km de estrada e correr mais 42 km. Eles não terão o dia todo para isso, mas mais da metade: o limite é de 17 horas para a conclusão.
A maratona começa pela inscrição. São cerca de duas mil, disputadas por atletas de ao menos 30 países, e que se esgotaram em 15 minutos este ano. Quem consegue garantir o lugar, tem um ano para treinar.
É o que tem feito nos últimos meses Leandro e Bruno Negrucci, de 29 e 33 anos, Rafael Campos, de 34, e Joselito Domingues, de 34. Os três primeiros estreiam no Ironman Brasil após anos se dedicando a competições menores, mas de longas distâncias, no triathlon. Domingues é "reincidente" e tenta, hoje, uma vaga para o mundial em Kona, no Havaí, que depende da classificação nas categorias por idade.
Na última semana, a dias da competição, os novatos estavam confiantes no preparo físico e psicológico, após encaixar treinos duas vezes ao dia entre a família e o trabalho. "Tem de ter a paixão pelo esporte e conciliar. Sem apoio da família, não se faz um Ironman", concordam. E por conta própria, sem respaldo profissional, também, como o de treinadores, médicos e nutricionistas, para "abastecer" a máquina adequadamente para o volume intenso de treinos.
Se a corrida é a parte mais difícil da prova, o desafio em toda a extensão é o psicológico, relatam. "Vemos muitas pessoas bastante acima do peso, ou que nunca competiram e que concluem a prova. O desafio é pessoal. Muitos acham impossível, mas com o conhecimento básico e treinamento, há tempo suficiente para terminar", comenta Domingues, praticante de triathlon há uma década.
E qual a sensação de cruzar a linha de chegada? "É muito gratificante, a realização de um sonho para quem gosta", tenta definir. E já saiu de Florianópolis pensando na próxima edição.
Na opinião dos demais, que acompanharam na torcida no ano passado, a prova pode ser considerada como um evento motivacional. "Estão juntos desde o melhor atleta à pessoa que está começando e buscando superação".
Mais do que preparar o corpo, o principal é a mente. A tentativa de passar dos próprios limites na prova, além do que foi treinado, pode dificultar bastante o caminho. Mas muito poucos param. É o que garante quem esteve lá. "No final há pessoas que andam. Terminam nem que seja se arrastando".
CELEBRAÇÃO
"O pior do Ironman é o treinamento. Alcançar a linha de chegada é a celebração de tudo que abdicamos para treinar, como o tempo com a família e os amigos". A definição é de Vicente Liguori Júnior, de 39 anos, que competiu pela primeira vez no ano passado e se prepara para a etapa de Fortaleza-CE, em 2015.
Foram anos de competição no triatlhon de longa distância "amadurecendo a ideia" até o momento de encarar o Ironman.
Se a corrida começa na inscrição, a etapa mais delicada é da maratona. "É quando ficamos com o psicológico mais abalado com tudo o que já foi exigido nas outras etapas da prova", conta. São horas em que ver alguém quase desistindo pode balançar a confiança. "Se a cabeça não estiver boa, não termina".
A densidade da prova é refletida na medalha, que é pesada. A conquista é difícil de descrever. "Só quem passa por isso para saber a sensação", diz Liguori.
O Brasil é o único país que sedia a competição na América do Sul, e as condições climáticas atraem bastante estrangeiros. Com o aumento da demanda, além do Sul, o Nordeste também passa a sediar o evento, em Fortaleza. O mundial, no Havaí, reúne os melhores das categorias de todos os países em que a prova é celebrada.
O encanto de ser um homem de ferro está perdendo um pouco do misticismo de outrora, na opinião de Liguori. "Com a evolução nos últimos anos, o conceito da prova está mudando. O volume exigido na prova assusta, mas com treino certo não tem como dar errado", diz ele, sobre não ser tarefa impossível.
Ele salienta, no entanto, a importância de não levar ao pé da letra a marca da prova. Afinal, ninguém é de ferro. "As pessoas que praticam devem ter cuidados, fazer a preparação sem se exceder. É importante treinar acompanhado. O Ironman é um extremo que nem sabemos que podemos chegar. Mas chegamos".

Leandro, Bruno, Rafael estreiam; Joselito tentará vaga para o mundial


Liguori, que disputou em 2013: a chegada é uma celebração


De Limeira ao Havaí, uma coleção de disputas

Enquanto alguns limeirenses estreiam hoje no Ironman, conquistar a medalha de ferro virou hábito para o advogado Luiz Renato Ragazzo Machado Gomes, de 67 anos. Conhecido como "Dudu", ele foi desafiado pelo filho e pelo sobrinho, em 2000, a encarar a prova. Disputou no ano seguinte, com 55 anos de idade, e não parou mais. Foram 13 edições, faltando em alguns anos devido a lesões, e quatro classificações para o mundial, em Kona.
Com a experiência, ele derruba mitos. "Todo mundo pensa que é algo fora do comum, mas não é", garante. Já para os treinos, na prática, a teoria é outra. "É preciso disciplina e força de vontade homérica. Levantar muito cedo e treinar várias vezes ao dia".
Mas as provas atuais são bastante diferentes. "Quando comecei, eram 600 competidores. Agora são 2 mil. Hoje há pontos de apoio que são verdadeiras quitandas em vários trechos. Antes, era cada um por si para a alimentação. Também havia tempo para pensar e fazer a inscrição, que ficava meses aberta. Conseguia-se fazer a reserva de hotéis pouco tempo antes da prova". A torcida é um show à parte, e organizada em caravanas com camisetas e bandeiras.
Ele avalia que os limeirenses que competem hoje estão bem preparados, inclusive Joselito Domingues, com as chances de classificação para o mundial. O porém é a grande concorrência em suas categorias etárias, condição que já é mais tranquila para o advogado. Ele começou com cerca de 10 concorrentes em sua idade, o que foi caindo até a metade com o passar dos anos.
Uma lesão no pé o impediu de competir nesta edição, e ele preferiu não participar no mundial do ano passado. Mas o retorno está nos planos. A primeira prova concluiu em 12h20, baixando uma hora no ano seguinte. Ele também endossa que a cabeça é a principal ferramenta. "Por ser uma prova longa, se não tiver bem, reflete no desempenho. O pior é o psicológico".
HAVAÍ
Para participar do mundial, a inscrição tem de ser paga na hora da premiação, na etapa nacional. Entre as dificuldades vividas no Havaí listadas por Gomes, estão o calor e terrenos, com bastante subidas. Lá, demorou uma hora a mais de sua média para completar.
Conta pontos em sua avaliação a organização da prova brasileira, padrão que não encontrou nos Estados Unidos. Devido às altíssimas temperaturas, lá não se nada com a roupa de neoprene, usada em temperaturas abaixo de 20 graus. Assim, os atletas saem da água mais cansados, explica.
Kona recebe os melhores classificados do mundo inteiro. São cerca de 1,5 mil, numa peneira mundial que pinça cerca de 50 atletas em cada prova. Em cada etapa, porém, há um leilão de vagas, cuja renda é destinada a instituições locais, conta o advogado. No Brasil, uma vaga teria sido vendida a 1.500 dólares, o equivalente ao dobro do preço da inscrição.
Se antes o importante era terminar, atualmente os atletas querem entrar para ganhar, pondera. Mas ele orienta aos aspirantes: a disputa deve ser consigo mesmo. "Cada um tem de fazer a sua prova, pensando em si. Esquecer do outro que está passando e manter o seu ritmo. Quando se chega nos 30 km da corrida, dói até o pensamento. Na bicicleta, ficamos sozinhos. A gente ri, chora, fica triste, alegre, com raiva, apático. Por isso a cabeça tem de estar boa, para fazer o que pode". (Daíza Lacerda)

Luiz Renato Gomes, o “Dudu”: mais de 10 provas e classificações para o mundial






Advogado recupera, em Limeira, obra rara de avô escultor

"Galo da sorte" foi esculpido em chifre de boi; peça pode ter ao menos 70 anos de idade

Daíza Lacerda

O advogado Adelson Sampaio, de 53 anos, saiu de Limeira mais feliz do que chegou, na última semana. Ele veio resgatar no município o que considera um tesouro. Colecionador de esculturas feitas pelo avô, Arthur Sampaio, ele viaja o Brasil em busca das peças talhadas artesanalmente em chifres de boi, arte que o antepassado teve como ofício durante 55 anos em Itirapina-SP. O escultor viveu entre 1893 e 1960.
A peça que deixou Sampaio, o neto, eufórico, é um galo, que repousa numa base com um cinzeiro no formato de um coração. "É o galo da sorte. A peça está tão intacta, que não deve precisar de restauração. Consegui resgatar esculturas de galos, mas nenhuma conservada como esta. Mostra que a pessoa que a possuía a admirava, pois não há sinais de uso como cinzeiro", avalia.
A negociação para arrematar a peça foi rápida. Diariamente Sampaio faz buscas na internet caçando as artes do avô, e encontrou o "galo da sorte" num antiquário, em Limeira. E acredita que deve haver mais obras com a mesma origem no município.
O advogado explica o fato de tanta arte estar espalhada. Embora o avô tivesse um ateliê numa avenida de referência de Itirapina, onde foi criado, a venda de suas peças era feita na estação de trem. A licença existia devido à cessão de parte da área da família para o traçado da linha férrea, à época.
Por ter sido criado em fazenda, os animais foram a principal inspiração do escultor. As nuances de pássaros, jacarés, tatus são as mais comuns em sua obra. E o fato de usar chifres de boi para o trabalho não o fazia menos admirador dos animais. "Ele não apoiava a matança. Usava chifres descartados. Muitos donos de animais, quando algum de estimação era morto, procuravam meu avô para transformar os chifres em alguma peça, para recordação".
Sampaio quer recuperar a história do avô, que foi penalizado pela ditadura, como relata. "A ditadura matou também a memória de personagens da arte e cultura. Para mim é gratificante resgatar parte dessa história perdida", diz ele, que já recuperou cerca de 90 peças desde 2006, e deve expô-las numa galeria em Itirapina, onde vive.
Dado o tempo de produção, a estimativa é da existência de milhares de peças. O avô fazia de prendedores de lenços com a face de um boi a berrantes. Mas como saber a autenticidade da autoria da obra? "Ele deixou as suas digitais nos trabalhos, que conseguimos identificar", diz o neto, que não chegou a conhecer o avô, que morreu poucos meses após o nascimento do advogado.
O "galo da sorte" encontrado em Limeira deve ter ao menos 70 anos de idade. O palpite da procedência da peça é que possivelmente o primeiro dono faleceu, e as gerações seguintes não se identificaram com a obra, desfazendo-se dela. Sampaio continua a busca. Ele pode ser contatado pelo telefone (19) 99726-1842 e pelo e-mail conexao757@hotmail.com.
A ditadura manteve-se no encalço da família do escultor que ficou desconhecido, como relata o advogado. O pai foi anistiado político, motivo pelo qual não se dedicou ao resgate que o filho faz agora. "Meu avô dedicou a vida a isso, tendo as espécies e a natureza como inspiração. É uma arte fascinante", finaliza, levando na bagagem mais um pedaço da história que tenta recuperar.

Sampaio, e o "galo da sorte": alegria em encontrar peça intacta em Limeira



A paixão pela bola e o sonho dos jogadores mirins

Estrelas do futebol inspiram crianças que verão a Copa pela primeira vez

Daíza Lacerda

Se tem uma coisa que eles levam a sério, é a bola. Não tem tempo feio para jogar futebol, garantem. Há hora e local para os treinos, cada dia num campo. Nas "folgas", a bola rola na rua ou na escola.
A disputa era no campo do Jardim Morro Branco numa manhã da última semana. Entre os aspirantes a craques, garotos de 9 a 13 anos. Alguns não se recordam de ter acompanhado uma Copa. Outros têm erros bem vivos na memória, como gols contra e adversários para quem a nação verde e amarela perdeu. Uma coisa é unânime nos times: todos almejam, um dia, dar show em campo numa Copa.
"Mas temos que trabalhar muito o físico para realizar o nosso sonho no futuro", preocupa-se Jhonatan Wilgnr, de 13 anos. "Já saí de jogos chorando de dor", admite Carlos Gabriel, de 11.
Treinador da criançada, José Manoel Lopes, o Manezinho, confirma o quanto o clima da Copa contagia os pequenos. "A procura de pais com crianças para treinar aumentou entre 30% e 40% nesta época. Todos ficam mais animados, e sustentando o sonho. É uma empolgação que a Copa traz para os brasileiros em geral", declara.
Manezinho reconhece que neste ano a seleção perde um pouco em credibilidade. "Os adversários se qualificaram muito mais", justifica. Já entre as crianças, todas se espelham no Neymar, mas o palpite é pessimista para o Brasil na Copa. As apostas são para Portugal, Espanha e Alemanha para os jogadores mirins que não gostaram da montagem da seleção.
Para eles, a possível escolha de ter o futebol como profissão no futuro é sinônimo de "ser alguém na vida", mas alguns garantem que não vão dispensar o estudo. Mas eles não escondem que a fama e casamento com beldades os deixam animados, tanto quanto a briga pelos gols.
Não deve ser um caminho fácil. Alguns já têm ideia da dificuldade para chegar ao nível profissional. Mas estão treinando. Como desafios das partidas, eles citam os lançamentos. Se cruzar e chutar exige prática, o "futebol arte", então, vai demandar muito empenho e inspiração. Bicicleta, chapéu, carretilha, voleio, caneta: todas as manobras para um gol bonito dependem de muito treino.
Os pais dão asas aos sonhos da molecada, quando a adesão ao esporte marca pontos. É o caso da dona de casa Cleide Bonin, de 38 anos. "Ele começou a jogar por recomendação médica e percebi que mudou bastante o comportamento na escola. Ele ama a bola e ainda não assistiu nenhuma Copa. Essa será a primeira, e ele terá noção", conta ela, sobre o remédio que o filho de 10 anos não quer mais parar de tomar.

Aspirantes a craques: bola no chão e sonho nas alturas



sábado, 24 de maio de 2014 | By: Daíza de Carvalho

Chuva ajuda a dobrar vazão do Jaguari

A chuva de ontem e anteontem contribuiu para amenizar a situação do Rio Jaguari, que abastece Limeira. No início da tarde de ontem, a vazão era de 10 m³/s, enquanto no mesmo horário, na quinta-feira, o volume estava na metade.
Os dados são do monitoramento em tempo real do Consórcio PCJ. Apesar da melhora, a vazão continua bastante abaixo da média para a época. Há um ano, o volume médio era de 21 m³/s.
A estação meteorológica da Faculdade de Tecnologia (FT/Unicamp) registrou 26 milímetros (mm) de chuva anteontem, o dobro da última precipitação, em abril, de 12 mm.
Para hoje, a tendência é de tempo nublado na região, com probabilidades de chuvas eventuais, porém com menor volume, conforme previsão do Cepagri/Unicamp. Amanhã, a nebulosidade deve ser reduzida, mas na segunda-feira poderão ocorrer pancadas de chuva novamente. As temperatura permanecem em queda, ficando entre 24°C e 13°C. (Daíza Lacerda)