Secretário de Saúde Gerson Hansen Martins fala sobre o serviço:
SAMU funcionará em Limeira no final de setembro by daizalacerda
Rita Braun traz a Limeira memórias do Holocausto
Daíza Lacerda
Na defesa da liberdade de credo e raça, sobrevivente alerta contra iniciativas racistas
"É preciso atenção. Um toco de cigarro na floresta pode se tornar um incêndio incontrolável". Aos 81 anos, é com propriedade que Henrietta "Rita" Braun faz o alerta diante das demonstrações de intolerância contra crenças e raças, tanto no Brasil quanto mundo afora, como o recente ataque na Noruega.
Radicada no Brasil desde os 17 anos, em sua Polônia natal presenciou, ainda pequena, uma "higiene mental contra judeus", antes de sua família ir para os campos de concentração de Hitler. "De 40, sobraram quatro", disse ela ao relatar aos alunos do Colégio Anglo Portal as fugas com a família pela sobrevivência durante o Holocausto, em sua infância. O encontro foi na quinta-feira e contou com alunos do 9º ano, os três anos do ensino médio e curso pré-vestibular. Dos jovens, Rita tirou lágrimas, mas também risos.
Filha de pais separados, os primeiros sinais concretos da guerra e do cerco de Hitler contra os judeus vieram pelo céu, em 1939. "Eu tinha uns 10 anos e estava com outras crianças na fazenda do meu padrasto olhando os formatos das nuvens e com o que elas pareciam. Foi quando apareceram aviões voando tão baixo que eu podia ver a cabeça dos pilotos. Era incomum aeronaves naquela região da Polônia", descreveu.
Não demorou para vizinhos alertarem a família que russos estavam chegando para invadir e saquear a região. Foi quando ela, a mãe, o padrasto e a meia-irmã fugiram com sete carroças e 14 cavalos. "Refugiávamos no mato e, para mim, parecia uma aventura de Peter Pan, porque achava que a invasão dos russos não passaria de 15 dias e poderíamos voltar. Aquelas foram minhas últimas férias e mal sabia que não voltaria ali em cinco anos".
ESCOLHA DE SOFIA
O pai de Rita vivia com a esposa e o bebê, e era com ele que a jovem passava as férias. Até as tropas alemães chegarem com seus caminhões nos prédios ocupados por judeus. "Levavam só homens, tanto idosos como jovens. Por um tempo, os jovens voltavam. Já os mais velhos cavavam valas e, para economia de balas, fuzilava-se cinco de uma vez. O primeiro recebia a bala mortal e os que estavam atrás dependiam da sorte. Se a bala não acertasse o último, este fingia-se de morto e se jogava também na vala, para tentar se salvar entre os cadáveres, terra e cal".
A chegada dos alemães ocorreu primeiro no bairro de seu pai, quando ela passava as férias com ele e sua família. Ao serem detidos nos caminhões, um mensageiro deteve a família com um documento, para buscar Rita, assinado pela mãe. Embora o homem fizesse a busca mediante pagamento, apresentara-se como tio, alegando que a menina seria levada equivocadamente como judia. "Meu pai disse que não poderia escolher por mim, que não saberia quem sobreviveria, se ele ou minha mãe. Disse que a vida era uma só e que eu deveria decidir se ia com ele ou voltava para minha mãe. Independente da decisão, não se zangaria comigo. Não tive tempo para pensar, tudo era muito assustador, mas decidi voltar para minha mãe. Ele, que usava uma braçadeira com a estrela de Davi, me deu um saco de moedas, caso houvesse um bombardeio ou faltasse comida".
Com tão pouca idade ela teve o momento mais difícil de sua vida. "Me senti uma carrasca ao ter de escolher entre minha mãe e meu pai. Não podia me perdoar", relatou à Gazeta.
Em outra oportunidade conseguiu se despedir do pai, quando foi a última vez que o viu. Vítima de tifo, para não contaminar os outros e "economizar balas", o destino de seu pai no campo de contração foi ser jogado em cercas elétricas até a morte. A esposa também foi morta e o filho, ensacado vivo antes de ser jogado numa vala com terra e cal, "o cardápio dos nazistas", como pontua.
O bebê poderia ter sido salvo. "Uma família católica estava disposta a cuidá-lo, até ver que era circuncidado. Era uma passagem para a morte. Então o devolveu à família".
VIDA NO GUETO
Rita foi com a mãe, padrasto e irmã para o gueto, que era uma espécie de "baldeação" antes da chegada aos campos de concentração. "Era um bairro cercado no qual já havia inquilinos como ratos e baratas. Havia uma entrada e uma saída, vigiados. Lá passávamos frio, fome e contraímos tifo". O campo de concentração seria a próxima parada quando houvesse vagas.
Enquanto a família trabalhava (sem receber pagamento) e se alimentava nos empregos, Rita procurava no lixo ossos ou membrana de fígado, além de grama para ser cozinhada como opções de alimento. Motivo pelo qual o deperdício e intolerado por ela e sua família.
A rotina tinha quase diariamente cavalos brancos mas, em vez de príncipes, traziam algozes que atiravam em qualquer coisa que se mexesse, indiferente que fossem crianças. Era quando ela se escondia atrás de árvores ou arbustos.
Quando a família soube que o gueto "entraria em liquidação", que era o passaporte para os campos, a mãe comprou de um padre, com as joias que guardara, três certidões de nascimento alteradas para sair do local. Todos ganharam novo nome com registro católico.
CRUELDADE E SOBREVIVÊNCIA
Além das novas identidades, um alemão cuja casa a irmã trabalhava ajudou na sobrevivência da família, inclusive para acobertar seu padrasto, que, diferente dela, da mãe e irmã, tinha a aparência do "típico semita". Isso incluía usar chapéu tipo tirolês e a suástica no braço, para não ser descoberto. Passaram outros anos se escondendo e chegaram a ser submetidos a exame de sangue para determinar se eram semitas ou arianas. "Depois de três dias, por mais que minha mãe nos tranquilizasse que isso não era coisa que fosse determinada pelo sangue, fomos declaradas arianas e dignas de conviver com a pura raça", ironiza.
Vivo, o judeu não tinha valor. Morto, aproveitava-se desde o seu cabelo para fazer travesseiros como a gordura para fazer sabão. "Comandantes levavam crânios de judeus como adorno para suas casas. Não era coisa de 10, mas de 100".
O fim da guerra não era garantia de vida longa no local. Foi quando veio com a família para o Brasil, onde morava um dos tios, que viera como turista antes da guerra e aqui ficou.
Antes de aportar em Santos, a família aguardou, em Paris, por seis meses, o visto de Getúlio para entrar no País. Mas os contornos da ditadura não a assustou. "Aqui não tive medo. É um povo que aceita as diferenças. Meu país é o Brasil".
Realidade irretratável e perigo contemporâneo
"As pessoas assistem filmes sobre o Holocausto e perguntam se é tudo aquilo mesmo. Na verdade, é muito mais. Os judeus eram cobaias humanas", diz Rita, que acompanhou o neto, que quis visitar Auschwitz, onde jazem cinzas e flores entre os fornos crematórios e chuveiros de gás. Voltou também à Polônia, mesmo tendo adotado o Brasil como sua casa desde que aqui chegou, aos 17 anos.
Ela teme "os filhotes de Hitler", que exemplifica com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Outro alerta é para ação de skinheads, que pregam a supremacia de brancos, grupo que se mostra mais forte na região Sul, considera.
Ela reflete também os ataques a homossexuais, sobretudo quando este tipo de união passa a ser prevista pelas leis brasileiras. "Os ataques acontecem justamente por haver brechas, o que os preconceituosos não toleram. Qualquer minoria está sujeita a isso se não tomarmos providências", reforça, sobretudo com a ação iminente de neonazistas.
E foi justamente a situação contemporânea, discutida em sala nas aulas de História, que levou a professora Rita de Cássia Salmazo a aprofundar o assunto, até chegar a Rita e convidá-la para o encontro com os alunos. "Diante dos acontecimentos mundiais, como o ataque na Noruega, é muito importante que conheçam o passado e como a atualidade pode servir de alerta", diz a professora.
A aluna Victoria Forster de Almeira, 18, concorda. "Por mais que saibamos o rumo da história, é diferente ouvir de alguém que esteve lá. Foi muito tocante e ao mesmo tempo é preocupante saber que ainda há pessoas que tem os mesmos ideais", preocupa-se.
Rita Braun não esquece do pedido, quando deixou seu país, de que quem sobrevivesse contasse a história, para que não se repetisse. "Quando cheguei aqui me propus a pagar a dívida. Palavras o tempo apaga e o vento leva". Por isso registrou suas memórias em livro, distribuído em escolas, além de passar seus valores aos filhos e netos.
Ela, que declarou ficar honrada com o convite e conversa com os alunos, disse ter sentido plantar uma semente para que algo parecido com o que viveu jamais volte a acontecer. E deixa a sua mensagem. "Isso não deve ser esquecido. Devemos defender a liberdade de raça e religião. Não apenas no pensamento, mas na manifestação desse desejo". (DL)
Publicado na Gazeta de Limeira.
Na defesa da liberdade de credo e raça, sobrevivente alerta contra iniciativas racistas
"É preciso atenção. Um toco de cigarro na floresta pode se tornar um incêndio incontrolável". Aos 81 anos, é com propriedade que Henrietta "Rita" Braun faz o alerta diante das demonstrações de intolerância contra crenças e raças, tanto no Brasil quanto mundo afora, como o recente ataque na Noruega.
Radicada no Brasil desde os 17 anos, em sua Polônia natal presenciou, ainda pequena, uma "higiene mental contra judeus", antes de sua família ir para os campos de concentração de Hitler. "De 40, sobraram quatro", disse ela ao relatar aos alunos do Colégio Anglo Portal as fugas com a família pela sobrevivência durante o Holocausto, em sua infância. O encontro foi na quinta-feira e contou com alunos do 9º ano, os três anos do ensino médio e curso pré-vestibular. Dos jovens, Rita tirou lágrimas, mas também risos.
Filha de pais separados, os primeiros sinais concretos da guerra e do cerco de Hitler contra os judeus vieram pelo céu, em 1939. "Eu tinha uns 10 anos e estava com outras crianças na fazenda do meu padrasto olhando os formatos das nuvens e com o que elas pareciam. Foi quando apareceram aviões voando tão baixo que eu podia ver a cabeça dos pilotos. Era incomum aeronaves naquela região da Polônia", descreveu.
Não demorou para vizinhos alertarem a família que russos estavam chegando para invadir e saquear a região. Foi quando ela, a mãe, o padrasto e a meia-irmã fugiram com sete carroças e 14 cavalos. "Refugiávamos no mato e, para mim, parecia uma aventura de Peter Pan, porque achava que a invasão dos russos não passaria de 15 dias e poderíamos voltar. Aquelas foram minhas últimas férias e mal sabia que não voltaria ali em cinco anos".
ESCOLHA DE SOFIA
O pai de Rita vivia com a esposa e o bebê, e era com ele que a jovem passava as férias. Até as tropas alemães chegarem com seus caminhões nos prédios ocupados por judeus. "Levavam só homens, tanto idosos como jovens. Por um tempo, os jovens voltavam. Já os mais velhos cavavam valas e, para economia de balas, fuzilava-se cinco de uma vez. O primeiro recebia a bala mortal e os que estavam atrás dependiam da sorte. Se a bala não acertasse o último, este fingia-se de morto e se jogava também na vala, para tentar se salvar entre os cadáveres, terra e cal".
A chegada dos alemães ocorreu primeiro no bairro de seu pai, quando ela passava as férias com ele e sua família. Ao serem detidos nos caminhões, um mensageiro deteve a família com um documento, para buscar Rita, assinado pela mãe. Embora o homem fizesse a busca mediante pagamento, apresentara-se como tio, alegando que a menina seria levada equivocadamente como judia. "Meu pai disse que não poderia escolher por mim, que não saberia quem sobreviveria, se ele ou minha mãe. Disse que a vida era uma só e que eu deveria decidir se ia com ele ou voltava para minha mãe. Independente da decisão, não se zangaria comigo. Não tive tempo para pensar, tudo era muito assustador, mas decidi voltar para minha mãe. Ele, que usava uma braçadeira com a estrela de Davi, me deu um saco de moedas, caso houvesse um bombardeio ou faltasse comida".
Com tão pouca idade ela teve o momento mais difícil de sua vida. "Me senti uma carrasca ao ter de escolher entre minha mãe e meu pai. Não podia me perdoar", relatou à Gazeta.
Em outra oportunidade conseguiu se despedir do pai, quando foi a última vez que o viu. Vítima de tifo, para não contaminar os outros e "economizar balas", o destino de seu pai no campo de contração foi ser jogado em cercas elétricas até a morte. A esposa também foi morta e o filho, ensacado vivo antes de ser jogado numa vala com terra e cal, "o cardápio dos nazistas", como pontua.
O bebê poderia ter sido salvo. "Uma família católica estava disposta a cuidá-lo, até ver que era circuncidado. Era uma passagem para a morte. Então o devolveu à família".
VIDA NO GUETO
Rita foi com a mãe, padrasto e irmã para o gueto, que era uma espécie de "baldeação" antes da chegada aos campos de concentração. "Era um bairro cercado no qual já havia inquilinos como ratos e baratas. Havia uma entrada e uma saída, vigiados. Lá passávamos frio, fome e contraímos tifo". O campo de concentração seria a próxima parada quando houvesse vagas.
Enquanto a família trabalhava (sem receber pagamento) e se alimentava nos empregos, Rita procurava no lixo ossos ou membrana de fígado, além de grama para ser cozinhada como opções de alimento. Motivo pelo qual o deperdício e intolerado por ela e sua família.
A rotina tinha quase diariamente cavalos brancos mas, em vez de príncipes, traziam algozes que atiravam em qualquer coisa que se mexesse, indiferente que fossem crianças. Era quando ela se escondia atrás de árvores ou arbustos.
Quando a família soube que o gueto "entraria em liquidação", que era o passaporte para os campos, a mãe comprou de um padre, com as joias que guardara, três certidões de nascimento alteradas para sair do local. Todos ganharam novo nome com registro católico.
CRUELDADE E SOBREVIVÊNCIA
Além das novas identidades, um alemão cuja casa a irmã trabalhava ajudou na sobrevivência da família, inclusive para acobertar seu padrasto, que, diferente dela, da mãe e irmã, tinha a aparência do "típico semita". Isso incluía usar chapéu tipo tirolês e a suástica no braço, para não ser descoberto. Passaram outros anos se escondendo e chegaram a ser submetidos a exame de sangue para determinar se eram semitas ou arianas. "Depois de três dias, por mais que minha mãe nos tranquilizasse que isso não era coisa que fosse determinada pelo sangue, fomos declaradas arianas e dignas de conviver com a pura raça", ironiza.
Vivo, o judeu não tinha valor. Morto, aproveitava-se desde o seu cabelo para fazer travesseiros como a gordura para fazer sabão. "Comandantes levavam crânios de judeus como adorno para suas casas. Não era coisa de 10, mas de 100".
O fim da guerra não era garantia de vida longa no local. Foi quando veio com a família para o Brasil, onde morava um dos tios, que viera como turista antes da guerra e aqui ficou.
Antes de aportar em Santos, a família aguardou, em Paris, por seis meses, o visto de Getúlio para entrar no País. Mas os contornos da ditadura não a assustou. "Aqui não tive medo. É um povo que aceita as diferenças. Meu país é o Brasil".
Realidade irretratável e perigo contemporâneo
"As pessoas assistem filmes sobre o Holocausto e perguntam se é tudo aquilo mesmo. Na verdade, é muito mais. Os judeus eram cobaias humanas", diz Rita, que acompanhou o neto, que quis visitar Auschwitz, onde jazem cinzas e flores entre os fornos crematórios e chuveiros de gás. Voltou também à Polônia, mesmo tendo adotado o Brasil como sua casa desde que aqui chegou, aos 17 anos.
Ela teme "os filhotes de Hitler", que exemplifica com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Outro alerta é para ação de skinheads, que pregam a supremacia de brancos, grupo que se mostra mais forte na região Sul, considera.
Ela reflete também os ataques a homossexuais, sobretudo quando este tipo de união passa a ser prevista pelas leis brasileiras. "Os ataques acontecem justamente por haver brechas, o que os preconceituosos não toleram. Qualquer minoria está sujeita a isso se não tomarmos providências", reforça, sobretudo com a ação iminente de neonazistas.
E foi justamente a situação contemporânea, discutida em sala nas aulas de História, que levou a professora Rita de Cássia Salmazo a aprofundar o assunto, até chegar a Rita e convidá-la para o encontro com os alunos. "Diante dos acontecimentos mundiais, como o ataque na Noruega, é muito importante que conheçam o passado e como a atualidade pode servir de alerta", diz a professora.
A aluna Victoria Forster de Almeira, 18, concorda. "Por mais que saibamos o rumo da história, é diferente ouvir de alguém que esteve lá. Foi muito tocante e ao mesmo tempo é preocupante saber que ainda há pessoas que tem os mesmos ideais", preocupa-se.
Rita Braun não esquece do pedido, quando deixou seu país, de que quem sobrevivesse contasse a história, para que não se repetisse. "Quando cheguei aqui me propus a pagar a dívida. Palavras o tempo apaga e o vento leva". Por isso registrou suas memórias em livro, distribuído em escolas, além de passar seus valores aos filhos e netos.
Ela, que declarou ficar honrada com o convite e conversa com os alunos, disse ter sentido plantar uma semente para que algo parecido com o que viveu jamais volte a acontecer. E deixa a sua mensagem. "Isso não deve ser esquecido. Devemos defender a liberdade de raça e religião. Não apenas no pensamento, mas na manifestação desse desejo". (DL)
Publicado na Gazeta de Limeira.
Lixo no Jd. do Lago: ainda falta consciência da população
Daíza Lacerda
Falta de cuidados e de denúncias da população são empecilhos para a preservação
A área de Lazer do Jardim do Lago voltou a ser alvo de reclamações de moradores, devido à sujeira encontrada no local. "Há dias em que a situação está pior. Passo aqui todos os dias e já vi crianças pescando, o que é proibido. Falta fiscalização para coibir este tipo de coisa", diz uma dona de casa que mora em um dos bairros vizinhos.
"As pessoas do próprio bairro precisam cuidar mais. Sempre tem lixo, o que aumenta nas temporadas em que o local é aberto para a pesca", defende o estudante Eduardo Lopes, 20, que também usa a área como trajeto entre bairros.
Na rua de uma das margens da região do parque, a José da Silva Teixeira, há mato na calçada e o descarte de entulho, outra reclamação recorrente, ainda é frequente, principalmente no extremo mais afastado do playground. Além de restos de materiais da construção civil, móveis e animais mortos continuam sendo abandonados no local.
Para o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Jardim Aeroporto, Júlio César Amaral, " a área não precisaria de fiscais se houvesse conscientização por parte da população", que é tão responsável pela preservação do local quanto o poder público. "A consciência deve existir desde criança, para que elas também 'puxem a orelha' dos pais. As ações são punitivas, como multas, e não educativas, o que pode causar mais revolta. É preciso que Prefeitura e comunidade atuem juntas, mas a falta de conscientização ainda é um grande problema", reconhece.
PROVIDÊNCIAS
Diante da situação, o secretário municipal de Meio Ambiente, Domingos Furgione Filho, disse que a capinação e limpeza foram feitos há cerca de 10 dias e a remoção de entulho está programada para esta semana. No entanto, ressalta que é imprescindível a cooperação da população - tanto para manter o local limpo quanto para denunciar quem faz descarte irregular.
"Nossos fiscais passam três vezes por dia no local, mas não há como fazer autuação sem flagrante. Por isso, o morador que vê alguém fazendo despejo deve denunciar", reforça o secretário, lembrando que, a cada limpeza, são tirados entre cinco e seis caminhões de entulho da área, o que não tem justificativa, já que são materiais que podem ser deixados em ecopontos, além das coletas de lixo e do Só Cacareco.
O secretário municipal de Segurança Pública, Siddhartha Carneiro Leão, lembra que há guardas municipais 24 horas no local, que devem intervir em irregularidades. "É uma área enorme, mas da casa e proximidades há um bom campo de visão, como o parque, tanques e entradas. Os guardas estão no local para colaborar e fazer o que estiver ao seu alcance para auxiliar na conservação", declarou.
PROJETOS
Uma das entradas da área de lazer já foi motivo de reclamação, devido ao desnível de terra e entulho deixado também no local. De acordo com Furgione, a manutenção deste item está incluída no projeto de melhorias para o local. Parte do alambrado começou a ser trocada, o que deve acontecer em toda a área, incluindo a colocação de portões.
"Estão previstas as contruções de dois banheiros e uma lanchonete, o que será licitado. Na entrada, devem ser colocados pedriscos e um piso impermeável", informou, lembrando, no entanto, que tudo depende dos prazos legais das licitações que serão feitas.
Publicado na Gazeta de Limeira.
Falta de cuidados e de denúncias da população são empecilhos para a preservação
A área de Lazer do Jardim do Lago voltou a ser alvo de reclamações de moradores, devido à sujeira encontrada no local. "Há dias em que a situação está pior. Passo aqui todos os dias e já vi crianças pescando, o que é proibido. Falta fiscalização para coibir este tipo de coisa", diz uma dona de casa que mora em um dos bairros vizinhos.
"As pessoas do próprio bairro precisam cuidar mais. Sempre tem lixo, o que aumenta nas temporadas em que o local é aberto para a pesca", defende o estudante Eduardo Lopes, 20, que também usa a área como trajeto entre bairros.
Na rua de uma das margens da região do parque, a José da Silva Teixeira, há mato na calçada e o descarte de entulho, outra reclamação recorrente, ainda é frequente, principalmente no extremo mais afastado do playground. Além de restos de materiais da construção civil, móveis e animais mortos continuam sendo abandonados no local.
Para o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Jardim Aeroporto, Júlio César Amaral, " a área não precisaria de fiscais se houvesse conscientização por parte da população", que é tão responsável pela preservação do local quanto o poder público. "A consciência deve existir desde criança, para que elas também 'puxem a orelha' dos pais. As ações são punitivas, como multas, e não educativas, o que pode causar mais revolta. É preciso que Prefeitura e comunidade atuem juntas, mas a falta de conscientização ainda é um grande problema", reconhece.
PROVIDÊNCIAS
Diante da situação, o secretário municipal de Meio Ambiente, Domingos Furgione Filho, disse que a capinação e limpeza foram feitos há cerca de 10 dias e a remoção de entulho está programada para esta semana. No entanto, ressalta que é imprescindível a cooperação da população - tanto para manter o local limpo quanto para denunciar quem faz descarte irregular.
"Nossos fiscais passam três vezes por dia no local, mas não há como fazer autuação sem flagrante. Por isso, o morador que vê alguém fazendo despejo deve denunciar", reforça o secretário, lembrando que, a cada limpeza, são tirados entre cinco e seis caminhões de entulho da área, o que não tem justificativa, já que são materiais que podem ser deixados em ecopontos, além das coletas de lixo e do Só Cacareco.
O secretário municipal de Segurança Pública, Siddhartha Carneiro Leão, lembra que há guardas municipais 24 horas no local, que devem intervir em irregularidades. "É uma área enorme, mas da casa e proximidades há um bom campo de visão, como o parque, tanques e entradas. Os guardas estão no local para colaborar e fazer o que estiver ao seu alcance para auxiliar na conservação", declarou.
PROJETOS
Uma das entradas da área de lazer já foi motivo de reclamação, devido ao desnível de terra e entulho deixado também no local. De acordo com Furgione, a manutenção deste item está incluída no projeto de melhorias para o local. Parte do alambrado começou a ser trocada, o que deve acontecer em toda a área, incluindo a colocação de portões.
"Estão previstas as contruções de dois banheiros e uma lanchonete, o que será licitado. Na entrada, devem ser colocados pedriscos e um piso impermeável", informou, lembrando, no entanto, que tudo depende dos prazos legais das licitações que serão feitas.
Publicado na Gazeta de Limeira.
Comunidade busca ampliação de área para skate e bicicross
Daíza Lacerda
"Fazíamos campeonatos aqui que reuniam mais de 100 pessoas. Inclusive vinham de outras cidades para acompanhar. Hoje muita gente deixou de frequentar o espaço". A reclamação é do morador Bruno dos Santos Souza, 25, e se refere à área de lazer Carlos Augusto Catapani, entre a Avenida João Amaral Gama e Rua Salvador Bianchi, no Jardim São Francisco.
O pedido de melhorias no local, com ampliação da área para manobras com skate e adequação da pista de bicicross, já foi motivo de requerimento na Câmara Municipal no ano passado, amparado por um abaixo-assinado com cerca de 200 assinaturas. "Há anos reivindicamos atenção para o espaço, pois é o local ideal para crianças e jovens ficarem, e não nas ruas. O bicicross é um esporte olímpico e, com incentivo e atenção ao espaço, quem sabe não poderíamos um dia ter um representante daqui?", estima Souza.
EXEMPLOS VIZINHOS
"Sem pistas decentes, as pessoas vão para outras cidades", acrescenta o estudante Linicker Aparecido Pierrotti, 17. Eles exemplificam com duas cidades da região. Em Piracicaba, foi construída, numa praça, a estrutura para skate que serve de modelo do que a comunidade busca para o Jardim São Francisco. "As rampas são pequenas e com poucos obstáculos", explica Souza. Já em Americana existe uma pista oficial de bicicross, e um campeão do esporte, da cidade vizinha, disposto a auxiliar em projetos de Limeira, segundo o morador.
O local está sem iluminação e sem água, além de buracos nas rampas de skate. Embora haja manutenção, como poda do mato, os moradores alegam ter colocado parte da estrutura por iniciativa e gastos próprios.
"Movimentar o local novamente será bom para todos. Para as crianças terem onde ficar e ingressarem no esporte e também para o comércio local, com a movimentação de pessoas", defende Souza.
SOLUÇÕES
O secretário municipal de Esportes, Júlio Florindo, informou que foi contatado pela comunidade mas que ainda não há projeto específico para o local. "Precisamos encontrar com os moradores e discutir o que pode ser feito de melhorias", declarou. Em contato com os moradores ouvidos pela Gazeta, o secretário disse que uma reunião deve ser marcada nesta semana para ouvir a comunidade e ver o que pode ser viabilizado no local.
Publicado na Gazeta de Limeira.
"Fazíamos campeonatos aqui que reuniam mais de 100 pessoas. Inclusive vinham de outras cidades para acompanhar. Hoje muita gente deixou de frequentar o espaço". A reclamação é do morador Bruno dos Santos Souza, 25, e se refere à área de lazer Carlos Augusto Catapani, entre a Avenida João Amaral Gama e Rua Salvador Bianchi, no Jardim São Francisco.
O pedido de melhorias no local, com ampliação da área para manobras com skate e adequação da pista de bicicross, já foi motivo de requerimento na Câmara Municipal no ano passado, amparado por um abaixo-assinado com cerca de 200 assinaturas. "Há anos reivindicamos atenção para o espaço, pois é o local ideal para crianças e jovens ficarem, e não nas ruas. O bicicross é um esporte olímpico e, com incentivo e atenção ao espaço, quem sabe não poderíamos um dia ter um representante daqui?", estima Souza.
EXEMPLOS VIZINHOS
"Sem pistas decentes, as pessoas vão para outras cidades", acrescenta o estudante Linicker Aparecido Pierrotti, 17. Eles exemplificam com duas cidades da região. Em Piracicaba, foi construída, numa praça, a estrutura para skate que serve de modelo do que a comunidade busca para o Jardim São Francisco. "As rampas são pequenas e com poucos obstáculos", explica Souza. Já em Americana existe uma pista oficial de bicicross, e um campeão do esporte, da cidade vizinha, disposto a auxiliar em projetos de Limeira, segundo o morador.
O local está sem iluminação e sem água, além de buracos nas rampas de skate. Embora haja manutenção, como poda do mato, os moradores alegam ter colocado parte da estrutura por iniciativa e gastos próprios.
"Movimentar o local novamente será bom para todos. Para as crianças terem onde ficar e ingressarem no esporte e também para o comércio local, com a movimentação de pessoas", defende Souza.
SOLUÇÕES
O secretário municipal de Esportes, Júlio Florindo, informou que foi contatado pela comunidade mas que ainda não há projeto específico para o local. "Precisamos encontrar com os moradores e discutir o que pode ser feito de melhorias", declarou. Em contato com os moradores ouvidos pela Gazeta, o secretário disse que uma reunião deve ser marcada nesta semana para ouvir a comunidade e ver o que pode ser viabilizado no local.
Publicado na Gazeta de Limeira.
Em julho, aterro recebeu quase 21 mil toneladas de resíduos
Daíza Lacerda
O lixo de domicílios, indústrias, hospitais e serviços de coleta do município como o Só Cacareco e podas de árvores totalizaram no mês de julho 20.927 toneladas. Este foi o volume recebido pelo aterro municipal.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Domingos Furgione, forneceu o levantamento, a pedido da Gazeta. A pasta é responsável pelo espaço desde junho quando, até então, era comandada pela Secretaria de Obras e Serviços Urbanos.
O item de maior acúmulo foi o entulho, com 12.556,80 toneladas, que representa 60% do total. Neste período foi implantada a Área de Triagem e Transbordo (ATT), específica para este tipo de material, em atendimento à Resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que proíbe, desde janeiro, o descarte de entulho nos aterros que recebem lixo doméstico.
O lixo domiciliar é a segunda maior parcela recebida no aterro em julho, com 5.249,62 toneladas, equivalente a 25% do total no mês. Em seguida, vem o lixo industrial classe II (lodo, areia), com 1.969,32 (9,4%). Já o lixo industrial classe III (materiais leves, como de escritório, sem contaminação) totalizou 259,33 toneladas.
Podas de árvores renderam 728,20 toneladas enquanto os materiais do Só Cacareco totalizaram 124,57 toneladas no mês. O item com menor volume é o lixo hospitalar, com 39,16 toneladas. Furgione explica que este material também tem classificações e que a recebida é a permitida ser disposta no aterro.
ATT
De acordo com Furgione, o volume de entulho descartado na ATT em julho corresponde ao esperado, devido às atividades de construção civil na cidade, das quais provém a maior parte do material. "No local são separados os materiais inertes dos recicláveis e reutilizáveis como madeira, que são encaminhados para cooperativas. A demanda é de materiais de ecopontos e também de construções em geral".
Ainda que agora o município ofereça espaço para esse tipo de material (a cidade ficou um período sem local para despejo com a desativação da RL Reciclados, quando aumentou o descarte em áreas irregulares), esta prática, proibida, ainda é um problema. No entanto, o secretário avisa que há dez ficais da pasta atuando para coibir a irregularidade e flagrantes são passíveis de multas. Denúncias também podem ser feitas pelo 0800-773-4100 e não é preciso se identificar.
Empresas pagam R$ 3,80 o metro cúbico para o despejo, mas o rejuste é previsto para a taxa, que deve aumentar. O município ainda planeja a estrutura para reciclagem de materiais da contrução civil, para reutilização. Porém, além de estudos, o projeto também exige licenciamentos.
Publicado na Gazeta de Limeira.
O lixo de domicílios, indústrias, hospitais e serviços de coleta do município como o Só Cacareco e podas de árvores totalizaram no mês de julho 20.927 toneladas. Este foi o volume recebido pelo aterro municipal.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Domingos Furgione, forneceu o levantamento, a pedido da Gazeta. A pasta é responsável pelo espaço desde junho quando, até então, era comandada pela Secretaria de Obras e Serviços Urbanos.
O item de maior acúmulo foi o entulho, com 12.556,80 toneladas, que representa 60% do total. Neste período foi implantada a Área de Triagem e Transbordo (ATT), específica para este tipo de material, em atendimento à Resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que proíbe, desde janeiro, o descarte de entulho nos aterros que recebem lixo doméstico.
O lixo domiciliar é a segunda maior parcela recebida no aterro em julho, com 5.249,62 toneladas, equivalente a 25% do total no mês. Em seguida, vem o lixo industrial classe II (lodo, areia), com 1.969,32 (9,4%). Já o lixo industrial classe III (materiais leves, como de escritório, sem contaminação) totalizou 259,33 toneladas.
Podas de árvores renderam 728,20 toneladas enquanto os materiais do Só Cacareco totalizaram 124,57 toneladas no mês. O item com menor volume é o lixo hospitalar, com 39,16 toneladas. Furgione explica que este material também tem classificações e que a recebida é a permitida ser disposta no aterro.
ATT
De acordo com Furgione, o volume de entulho descartado na ATT em julho corresponde ao esperado, devido às atividades de construção civil na cidade, das quais provém a maior parte do material. "No local são separados os materiais inertes dos recicláveis e reutilizáveis como madeira, que são encaminhados para cooperativas. A demanda é de materiais de ecopontos e também de construções em geral".
Ainda que agora o município ofereça espaço para esse tipo de material (a cidade ficou um período sem local para despejo com a desativação da RL Reciclados, quando aumentou o descarte em áreas irregulares), esta prática, proibida, ainda é um problema. No entanto, o secretário avisa que há dez ficais da pasta atuando para coibir a irregularidade e flagrantes são passíveis de multas. Denúncias também podem ser feitas pelo 0800-773-4100 e não é preciso se identificar.
Empresas pagam R$ 3,80 o metro cúbico para o despejo, mas o rejuste é previsto para a taxa, que deve aumentar. O município ainda planeja a estrutura para reciclagem de materiais da contrução civil, para reutilização. Porém, além de estudos, o projeto também exige licenciamentos.
Publicado na Gazeta de Limeira.
Com ampliação, coleta de óleo já é recorde neste ano
Daíza Lacerda
Em quatro meses, parceria com município e concessionária alavanca resultados
O projeto "Rio Limpo Começa em Casa" já arrecadou até dia 8 deste mês quase o total de litros de óleo comestível adquirido durante todo o ano de 2010. Idealizado pela escola Senai Luiz Varga em 2002, em março o programa foi ampliado em parceria com a concessionária Foz do Brasil e as secretarias de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Bioatividades e da Educação.
Em 2010, o programa arrecadou 13.582 litros de óleo. Já em 2011, em quatro meses de ampliação, já foram acumulados 13.276 litros.
Francisco de Assis Magri, coordenador de Qualidade e Meio Ambiente do Senai, explica que o projeto iniciado em Limeira foi implantado em todas as unidades do Senai em 2007. "O programa se tornou referência no Senai e com as parcerias de expansão pudemos atingir uma parte maior da população com a educação ambiental para os alunos e também suas famílias", diz ele, que estima que a iniciaiva chegue a pelo menos um terço dos moradores.
Ele lembra que já é estudada a segunda fase de expansão do projeto. A expectativa é fechar 2011 com o total entre 30 mil e 35 mil litros de óleo arrecadados.
O programa conta com 35 pontos de coleta distribuídos em escolas, empresas e instituições, o que facilita a participação da população para levar o óleo a um dos locais. Os pontos de coleta podem ser pesquisados no site www.fozdobrasil.com.br, escolhendo a cidade de Limeira, ou pelos telefones 0800-773-4100 (Secretaria de Meio Ambiente) ou 3451-0577 (Senai).
O óleo é recolhido nos pontos de coleta pela empresa Pronto Óleo e destinado à fabricação de diversos produtos, como biodiesel, massas para vidros, tintas, entre outros.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Fazem parte do projeto palestras de educação ambiental realizadas por uma gestora ambiental contratada pela Foz do Brasil nas escolas municipais que são pontos de coleta. Toda quarta-feira uma escola recebe a palestra, que orienta as crianças sobre a importância de coletar o óleo em casa e os malefícios que ele causa quando descartado de forma errada. Até o momento, dez escolas municipais receberam a palestra, totalizando mais de quatro mil alunos abordados. A meta é abranger cerca de 10 mil crianças até o final do ano.
"Este é o grande mérito do projeto, de envolver outras pessoas com a conscientização ambiental e importância da água, o que abrange também os sistemas de gestão em empresas", diz Magri.
A responsabilidade social é outro foco do projeto, em que parte do óleo arrecadado é revertida em produtos de limpeza e doada às entidades assistenciais do município. Já foram doados 14.390 litros entre cloro, desinfetante e detergente.
COMO COLABORAR
Para separar o óleo em casa, basta esperar que ele esfrie e armazená-lo em garrafas de plástico PET, nunca em embalagens de vidro, pois podem quebrar e causar acidente. Para facilitar é indicado o uso de um funil para despejar o óleo e não é necessário peneirar. A garrafa deve estar sempre bem fechada para evitar vazamentos, depois é só levá-la a um ponto de coleta. Não é necessário esperar a garrafa encher para deixá-la em um ponto, mas é importante ressaltar que só são coletados o óleo e gordura utilizados na cozinha. Os óleos de veículos e equipamentos não são coletados.
Publicado na Gazeta de Limeira.
Em quatro meses, parceria com município e concessionária alavanca resultados
O projeto "Rio Limpo Começa em Casa" já arrecadou até dia 8 deste mês quase o total de litros de óleo comestível adquirido durante todo o ano de 2010. Idealizado pela escola Senai Luiz Varga em 2002, em março o programa foi ampliado em parceria com a concessionária Foz do Brasil e as secretarias de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Bioatividades e da Educação.
Em 2010, o programa arrecadou 13.582 litros de óleo. Já em 2011, em quatro meses de ampliação, já foram acumulados 13.276 litros.
Francisco de Assis Magri, coordenador de Qualidade e Meio Ambiente do Senai, explica que o projeto iniciado em Limeira foi implantado em todas as unidades do Senai em 2007. "O programa se tornou referência no Senai e com as parcerias de expansão pudemos atingir uma parte maior da população com a educação ambiental para os alunos e também suas famílias", diz ele, que estima que a iniciaiva chegue a pelo menos um terço dos moradores.
Ele lembra que já é estudada a segunda fase de expansão do projeto. A expectativa é fechar 2011 com o total entre 30 mil e 35 mil litros de óleo arrecadados.
O programa conta com 35 pontos de coleta distribuídos em escolas, empresas e instituições, o que facilita a participação da população para levar o óleo a um dos locais. Os pontos de coleta podem ser pesquisados no site www.fozdobrasil.com.br, escolhendo a cidade de Limeira, ou pelos telefones 0800-773-4100 (Secretaria de Meio Ambiente) ou 3451-0577 (Senai).
O óleo é recolhido nos pontos de coleta pela empresa Pronto Óleo e destinado à fabricação de diversos produtos, como biodiesel, massas para vidros, tintas, entre outros.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Fazem parte do projeto palestras de educação ambiental realizadas por uma gestora ambiental contratada pela Foz do Brasil nas escolas municipais que são pontos de coleta. Toda quarta-feira uma escola recebe a palestra, que orienta as crianças sobre a importância de coletar o óleo em casa e os malefícios que ele causa quando descartado de forma errada. Até o momento, dez escolas municipais receberam a palestra, totalizando mais de quatro mil alunos abordados. A meta é abranger cerca de 10 mil crianças até o final do ano.
"Este é o grande mérito do projeto, de envolver outras pessoas com a conscientização ambiental e importância da água, o que abrange também os sistemas de gestão em empresas", diz Magri.
A responsabilidade social é outro foco do projeto, em que parte do óleo arrecadado é revertida em produtos de limpeza e doada às entidades assistenciais do município. Já foram doados 14.390 litros entre cloro, desinfetante e detergente.
COMO COLABORAR
Para separar o óleo em casa, basta esperar que ele esfrie e armazená-lo em garrafas de plástico PET, nunca em embalagens de vidro, pois podem quebrar e causar acidente. Para facilitar é indicado o uso de um funil para despejar o óleo e não é necessário peneirar. A garrafa deve estar sempre bem fechada para evitar vazamentos, depois é só levá-la a um ponto de coleta. Não é necessário esperar a garrafa encher para deixá-la em um ponto, mas é importante ressaltar que só são coletados o óleo e gordura utilizados na cozinha. Os óleos de veículos e equipamentos não são coletados.
Publicado na Gazeta de Limeira.
Descrevendo a história - a duras penas
Geralmente começa assim: o editor fala que tem uma pauta "que é a minha cara". Quando isso acontece, geralmente é algo relacionado a fatos ocorridos há pelo menos 30 anos. Ou muito mais. Anteontem não foi diferente quando fui escalada para cobrir uma palestra na tarde de ontem. Invariavelmente, quando isso acontece, antes de entregar o texto pergunto qual editor está com a faca menos afiada. É "livro" na certa, por mais que eu choramingue ou faça chantagens emocionais (tipo: "isso só acontece uma vez na vida"; "é uma história e tanto") para manter o tamanho original do "filho".
Ontem não precisei "assassinar a minha cria", que nada mais é do que a minha descrição pessoal (e dramática) do sufoco de editar o texto (cortar, cortar e cortar) até fazê-lo caber no espaço que sobrou da edição (depois de um tempão fazendo malabarismos com as palavras para contar os fatos da forma menos corriqueira possível, mas sem embromation). Isso não quer dizer que foi menos doloroso escrever o que escrevi.
Só não precisei editar porque deixei de colocar passagens detalhadas. Não que não fossem necessárias ao texto. Mas relatei o bastante. E só o escrevi por um motivo tão feliz quanto infeliz. Primeiro, porque milhares de vidas foram ceifadas. Mas também foram poupadas, e graças a uma dessas é que deixei de assassinar meu texto para escrever o relato do maior assassinato em massa da história: o Holocausto.
O pior não é só ouvir os horrores cometidos nos campos de concentração. É minimamente imaginar que há seres humanos (?) partidários, contemporaneamente, de medidas surreais em nome do preconceito.
O testemunho que eu e dezenas de jovens ouvimos é também um tapa na cara que nos mostra o quanto somos ingratos. Somos estapeados quando jornais de circulação nacional precisam estampar a cara da fome que existe no mundo e quando pessoas atravessam continentes em busca de sobrevivência, na fuga do cenário de guerra. Mas somos incapazes de nos compadecer com a miséria que vemos nas esquinas de onde vivemos, tanto como dar valor por termos o que vestir, o que comer e, principalmente, ter amor e presença da família - além das lembranças, mas perto, tão palpável e seguro quanto um abraço.
Essa reflexão é graças a uma senhorinha de 81 anos, simpatissíssima e atenciosa, que esteve em Limeira para contar como passou os dias de guerra e fuga do cerco nazista na sua Polônia natal, antes de chegar ao Brasil num pós-guerra ainda considerado de risco em sua terra. Henrietta "Rita" Braun descortinou horrores que, nem se houvesse espaço para tanto, eu gostaria de reproduzir. Porém, o terrorismo passou longe de seu tom, que se aproximava mais de um aviso do que o homem é capaz. Ela viu.
O que falar sobre a tristeza de inúmeras perdas quando se tem a dádiva da sobrevivência? Ela teve ambos e dissemina o que aprendeu e viveu.
Cada um sabe de suas perdas e, sabe-se lá a que preço para cada um, a dádiva da sobrevivência tem nos acompanhado. O que fazemos com ela? Desde quando há sentido em fazer algo só para nós? A questão não é só nos contentarmos com o que temos. Mas estender o que temos de melhor ao próximo. Mesmo que o melhor seja triste - não é necessariamente com as melhores notícias que temos crescimento e aprendizado.
Por isso - e só por isso - não foi mais penoso transcrever os relatos que ouvi.
Economista explica como crise nos EUA pode afetar brasileiros
Daíza Lacerda
Encarecimento do crédito com aumento dos juros pode ser uma das consequências
Pagar as contas e evitar novas dívidas, pelo menos por enquanto. É o que aconselha a economista Rosângela Carvalho, coordenadora de Economia do Isca Faculdades, durante a "turbulência" no mercado financeiro mundial que derrubou a bolsa de valores brasileira em 8,08% na segunda-feira.
Apesar da alta de 5,10%, ontem, como tudo depende do tempo de recuperação dos Estados Unidos (EUA), o Brasil tem motivos para se preocupar, mesmo com a estabilidade local. "Uma das consequências possíveis para segurar investidores é a tendência do aumento da taxa selic", explica. Ou seja, o crédito poderá ficar mais caro, e os produtos com componentes importados também, diante da possível alta do dólar. E a economista explica o por quê.
"Os EUA são referência para todos os países, por serem uma potência e maior investidor e credor mundial. Se há dúvida em relação ao investimento neste país, o temor será maior ainda em outros". O país vive oscilção econômica desde a crise de 2008, quando aumentou os gastos sociais e em incentivos para o consumo e consequente produção e crescimento econômicos. Agora, com as dívidas, precisa cortar gastos, o que causa um "efeito dominó".
No Brasil, o primeiro reflexo é a redução de exportações, o que deve levar o governo a repetir a "receita" de 2008, como anunciou a presidente Dilma Rousseff: a aposta no mercado interno. No cenário de crise, o governo precisa economizar, mas manter incentivos para o consumo, de forma a alimentar o ciclo de desenvolvimento - ter demanda para não parar as produções, evitando o desemprego e perda de mercado.
Já a queda das principais bolsas do mundo, que começaram a semana "no vermelho", foi resposta à baixa da "nota" dos Estados Unidos (EUA) de AAA para AA+ pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, na sexta-feira.
TEMOR
A venda de ações "em massa" devido ao temor de queda é o que causa a queda propriamente dita nas bolsas, explica Rosângela. "São as consequências em torno da expectativa. Há queda no Brasil, mas o nível de segurança é menor em outros países". O que não necessariamente serve de alento no cenário atual, já que a crise de 2008 tinha como ícone o mercado imobiliário norte-americano e, agora, o próprio governo.
Como meio de defesa, o ônus da recuperação dos EUA pode recair sobre os demais países dos quais é credor. "Mesmo que o Brasil tenha reservas internacionais, o que dá maior segurança, é uma reserva que escapa rápido. Por isso o País não está blindado, embora melhor preparado do que em 2008. As contas podem ficar mais caras", avalia.
OPORTUNIDADE
Para quem tem quantias disponíveis para investir - sem contar com este dinheiro por tempo indeterminado - pode ser uma boa hora para tentar, diante da queda dos valores das ações. Mas é preciso paciência até a recuperação, mesmo de ações de empresas mais estáveis como a Vale e Petrobrás. Já os títulos públicos são outra opção que apresenta menor risco. Mas o investidor deve avaliar a tendência das ações por semanas e meses, não isoladamente. "Quem já tem investimentos em ações não deve de forma alguma retirar neste momento", salienta Rosângela.
Enquanto isso, o cidadão deve cortar gastos. "O melhor, para garantir, é pagar as contas e guardar dinheiro, evitando fazer novas dívidas e financiamentos, que podem ficar mais caros".
Com a crise, há a tendência de alta no dólar, o que é alerta também para quem vai gastar no exterior numa inversão do cenário que os brasileiros têm aproveitado bastante, com a queda da moeda americana. "O ideal é não comprar no cartão de crédito internacional para evitar surpresas com a cotação do dólar no dia em que fechar a fatura".
Encarecimento do crédito com aumento dos juros pode ser uma das consequências
Pagar as contas e evitar novas dívidas, pelo menos por enquanto. É o que aconselha a economista Rosângela Carvalho, coordenadora de Economia do Isca Faculdades, durante a "turbulência" no mercado financeiro mundial que derrubou a bolsa de valores brasileira em 8,08% na segunda-feira.
Apesar da alta de 5,10%, ontem, como tudo depende do tempo de recuperação dos Estados Unidos (EUA), o Brasil tem motivos para se preocupar, mesmo com a estabilidade local. "Uma das consequências possíveis para segurar investidores é a tendência do aumento da taxa selic", explica. Ou seja, o crédito poderá ficar mais caro, e os produtos com componentes importados também, diante da possível alta do dólar. E a economista explica o por quê.
"Os EUA são referência para todos os países, por serem uma potência e maior investidor e credor mundial. Se há dúvida em relação ao investimento neste país, o temor será maior ainda em outros". O país vive oscilção econômica desde a crise de 2008, quando aumentou os gastos sociais e em incentivos para o consumo e consequente produção e crescimento econômicos. Agora, com as dívidas, precisa cortar gastos, o que causa um "efeito dominó".
No Brasil, o primeiro reflexo é a redução de exportações, o que deve levar o governo a repetir a "receita" de 2008, como anunciou a presidente Dilma Rousseff: a aposta no mercado interno. No cenário de crise, o governo precisa economizar, mas manter incentivos para o consumo, de forma a alimentar o ciclo de desenvolvimento - ter demanda para não parar as produções, evitando o desemprego e perda de mercado.
Já a queda das principais bolsas do mundo, que começaram a semana "no vermelho", foi resposta à baixa da "nota" dos Estados Unidos (EUA) de AAA para AA+ pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, na sexta-feira.
TEMOR
A venda de ações "em massa" devido ao temor de queda é o que causa a queda propriamente dita nas bolsas, explica Rosângela. "São as consequências em torno da expectativa. Há queda no Brasil, mas o nível de segurança é menor em outros países". O que não necessariamente serve de alento no cenário atual, já que a crise de 2008 tinha como ícone o mercado imobiliário norte-americano e, agora, o próprio governo.
Como meio de defesa, o ônus da recuperação dos EUA pode recair sobre os demais países dos quais é credor. "Mesmo que o Brasil tenha reservas internacionais, o que dá maior segurança, é uma reserva que escapa rápido. Por isso o País não está blindado, embora melhor preparado do que em 2008. As contas podem ficar mais caras", avalia.
OPORTUNIDADE
Para quem tem quantias disponíveis para investir - sem contar com este dinheiro por tempo indeterminado - pode ser uma boa hora para tentar, diante da queda dos valores das ações. Mas é preciso paciência até a recuperação, mesmo de ações de empresas mais estáveis como a Vale e Petrobrás. Já os títulos públicos são outra opção que apresenta menor risco. Mas o investidor deve avaliar a tendência das ações por semanas e meses, não isoladamente. "Quem já tem investimentos em ações não deve de forma alguma retirar neste momento", salienta Rosângela.
Enquanto isso, o cidadão deve cortar gastos. "O melhor, para garantir, é pagar as contas e guardar dinheiro, evitando fazer novas dívidas e financiamentos, que podem ficar mais caros".
Com a crise, há a tendência de alta no dólar, o que é alerta também para quem vai gastar no exterior numa inversão do cenário que os brasileiros têm aproveitado bastante, com a queda da moeda americana. "O ideal é não comprar no cartão de crédito internacional para evitar surpresas com a cotação do dólar no dia em que fechar a fatura".
Cine Iracema abrirá as portas novamente em 2012
Daíza Lacerda
Usina Iracema reforma local para receber atividades culturais em investimento de R$ 2 mi
"A história se repete, 50 anos depois". Assim resume Ângelo Denadai, presidente da Associação de Movimento Arte e Cultura de Iracemápolis (Amaci) sobre a reabertura do Cine Iracema, que passa por reforma promovida pela Usina Iracema, do Grupo São Martinho, junto à instituição.
Há cerca de um mês teve início a reforma que deve devolver o espaço à cidade em meados do próximo ano, para receber, além de projeções de filmes, demais manifestações culturais como peças de dança, música e teatro. Desativado desde 1984, o local tem novo projeto no qual serão investidos mais de R$ 2 milhões, parte financiada pelo Grupo São Martinho com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além da Lei Rouanet, cujo valor do incentivo fiscal será repassado à Amaci.
"A comunidade está ansiosa para receber esse espaço novamente. Temos grupos na cidade que levam sua arte para outros Estados e não têm estrutura a contento para suas apresentações aqui o que acontece, muitas vezes, em locais improvisados. Será um marco na vida cultural da cidade", declara, Denadai, que estará à frente da administração do local.
Ontem à noite foi realizado evento na Câmara Municipal de Iracemápolis para apresentação do projeto de recuperação, que reuniu autoridades locais, executivos do Grupo São Martinho, da Usina Iracema e representantes da área cultural de Iracemápolis.
O INÍCIO
Com instalações mais modernas, com capacidade para receber 316 pessoas e novo palco de 12 metros de comprimento, nos 716 m², o espaço guarda ainda as antigas máquinas de projeção da época da fundação do Cine Iracema, que teve as portas abertas dia 15 de novembro de 1959, com a exibição do filme italiano "Donatella". História que começou com um pedido singelo para a reforma do cinema que antecedeu o Iracema na cidade, o Cine São José. Quem conta a história é José dos Santos, o "Seu Zé do cinema", que trabalhava com os cinco irmãos no campo. Já na juventude, com atuação no comércio, chamou-lhes atenção "um sujeito que passava fitas com uma maquininha".
"Vimos aquilo e não ficamos contentes. Então decidimos fazer um cinema de verdade, com uma máquina grande. E abrimos o cinema em barracão vizinho à padaria da família", relembra ele, que já conta 90 anos de idade. O ano era 1945.
Os irmãos foram desistindo, mas mesmo diante das dificuldades, ele manteve o funcionamento até 1955 quando fechou o Cine São José, que estava com problemas estruturais. Foi quando pediu ajuda à família Ometto para reabrir o espaço. Quatro anos depois, recebeu a resposta: um prédio novo em folha construído pela Usina Iracema, que o cedeu para que seu Zé administrasse.
AUGE E DECLÍNIO
O Cine Iracema tinha capacidade para receber 572 pessoas e os filmes de Mazzaropi garantiram os recordes de público. Além deles, a lotação aconteceu devido a uma estratégia inusitada. "Quando iam lançar o King Kong, com o filme, o cinema recebia uma réplica do gorila, que media do chão ao teto. Ficou um mês exposto antes da estreia, acorrentado na entrada. Quando o filme finalmente chegou, teve sessões lotadas", lembra seu Zé. "Era mais caro o macaco do que o filme", acrescenta, aos risos.
O cinema teve outro companheiro negro, conhecido da cidade. Chico, um corvo de estimação da cidade, que também "visitava" o cinema, embora isso não acontecesse durante as sessões.
O local recebeu muitos casais que formaram as futuras famílias da cidade. "Eu conhecia todos que entravam. Um por um. Certa vez uma mãe achou que eu estava escondendo a filha dela, quando garanti que a menina não estava no cinema. E, de fato, não estava e a mãe a encontrou em outro local", conta.
Nos anos 80 as coisas começaram a ficar difíceis, como a aquisição de filmes pela nova distribuidora, que impunha exigências que inviabilizavam o negócio. Assim, a exibição de filmes parou em 1984 e deu lugar a um cineclube que funcionou por pouco tempo. O local foi utilizado para cursos, treinamentos e atividades na área de Recursos Humanos. Entre 2000 e 2006 teve manutenções pela usina, como a reforma do telhado.
NOVO PROJETO
A fachada e os painéis de gesso trabalhados nas paredes do prédio com cenas de atividade agroindustrial da cana-de-açúcar, serão mantidos no novo projeto.
Uma bonbonnière, quatro banheiros e um mezanino com capacidade para 56 pessoas são algumas das novidades. Todo o projeto foi constituído a partir de padrões de acessibilidade que garantem totais condições de deslocamento para pessoas com deficiência, inclusive os camarins e o palco. As instalações elétricas e hidráulicas terão reforma completa. Além de pintura, haverá espaçamento maior entre poltronas para proporcionar mais conforto ao público.
Célia e João: o casamento
que começou no cinema
"Nosso namoro começou no Cine Iracema, em setembro de 1966. Conhecemo-nos no jardim. Aceitei o seu convite e nos casamos três anos depois". A lembrança é de Célia Regina Blumer Martinatti, 58, e já foi contada à exaustão para os filhos e netos no resgate da história do casal e também da antiga Iracemápolis.
"Na época, ficávamos no jardim, que hoje é a praça. As moças andavam de um lado e os rapazes, do outro", explica João Edmundo Martinatti, 67, sobre o ambiente em que fez o convite para a futura esposa. Ele tinha 23 anos. Ela, 13.
Eles contam ainda o "esquema" do namoro no cinema. Sempre iam acompanhados de um amigo, que guardava o lugar do par. "Antes de começar o filme os meninos ficavam conversando na frente e as meninas ficavam no meio. Quando se apagavam as luzes, cada um ia sentar-se com o seu par", lembra Célia. Afinal, no cinema podiam se beijar, já que no jardim o máximo permitido na época era dar as mãos.
A expectativa do casal é que a reabertura do espaço proporcione às próximas gerações a mesma alegria das lembranças que cultivam. "Esperamos que possam resgatar a memória, a fim de que nossos netos aproveitem para ser incluída na história da vida deles. Torcemos para que dê certo e que a reabertura seja realidade", declara Célia. (DL)
Usina Iracema reforma local para receber atividades culturais em investimento de R$ 2 mi
"A história se repete, 50 anos depois". Assim resume Ângelo Denadai, presidente da Associação de Movimento Arte e Cultura de Iracemápolis (Amaci) sobre a reabertura do Cine Iracema, que passa por reforma promovida pela Usina Iracema, do Grupo São Martinho, junto à instituição.
Há cerca de um mês teve início a reforma que deve devolver o espaço à cidade em meados do próximo ano, para receber, além de projeções de filmes, demais manifestações culturais como peças de dança, música e teatro. Desativado desde 1984, o local tem novo projeto no qual serão investidos mais de R$ 2 milhões, parte financiada pelo Grupo São Martinho com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além da Lei Rouanet, cujo valor do incentivo fiscal será repassado à Amaci.
"A comunidade está ansiosa para receber esse espaço novamente. Temos grupos na cidade que levam sua arte para outros Estados e não têm estrutura a contento para suas apresentações aqui o que acontece, muitas vezes, em locais improvisados. Será um marco na vida cultural da cidade", declara, Denadai, que estará à frente da administração do local.
Ontem à noite foi realizado evento na Câmara Municipal de Iracemápolis para apresentação do projeto de recuperação, que reuniu autoridades locais, executivos do Grupo São Martinho, da Usina Iracema e representantes da área cultural de Iracemápolis.
O INÍCIO
Com instalações mais modernas, com capacidade para receber 316 pessoas e novo palco de 12 metros de comprimento, nos 716 m², o espaço guarda ainda as antigas máquinas de projeção da época da fundação do Cine Iracema, que teve as portas abertas dia 15 de novembro de 1959, com a exibição do filme italiano "Donatella". História que começou com um pedido singelo para a reforma do cinema que antecedeu o Iracema na cidade, o Cine São José. Quem conta a história é José dos Santos, o "Seu Zé do cinema", que trabalhava com os cinco irmãos no campo. Já na juventude, com atuação no comércio, chamou-lhes atenção "um sujeito que passava fitas com uma maquininha".
"Vimos aquilo e não ficamos contentes. Então decidimos fazer um cinema de verdade, com uma máquina grande. E abrimos o cinema em barracão vizinho à padaria da família", relembra ele, que já conta 90 anos de idade. O ano era 1945.
Os irmãos foram desistindo, mas mesmo diante das dificuldades, ele manteve o funcionamento até 1955 quando fechou o Cine São José, que estava com problemas estruturais. Foi quando pediu ajuda à família Ometto para reabrir o espaço. Quatro anos depois, recebeu a resposta: um prédio novo em folha construído pela Usina Iracema, que o cedeu para que seu Zé administrasse.
AUGE E DECLÍNIO
O Cine Iracema tinha capacidade para receber 572 pessoas e os filmes de Mazzaropi garantiram os recordes de público. Além deles, a lotação aconteceu devido a uma estratégia inusitada. "Quando iam lançar o King Kong, com o filme, o cinema recebia uma réplica do gorila, que media do chão ao teto. Ficou um mês exposto antes da estreia, acorrentado na entrada. Quando o filme finalmente chegou, teve sessões lotadas", lembra seu Zé. "Era mais caro o macaco do que o filme", acrescenta, aos risos.
O cinema teve outro companheiro negro, conhecido da cidade. Chico, um corvo de estimação da cidade, que também "visitava" o cinema, embora isso não acontecesse durante as sessões.
O local recebeu muitos casais que formaram as futuras famílias da cidade. "Eu conhecia todos que entravam. Um por um. Certa vez uma mãe achou que eu estava escondendo a filha dela, quando garanti que a menina não estava no cinema. E, de fato, não estava e a mãe a encontrou em outro local", conta.
Nos anos 80 as coisas começaram a ficar difíceis, como a aquisição de filmes pela nova distribuidora, que impunha exigências que inviabilizavam o negócio. Assim, a exibição de filmes parou em 1984 e deu lugar a um cineclube que funcionou por pouco tempo. O local foi utilizado para cursos, treinamentos e atividades na área de Recursos Humanos. Entre 2000 e 2006 teve manutenções pela usina, como a reforma do telhado.
NOVO PROJETO
A fachada e os painéis de gesso trabalhados nas paredes do prédio com cenas de atividade agroindustrial da cana-de-açúcar, serão mantidos no novo projeto.
Uma bonbonnière, quatro banheiros e um mezanino com capacidade para 56 pessoas são algumas das novidades. Todo o projeto foi constituído a partir de padrões de acessibilidade que garantem totais condições de deslocamento para pessoas com deficiência, inclusive os camarins e o palco. As instalações elétricas e hidráulicas terão reforma completa. Além de pintura, haverá espaçamento maior entre poltronas para proporcionar mais conforto ao público.
Célia e João: o casamento
que começou no cinema
"Nosso namoro começou no Cine Iracema, em setembro de 1966. Conhecemo-nos no jardim. Aceitei o seu convite e nos casamos três anos depois". A lembrança é de Célia Regina Blumer Martinatti, 58, e já foi contada à exaustão para os filhos e netos no resgate da história do casal e também da antiga Iracemápolis.
"Na época, ficávamos no jardim, que hoje é a praça. As moças andavam de um lado e os rapazes, do outro", explica João Edmundo Martinatti, 67, sobre o ambiente em que fez o convite para a futura esposa. Ele tinha 23 anos. Ela, 13.
Eles contam ainda o "esquema" do namoro no cinema. Sempre iam acompanhados de um amigo, que guardava o lugar do par. "Antes de começar o filme os meninos ficavam conversando na frente e as meninas ficavam no meio. Quando se apagavam as luzes, cada um ia sentar-se com o seu par", lembra Célia. Afinal, no cinema podiam se beijar, já que no jardim o máximo permitido na época era dar as mãos.
A expectativa do casal é que a reabertura do espaço proporcione às próximas gerações a mesma alegria das lembranças que cultivam. "Esperamos que possam resgatar a memória, a fim de que nossos netos aproveitem para ser incluída na história da vida deles. Torcemos para que dê certo e que a reabertura seja realidade", declara Célia. (DL)
Madrugada fria chegou a 2ºC na área rural
Daíza Lacerda
A madrugada de ontem teve temperatura mínima de 4,4ºC, mas chegou a 2ºC na área rural. De acordo com o professor Hiroshi Paulo Yoshizane, da Faculdade de Tecnologia (FT/Unicamp), com incidência de vento, a sensação térmica pode reduzir 2ºC. A temperatura continua em queda, com céu limpo, mas deve haver recuperação a partir de amanhã. No entanto, para a próxima quinta-feira é prevista nova queda, com a aproximação de nova frente fria.
A madrugada de ontem teve temperatura mínima de 4,4ºC, mas chegou a 2ºC na área rural. De acordo com o professor Hiroshi Paulo Yoshizane, da Faculdade de Tecnologia (FT/Unicamp), com incidência de vento, a sensação térmica pode reduzir 2ºC. A temperatura continua em queda, com céu limpo, mas deve haver recuperação a partir de amanhã. No entanto, para a próxima quinta-feira é prevista nova queda, com a aproximação de nova frente fria.
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