sexta-feira, 14 de outubro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Coloração escura no Ribeirão Tatu chama atenção

Daíza Lacerda


Local ainda recebe esgoto, o que será erradicado com término de obras feitas pela Foz do Brasil

O trajeto diário do aposentado João Fonseca, 53, inclui a passagem do viaduto de acesso à Avenida Laranjeiras, de onde tem visão do Ribeirão Tatu. Ontem ele notou que a água estava diferente. "Estava muito escura e com odor forte", relatou, temendo que empresas estivessem descarregando substâncias no local. A coloração pôde ser observada ao longo do Ribeirão na Marginal Leste/Oeste, próximo da Passarela da Sustentabilidade e Ponte Preta.
Em relação à constatação, a Foz do Brasil, concessionária de água e esgoto em Limeira, explicou que o município ainda tem dois pontos de lançamento de esgoto no Ribeirão Tatu. A concessionária finaliza as obras de implantação de rede de esgoto nesses locais para que até o final deste ano a cidade tenha a totalidade do esgoto tratada.
Após o contato da Gazeta, representantes da empresa visitaram três pontos do Ribeirão Tatu para verificar a coloração da água, próximo à Passarela da Sustentabilidade, entre as empresas CP Kelco e Citrosuco e no anel viário, próximo à Rodovia Limeira-Cordeirópolis. "Nos três locais foi constatada a mesma coloração escura na água, o que indica que o ribeirão já está com essa característica desde a entrada da cidade", informou a empresa, lembrando que a ocorrência foi levada à Cetesb, órgão ambiental responsável pelo monitoramento dos corpos de água do município.
ESGOTO
Entre os pontos que ainda têm esgoto lançado está o Córrego Lavapés, que hoje está canalizado, passa embaixo do Mercado Modelo e deságua no Ribeirão Tatu. O volume corresponde a uma população de aproximadamente 25 mil pessoas da região do Mercado Modelo, equivalente a cerca de 25 litros por segundo, enquanto outros 20 litros por segundo já são encaminhados à nova rede implantada. Até o final desse ano, com a conclusão das obras de implantação de interceptores de esgoto na região do Mercado Modelo, cujas obras acontecem, no momento, na Rua Barão de Cascalho, esse efluente será encaminhado à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Tatu, por meio de emissários existentes na margem esquerda do Ribeirão.
O outro ponto do Ribeirão Tatu que ainda recebe esgoto é do Córrego Barroca Funda, na região da Avenida Campinas, com volume aproximado de 110 litros por segundo, proveniente de 75 mil pessoas. Esse esgoto também será encaminhado à ETE Tatu, após a conclusão da obra que está na fase final.




domingo, 9 de outubro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Limeira ajuda Unicamp a ser líder em patentes

Daíza Lacerda


Pesquisadores da Faculdade de Tecnologia têm registros em andamento

Duas das mais importantes invenções do mundo têm brasileiros entre as controversas autorias das ideias. Enquanto o patriotismo leva à defesa de Santos Dumont como o inventor do avião e do padre Landell de Moura como o pioneiro nas transmissões radiofônicas, as literaturas trazem como concorrentes os irmãos Whright e Guglielmo Marconi, respectivamente. Mas, afinal, como definir o autor de uma invenção?
Mais de um século após ideias que mudaram a comunicação e o transporte, necessidades contemporâneas primordiais, o Brasil continua cheio de inventores. E a maioria deles está na Petrobras e Unicamp que, entre as universidades, lidera o registro de patentes, com 272 entre 2004 e 2008, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em julho. Entre elas estão projetos de pesquisadores da Faculdade de Tecnologia (FT/Unicamp).
Para ser "pai" de uma ideia com pretensões de registrá-la, a primeira pergunta a ser feita é se o que está se propondo é inovador, explica Rangel Arthur, professor de Tecnologia em Telecomunicações, da FT. "O início já é um grande desafio, pois é necessário fazer pesquisas para saber se já existe algo igual ou parecido com o que se planeja desenvolver. Às vezes isso demora mais do que a execução do projeto em si", explica.
A universidade conta, desde 2003, com a Agência de Inovação Inova Unicamp, que otimizou e alavancou o número de patentes. Nos cursos da FT, desde o primeiro ano o aluno é incentivado a pensar no projeto que desenvolverá no final de sua graduação. "Os alunos motivam-se bastante. A teoria é importante, mas quando chegam à parte prática, muitos passam noites desenvolvendo seus protótipos. Esse é um diferencial do curso de tecnologia, pode-se criar algo aplicável", salienta Arthur.

"MADE IN" LIMEIRA
Entre os pesquisadores que lecionam na unidade de Limeira, Cristiano Gallep, da área de comunicações ópticas e dispositivos fotônicos, registrou sua primeira patente em 2002, que teve desdobramentos em seu doutorado.
O primeiro projeto foi um método de controle de chaves ópticas. "É como um interruptor, mas para redes ópticas, que reduz o tempo de comutação em até dez vezes". O método desenvolvido possui grande importância nas redes ópticas desenvolvidas para as próximas gerações, para as quais será necessário o chaveamento direto dos pacotes ópticos, uma vez que apresentam a necessidade de aplicações em altas taxas. O invento é aplicável em data centers, como grandes centros de processamento, no controle do caminho de circuitos ópticos
Outro estudo em andamento para uma nova patente é o apagamento de informação nas redes ópticas para reúso de canais em redes como de TV e telefone. "Isso proporciona economia de recursos materiais, com demanda de menos componentes", salienta.
Ele avalia que aumento muito o suporte para pesquisadores. "Hoje temos maior amparo técnico e jurídico, com análise se os projetos são pertinentes e documentação da parte legal".

TV DIGITAL
O próprio professor Arthur é autor de uma patente, registrada em 2010, e está finalizando uma outra. A já consolidada é uma nova técnica utilizada para compressão de vídeo digital. "A banda do sinal digital é maior do que a de sinal analógico, e precisa ser comprimida antes da transmissão, sendo realizado o processo inverso no receptor do usuário", explica. O firmware, que é o programa desenvolvido para o chip do receptor, torna a transmissão mais rápida e menos complexa, com economia de 70% no processamento. A "sobra" poderia ser utilizada para interatividade, o que ainda é promessa na transmissão digital no Brasil e otimiza o uso do equipamento, que o governo prevê popularizar.
A patente que Arthur está finalizando trata-se de um receptor digital de TV digital inteligente, que "ajuda" o usuário na hora da instalação para a recepção digital. Se o problema for de posicionamento da antena ou cabeamento, o equipamento emite avisos e agiliza o processo. Outra funcionalidade é enviar, por meio de um canal de retorno, uma medida da qualidade do sinal recebido em casa, o que é útil tanto para as emissoras quanto para as agências reguladoras. Dessa vez o trabalho não foi só na programação de microchips, mas com a modificação a partir de um aparelho convencional.
O invento já teve a patente pedida, mas o processo ainda é demorado. "O Brasil não tem a cultura de criar patentes, mas a Agência de Inovação tem incentivado", relata Arthur.
Além de auxílio ao pesquisador, a maioria dos projetos das universidades do Estado é patrocinada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além de órgãos de fomento à pesquisa que concedem bolsas como CAPES e CNPq.
Apesar do tempo exigido, o processo já foi mais difícil. "As universidades estão mais preparadas e os pesquisadores, com mais orientações". Há também regras. Durante o processo, o projeto não pode ser publicado como artigo científico. "Isso pode criar uma tendência de maior cobrança de patentes", opina, como forma de os projetos "saírem do papel".


Software auxilia testes em sistemas 
críticos como de aviação ou usinas 

Regina Lúcia de Oliveira Moraes atua na Faculdade de Tecnologia na área de engenharia e testes de software, sobretudo em testes de software crítico por injeção de falhas. Se parece apavorante perder os arquivos de seu computador por "culpa" dos programas ou de um vírus, isso não chega perto da dimensão do "crítico" com o qual ela trabalha.
"São software de controle que impactam seres humanos ou perdas monetárias grandes", diz. Dependem desses sistemas computacionais desde o monitoramento da aviação até os processos de uma usina nuclear, nos quais qualquer erro pode custar vidas, ou quantias absurdas de dinheiro ou patrimônios pessoais e empresariais, como o sistema de uma bolsa de valores.
Regina explica que, como o software não é algo físico, para ele não há patente, mas o equivalente que é o registro de software. Ela é uma das autoras da ferramenta "Jaca", criada para dar apoio a atividades de teste nesses produtos de software críticos dos quais dependem grandes sistemas e volume de pessoas. A solicitação de registro foi feita em 2004, com cessão em 2009. "A ferramenta introduz uma falha realista e monitora o comportamento do sistema em presença dessa falha. É feita uma análise e o programa é refeito, para que um erro, em decorrência da falha, não se propague e o leve ao colapso". O colapso pode ser entendido como um sistema de voo que pode não mandar indicações corretas e resultar num acidente, por exemplo. "Precisamos limitar o impacto para que ele não aja de forma desastrosa".
O software desenvolvido na FT serve como suporte para desenvolvimento de sistemas críticos e já está presente em empresas e universidades de países como China e Alemanha.
Outros dois produtos de software estão em processo de registro. Mesmo sem conclusão, já têm interesse da indústria. Um é o JSwift, que injeta falhas dentro do software, além da interface, que é o caso do primeiro. Já o JAttack injeta ataques e simula a ação de um hacker, analisando como o "entruso" age e se propaga, determinando as formas de limitar e corrigir a ação.
Na área da informática, o campo de desenvolvimento é praticamente ilimitado devido às mudanças e necessidades. No entanto, mesmo softwares livres, que não têm registros, possuem licença.
Ela lembra que alunos de todos os níveis participaram do desenvolvimento e assim é que se começa a suscitar o interesse em pesquisa nos jovens estudantes. Regina salienta ainda a importância do registro como propriedade da universidade. "Muitos só decidem pelo registro depois do produto pronto. Mas nem tudo o que se faz é registrado", diz ela, se referindo aos itens de qualidade que precisam ser atendidos.


Quer ser inventor?

É creditada a Thomas Edison, autor de mais de duas mil patentes (entre elas a da lâmpada incandescente) a máxima de que o talento ou a genialidade são 1% de inspiração e 99% de transpiração. De fato, ter a ideia só não basta diante do trabalho necessário. O professor Arthur lista o que é imprescindível para ter uma invenção para chamar de sua. "Experiência. São necessários pelo menos 10 anos na área, com a leitura de muitos artigos e pesquisa de patentes, além de acompanhar eventos". Possuir doutorado pode ajudar muito, principalmente para comparar metodologias.
Ainda que o "eureca" se dê em oficinas simples ou experiências "no fundo do quintal", o invento pode ser submetido a patente, se houver alguém ligado à universidade. "Não é preciso ter medo de roubo da ideia!", acrescenta o professor.
Ele ilustra com uma ideia simples de um adolescente inglês, que já assinou um contrato com uma empresa chinesa para fabricação em larga escala. O jovem, de 13 anos, desenvolveu um sistema em que o morador de uma residência recebia o aviso em seu celular quando alguém tocasse a campainha.
O custo de uma patente pode variar, mas não é barato. Também há "delimitações". As patentes do sinal digital desenvolvidas por Arthur, por exemplo, são válidas para a América Latina. Embora a abrangência possa ser ampliada, o prazo de vigência de uma patente de invenção é de 20 anos, como acontece com títulos que caem em domínio público após determinado tempo. (DL)


domingo, 25 de setembro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Dalai Lama: o pacificador fala aos brasileiros

Daíza Lacerda
Especial para o Jornal da Mulher

Nada de sermão ou de pregação, nem mesmo para defesa de religião. Muito pelo contrário. Com a calma e sutileza de quem está sentado tomando um cafezinho (ainda que preferisse ficar de pé), Dalai Lama conversou no sábado, dia 17, com algumas milhares de pessoas no Anhembi, em São Paulo, em sua quarta passagem pelo Brasil. Com riso de sobra e sem espaço para o siso, o jeito cativante de Tenzin Gyatso, líder espiritual do Tibete, provocou as melhores reações para quem foi ouvi-lo falar sobre convivência responsável e solidária.

GUERRA E PAZ
O Nobel da Paz discursou sobre os efeitos das guerras e por quê temos que, de fato, deixar para trás o passado no qual o que valia era "nós aqui de um lado e o outro", e não "todos nós juntos". "A economia é global, além das questões ecológicas. O interesse de um país está ligado aos demais, assim como os continentes. Mesmo São Paulo não se desenvolve sem recursos de outros locais. É preciso a compreensão de unidade". As diferenças de nacionalidade ou de crença religiosa existem, mas são secundárias, salientou. "A importância da classe social cria discriminação e infelicidade, na medida em que somos todos iguais enquanto seres humanos".
Ele defendeu o uso das experiências do passado como aprendizado para conduzir o futuro de forma diferente, com soluções por meio do diálogo, e não pela violência. "No passado a derrota do inimigo representava a nossa vitória. Mas a destruição do vizinho representa a nossa própria destruição". Como sugestão, o Nobel da Paz disse que banir o arsenal nuclear seria um bom começo. Mas pontuou o que, de fato, temos a ver com isso. "Nós também temos uma tarefa a cumprir, que é o desarmamento interno. Livrar-nos da raiva, do medo, do ódio, da ganância e violência. Temos de prestar mais atenção ao nosso mundo interno, para o desarmamamento externo acontecer".
Dalai Lama deu uma incumbência a parte expressiva dos espectadores. "Vejo que há muitos jovens aqui. Faço parte da geração do século passado, que já está se despedindo, mas os que estão entre 20 e 30 anos é que farão o século 21. A nova geração precisa ter responsabilidade para moldar o mundo, criar um mundo pacífico. Para isso é preciso visão, mas não basta olhar o que está à volta. É preciso de uma perspectiva que abarque o mundo todo, de forma global". A receita? "A educação é um instrumento que pode ser usado de forma construtiva e destrutiva, dependendo da orientação. Mas é preciso cultivar o calor no coração, para benefício próprio. Para uma vida mais feliz, com autoconfiança e paz interior. É importante prestar atenção nos valores internos". 

PARA TODOS OS CREDOS (OU NENHUM) 
Se os valores internos são o que impulsionam o ser humano, inicialmente dois caminhos são propostos. Um é o da religião teísta "um instrumento poderoso para lidar com o egoísmo e arrogância, pois submete-se ao seu criador, Deus, que é compaixão infinita e amor, quando segue-se de forma sincera a fé". 
O segundo caminho são religiões não teístas, como o hinduísmo antigo, que seguem um sistema filosófico sem a ideia de um criador, a exemplo do próprio budismo. "Bons atos de felicidade ao semelhante retornam como benefício próprio. Se causar sofrimento, destruição, isso trará consequência negativa para si".
Mas, se as "opções" não parecem agradar... "Somos sete bilhões de seres humanos e uma grande parcela sem interesse sério pela fé religiosa", considerou. "A fé cabe a cada um decidir, mas os não crentes também fazem parte da humanidade, para quem a paz interior e alegria também são valores importantes. A base de uma vida feliz está em não negligenciar valores internos. A religião promove esses valores, mas quem não tem interesse religioso também os desenvolve". O líder defendeu ainda um legado de secularismo para cultivo dos bons valores morais, exceto pelo "secularismo comunista" da China, que ocupa o Tibete. 

CORRUPÇÃO E MISÉRIA
"Em todo o mundo, assim como em São Paulo, erguem-se prédios cada vez mais e mais altos. Mas as perspectivas e valores internos estão declinando mais e mais. Com isso acontecem as divisões e injustiças sociais, acontecimentos que denotam a falta de valores morais e tradições éticas, em nível internacional, evidenciada pela conduta autoritária de países mais poderosos. E no Brasil? Como é essa divisão no Brasil? Pequena? Grande?". Grande, muito grande, com direito a abrir os dois braços para exprimir o quanto, foi a reação da plateia. "E vocês estão contentes com essa divisão?", perguntou, recebendo a negativa em uníssono.
A corrupção também foi abordada pelo líder tibetano. "Esta é uma nova forma de câncer que ataca a humanidade e se alastra pelo mundo. Se olharmos para a situação da Índia, lá existe um governo plenamente democrático, poder judiciário independente e liberdade de imprensa. Diferente da China. Os governantes são responsáveis pela população".

PACIÊNCIA E TOLERÂNCIA
Indagado sobre como cultivar a paciência numa sociedade de urgências, Dalai Lama propôs atitude que se mostra como um desafio. "O mundo é de ambição, e quando não se alcança os planos, vêm a raiva e frustração. É preciso enxergar a realidade de forma objetiva, examinar a meta. A realidade tem muitas facetas e se olhar apenas por um prisma sem enxergar o todo, não se consegue chegar ao que quer. A paciência é um valor importante para cultivar e isso acontece apenas nas situações de adversidade. Quando vemos o outro como inimigo, como aquele que nos perturba a vida, temos de apreciá-lo, pois é alguém que nos dá a chance de cultivar a paciência. Não é preciso se submeter, mas se esforçar. Em quantas vezes fracassar, novamente se coloque de pé nos obstáculos. Paciência é fundamental para fortalecer os valores internos".
Tolerância é não cultivar a raiva em relação às pessoas que querem nos prejudicar. "Não quer dizer que devemos nos submeter à ação e à pessoa que a pratica. Ser tolerante é não ter ódio ou perder o respeito pelo malfeitor, mas não precisa aceitar a ação ou se opor ao que acredita. Deus não perdoa o pecado, mas perdoa o pecador. Não se deve curvar à ação negativa, mas no sentido de se preocupar com quem faz o mal. Se o malfeitor é livre para a maldade e vê sucesso nela, fica propenso a repetir, o que o levará ao sofrimento". 
Na abordagem do "mercado da espiritualidade" existente hoje, Dalai Lama deu um exemplo simples para orientação. "Quando se vai à quitanda comprar frutas ou verduras, você presta atenção, examina, pede opiniões. A espiritualidade é muito séria, então é preciso investigar e examinar de forma completa antes de se engajar. É uma tarefa que leva anos. No fim, chegará à convicção, ao sistema que se adeque". 
Para isso, ele aconselha a leitura de livros, mais até do que a consulta de pessoas. No entanto, contrariando os eventos com participação de celebridades e autoridades, quem saiu do Anhembi após duas horas de risos, aplausos e reflexões com o 14º Dalai Lama, não encontrou nenhum estande para comprar livros ou souvenirs daquele reconhecido como um dos mestres da arte da paz. A lembrança, levada na consciência e coração, pode sim se tornar presente. Por meio de atos. Ainda que seja no futuro.



Mudanças no Bolsa Família vão ampliar beneficiados em Limeira

Daíza Lacerda


O governo federal anunciou nesta semana nova me  dida entre as ações do programa de erradicação da miséria, com mudanças no Bolsa Família. A partir deste mês, cada família cadastrada passa a receber até cinco benefícios variáveis referentes aos menores de 15 anos, cada um no valor de R$ 32. Antes, o limite era três crianças cadastradas.
Em Limeira, 9.002 famílias receberam o benefício em agosto. De acordo com o Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom), responsável pelo Cadastro Único em Limeira, a autarquia recebeu ontem um novo informe que propõe novas mudanças, que estão sendo avaliadas, mas que ainda não entraram em vigor no município e podem beneficiar mais famílias.
Neste ano as mudanças se restringiram ao reajuste de valores pagos. O benefício básico subiu de R$ 68 para R$ 70; o variável, de R$ 22 para R$ 32; e o valor do benefício jovem passou de R$ 33 para R$ 38.
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, informou que o benefício registrou uma expansão de 180 mil famílias entre junho e setembro. Segundo ela, a expectativa é positiva em relação ao cumprimento da meta de inclusão de 320 mil famílias até o final do ano e de 800 mil famílias até dezembro de 2013. De acordo com o balanço da pasta, mais 1,2 milhão de crianças serão beneficiadas pelo programa com a mudança neste mês.
“A maior parte da população extremamente pobre é formada por crianças e isso terá um impacto muito grande na extrema pobreza. É um benefício fácil, barato e que tem um impacto grande na população extremamente pobre”, destacou a ministra.
Além dos cinco benefícios pagos às crianças, cada família pode receber até dois por adolescentes com 16 e 17 anos. Com isso, o valor máximo pago por família passou de R$ 242 para R$ 306.
Ao todo, 22,6 milhões de benefícios serão pagos apenas para jovens até 15 anos. Dados do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, dos 16,2 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza, 40% têm até 14 anos. (Com informações Agência Brasil)




sexta-feira, 23 de setembro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Dia Mundial sem Carro: sobre pessoas e veículos

Daíza Lacerda


As cidades nasceram a partir da união das pessoas. Hoje, a organização do espaço para abrigar seres humanos parece ter perdido sentido, já que a preferência agora é dos veículos. Essa foi uma das considerações apresentadas no fórum “Cidades, bicicletas e o futuro da mobilidade”, evento que trouxe David Byrne ao Brasil para discutir o assunto, em julho. Quem se recorda de hits dos anos 80 como “Psycho Killer” e “Burnin’ Down the House”, lembrará que Byrne foi o líder do Talking Heads. O músico viajou o mundo de bicicleta, em experiências que deram origem a um livro. A partir de São Paulo, percorreu países da América Latina para mostrar desde sistemas falidos (como o espaço ‘morto’ que representa um estacionamento) a medidas possíveis a médio e longo prazos com o incentivo ao transporte público e uso das bicicletas para a mobilidade urbana.
Se na capital é grande a mobilização para levar a cidade de volta às pessoas, Limeira vai na contramão. A calma interiorana creditada a nós e cidades vizinhas é ficção há muito tempo. Basta tentar passar por uma das inúmeras rotatórias em horário de pico para testar a paciência do motorista. E vale observar também quantos carros tem mais de uma pessoa.
É absolutamente possível usar a bicicleta como transporte em Limeira. Mas se é um desafio a tentativa de passagem por uma rotatória motorizado, a pé ou de bicicleta é pior ainda. Ciclofaixas? Temos! Que levam de nada a lugar nenhum. Para cruzar regiões opostas, não existem faixas específicas ou alternativas ao perigo das rotatórias. Será por falta de “espaço”?
Como a preferência é para os carros, e não para as pessoas, é mais fácil reduzir calçadas e eliminar árvores para aumentar as ruas do que pensar em medidas para reduzir ou organizar a circulação. Planejamento zero, em uma situação que não é privilégio de Limeira. Mas não é preciso ir longe para se inspirar em alternativas, ainda que seja o início de uma discussão. Piracicaba movimenta nesta semana atividades e debates no Dia Mundial Sem Carro. E sua população não é tão maior quanto a de Limeira.
Se é difícil deixar o conforto do carro para pedalar, mais improvável será optar por um ônibus, que na situação atual vai na contramão do custo-benefício. Melhorar o transporte público é alternativa para reduzir engarrafamentos. Mas quem vai pagar caro pelo atraso, demora de itinerário e carros superlotados, a não ser pela extrema necessidade? Nem eu.
O fórum em São Paulo reuniu autoridades e ativistas, como o sociólogo Eduardo Vasconcellos, que fez observações interessantes que se aplicam a toda cidade que tem a frota de carros crescendo em detrimento da presença humana nas ruas. “Uma coisa que me impressiona demais em São Paulo e no Brasil todo é o pedestre que cruza a via em cima da faixa de pedestre e agradece o motorista que para. Esse é o sinal mais claro da ausência total de cidadania. É uma coisa trágica”.
Também comentou o que chama de “privatização do espaço público”. Uma família de baixa de renda ocupa menor espaço e consome menos energia do que as de classe média de quatro pessoas, que usam dois carros. Um pedestre ocupa 1 m², o mesmo que cada passageiro dentro de um ônibus. Motos, de 8 a 10 m², e bicicletas, 2,5 m². Automóveis ocupam 50 m² para rodar numa via pública. O sociólogo vai além. “É um enorme investimento social num sistema viário gigantesco, que na verdade é apropriado por uma parte pequena da sociedade que anda de automóvel. Isso constitui uma violência que sustentou muitos prefeitos da cidade, baseada num mito de que construir vias é democrático. Não é. Construir vias, numa sociedade como a nossa, é altamente antidemocrático”. Simplesmente porque jamais haverá espaço suficiente para comportar a demanda de veículos, no ritmo atual. “Se o automóvel necessita de 50 m² para conseguir circular numa velocidade de 25 km/h, é impossível acomodar todos os automóveis na cidade. Nenhuma sociedade no mundo conseguiu, nem a mais motorizada e mais rica do mundo, que são o Estados Unidos. Devemos lutar contra o mito de que o aumento das vias vai acabar com o congestionamento. Temos que tirar automóveis da rua em vez de fazer vias”, defendeu. A discussão completa pode ser assistida no link http://bit.ly/n9uW8R.
Limeira ainda não sinaliza o colapso. Mas exemplos não faltam, mostrando que não é difícil chegar a ele. Por isso o debate é necessário, não em detrimento dos veículos, mas a favor da vida, já que os maiores impactos são acidentes de trânsito, contaminação do ar e congestionamentos. Vale o conforto do motor, quando se perde tempo ilhado num mar de metal, enquanto a vida passa? É só refletir, no próximo congestionamento.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Horto, parque e área urbana terão plantio de árvores hoje

Daíza Lacerda


No Dia da Árvore, secretário pede que população pense em plantar, não em retirar

Hoje é celebrado o Dia da Árvore, e diversos locais em Limeira receberão plantio de mudas. O município tem cerca de 60 mil árvores na área urbana, quantidade considerada "de razoável para boa".
Para manter e aumentar o número de mudas, o secretário municipal de Meio Ambiente, Domingos Furgione Filho, declara que plantios são realizados todas as sextas-feiras, além dos mutirões do dia a dia. "Muitas são arrancadas e os fiscais saem com a relação de locais para replantar. Procuramos plantar 10% a mais do que foi removido", salienta.
Hoje serão plantadas espécies de essência nativa em locais como o Horto Florestal, Parque da Cidade e área urbana, como a central, que receberá 100 mudas.
O secretário pede que a população reflita, neste dia, pela conservação das árvores, e não a retirada. Pedidos de poda e de remoção são comuns, vindos de vários bairros. "O ideal é não retirar, podar ou cortar a raiz, mas preservar. Há uma cultura de que tudo é 'culpa' da árvore, seja a sujeira ou galhos caídos. Será que é mesmo? Não terá problema se o cidadão desentupir a calha, varrer e consertar a calçada sem retirar a árvore", defende.
Ele lembra que as árvores melhoram a qualidade do ar e de vida, além de embelezar as ruas, como os ipês amarelos, que são símbolo nacional. "Muitos pensam que o símbolo é o pau-brasil, por ter dado nome ao país, mas é o ipê", conta.
Furgione ressalta que há casos de emergência, nos quais a Secretaria deve ser contatada. "É claro que o primordial é preservar a vida humana e também os patrimônios. Em casos de emergência os engenheiros fazem uma vistoria no local para definir a medida apropriada", explica.
O cultivo e plantio é defendido, como um bem não do proprietário de uma residência, mas de todos. "Quanto mais árvores, melhor, porque elas reduzem a temperatura ambiente e aumentam o oxigênio e sombra".
Furgione avalia que há um longo caminho para que o município chegue à quantidade ideal de árvores, sem estimar um número. "Não é necessário estabelecer uma meta, desde que cresça a conscientização ambiental".

PROGRAMAÇÃO
Com o Dia da Árvore a Secretaria inicia a “Semana do Verde”. No Parque Cidade, das 7h30 às 10h30 e das 13h às 15h, alunos de escolas municipais, visitantes e comunidade participarão de palestra, trilha ecológica, “Abraço Verde”, plantio de mudas e apresentação da Banda Arthur Giambelli.
Outros plantios de mudas de árvores de essência nativa (adequadas para a arborização urbana) serão realizados nos bairros Boa Vista, Jardim América, Jardim Brasil, Jardim Caieira, Jardim do Lago, Jardim Dr. João Levy, Jardim Esteves, Jardim Mercedes, Jardim Nova Itália, Jardim Nova Suíça, Jardim Piratininga, Jardim Santo André, Jardim São Paulo, Parque Abílio Pedro, Parque Anavec, Parque das Nações, Parque Nossa Senhora das Dores, Jardim Santa Fé, Vila Camargo, Vila Castelar, Vila Cláudia, Vila Independência, Vila Piza, Vila Queiroz, Vila São João, Vila Santa Lina, Vila Rosália e Centro.
A programação hoje começa as 7h45 no parque, com a Roda de Conversa, seguida da Trilha Ecológica as 8h. Às 8h30 acontece o Abraço Verde, quando será escolhida uma árvore antiga, de grande porte, onde será proposto um abraço ao seu entorno com todos os participantes, tendo como objetivo o contato direto com a natureza e o compromisso em preservar o meio ambiente.
Às 8h45 acontece o plantio de mudas de Ipê-branco (Tabebuia roseoalba) e as 9h os alunos serão divididos em grupos, para participarem de atividades do Circuito Lúdico.

AÇÕES
A Foz do Brasil promoverá hoje a Ação de Recuperação Ambiental na Bacia do Ribeirão Pinhal, como comemoração da data. O evento será as 10h, com acesso pela Rodovia SP-147 (Limeira-Mogi Mirim), próximo ao km 103.
Serão plantadas 750 mudas de espécies nativas em uma Área de Preservação Permanente (APP) de 4.500 m2. O plantio contará com a participação de alunos do 5º ano da escola Sesi.
Hoje o comitê de sustentabilidade do Enxuto, em parceria com a Semea Engenharia Ambiental fará plantio de árvores em áreas verdes, além da distribuição de material de conscientização aos clientes do supermercado. A ação será no Parque Residencial Abílio Pedro.



terça-feira, 20 de setembro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Criada comissão para discussão do Código Ambiental do Município

Daíza Lacerda


O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) formou na última reunião ordinária, dia 13, a comissão que inicia os trabalhos para a criação do Código Ambiental do Município.
"Foram nomeadas sete pessoas para estudo da proposta, para qual já iniciam os trabalhos com análises e sugestões", explicou o secretário de Meio Ambiente Domingos Furgione Filho, que é também presidente do conselho.
A comissão especial é formada por representantes da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos, Ciesp/Fiesp, Secretaria Municipal da Saúde, ONG PreservAção, Secretaria de Planejamento e Urbanismo e Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, além de um representante da sociedade civil que atuará como ouvinte, sem poder de voto.
A primeira reunião para discussão dos itens do Código já está marcada para o dia 22, as 15h, no auditório da Cati, no Parque Cidade.
COMDEMA
De acordo com Furgione, a 22ª reunião do conselho teve a pauta integralmente cumprida, com bom quórum de conselheiros. Além da aprovação da comissão para o Código Ambiental, foi discutido o Plano Diretor de Cordeirópolis, que já passou por audiências públicas e teve as propostas discutidas. "Foram passadas informações e preocupações, e o conselho se mostrou satisfeito. Há representantes monitorando e a iniciativa é da sociedade civil", lembra Furgione.
Entre os itens que não estavam em pauta mas foram citados estão a situação de chácaras irregulares e a lagoa do Jardim do Lago, na qual ocorreu uma morte no mês passado. "Abordamos esta questão e a maneira como ocorreu, além de expor as providências tomadas, a título de conhecimento", disse o secretário. Em relação aos loteamentos irregulares, há a preocupação com as áreas de Proteção Permanente (APP) que não podem receber construções, que será um item de pauta futuro.
Formado por 21 membros e seus suplentes, o conselho tem reuniões ordinárias a cada 60 dias. Além de secretarias municipais, instituições também têm representantes. "Agradeço a colaboração dos membros e a ajuda na gestão do meio ambiente no município", finaliza Furgione.



Percepções - Dalai Lama

Coluna Percepções cita reportagem sobre passagem do Dalai Lama no Brasil


domingo, 18 de setembro de 2011 | By: Daíza de Carvalho

Cetesb propõe inspeção veicular em Limeira e região

Daíza Lacerda

Plano da Cetesb prevê vistoria em carros e motos na região, além de veículos a diesel

A macrometrópole paulista, formada pela região de Piracicaba, na qual estão incluídas as cidades de Limeira, Iracemápolis, Cordeirópolis e Engenheiro Coelho, tem previsto o serviço de inspeção veicular como medida de contenção da poluição.
A medida é uma das previstas pelo Plano de Controle de Poluição Veicular (PCPV) do Estado, elaborado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e apresentado na quarta-feira ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).
Previstas para os anos de 2011 a 2013, as diretrizes foram elaboradas a partir da resolução 418/2009 do Conama, que prevê que os Estados façam o planejamento.
Marcelo Pereira Bales, gerente do setor de Avaliação de Programas de Transporte da Cetesb, explica que foram pesquisadas a qualidade do ar e frota circulante e feitas projeções para o controle da poluição. "Uma das açõe sprevistas é a inspeção veicular em todo o Estado para veículos a diesel. Já na Área 1, da macrometrópole paulista, além desses, a inspeção será para toda a frota, incluindo carros e motocicletas", afirma.
As ações têm prazo de 18 meses para serem implementadas a partir da publicação do PCPV, mas dependem ainda da aprovação do Projeto de Lei 1.187/2009, que tramita na Assembleia Legislativa, e regulamenta o serviço de inspeção veicular em todo o Estado, o que até o momento só é realizado em São Paulo.

POSSÍVEIS CONDIÇÕES
Com a apresentação do plano e espera da aprovação da lei, que já passou por várias comissões mas ainda pode ter alterações pedidas, detalhes de como o serviço funcionará ainda serão divulgados. Itens como custo para o proprietário de veículo, frequência da inspeção e veículos que precisam ser submetidos ainda não foram definidos, o que depende da aprovação da lei.
Em São Paulo os proprietários tiveram isenção durante um ano, com direito a serem reembolsados após o pagamento da tarifa de inspeção. Mas ainda não é possível afirmar que o mesmo ocorrerá nas 124 cidades previstas para receber o serviço. "O modelo de inspeção que é operado em São Paulo responde a regulamentos técnicos do Conama. De uma forma geral as demais cidades poderão ter o serviço baseado no da capital", diz Bales, ressaltando que não há definições concretas para as cidades do interior e também do litoral, que entram na nova lista de inspeção.
Também está indefinido se o serviço será feito por empresas terceirizadas. Na capital, a inspeção é pré-requisito para o licenciamento do veículo, com a recomendação de ser providenciada pelo menos 60 dias antes do vencimento do documento. "Há auditoria prévia visual, na qual podem ser detectados furos no escapamento, vazamentos ou falta de peças, que podem levar à reprovação", explica o gerente.
Se reprovado, o proprietário tem 30 dias para procurar um mecânico e regularizar a situação do veículo e, em São Paulo, não paga nova tarifa para a segunda inspeção. Enquanto não é aprovado, não pode renovar o licenciamento e fica em débito com as autoridades ambientais e de trânsito.

OUTRAS AÇÕES
De acordo com Bales, a expectativa é de que a lei seja aprovada neste ano, para que no prazo de alguns meses sejam feitas as definições e trâmites para o início da inspeção nos municípios. Além das possibilidades de o Estado operar ou fazer a concessão do programa a empresas privadas, as prefeituras podem fazer uma operação conjunta, desde que conveniadas à Cetesb.
Outras propostas do PCPV são a fiscalização do excesso de fumaça preta e de grandes frotistas. "A alta concentração de caminhões é responsável  pela poluição nos centros urbanos, além das mudanças climáticas. A substituição do transporte rodoviário por alternativas que emitem menos poluentes favorecem a qualidade do ar com ganhos expressivos", declara o gerente, se referindo aos meios hidroviários e ferroviários.
Ele lembra que iniciativas neste sentido já estão em pauta, com o convênio entre governo estadual e federal para a construção de um "ferroanel", ligação ferroviária para o transporte de cargas do interior e região metropolitana de São Paulo até o litoral, além da expansão da hidrovia Tietê-Paraná. "Em São Paulo os trens de carga compartilham as linhas do transporte urbano e funcionam em horário limitado. Com a ligação ferroviária, poderão circular o dia todo", complementa.

Manchete de hoje da Gazeta de Limeira.





Plano municipal contra desastres das chuvas começa a ser licitado

Daíza Lacerda

Estudo deverá apontar áreas críticas e níveis de gravidade para planejamento

Para identificar áreas e planejar ações em relação aos riscos das chuvas, sobretudo as de verão, Limeira prevê a elaboração de um Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). A tomada de preços para contratação de empresa para desenvolver o estudo foi publicada no Jornal Oficial do dia 10.
De acordo com Miquéas Balmant, coordenador da Defesa Civil, o trabalho consiste em levantamento das áreas de riscos diversos, mas, nesta etapa, prioriza os relacionados a intempéries. "Será feito um diagnóstico técnico com levantamento de todas as circunstâncias relacionadas à chuva", explica.
O plano deverá apontar ainda uma hierarquia dos riscos, para planejamento do município de acordo com a gravidade. É prevista também a capacitação de pessoal para agir nessas ocasiões.
A contratação obedece aos prazos legais, mas a expectativa de Balmant é de que os trabalhos sejam iniciados até o fim do ano. "Isso envolverá pelo menos oito tipos de profissionais, como geólogos e engenheiros civis", acrescenta.
A Defesa Civil do Estado prevê que todos os municípios tenham o plano. No entanto, a execução obedece à ordem de necessidade, em critérios estabelecidos pelo Ministério das Cidades. "O projeto é previsto para todos os municípios do Estado, mas para Limeira levaria uns três anos para ter início, já que a prioridade são cidades com ocupações desordenadas em encostas, o que não é o nosso caso", justifica Balmant.

MEDIDA INDEPENDENTE
Como a cidade não estava elencada pelo Ministério das Cidades, a Procuradoria Geral do Estado adotou a medida de incentivar os planos municipais, explica o secretário municipal de Segurança Pública, Siddhartha Carneiro Leão. "Devido aos acontecimentos dos últimos verões, Limeira foi cobrada pela 6ª Promotoria, dada a ausência do município entre as cidades elegíveis ao plano pelo Estado".
Para dar início ao projeto de forma independente, vários órgãos e secretarias, como Corpo de Bombeiros, Polícia, Planejamento, Segurança Pública, Serviço Autônomo de Água de Esgoto (SAAE), e Obras se reuniram para elaboração das diretrizes do plano. "Foi feito um memorial descritivo antes da cotação e processo licitatório", diz Siddharta. Depois de pronto, o município deverá implantar o plano, que exigirá administração contínua.
O secretário ressalta que o trabalho é complexo e o procedimento, demorado. No entanto, lembra que já existem obras em andamento para prevenção de enchentes, como o plano de macrodrenagem. Em agosto o município teve empenhados cerca de R$ 25 milhões pelo Ministério das Cidades, junto ao Orçamento Geral da União. A verba financiará uma bacia de contenção de águas pluviais na região do Tiro de Guerra e de outras áreas, como as avenidas Cônego Manoel Alves e Piracicaba, Vila São João e Praça da Bíblia.
Siddharta salienta o lado positivo de Limeira não estar entre os municípios elegíveis para o plano de riscos pelo Estado. "São cidades com problemas muito mais sérios. Apesar das ocorrências que tivemos, felizmente o nível de gravidade não é tão alto como em outros locais, que registram muitas mortes a cada verão".
Enquanto o plano não tem início e o planejamento específico não é definido de acordo com as necessidades, a Defesa Civil começa a pensar no verão de 2012. "Estamos definindo uma comissão para tratar do assunto", disse Balmant.

Publicado na Gazeta de Limeira.